Comprei só no ano passado, mas como só agora estou com tempo livre - livre até demais... - a Antologia do Pasquim tem sido a salvação das tardes de ócio.
As entrevistas são incríveis, profundas como quase não se lê por aí. E o mais espantoso é que a conjuntura pouco mudou, pois os depoimentos continuam contemporâneos.
Em uma, Di Cavalcanti reclama que existe muito investimento para coisas frívolas no Brasil e pouco para o homem. Em outra, Leila Diniz se diverte com a imagem que fazem dela. Que em todas as entrevistas sobre ela, a chamam de "a mulher do amor livre" e ficam logo achando que Leila é a (*) da zona. Sim, eles usaram estrelinhas nos palavrões de Leila para se precaver da censura. "Ficou parecendo a Via Láctea", falou o ratinho-símbolo Sigmund, ou Sig, no canto da página.
Vinícius de Morais fazia uns perfis enormes sobre os amigos dele. Puxava o saco do amigo, claro, mas com uma elegância textual imensa.
As charges e tiras são maravilhosas. Tem o citado Sig do Jaguar ("esse tal de reflexo condicionado funciona mesmo! Cada vez que [o rato no labirinto] toca a campainha, aparece um sujeito de branco e toma uma porção de notas!"), tem os Fradinhos de Henfil ("Hoje em dia criança sem neuroses não sobrevive"), tem os desenhos feiosos de Millor. A charge do departamento de censura lendo o Pasquim com sorrisos maliciosos nos rostos é um bom exemplo da fina ironia.
Adoravam sacanear com Nelson Rodrigues, que era opositor assumido do jornal. Mas o próprio Jaguar sacaneava com o falar empolado de Paulo Francis, um dos colaboradores (e de quem eu particularmente não vou muito com a cara), dizendo que tudo estava "inserido no contexto".
Ainda tô na página 117 e são mais de 300. Vamulá.
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