terça-feira, 3 de novembro de 2009

Vou mandar um salve


Na matéria mais longa e mais "séria" que já vi no "Pânico", no último domingo, eles narraram a biografia de Zina, abordaram o caso envolvendo a prisão, o vício de cocaína e a esquizofrenia do ex-guardador de carros que fala "Ronaldo!" e ainda apuraram detalhes sobre o combate às drogas em São Paulo e no Brasil. Tá aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.

Tirando toda a perfumaria e apelação melodramática, o que ficou foi: 1) eles afirmaram não saber, até então, que Zina usava drogas; 2) o cara prometeu se livrar do vício (mas não parecia muito interessado nisso); 3) criticaram a postura da imprensa sobre o caso, reforçando o caráter humilde de Zina e frases feitas como "ninguém sabe o que ele viveu".

Sobre isso, francamente, duvido muito que eles desconhecessem esses problemas de Zina. Estão lado a lado com o cara - e com a família dele - há meses. Bastava olhar para ele nas reportagens. Ele nunca pareceu um cara que batia bem da cabeça. Dias antes da prisão, rolou até um vídeo no Youtube de Zina supostamente cheirando coca em um ônibus, mas que saiu do ar pouco depois.

Além disso, o programa não abordou o processo movido por Zina - e que foi arquivado - por usarem a imagem dele como chacota e para ganhar dinheiro com camisetas.

Isso é que pega no "Pânico". Os caras são engraçados, e sim, rio muito com Zina, que é uma figura. Mas quando o bicho pega, eles apagam o incêndio sem esclarecer direito os fatos. Até acho que eles querem mesmo ajudar o cara a se recuperar. Mas fica a impressão nítida que isso só aconteceu por causa da prisão. Se não, até hoje Zina seria o mascote engraçado com um lado negro escondido nos bastidores.

Mais sobre isso neste post de Rosana Hermann.

Nenhum comentário: