É, nem a Pixar escapa da síndrome do subtítulo boboca no Brasil.
Bem, dos últimos filmes do estúdio, de "Toy Story 2" para cá, assisti a todos no cinema, com exceção de "Carros" e "Wall-E". Isso prova o quanto venho confiando neles, visto que vou ao cinema com cada vez menos frequência por causa dos ingressos caros.
E depois de "Wall-E" então, que considero empatado com "Procurando Nemo" o melhor filme da Pixar, minha expectativa por "Up" era naturalmente grande.
E assim como no show de Robertão, certamente não me decepcionei, mas também não fiquei tão extasiado quanto gostaria.
A sequência de "Up" após os créditos iniciais é de fato a melhor coisa que a Pixar produziu em sua história. Muito já foi dito por aí que é coisa pra sujeito se desmanchar em lágrimas, e é mesmo (não chorei, mas por bem pouco). É uma aula de cinema; fluidez de edição, trilha sonora, uma acertada ausência de diálogos, a "atuação" dos personagens... tudo nessa sequência é impecável, coisa de se ver nos melhores "filmes de arte". Paga com louvor o teu ingresso e te põe para refletir sobre a vida em poucos minutos.
Por conta disso, acho que "Up" será lembrado por muitos anos como "aquele filme daquela cena inicial da vida dos velhinhos". Sim, porque o filme continua, e os detalhes ruins começam a incomodar.
Ainda dá para se interessar pelo velho Carl quando este surge. A solidão e a amargura do personagem foram didaticamente explicadas pelos minutos anteriores. Quando ele faz a casa voar, ok, entramos no universo fantasioso, estou preparado. Mas aí, mesmo levando em conta o fator "suspensão da descrença", o filme não se esforça muito para explicar...
[SPOILERS]
... como e em que momento o menino apareceu na casa antes dela subir;
... o motivo que transformou o velho explorador que queria provar sua idoneidade no malvadão da história;
... como esse mesmo explorador inventou tecnologia para cachorro falar no meio da Amazônia;
... como esse cara, bem mas velho que Carl, estava tão inteirão fisicamente, apesar de velho. E pô, vilão que morre caindo em filme da Disney já deu, né?
[/SPOILERS]
Curioso que a segunda melhor cena do filme é praticamente a parte dois daquela sequência inicial, quando ele [SPOILERS]abre o álbum de fotos ao chegar na cachoeira e se dá conta que realizar aquele sonho não curou a dor da perda da esposa. É de cortar a espinha[/SPOILERS].
Outros pontos altos do filme são a gag do sapo, os cenários da selva muito bem feitos, os belos créditos finais e o cachorro Dug, que me pareceu até bem mais divertido que o menino Russell. Ah, a dublagem também está ótima, incluindo o grande Chico Anysio na voz de Carl.
Para resumir: tá certo que quando o assunto é filme-família, a Pixar é a melhor no que faz, só que eles mesmos já dão sinais de que querem fugir das amarras deste tipo de história - notem que todas as produções do estúdio se resolvem em sequências envolvendo velocidade.
A Pixar está se viciando em uma fórmula que ela mesma consolidou. E isso não vai ser bom no futuro.
2 comentários:
Cara, os detalhes que te incomodaram não me afetaram, não senti necessidade dessas explicações, acho que estou me acostumando a entender histórias que não explicam muita coisa. E se você for bem as respostas não são muito difíceis de serem encontradas, talvez esteja aí um lado positivo, cada um pode encontrar sua resposta.
Mas concorco que a cena inicial que é a grande cena do filme e que o resto fica em segundo plano perto dela, até comentei no twitter que vi várias aulas de psicologia Social e sociologia nesse filme e foi tudo por conta dessa cena.
É, muitas vezes é interessante o processo de achar respostas nos vácuos que o roteiro deixa. Geralmente isso acontece quando a gente se envolveu o bastante para se importar com o filme. Mas no caso de "Up", acho que a irregularidade do filme - leia-se a primeira cena x as demais - me desconcentrou um pouco.
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