Senhores e senhoras que moravam por lá há décadas se emocionaram ao falar do problema, descrevendo-o como mais uma fase de um longo processo de urbanização desordenada do bairro. Uma moça quase conseguiu briga no trânsito porque ficou impedida de estacionar seu carro por causa do transtorno da obra. Pessoas que moram até em ruas mais distantes à calçada reclamam do barulho noturno do Biroska & cia. Depoimentos muito bons.
Um ponto a se comemorar é que uma reclamação paralela à calçada - a de que os bares haviam parafusado holofotes a uma árvore sem autorização - acabou sendo resolvida. Os tais holofotes foram retirados.
Claro, como quase sempre acontece em um evento assim, houve quem falasse bobagem, que queria aproveitar para resolver outros problemas, etc. Um morador de rua criou caso porque afirma ganhar pão diariamente da dona dos bares e não achava justa a crítica do povo para com ela. "Quem é que vai dar meu pão? Vocês??", resmungou. Outra senhora repetia como disco arranhado: "Temos que chamar a Globo e a Record, senão não adianta!". Pareciam aqueles barracos de "A Grande Família".
Ainda bem que os organizadores tiveram jogo de cintura para lidar com essas coisas, que poderiam enfraquecer o movimento. Um senhor até falou com razão: "estou aqui para resolver o problema da calçada, e só isso. Não estou aqui para levantar bandeiras sociais".
Durante a manifestação, era possível ver a dificuldade que os veículos - principalmente os ônibus - tinham para dobrar a esquina com o estreitamento da rua. Confira no vídeo abaixo.
Ah, uma coisa muito importante que quase todo mundo ali frisou: ninguém é necessariamente contra a ideia de uma Calçada da Fama, desde que esta seja produzida em um local e da maneira adequados. Do jeito que está, só beneficia a empresária Lilian Gonçalves. Seria ótimo se ela entrasse na roda e abrisse diálogo com os moradores para todos chegarem a uma solução comum.
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