sexta-feira, 4 de julho de 2008

Hancock



Atenção: texto com SPOILER!

Fui ver Hancock com pouca, ou quase nenhuma, expectativa. Primeiro, porque esse lance de anti-herói sem noção não é novidade nos quadrinhos. O Homem de Ferro teve uma fase alcoólatra no qual fez um monte de coisas muito parecidas com as cenas iniciais de Hancock: voando bêbado, torto, tentando fazer coisas certas mas deixando um monte de estragos. Segundo, porque era um filme de Will Smith, e eu até acho o cara um bom comediante, mas os filmes deles ou são versões gigantes de Um Maluco no Pedaço ou superblockbusters de ação onde ele é o bam-bam-bam da parada. Em ambos, tudo gira ao redor dele, são megacomerciais naquele jeitão "superastro cool" que também rola nos filmes de Tom Cruise e George Clooney.

Hancock tem esses tiques e outros problemas, mas também tem lá seus bons momentos.

Primeiro os bons momentos: algumas cenas cômicas são divertidas, como as cenas de salvamento no trem e da baleia, além da achincalhação com o guri pentelho (embora seja totalmente contra a lei da Física de ação e reação, pois se ele tivesse caído no braço de Hancock naquela aceleração, tinha se partido em dois). Também gosto muito do personagem do relações-públicas. No começo achei que ele seria um aproveitador clichê, mas não foi, e isso foi uma boa surpresa.

Agora os problemas. Notícias mais antigas sobre esse filme falavam que era "o melhor roteiro que circulou durante décadas em Hollywood". Ou isso é balela, ou ele foi mal-tratadamente reescrito. O que me pareceu é que o filme era inicialmente um grande drama envolvendo poder absoluto x vulnerabilidade e humanidade, aprofundando um pouco o estilo de Corpo Fechado. Mas aí veio Will Smith e meteu uma gag aqui, uma cena de ação ali, um final previsível acolá.

Pra resumir: a primeira metade do filme, que envolve a tentativa de Hancock se reabilitar, é bem interessante, mesmo com as gags todas. Depois eles abordam a origem do cara - é um poderosão imortal que há 80 anos teve amnésia - e revelam que a esposa do RP era superpoderosa igual a ele, que eles eram os únicos da espécie (haviam outros que morreram), que quando se encontram perdem os poderes, etc. Aí você vê as coincidências e conveniências miraculosas: os únicos poderosos do planeta moram nos EUA; que é um país enorme, e a chance do casal se reencontrar é mínima, mas aconteceu; e os bandidos que fogem da cadeia nem sabem direito como funciona a perda de poderes, mas vão lá se vingar do overpower Hancock jurando que vai ser fácil. Ok, ele já estava ferido, mas mesmo assim.

Sobre o final, eu prefiriria que ambos tivessem morrido. Daria uma força maior ao filme, mas é claro que isso não iria acontecer.

Ah, os efeitos são meio toscos. Com aquela artificialidade inerente ao digital. O cara voando parece que está recortado e colado no cenário, as coisas se espatifam e viram um monte de pixels, e assim vai.

O plot tinha tudo pra render um puta filme, mas jogando todos os prós e contras do resultado final na balança, virou só um pipocão. Ainda bem que eu gosto de pipoca.

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