quinta-feira, 9 de abril de 2009

A vida após o reality


Eu nunca gostei de reality shows, com raras exceções. Gostei do "The Osbournes", que trazia situações muito fake mas ver Ozzy senil pagando mico é algo que vale a pena ser assistido. Gosto de ver o "Queer Eye for the Straight Guy" (existe ainda?) e o "American Idol" só no começo, quando mostram os candidatos sem noção.

Só que sempre tive um pouco de desprezo por reality de competição e/ou confinamento e/ou convivência forçada. Gostei da primeira "Casa dos Artistas" porque era surreal demais um programa que reunia Supla e Alexandre Frota. Mas o "BBB" era algo bem longe da minha realidade até então.

Daí veio esse "BBB 9". Acompanhei e gostei pra cacete, mas ainda mantenho muitas das minhas ressalvas com esse formato. Pra mim é muito claro que todos os participantes, sem exceção, fazem tipo e criam personagens em maior ou menor grau. Outro problema é que o público às vezes elimina muito rápido quem poderia render mais. Ralf e Newton que o digam.

Mas consegui curtir o "BBB 9" por várias razões. Primeiro: no geral, os jogadores eram menos imbecis e de mais personalidade que os dos outros anos. Segundo: a produção do programa percebeu o marasmo do formato e por isso inventou e aperfeiçoou um monte de novidades e torturas: muro, quarto branco, velhinhos, Big Fone, etc. Ainda não achei justo a segunda Casa de Vidro, mas felizmente os dois "intrusos" se estreparam logo.

Terceiro e mais importante: eu consegui me identificar com alguns participantes que felizmente se deram bem. Minha torcida inicial pela conterrânea Michelle (chatinha) morreu assim que descobri Francine, Priscila, Max, Ralf, Milena e Flávio, que nessa ordem eram os meus favoritos para ganhar o prêmio.

Fran por ser linda e engraçada; Pri por ser simples, inteligente e sincera (no que é possível ser sincero em um reality show, claro); Max por jogar aberto e com respeito aos adversários; Milena por ser cachaceira e sem frescuras, e Ralf e Flávio por serem caras simpáticos com quem eu tomaria uma cerveja. Todos eles cometeram alguns desvios e têm lá suas chatices - Max principalmente - mas quem é perfeito?

Oh, Braziu, muito obrigado por eliminar Ana Carolina aos 45 do segundo tempo. Demorou, mas a justiça prevaleceu. O subtítulo desse "BBB" pode ser "ascensão e queda da patricinha favorita"; Ana até teve lá seus bons momentos, mas francamente, não dava para premiar uma donzela que desperdiça sabão em pó sem se importar com o que os outros acham disso e que faz bico e chuta a cama porque alguém que ela gostava foi eliminado. Deu no que deu: 4º lugar, a colocação mais cruel do "BBB". Não foi à toa que a saída dela ganhou mais votos que a final do programa.

No mais, acho que eu preciso fazer análise, pois cheguei até a cogitar votar para eliminar Ana ou para que Pri vencesse. Por internet, claro; o dia em que eu gastar uma ligação de R$ 4 para deixar milionário alguém que nem me conhece, é porque preciso ser jogado no quarto branco para sempre.

P.S.: Imagem roubada do Scully no BBB & TV

P.S. 2: Recomendo muito este texto de Ricardo Calil sobre a quase vitória de Priscila. Só um adendo: se o "coração" de Pri a levou tão longe, o machismo brasileiro a impediu de vencer. Tal machismo está bem menor hoje em dia e ela é prova disso, mas infelizmente ainda persiste.

Nenhum comentário: