
Uma vez me peguei pensando no quão é nazista a tarefa doméstica de escolher feijões. Aquilo de abrir o saco, botar um punhado de feijões na mesa e separar os que serão cozinhados dos que irão pro lixo.
A gente faz isso supostamente pensando na saúde, mas acho que às vezes nessa singela tarefa nós demonstramos nosso nazismo intrínseco. Fala sério, quem nunca tirou uns feijões que nem estavam estragados, mas eram apenas "feios"? Ou levemente descascados? Ou de cores diferentes?
Tais feijões podem ter o mesmo gosto dos feijões "bons" e nem vamos saber, porque não lhes damos a chance. A diferença disso para Auschwitz é que quem vai para a câmara de gás - ou seja, o fogão - são justamente os feijões "bons".
E ainda existe no supermercado o saco com "feijões previamente selecionados" para só então escolhermos; ou seja, é o nazismo do nazismo.
Na foto acima, a ironia também está no racismo às avessas: num punhado de feijões pretos, aparecem esse branquinho aí, encurralado pelos "niggas". Eu lhe dei uma chance e foi pra panela, mas nunca consegui identificá-lo depois de cozido.
Confesso que eu, uma pessoa supostamente sem preconceitos, fiquei noiado com isso. Aparentemente, todo cozinheiro - principalmente os mais perfeccionistas - tem um Hitler dentro de si.
3 comentários:
Cara, achei isso muito bom!
Simplesmente muito bom!
Queria fazer um comentário: esse verificador de palavras é um linguista sensacional! Capaz de surpreender Renato Russo e compor palavras que nunca foram ditas.
Augusto.
que verificador de palavras?
Quando vou comentar aqui o blogger pede que eu escreva uma palavra que aparece em imagem. Agora ta escrito: vozqced.
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