quinta-feira, 18 de setembro de 2008

Meu apego às traquitanas

Contrariando a velocidade de consumo da pós-modernidade, utilizei meu celular Nokia 1100 o máximo possível; isso significou três anos e oito meses na prática. De dezembro de 2004 pra cá, o Sport voltou à primeira divisão (pra ficar, espero!), o Google dominou o mundo, Bill Gates se aposentou, e morreram Dercy Gonçalves e Dorival Caymmi; já eu mudei de emprego umas duas vezes, casei e mudei de cidade.

Já faz umas três semanas que o velho guerreiro 1100 foi trocado pelo Nokia 6101. O 1100 até continua funcionando, mas como o 6101 foi uma oferta de sogro irrecusável, tive que aposentar o outro. Ok, usar tela monocromática em tempos de iPhone de tela sensível ao toque era um pouco de retrocesso, but who cares? O celular era resistente (levou bilhões de quedas); tinha jogo da cobrinha com meu recorde gravado; lembretes e despertador eficientes; cronômetro; relógio; e o melhor de tudo, a lendária lanterninha para achar algo caído no chão à noite. Ah, sim, também fazia ligações.

Outra coisa muito particular: na ferramenta composer, consegui programar "Radioactivity" do Kraftwerk e virou o toque do celular. Até onde sei, ninguém tinha esse toque, só eu.

O celular novo, o 6101, não tem composer - ainda estou usando um toque genérico da Nokia, mas ele aceita toques mp3 que são pagos. Nem tem cobrinha e lanterna, mas tem outras coisinhas bem boas, como a básica câmera, viva-voz e vários outros recursos que tinham no outro, por também ser da Nokia. Ainda estou me acostumando, mas espero gostar dele também. O porém de tudo é que eu realmente encarava o meu prolongado uso do 1100 como uma bandeira política contra o consumismo tecnológico - não que eu não seja consumista, mas assumir o problema e tentar freá-lo é um passo importante para a reabilitação, hahaha.

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