Hoje completo um ano em meu primeiro emprego em São Paulo. Às vezes sou ruim de lembrar essas efemérides: esqueço datas de aniversário de primos, acontecimentos históricos, mas já faz uns dias que venho tentando não me esquecer disto. Simplesmente porque os meses anteriores à minha reentrada ao mercado de trabalho foram alguns dos mais difíceis da minha vida.
A União Soviética morreu há 18 anos, tempo suficiente para existirem adolescentes que nem sabem o que é comunismo. Em um planeta cada vez mais capitalista e consumista, estar desempregado é quase a mesma coisa que estar em coma. E quando você tem outra(s) pessoa(s) que dependam do que você ganha, o pesadelo é dobrado, triplicado, quadruplicado.
Quando você se apresenta para alguém, em 90% dos casos te perguntam: "onde você trabalha?". E se você responde que não tem emprego, ou qualquer outro eufemismo - "em busca de novas oportunidades", por exemplo - é difícil a conversa não entrar no constrangimento.
Segundo o Dieese, a taxa de desemprego no país voltou a crescer em julho, ficando em 15%. Só nas seis maiores regiões metropolitanas, são 3,029 milhões de pessoas sem vaga no mercado.
É difícil acordar todo dia e manter a esperança. Às vezes ela reacende com algum e-mail respondido, um convite a uma seleção de emprego, uma entrevista. Mas quando vem outro não, é difícil se reerguer. Nao apenas pela situação em si, mas para lidar com o lado psicológico. "Afinal, quando esse emprego vai aparecer, se é que vai aparecer?" "Os chefes que não me contratam me acham tão inútil assim?" "O que faço para ser notado e conseguir mais chances?"
Dedico esse post - muito sem graça de tão sério que foi, mas que não podia ser diferente - a todas essas pessoas que passaram ou passam por esse período tão sofrido da vida. E que nosso presidente pense mais neles quando vier com aquela conversa de pescador de zilhões de empregos gerados na sua gestão.
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