Não sei se sempre foi assim, ou só porque me mudei, mas esse ano vem sendo o ano do coito interrompido para quem gosta de shows.Quer ver João Gilberto? Encare os R$ 200, os poucos lugares livres pra não-VIPS (porque hoje ser VIP é praticamente uma meta de vida) e o site de ingressos que cai com uns 100 acessos simultâneos.
Roberto e Caetano? Idem. Madonna? Idem.
Aliás, idem nada, pior; se tá desesperado pelo ingresso e o site não passa da home, saia do conforto de sua casa às 2h30 (!!!!) e fique lá no Morumbi, plantado feito um otário, esperando a bilheteria abrir e/ou ser assaltado no frio. De madrugada. Sem dormir.
Corta pra 2001. Rock In Rio III, R.E.M. na segunda noite. Ingressos vendendo à moda antiga, sem essas coisas modernas de internet. Nas agências do Itaú. Fui lá, sozinho, numa tarde ensolarada do Recife, e comprei. R.E.M., uma das maiores bandas do mundo, por algo em torno de R$ 30.
Volta pra 2008. Bicho, isso foi há oito anos apenas (comprei o ingresso em 2000 ainda). Por que os ingressos ficaram tão caros? Por que a internet tá dificultando em vez de facilitar?
Porque a indústria do disco quebrou e artista agora só fica rico com preço abusivo de show? Pode ser. A indústria cultural brasileira ainda é amadora? É, ok. Porque a máfia da carteira de meia-entrada blablablá?
Whatever. Mas isso é certo? É justo?
Mas sobre Madonna, eu particulamente tenho uma opinião. Pelos exemplos prévios, todos previam que não ia ser fácil comprar - e isso porque não falei do caos de U2 em 2006.
Daí pergunto: Madonna vale esse esforço?
Eu até gostei dos últimos dois discos. E ela tem aquele status de mulher-maravilha do pop, que precisa ser vista ao vivo enquanto nos der essa chance.
Mas porra: vendo fotos e vídeos de outros shows dela, eu francamente acho que o conceito do show da loira é algo tipo Banda Calypso gringo. Muito dançarino, muito cenário, muita luz, muito figurino, muita coreografia. E música, hein? Ela entope o fã - que a vê de vez em nunca ao vivo, favor lembrar - com um monte de música nova, e cria uns arranjos "mudernos" pras antigas.
E isso se não tiver playback no meio.
Junte isso à peregrinação da compra do ingresso. Repito: vale a pena? Eu sinceramente acho que não. Posso estar sendo velho, ranzinza, pirangueiro, mas não rola não.
Eu poderia terminar dizendo que é bem feito o sofrimento pra quem se aventurou, mas não é verdade. Se Paul McCartney vier ao Brasil, quem vai ser a vítima otária serei eu, e entenderei perfeitamente o que os Madonnamaníacos passaram. Medo.
P.S.: Não é Paul, mas R.E.M. volta este ano pro Braziu. Vou (tentar) pensar bastante a respeito antes de entrar nessa, porque R.E.M. é R.E.M., mas eu já vi em 2001 (foi foda!) e há essa novela pra encarar...
* Foto roubada do Papel Pop
2 comentários:
é foda.. pra ver show em sp você tem que lidar com frustração.. tô reduzindo bem a lista do que eu ainda quero ver esse ano
=*
Pois pois. E mesmo quando tudo ocorre bem na venda, mas o preço é proibitivo, nem adianta muito pois acabamos sem ir ao show do mesmo jeito...
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