
Nunca precisei de agenda na vida, e nunca entendi por que as pessoas usavam. Nunca precisei porque sempre consegui lembrar tudo que eu precisava fazer neste ou naquele respectivo dia. E nunca entendi o uso da agenda pelos outros porque se a pessoa esquecia do que iria fazer, essa mesma pessoa seria desmemoriada o bastante para não lembrar de ver a agenda e assim descobrir o que deve ser lembrado. Ou não?
Quando eu passei a usar um celular com lembretes, os poucos afazeres que me escapavam já não seriam mais esquecidos. E o bichinho serviu muito bem nesses últimos anos. Antes dele, as raras agendas que comprei na vida viviam vazias.
Até que nas primeiras semanas deste ano, senti uma sensação esquisita. Percebi que, desde o ano passado, quando a "vida de adulto" - alugar apartamento, pagar muitas contas, etc. - veio com força total, minha cabeça já não estava mais dando conta do volume de tarefas e coisinhas a lembrar. Ou pra ficar nas gírias de moderninho, minha cabeça estava baleiando. Memória FAIL.
E isso estava me prejudicando e me deixando noiado.
Caiu a ficha de que uma agenda, afinal, seria finalmente algo útil na minha vida. Comprei uma. Pequenininha, discreta, de bolso, R$ 10 na livraria aqui perto de casa. Assim que chega no cérebro um algo-a-fazer-nos-próximos-dias, procuro ela logo pra anotar, para que eu não caia no paradoxo de rapidamente esquecer de anotar, ou seja, esquecer de me lembrar.
Eu a abro quase todo dia, às vezes mais de uma vez no dia, e não é raro eu me deparar com afazeres que estavam bem longe do meu HD craniano, e exclamar para mim mesmo: "Pourra, eu nunca lembraria disso se não estivesse anotado aqui".
E agora eu sei porque as pessoas usam agenda. Quando ela realmente se torna necessária, o hábito de checá-la e atualizá-la surge naturalmente, e requer menos esforço do que puxar tudo pela memória.
Pois é, Wim Wenders e aprendenders.
Um comentário:
Caro Márcio,
Utilizo-me deste artifío há vários anos. Minha memória já está condicionada a depender da tal agenda ou do celular. E tem aquela coisa, se vc não exercitar o cérebro enferruja. Pois é, nem telefone consigo mais decorar, sempre recorro a minha memória auxiliar.
Um abraço,
SHEILA SANTOS
Recife/PE
Postar um comentário