quinta-feira, 7 de maio de 2009

Dois textos legais sobre quadrinhos

Em tempos de gripe suína, crise econômica e enchentes, é claro que um assunto como quadrinhos desperta muita indiferença do público comum - o que é compreensível. Ninguém vai ler uma revista doente ou liso.

Só que hoje em dia a visão global sobre os quadrinhos têm evoluído para muito além dos maniqueísmos e clichês como "quadrinho é pra criança" x "quadrinho é uma arte subestimada"; "HQ brasileira é ruim" x "toda HQ americana é idiota e só vende por causa do marketing"; "toda HQ européia é inteligente"; "todo mangá é burro"...

Vamos ser francos. Chega dessa visão de coitadinho. Nunca se viu tanta HQ boa à venda por aí. HQ agora tem estandes privilegiados na Livraria Cultura, com encadernação de luxo. E muita gente com um pingo de juízo sabe que nem todo leitor de quadrinho é nerd queijudo.

MAS... como quase toda a cultura pop atual, os quadrinhos continuam passando por uma sofrida transição provocada por fatores econômicos (crise), culturais (preconceitos de leitores e não leitores) e técnicos (descobrir a função da internet nisso tudo sem cair na pirataria). E quando esse papo cai na realidade brasileira, tudo fica ainda mais obtuso.

(ATUALIZAÇÃO: esqueci de mencionar a já conhecida crise criativa dos quadrinhos nos últimos anos, principalmente os de super-heróis. Mas se até a Mônica virou mangá, a coisa está ficando mais séria)

Esses dois textos me chamaram a atenção porque fogem da discussão viciada sobre o assunto. Este, do Universo HQ, propõe um "Dogma" semelhante àquele dos cineastas dinamarqueses.

Gostei particularmente deste tópico:

O apego ao mundo material, na forma do colecionismo obcecado, tem causado grande mal aos quadrinhos e precisa ser desestimulado. Bons quadrinhos devem circular. Empreste-os ou, preferencialmente, doe-os para que outros possam lê-los.

Talvez não dê em nada, mas fica aí a provocação.

este texto é uma tentativa de entender porque o mercado dos EUA tem resistência aos escritores brasileiros de HQ - isso é, tem mesmo? A meu ver, há preconceito sim, mas que vem sendo amenizado.

Quem sabe um dia, com muuuuita insistência, talento e sorte, apareça um Alan Moore brasileiro? Ou pelo menos um Grant Morrison...

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