terça-feira, 14 de outubro de 2008

A neura pós-moderna do mp3

É o seguinte, saiu mais um estudo falando o óbvio: que ouvir música alta no fone de ouvido fode a audição. E aí confundem as bolas, pois dizem que a culpa é dos mp3 players. É e não é.

É porque depois que o mp3 player se popularizou, 90% da civilização têm ouvido música apenas pelo fone. E esse modelo de fone estilo iPod - esse que enfia no ouvido - deve ser mais nocivo, porque a música entra lá direto sem nenhum filtro, nem uma espuminha protetora, nada.

Não é porque é basicamente um problema cultural de falta de simancol dos próprios usuários. Por que não comprar um fone que seja menos prejudicial, tipo aqueles grandões de estúdio? "Ah, porque é grande, feio e incômodo". Ok, até concordo, mas será que a outra opção - ficar surdo - não é pior?

Outra: ouvir música mais baixo não resolveria?

O lance é que o iPod está ampliando o nosso autismo perante o mundo. Eu entro no ônibus e vejo mais da metade com mp3 player. Juro, já vi uns se mexendo, dançando e cantando alto. Às vezes o fone tá tão alto que escuto a música de quem está do meu lado.

Outra vez um sujeito quis tanto compartilhar o gosto musical dele na marra que botou um player pra tocar em alto falante dentro do ônibus, na cara dura.

Ok, o barulho da cidade é uma coisa preocupante, mas sei lá, todo mundo de iPod parece a música de Gessinger: todo mundo é uma ilha a milhas de qualquer lugar. Mesmo estando do seu lado. Isso me assusta.

Eu ainda gosto do meu iPod e de ouvir música no ônibus? Sim. Eu tô ficando velho, ranzinza e implicante? Talvez. Mas as pessoas (eu incluso) estão ficando loucas? Provável...

2 comentários:

Anônimo disse...

Eu gostava muito de ouvir rádio. Reclamava da programação mas gostava da idéia de compartilhar a mesma coisa que algumas pessoas aleatoriamente ouviam.

MPadrão disse...

Os podcasts resolveram parte do problema que é a programação das rádios comerciais hoje em dia. Mas ainda é um problema a meu ver, principalmente no Brasil, pois o grosso do público de rádio é a classe baixa sem acesso a podcasts. Assim o grande público não se renova musicalmente. O papel da rádio é cultural.