quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Coletâneas perfeitas: Roberto Carlos + expectativa pro show



Geralmente uso uma charge ou uma foto estilosa para o "Coletâneas Perfeitas", mas neste caso, o cara merece uma atenção especial, por isso pus um vídeo dele no que considero o auge de sua carreira, no filme "Roberto Carlos em Ritmo de Aventura".

Vou assistir ao Rei pela primeira vez ao vivo hoje, no Ginásio do Ibirapuera. É o encerramento dessa série de shows dele em São Paulo, pelos 50 anos de carreira.

Confesso que minhas expectativas estão baixas. Não vai ser um show ruim, tenho certeza disso, porque o cara continua com o vozeirão e a postura de palco impecáveis. Mas acho que vai ser o típico show de temporada: um tanto rígido, com repertório e falas ensaiadas/decoradas à exaustão. Sem falar que criativamente falando, Robertão está longe do auge há anos.

Na minha opinião, "Caminhoneiro" foi sua última grande canção. Depois ele entrou naquela confortável posição de grande artista, fazendo músicas com arranjos e ideias reciclados de sucessos anteriores. Pra resumir: virou prisioneiro do próprio estilo. E seus shows refletem isso. Sempre trazem um repertório viciado, com aqueles velhos 15 hits inevitáveis e, com sorte, ele recupera uma ou outra música mais obscura.

Mas enfim, o Rei merece respeito sempre. E é por isso que escolho hoje meus 20 clássicos preferidos dele.

- O Calhambeque
- É Proibido Fumar
- Quero Que Vá Tudo Pro Inferno
- Eu Te Darei o Céu
- Querem Acabar Comigo
- Eu Sou Terrível
- Quando
- Por Isso Corro Demais
- Eu Te Amo, Te Amo, Te Amo
- As Curvas da Estrada de Santos
- Debaixo dos Caracóis dos Seus Cabelos
- Todos Estão Surdos
- Detalhes
- Jesus Cristo
- O Divã
- Sua Estupidez
- Cavalgada
- Amigo
- Emoções
- Caminhoneiro

Considerações:

* Para variar, um cara com a história e discografia de Roberto Carlos dificulta a tarefa de escolher só 20 músicas. O período histórico que favoreci foram os 20 primeiros anos, com ênfase na Jovem Guarda, pois é o momento que ele era um artista mais ousado e criativo (ainda que chupasse muita ideia dos gringos), e menos careta. Aliás, resisti por muitos anos em gostar das fases de RC anos 70 em diante. A era Jovem Guarda, no entanto, nunca deixou de ser minha favorita, por mais que reconheça os méritos dele nos anos 70.

* Megahits que infelizmente optei por deixar de fora: "Splish Splash", "Parei na Contramão", "Namoradinha de Um Amigo Meu", "Negro Gato", "Se Você Pensa", "A Montanha", "Traumas", "À Distância", "Lady Laura"... a lista vai longe. Mas o caso de tirar "Como é Grande o Meu Amor Por Você" merece uma explicação: gosto da música, mas acho que já deu. Encheu o saco, principalmente nesse arranjo a la Ray Conniff dos shows recentes.

* E sim, pelo mesmo motivo citado acima, cheguei muito perto de tirar "Jesus Cristo", "Detalhes", "Amigo" e "Emoções". Mas acho que seria injusto, pois são músicas importantes demais para a carreira dele, além de terem uma força incrível.

* Daria fácil para fazer um top 20 só com os clássicos obscuros. Imagine um show sem os quatro megahits que citei acima, e recheado de "Como Dois e Dois", "Vista a Roupa, Meu Bem", "E Por Isso Estou Aqui", "Uma Palavra Amiga", etc. Seria sonhar demais, né?

* Abri uma exceção para "Jesus Cristo", mas eu não curto a veia religiosa do Rei quando impregna as canções dele. Ele deixou de ser pop e virou tiozão mesmo quando entrou nessa barca furada. Também acho que às vezes a veia politicamente correta não rende boas músicas. As canções das gordinhas, baixinhas, etc. são até engraçadinhas, mas não rola pôr aqui. Podem notar que a lista parou em "Caminhoneiro", a única dos anos 80. Década de 90 foi barrada, e nos anos 2000 ele não fez nada ineditamente decente. Só fez um bom disco acústico.

Ninguém perguntou, mas talvez eu fale aqui o que achei do show. Vou ali escolher a roupa mais marrom que eu tiver.

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