Fazia um bom tempo que eu não lia a "Superinteressante". Eu já colecionei a revista por alguns anos da minha infância de CDF. Tinha todas, até o número zero que, acho eu, não foi vendida em bancas e só circulou de forma bastante restrita. Daí li a edição de março deste ano, cujo tema de capa são os cachorros. Basicamente, o texto diz que a longo prazo, o homem pode estar pondo o cachorro em extinção.A raça Canis familiaris surgiu como uma evolução derivada do lobo, a Canis lupus. Quando a Humanidade construiu grandes cidades, os lobos circundavam os lixões destas em busca de alimentos. Os lobos fogem por instinto quando chega um homem - afinal, nenhum bicho com algum cérebro atura o ser humano mesmo. Mas os espécimes que arriscaram se aproximar das pessoas acabavam obtendo mais alimentos do que aqueles que fugiam.
Com o tempo, o homem também viu negócio naquele tipo de lobo e passou a criá-lo para tarefas, como caça ou proteção à residência. As cidades cresceram, surgiram mercados e armas de fogo, e essas funções dos cães (a essa altura já eram cães) perderam um pouco do sentido. Daí a função do cão deixou de ser pragmática para ser estética e afetiva. Isto é, os homens passaram a promover cruzamentos malucos para criar mais raças bonitinhas e amigáveis.
Depois das raças criadas, fizeram mais: acentuaram características das raças cruzando cachorros com alto grau de parentesco. Assim, uma orelha ficava maior, o focinho mais achatado... tudo para deixar o cachorro mais cuti-cuti.
Resultado: o que cachorro mais tem hoje em dia é doença genética.
Cachorros têm alta probabilidade de desenvolver câncer; de ter dependência exagerada do dono, e como isso, ter desequilíbrio emocional; têm ossos menos resistentes e mandíbulas muito menores (não precisam mais caçar, lembra?). E o homem também está muito dependente dos cães. Tem gente que gosta mais de cachorro do que de gente; o que de certa forma é bem compreensível, já que muita gente por aí não presta mesmo.
O que eu acho? Por um lado, é preciso algum programa do governo e/ou de ONGs para promover mais cruzamentos entre espécimes da mesma raça, além de cuidados para preservar alguns instintos básicos do bicho.
Sempre adorei cachorros, mas sou contra esse lance de mimá-los a ponto deles acharem que são pessoas. Essas coisas absurdas tipo usar roupinha, dormir na cama, comer sushi. Bota ele pra dormir em cima de um tecido grosso e comer ração que tá bom demais. É melhor pro cachorro, que fica menos dependente da gente, e melhor pros donos, que deixam de se comportar como abilolados.
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