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sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

O mendigo rico


Dia desses, voltando do shopping, eu e ela nos deparamos com uma farmácia e lá paramos para comprar alguma coisa. Na porta, um mendigo pedia esmola às pessoas que entravam e saíam do estabelecimento.

Até aí, normal. Só que o cara não queria dinheiro. Queria que comprássemos um produto da farmácia para ele. Normal também? Seria, se o pedido dele não fosse... fraldas descartáveis para o filho pequeno.

Só quem é pai e mãe deve saber o quanto a invenção da fralda descartável foi essencial para a vida dele - por mais antiecológico que seja. Mas pô, será que o mendigão, um cara que supostamente precisa reutilizar ao máximo seus próprios objetos, não podia juntar trocados para comprar umas fraldas de pano e as lavar todo dia?

Pensei até no caso do barraco dele não ter água encanada, mas sei não... como o bairro em questão era o chique Higienópolis, só acho que o folgado estava pedindo um troço desses porque sabe que há quem compre.

Daqui a pouco vai pedir o que, moço? Band-aids de Hello Kitty?

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Sobrevivendo no ônibus


Planeta: Terra. Cidade: São Paulo. Como todas as metrópoles do planeta, São Paulo se acha hoje em desvantagem em sua luta contra o maior inimigo do homem: o ônibus lotado.

Em uma desses retornos para casa, estava eu em pé, ouvindo uma musiquinha no mp3 player, em um desses ônibus. O dito cujo subia e descia as ladeiras do trajeto avenida Rebouças-Consolação, com as costumeiras sacudidas. Até que uma senhora sentada na minha frente brada:

"NÃO SABE ANDAR DE ÔNIBUS NÃO?!?"

Tiro o fone: "Hã?". Ela repete a pergunta.

"O que foi?", insisto. "Ah, você aí balançando, batendo em mim".

"Mas não sou eu, é o ônibus que balança!". "Ah, segura direito! Aprende a andar de ônibus!", ensina a simpática.

Peço desculpas, tentando encerrar o papo, e ando de lado um passo, pra não "bater" mais nela.

Ônibus lotado é sempre uma aventura. Os de SP são incríveis, porque o corredor destinado aos passageiros em pé mal dá para uma fileira de pessoas, com muito custo para duas. E daí não sobra espaço para quem está atrás ir para a frente, e vice-versa.

Além disso, os passageiros têm uns vícios que dificultam tudo. Destaco dois: se aglomerarem perto da catraca e não preenchem os vazios na parte de trás; e insistirem em subir no ônibus mesmo com a porta lotada onde não cabe nem mais uma pena.

Enquanto isso, vou levando esporro porque o para-choque frouxo do veículo balança nos 3498940 buracos do caminho. E também porque "não sei andar de ônibus".

Foto: Mundo Besteirol

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

São Paulo cinza e verde


Olho para essa vista toda vez que almoço. Reparem ao lado esquerdo que há um horizonte de prédios (o centro) sobre um mar de verde (Jardins).

Uma vez as pessoas se surpreenderam com a definição de David Lloyd para São Paulo: de que "há muito cinza e verde" na cidade. E pô, olhando por esse ângulo, será que ele não tinha razão?

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

A vida como uma barra de download


Em São Paulo funciona há alguns meses esse display que exibe, em certas paradas de ônibus, o tempo estimado que a linha que você está esperando poderá levar para chegar onde você está. Eu vejo isso e não consigo deixar de lembrar das nossas esperas para terminar o download, com aquele tempo restante oscilando entre cinco minutos e dois dias, dependendo do vai e vem da conexão, deixando-nos mais ansiosos do que já somos.

E assim é o trânsito de São Paulo. Muitas vezes o display informa que faltam dois minutos para chegar - tempo que pode ser bem maior na prática, principalmente se todo mundo quiser subir ao mesmo tempo na parada anterior e resolver atrasar tudo.

De repente, é melhor nem olhar para a maquininha para não criar falsas expectativas. Essa novidade me faz querer recuperar meu acaso, aquele que me cerca e me surpreende para o bem ou para o mal.

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Manifestação contra a Calçada da Fama - resumo

O encontro deu mais gente do que eu esperava. Cerca de 120 pessoas, acho. Claro, não é uma multidão, mas foram pessoas que tinham muito a contribuir com o tema. Vários aproveitaram para relatar suas experiências ruins contra a obra.

Senhores e senhoras que moravam por lá há décadas se emocionaram ao falar do problema, descrevendo-o como mais uma fase de um longo processo de urbanização desordenada do bairro. Uma moça quase conseguiu briga no trânsito porque ficou impedida de estacionar seu carro por causa do transtorno da obra. Pessoas que moram até em ruas mais distantes à calçada reclamam do barulho noturno do Biroska & cia. Depoimentos muito bons.

Um ponto a se comemorar é que uma reclamação paralela à calçada - a de que os bares haviam parafusado holofotes a uma árvore sem autorização - acabou sendo resolvida. Os tais holofotes foram retirados.

Claro, como quase sempre acontece em um evento assim, houve quem falasse bobagem, que queria aproveitar para resolver outros problemas, etc. Um morador de rua criou caso porque afirma ganhar pão diariamente da dona dos bares e não achava justa a crítica do povo para com ela. "Quem é que vai dar meu pão? Vocês??", resmungou. Outra senhora repetia como disco arranhado: "Temos que chamar a Globo e a Record, senão não adianta!". Pareciam aqueles barracos de "A Grande Família".

Ainda bem que os organizadores tiveram jogo de cintura para lidar com essas coisas, que poderiam enfraquecer o movimento. Um senhor até falou com razão: "estou aqui para resolver o problema da calçada, e só isso. Não estou aqui para levantar bandeiras sociais".

Durante a manifestação, era possível ver a dificuldade que os veículos - principalmente os ônibus - tinham para dobrar a esquina com o estreitamento da rua. Confira no vídeo abaixo.



Ah, uma coisa muito importante que quase todo mundo ali frisou: ninguém é necessariamente contra a ideia de uma Calçada da Fama, desde que esta seja produzida em um local e da maneira adequados. Do jeito que está, só beneficia a empresária Lilian Gonçalves. Seria ótimo se ela entrasse na roda e abrisse diálogo com os moradores para todos chegarem a uma solução comum.

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Um erro chamado Calçada da Fama

Venho aqui falar do assunto mais importante desta semana. O caso da mocréia da Uniban? Madonna conhecendo os pobres do Rio? Nada disso! É o absurdo da "Calçada da Fama" no bairro de Santa Cecília, em São Paulo.

Ok, acho simpática a calçada original lá de Hollywood, o Projac dos EUA. Mas daí o provincianismo brasileiro ataca novamente na iniciativa da empresária Lilian Gonçalves. Ela quer fazer um clone brasileiro da tal calçada no bairro paulistano de Santa Cecília a fim de incrementar seus bares e casas noturnas no quarteirão.

O problema é que a brincadeira não vai ser boa para os moradores.


Como dá para notar na foto acima, a calçada vai ficar maior, mas com isso a já estreita rua vai estreitar mais ainda. Nela passam linhas de ônibus que ajudam muita gente a se locomover, além do tráfego geralmente intenso de carros.

A obra finalizada vai trazer os seguintes malefícios:

1) Reduzirá o número de vagas para carros ao meio fio nesse lado da rua;

2) Provavelmente as linhas de ônibus que circulam nas ruas Dona Veridiana e Canuto do Val serão removidas pela Prefeitura;

3) Complicará o trânsito de carros, ampliando os engarrafamentos, sendo que estes já são constantes com a rua em seu tamanho original;

4) À noite, quando os bares da calçada recebem seus clientes, o barulho de buzinas e gritaria de bêbados deverá aumentar com a novidade. Isso também já é corriqueiro no local.

Como se não bastasse, a obra só beneficia Lilian Gonçalves; os moradores nunnca foram consultados para saber se gostariam que o valor da obra - R$ 2 milhões, parte deles custeados com dinheiro público - fosse gasto dessa forma.

E aí? Vamo protestar! Se você se indignou, apóie a causa do blog Calçada da Lama e/ou vá à manifestação abaixo. A luta está apenas começando!

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Sobre o desemprego

Hoje completo um ano em meu primeiro emprego em São Paulo. Às vezes sou ruim de lembrar essas efemérides: esqueço datas de aniversário de primos, acontecimentos históricos, mas já faz uns dias que venho tentando não me esquecer disto. Simplesmente porque os meses anteriores à minha reentrada ao mercado de trabalho foram alguns dos mais difíceis da minha vida.

A União Soviética morreu há 18 anos, tempo suficiente para existirem adolescentes que nem sabem o que é comunismo. Em um planeta cada vez mais capitalista e consumista, estar desempregado é quase a mesma coisa que estar em coma. E quando você tem outra(s) pessoa(s) que dependam do que você ganha, o pesadelo é dobrado, triplicado, quadruplicado.

Quando você se apresenta para alguém, em 90% dos casos te perguntam: "onde você trabalha?". E se você responde que não tem emprego, ou qualquer outro eufemismo - "em busca de novas oportunidades", por exemplo - é difícil a conversa não entrar no constrangimento.

Segundo o Dieese, a taxa de desemprego no país voltou a crescer em julho, ficando em 15%. Só nas seis maiores regiões metropolitanas, são 3,029 milhões de pessoas sem vaga no mercado.

É difícil acordar todo dia e manter a esperança. Às vezes ela reacende com algum e-mail respondido, um convite a uma seleção de emprego, uma entrevista. Mas quando vem outro não, é difícil se reerguer. Nao apenas pela situação em si, mas para lidar com o lado psicológico. "Afinal, quando esse emprego vai aparecer, se é que vai aparecer?" "Os chefes que não me contratam me acham tão inútil assim?" "O que faço para ser notado e conseguir mais chances?"

Dedico esse post - muito sem graça de tão sério que foi, mas que não podia ser diferente - a todas essas pessoas que passaram ou passam por esse período tão sofrido da vida. E que nosso presidente pense mais neles quando vier com aquela conversa de pescador de zilhões de empregos gerados na sua gestão.

domingo, 3 de maio de 2009

Cachorro é cachorro e vice-versa

Fazia um bom tempo que eu não lia a "Superinteressante". Eu já colecionei a revista por alguns anos da minha infância de CDF. Tinha todas, até o número zero que, acho eu, não foi vendida em bancas e só circulou de forma bastante restrita. Daí li a edição de março deste ano, cujo tema de capa são os cachorros. Basicamente, o texto diz que a longo prazo, o homem pode estar pondo o cachorro em extinção.

A raça Canis familiaris surgiu como uma evolução derivada do lobo, a Canis lupus. Quando a Humanidade construiu grandes cidades, os lobos circundavam os lixões destas em busca de alimentos. Os lobos fogem por instinto quando chega um homem - afinal, nenhum bicho com algum cérebro atura o ser humano mesmo. Mas os espécimes que arriscaram se aproximar das pessoas acabavam obtendo mais alimentos do que aqueles que fugiam.

Com o tempo, o homem também viu negócio naquele tipo de lobo e passou a criá-lo para tarefas, como caça ou proteção à residência. As cidades cresceram, surgiram mercados e armas de fogo, e essas funções dos cães (a essa altura já eram cães) perderam um pouco do sentido. Daí a função do cão deixou de ser pragmática para ser estética e afetiva. Isto é, os homens passaram a promover cruzamentos malucos para criar mais raças bonitinhas e amigáveis.

Depois das raças criadas, fizeram mais: acentuaram características das raças cruzando cachorros com alto grau de parentesco. Assim, uma orelha ficava maior, o focinho mais achatado... tudo para deixar o cachorro mais cuti-cuti.

Resultado: o que cachorro mais tem hoje em dia é doença genética.

Cachorros têm alta probabilidade de desenvolver câncer; de ter dependência exagerada do dono, e como isso, ter desequilíbrio emocional; têm ossos menos resistentes e mandíbulas muito menores (não precisam mais caçar, lembra?). E o homem também está muito dependente dos cães. Tem gente que gosta mais de cachorro do que de gente; o que de certa forma é bem compreensível, já que muita gente por aí não presta mesmo.

O que eu acho? Por um lado, é preciso algum programa do governo e/ou de ONGs para promover mais cruzamentos entre espécimes da mesma raça, além de cuidados para preservar alguns instintos básicos do bicho.

Sempre adorei cachorros, mas sou contra esse lance de mimá-los a ponto deles acharem que são pessoas. Essas coisas absurdas tipo usar roupinha, dormir na cama, comer sushi. Bota ele pra dormir em cima de um tecido grosso e comer ração que tá bom demais. É melhor pro cachorro, que fica menos dependente da gente, e melhor pros donos, que deixam de se comportar como abilolados.

segunda-feira, 20 de abril de 2009

Pequena reflexão sobre as cidades que eu gosto


Por que Recife fica cada vez mais suja, os prédios cada vez mais abandonados, as ruas cada vez mais esburacadas, as noites cada vez mais sem opção de lazer, os bairros cada vez mais escuros e perigosos?

Por que São Paulo não ganha esse silêncio e tranquilidade de feriado mais vezes?



Imagens roubadas do Acerto de Contas e do blog Letras e Tempestades, respectivamente

terça-feira, 14 de outubro de 2008

A neura pós-moderna do mp3

É o seguinte, saiu mais um estudo falando o óbvio: que ouvir música alta no fone de ouvido fode a audição. E aí confundem as bolas, pois dizem que a culpa é dos mp3 players. É e não é.

É porque depois que o mp3 player se popularizou, 90% da civilização têm ouvido música apenas pelo fone. E esse modelo de fone estilo iPod - esse que enfia no ouvido - deve ser mais nocivo, porque a música entra lá direto sem nenhum filtro, nem uma espuminha protetora, nada.

Não é porque é basicamente um problema cultural de falta de simancol dos próprios usuários. Por que não comprar um fone que seja menos prejudicial, tipo aqueles grandões de estúdio? "Ah, porque é grande, feio e incômodo". Ok, até concordo, mas será que a outra opção - ficar surdo - não é pior?

Outra: ouvir música mais baixo não resolveria?

O lance é que o iPod está ampliando o nosso autismo perante o mundo. Eu entro no ônibus e vejo mais da metade com mp3 player. Juro, já vi uns se mexendo, dançando e cantando alto. Às vezes o fone tá tão alto que escuto a música de quem está do meu lado.

Outra vez um sujeito quis tanto compartilhar o gosto musical dele na marra que botou um player pra tocar em alto falante dentro do ônibus, na cara dura.

Ok, o barulho da cidade é uma coisa preocupante, mas sei lá, todo mundo de iPod parece a música de Gessinger: todo mundo é uma ilha a milhas de qualquer lugar. Mesmo estando do seu lado. Isso me assusta.

Eu ainda gosto do meu iPod e de ouvir música no ônibus? Sim. Eu tô ficando velho, ranzinza e implicante? Talvez. Mas as pessoas (eu incluso) estão ficando loucas? Provável...

domingo, 10 de agosto de 2008

Around the world

Depois de 1439 dias de aporrinhação, as Olimpíadas de Mao Tsé Tung finalmente começaram. As atenções do mundo todas voltadas praquele país longe e cheio de chineses. E o que acontece no mundo enquanto isso?

(Fonte das notícias e fotos abaixo: Folha Online)

***



Um trem bateu numa antiga ponte, deixando 10 mortos e 100 feridos na República Tcheca...



São Paulo continua com um trânsito limpezinha mesmo sem caminhões...



Os tibetanos continuam levando fumo da China na Maratona da Independência...



E a grande novidade: a Rússia e a Geórgia (isso não era nome de estado dos Estados Unidos?) resolveram sair na bala por conta de um território do tamanho do Ibura [Recife mode on] chamado Ossétia do Sul. Você conhecia? Eu não. Nome feio à parte, o fato é que a Rússia ficou bolada, meteu míssil e tanque, e já deixou as tropas da Geórgia pedindo arrego.

A "boa notícia" nisso tudo: 2 mil sujeitos que não tem nada a ver com o fato da Ossétia ser rota de petróleo e gás natural - é, tinha que ter dinheiro na jogada - já bateram as botas.

***

É... nada de muito importante. Desculpem o incômodo! Quantas medalhas o Brasil ganhou mesmo?

quarta-feira, 16 de julho de 2008

Crianças baleadas e banqueiros no réu

A violência no Rio, ou Riolência, como diz o Macaco Simão, está de volta à imprensa. Segundo a Folha, foram três casos fortes em dez dias: um menino de três anos morto porque os policiais confundiram o carro da mãe com o dos bandidos; segunda-feira, um administrador de 36 anos é atingido por tiros direcionados ao carro dos assaltantes; hoje de madrugada, um jovem de 21 anos foi baleado na madrugada desta quarta-feira após sofrer um acidente de trânsito e agredir os policiais que tentavam socorrê-lo, e aparentava estar bêbado.

Os dois primeiros casos são parecidos porque envolvem perseguição em carros. Afinal, como é que se prepara uma polícia para pegar o bandido sem causar acidente ou ferir o inocente? É o mesmo problema de perseguir bandido a pé no meio de um lugar lotado de gente. Helicóptero e GPS? Reforço policial monstruoso, com guardas em cada esquina? Na falta dessas condições, parece que a ordem tem sido disparar a esmo - os policiais argumentaram, no caso do administrador, que atiraram para revidar tiros disparados, o que ainda não é justificativa. E quando os tiros pegam no cidadão que não tem nada a ver, como fica? A política Bush do ataque como melhor defesa é necessária à medida que os "vilões" endurecem? Quem vigia os vigilantes?

Enquanto isso, o delegado que prendeu Daniel Dantas é afastado do caso. É isso aí, fazer a coisa certa prendendo acusado rico e com "competência" pra se safar, dá nisso, seu delegado... grande exemplo.