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sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

O mendigo rico


Dia desses, voltando do shopping, eu e ela nos deparamos com uma farmácia e lá paramos para comprar alguma coisa. Na porta, um mendigo pedia esmola às pessoas que entravam e saíam do estabelecimento.

Até aí, normal. Só que o cara não queria dinheiro. Queria que comprássemos um produto da farmácia para ele. Normal também? Seria, se o pedido dele não fosse... fraldas descartáveis para o filho pequeno.

Só quem é pai e mãe deve saber o quanto a invenção da fralda descartável foi essencial para a vida dele - por mais antiecológico que seja. Mas pô, será que o mendigão, um cara que supostamente precisa reutilizar ao máximo seus próprios objetos, não podia juntar trocados para comprar umas fraldas de pano e as lavar todo dia?

Pensei até no caso do barraco dele não ter água encanada, mas sei não... como o bairro em questão era o chique Higienópolis, só acho que o folgado estava pedindo um troço desses porque sabe que há quem compre.

Daqui a pouco vai pedir o que, moço? Band-aids de Hello Kitty?

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Entrevista: Xico Sá


Você provavelmente sabe quem é Xico Sá. Já deve ter lido alguma crônica dele na Folha de São Paulo, se deparado com seu blog O Carapuceiro, ou tê-lo visto no "Cartão Verde" ou no "Notícias MTV". Ou a aparição dele no filme "O Cheiro do Ralo". Se em nenhum desses lugares, talvez em algum barzinho da Vila Madalena.

Enfim, o cara é ocupado, mas conseguiu cinco minutos para responder umas perguntinhas para este humilde blog por e-mail. E se você sabe quem é ele, sabia que ele está preparando um livro sobre o ex-craque Sócrates? Confere aí mais detalhes sobre isso e outras coisas.

MPadrão: Você nasceu no Ceará e viveu em Pernambuco. Em seus textos você assume uma "persona" cabra-macho nordestino impregnado das influências cosmopolitas de São Paulo. O quanto esse Xico Sá conhecido do público é igual ou diferente do "real"?

XS: É essa desgraça que se vê mesmo, ajuntamento desses lugares, duzentas mil influências arrumadas ao longo desses caminhos, vezes com mais sustança, vezes mais fraco e metido a moderno. E sempre pulando mais por necessidade do que por boniteza, como faz o sapo no dizer colhido por Guimaraes Rosa entre os sertanejos de Minas.

MPadrão: Você é um dos poucos jornalistas da mídia impressa que acabou ganhando ainda mais fama quando foi parar na TV. Esse seu perfil, citado na pergunta anterior, seria a razão de seu sucesso na frente das câmeras?

XS: O que faço na TV é tudo por consequência do que escrevo no papel ou nos blogs. Vou lá e falo as mesmas coisas, de um jeito mais desarrumado e feio ainda, mas mantendo a pegada do cronista de jornal. Alem do "Cartão Verde", faço uma pequeníssima crônica na MTV, no "Notícias MTV", programa do Cazé. Juro que procuro não ver nada do que faço na televisão, pois me espanto com a feiúra e com o desmantelo, como quem ouve a voz gravada, nas primeiras vezes, e acha horrível. E olha que me divirto na hora de fazer e ganhar meu troco, mas ver, tô fora, Deus me livre.

MPadrão: É verdade que está produzindo um livro sobre Sócrates, seu colega no "Cartão Verde"? Poderia falar mais sobre o assunto?

XS: Junto com o Vladir Lemos, apresentador/mediador do "Cartão" estamos nessa missão. Tem material já de sobra, entre convívio e apuração, mas não será uma biografia séria e oficial. Apenas um livro divertido que consiga mostrar a importância do doutor no futebol e na política, pois tem muita gente no Brasil que aprendeu o sentido de democracia com a Democracia Corinthiana. Sai em meados de 2010.

MPadrão: Noto em suas crônicas uma mistura de poesia com jornalismo gonzo. Quais seriam as suas influências mais fortes nessas duas vertentes?

XS: Tem um pouco dessas duas coisas sim, mas o que se convencionou chamar de gonzo nunca foi pensado, pois tinha esse traço, de forma mais radical que hoje, bem antes de conhecer sequer o termo. Acho que a matrix é o mundo ali dos cronistas líricos, principalmente Antônio Maria, uma coisinha ali crônica de costumes, como Padre Carapuceiro, e, vez por outra, uma maluquice assimilada das leituras do Kurt Vonnegut.

MPadrão: Você lembra qual foi a reportagem mais bizarra que já fez? Quando e como foi?

XS: A mais bizarra foi uma sobre a máfia dos papa-defuntos do Recife, que me fingi de morto e tudo,me botaram dentro de um caixão de uma funerária da Caxangá, essa foi doideira, mas a finalidade era séria: denunciar o esquema funerário de exploração da miséria. Publiquei em "O Rei da Notícia", no Recife dos anos 80, com fotos de Fred Jordão. Tem outra que gosto que é sobre o esquema de prostituição e política e Brasília, a putaria usada como lobby, saiu na "Trip", há uns quatro anos, quando descobriram aquela cafetina famosa, a Marie Córner, se não me engano – essa teve ilustração do Lourenço Mutarelli, que me acompanhou como se fosse o fotógrafo da apuração, o cara disse tudo nos seus desenhos. Outra que vale citar é um cruzeiro que fiz com o Rei Roberto, também para "Trip", ano 2005, creio, com loucuras dentro do navio.

MPadrão: Outra grande marca do seu trabalho é a informalidade típica dos papos de boteco. Qual é a importância dessa instituição etílica na vida contemporânea, na sua opinião?

XS: Aí está minha grande fonte. É nessa instituição nacional que colho tudo para a escrita hoje em dia. Do boteco mais pé-sujo ao mais arrumadinho de classe média. Com uma ida vez por outra aos puteiros, lógico, que não são os mesmos, mas continuam grandes lares de histórias prontas para um repórter ou cronista.

MPadrão: Para você, o que o caso Geisy atesta - ou desmente - na sociedade brasileira na questão do feminismo?

XS: Que em muitos setores, e nisso São Paulo é bem mais conservador (pelo menos em matéria de vestimenta), ainda não avançamos o que imaginávamos.

MPadrão: O futebol brasileiro foi mais agitado que a média neste ano. Além do retorno de Ronaldo e Adriano, tivemos novas emoções nos pontos corridos e algum progresso na Seleção. Quais são as suas previsões futebolísticas para 2010, incluindo aí Brasileirão e a Copa?

XS: Anda tudo dando tão certo para a seleção, que eu, supersticioso como muitos, temo uma derrocada na hora H, quando tiver que provar mesmo que é a tal. Tem um time africano muito bom: Costa do Marfim. Gana também joga uma bola redondinha. Seria lindo que vencesse, no continente deles, uma das duas. Mas se o Icasa de Juazeiro se mantiver na série B (subiu agora), o Sport voltar para a A e o Santos for campeão brasileiro, tá de bom tamanho.

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Sobrevivendo no ônibus


Planeta: Terra. Cidade: São Paulo. Como todas as metrópoles do planeta, São Paulo se acha hoje em desvantagem em sua luta contra o maior inimigo do homem: o ônibus lotado.

Em uma desses retornos para casa, estava eu em pé, ouvindo uma musiquinha no mp3 player, em um desses ônibus. O dito cujo subia e descia as ladeiras do trajeto avenida Rebouças-Consolação, com as costumeiras sacudidas. Até que uma senhora sentada na minha frente brada:

"NÃO SABE ANDAR DE ÔNIBUS NÃO?!?"

Tiro o fone: "Hã?". Ela repete a pergunta.

"O que foi?", insisto. "Ah, você aí balançando, batendo em mim".

"Mas não sou eu, é o ônibus que balança!". "Ah, segura direito! Aprende a andar de ônibus!", ensina a simpática.

Peço desculpas, tentando encerrar o papo, e ando de lado um passo, pra não "bater" mais nela.

Ônibus lotado é sempre uma aventura. Os de SP são incríveis, porque o corredor destinado aos passageiros em pé mal dá para uma fileira de pessoas, com muito custo para duas. E daí não sobra espaço para quem está atrás ir para a frente, e vice-versa.

Além disso, os passageiros têm uns vícios que dificultam tudo. Destaco dois: se aglomerarem perto da catraca e não preenchem os vazios na parte de trás; e insistirem em subir no ônibus mesmo com a porta lotada onde não cabe nem mais uma pena.

Enquanto isso, vou levando esporro porque o para-choque frouxo do veículo balança nos 3498940 buracos do caminho. E também porque "não sei andar de ônibus".

Foto: Mundo Besteirol

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

youPIX dezembro, o que vi


"Quando me chamam de cuzão eu abraço a pessoa" - Rafinha Bastos


Tem aqui, aqui e aqui o resumo da edição de dezembro do evento youPIX, sobre cultura digital, no MIS de São Paulo. Fui nos dois primeiros dias.

No primeiro dia, a primeira palestra foi sobre sexo. Acho que o trabalho de Penélope na MTV tem seus altos e baixos (como tudo na vida), mas acho que ela foi mais uma convidada do que uma mediadora propriamente dita. Falou coisas divertidas, mas poderia ter aparecido menos. Não conhecia a tal da @lini e achei ela muito personagem, com frases de efeito e roupa "causante". Raquel Surfistinha falou quase nada, mas achei até bom, pois as experiências dela vão virar filme e daqui a pouco a vida dela volta à pauta.

A segunda palestra com Ben Huh - o dono do Lolcats e Failblog e novo rico da web - foi a melhor de todas. A filosofia de trabalho é ser simples, e ele a empregou muito bem na explanação. Foi claro e direto ao ponto, intercalou bem as piadinhas, tudo longe daquele modelo quadrado de CEO. Vou falar mais sobre ele aqui no blog (surpresa em breve, aguardemmm!).

No dia seguinte, o papo foi sobre criatividade digital. Na palestra em si, duas coisas merecem menção: 1) Rafinha é a favor de que a presença criativa na internet seja munida de liberdade total e experimentalismo (o que implica muitas vezes em cair no erro e desagradar muita gente), enquanto Alicia criticava as "obras vazias sem mensagem"; 2) o carinha dos vídeos do emo, o tempo todo sem completar nenhuma resposta e ar de "caceta, o que tô fazendo aqui?".

Sobre o primeiro ponto, o mais sintomático aconteceu no dia seguinte: Rafinha virou o novo Judas do Twitter por defender que "suicida tem mais que se fuder", sobre o caso Leila Lopes. Para o bem ou para o mal, ele acabou pondo bem em prática o que falou no youPIX.

A última palestra foi a mais boba de todas, sobre celebridades 2.0. Os convidados falaram o que todo mundo que acompanha essa área sabe: as subcelebridades são sempre mais divertidas. E para chamar a atenção na web, seu trabalho precisa ser ou muito bom, ou muito ruim. Com a unanimidade acerca disto, praticamente não rolou debate.

Foto: Flickr da Pix

São Paulo cinza e verde


Olho para essa vista toda vez que almoço. Reparem ao lado esquerdo que há um horizonte de prédios (o centro) sobre um mar de verde (Jardins).

Uma vez as pessoas se surpreenderam com a definição de David Lloyd para São Paulo: de que "há muito cinza e verde" na cidade. E pô, olhando por esse ângulo, será que ele não tinha razão?

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Coletâneas perfeitas: AC/DC


Como diria Ozzy Osbourne: "Rock n' rooooooooolll!!" Hoje tem show do AC/DC em São Paulo e eu NÃO VOU!! Dammit! Mimimi à parte, aproveitemos o gancho para apresentar as 20 músicas definitivas da melhor banda australiana do mundo todo... inclusive da Austrália.

* It's a Long Way To The Top (If You Wanna Rock 'n' Roll)
* T.N.T.
* High Voltage
* Jailbreak
* Dirty Deeds Done Dirt Cheap
* Ride On
* Let There Be Rock
* Whole Lotta Rosie
* Highway To Hell
* Rock 'N' Roll Damnation
* Gone Shootin'
* Back In Black
* Hells Bells
* Shoot To Thrill
* For Those About To Rock
* You Shook Me All Night Long
* Who Made Who
* Thunderstruck
* Big Gun
* Rock n' Roll Train

Qualquer fã do AC/DC sabe bem quais são os maiores sucessos da banda e estão todos aí, inclusive "Back In Black", que de uns tempos para cá virou queridinha dos caras que fazem as trilhas sonoras de filmes e propagandas. Mas na lista acima tem umas músicas menos badaladas que gosto muito, como o blues "Ride On" e a amena "Gone Shootin'". Também dei espaço para a divertida "Big Gun", da trilha do filme "O Último Grande Herói".

Peguei músicas de todas as fases simplesmente porque o AC/DC não tem fase ruim. Prova disso é que o hit mais novo, "Rock n' Roll Train", marcou presença.

Por causa de Angus Young, eu e milhões de fãs pelo mundo aprenderam a amar a Gibson SG. O AC/DC é uma daquelas instituições do rock que defendem muito bem sua importância histórica até hoje, com quase quarenta anos nas costas. Para quem vai ao show, aproveitem, pois deve ser um momento único. Angus e companhia, we salute you!

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

A vida como uma barra de download


Em São Paulo funciona há alguns meses esse display que exibe, em certas paradas de ônibus, o tempo estimado que a linha que você está esperando poderá levar para chegar onde você está. Eu vejo isso e não consigo deixar de lembrar das nossas esperas para terminar o download, com aquele tempo restante oscilando entre cinco minutos e dois dias, dependendo do vai e vem da conexão, deixando-nos mais ansiosos do que já somos.

E assim é o trânsito de São Paulo. Muitas vezes o display informa que faltam dois minutos para chegar - tempo que pode ser bem maior na prática, principalmente se todo mundo quiser subir ao mesmo tempo na parada anterior e resolver atrasar tudo.

De repente, é melhor nem olhar para a maquininha para não criar falsas expectativas. Essa novidade me faz querer recuperar meu acaso, aquele que me cerca e me surpreende para o bem ou para o mal.

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Manifestação contra a Calçada da Fama - resumo

O encontro deu mais gente do que eu esperava. Cerca de 120 pessoas, acho. Claro, não é uma multidão, mas foram pessoas que tinham muito a contribuir com o tema. Vários aproveitaram para relatar suas experiências ruins contra a obra.

Senhores e senhoras que moravam por lá há décadas se emocionaram ao falar do problema, descrevendo-o como mais uma fase de um longo processo de urbanização desordenada do bairro. Uma moça quase conseguiu briga no trânsito porque ficou impedida de estacionar seu carro por causa do transtorno da obra. Pessoas que moram até em ruas mais distantes à calçada reclamam do barulho noturno do Biroska & cia. Depoimentos muito bons.

Um ponto a se comemorar é que uma reclamação paralela à calçada - a de que os bares haviam parafusado holofotes a uma árvore sem autorização - acabou sendo resolvida. Os tais holofotes foram retirados.

Claro, como quase sempre acontece em um evento assim, houve quem falasse bobagem, que queria aproveitar para resolver outros problemas, etc. Um morador de rua criou caso porque afirma ganhar pão diariamente da dona dos bares e não achava justa a crítica do povo para com ela. "Quem é que vai dar meu pão? Vocês??", resmungou. Outra senhora repetia como disco arranhado: "Temos que chamar a Globo e a Record, senão não adianta!". Pareciam aqueles barracos de "A Grande Família".

Ainda bem que os organizadores tiveram jogo de cintura para lidar com essas coisas, que poderiam enfraquecer o movimento. Um senhor até falou com razão: "estou aqui para resolver o problema da calçada, e só isso. Não estou aqui para levantar bandeiras sociais".

Durante a manifestação, era possível ver a dificuldade que os veículos - principalmente os ônibus - tinham para dobrar a esquina com o estreitamento da rua. Confira no vídeo abaixo.



Ah, uma coisa muito importante que quase todo mundo ali frisou: ninguém é necessariamente contra a ideia de uma Calçada da Fama, desde que esta seja produzida em um local e da maneira adequados. Do jeito que está, só beneficia a empresária Lilian Gonçalves. Seria ótimo se ela entrasse na roda e abrisse diálogo com os moradores para todos chegarem a uma solução comum.

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Um erro chamado Calçada da Fama

Venho aqui falar do assunto mais importante desta semana. O caso da mocréia da Uniban? Madonna conhecendo os pobres do Rio? Nada disso! É o absurdo da "Calçada da Fama" no bairro de Santa Cecília, em São Paulo.

Ok, acho simpática a calçada original lá de Hollywood, o Projac dos EUA. Mas daí o provincianismo brasileiro ataca novamente na iniciativa da empresária Lilian Gonçalves. Ela quer fazer um clone brasileiro da tal calçada no bairro paulistano de Santa Cecília a fim de incrementar seus bares e casas noturnas no quarteirão.

O problema é que a brincadeira não vai ser boa para os moradores.


Como dá para notar na foto acima, a calçada vai ficar maior, mas com isso a já estreita rua vai estreitar mais ainda. Nela passam linhas de ônibus que ajudam muita gente a se locomover, além do tráfego geralmente intenso de carros.

A obra finalizada vai trazer os seguintes malefícios:

1) Reduzirá o número de vagas para carros ao meio fio nesse lado da rua;

2) Provavelmente as linhas de ônibus que circulam nas ruas Dona Veridiana e Canuto do Val serão removidas pela Prefeitura;

3) Complicará o trânsito de carros, ampliando os engarrafamentos, sendo que estes já são constantes com a rua em seu tamanho original;

4) À noite, quando os bares da calçada recebem seus clientes, o barulho de buzinas e gritaria de bêbados deverá aumentar com a novidade. Isso também já é corriqueiro no local.

Como se não bastasse, a obra só beneficia Lilian Gonçalves; os moradores nunnca foram consultados para saber se gostariam que o valor da obra - R$ 2 milhões, parte deles custeados com dinheiro público - fosse gasto dessa forma.

E aí? Vamo protestar! Se você se indignou, apóie a causa do blog Calçada da Lama e/ou vá à manifestação abaixo. A luta está apenas começando!

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Coletâneas perfeitas: Sonic Youth


O Sonic Youth é uma daquelas bandas que acabam sendo parte de sua história de vida. Conheci pessoas legais só porque tinham em comum comigo o fato de gostarem da banda, de ficarem esperando o dia inteiro ligados na MTV para assistir aos clipes e especiais.

Em 2000, tive nas mãos uma grande chance de vê-los ao vivo. Sabia que estavam vindo ao Brasil para o Free Jazz Festival, e eu tinha a grana guardada, mas também sabia que o R.E.M. viria para o Rio alguns meses depois. Tive que optar dolorosamente pela segunda opção, pois não tinha dinheiro para ver os dois.

Li por aí que o show que estão preparando para o Planeta Terra está bem focado no último disco, "The Eternal". O disco é bom, ainda bem, mas vai ser uma pena se deixarem de tocar alguns dos clássicos que fizeram parte da minha vida - ver lista abaixo.

* Tom Violence
* Schizophrenia
* Stereo Sanctity
* Teenage Riot
* Silver Rocket
* Cross The Breeze
* Candle
* Dirty Boots
* Tunic (Song For Karen)
* Kool Thing
* Mildred Pierce
* 100%
* Drunken Butterfly
* Youth Against Fascism
* Sugar Kane
* Bull In The Heather
* Starfield Road
* Little Trouble Girl
* Reena
* The Empty Page

Considerações:

* Tem músicas demais do "Daydream Nation", "Goo" e "Dirty" simplesmente porque são os melhores discos deles, na minha humilde opinião. Eu poria até mais músicas, mas seria sacanagem demais com os outros discos.

* É uma seleção bem voltada para a faceta rock da banda. O Sonic Youth faz aquelas músicas incríveis cheias de camadas de guitarras, capazes de expressar tensão, amor, angústia, raiva, etc. Gosto em maior ou menor grau de boa parte que a banda fez, mas eu dei um tempo naquela fase mais "progressiva" do "Washing Machine" ao "Sonic Nurse" - achei esse período meio chatinho - até retornarem ao rock em "Rather Ripped".

* Mereciam menção honrosa as covers deles de "Superstar" do Carpenters e de "Into The Groove" de Madonna, com o projeto Ciccone Youth.

Agora, rumo ao show!

Foto: BlogTO

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Quando a educação perde

Uma das notícias mais deprimentes que vi neste ano foi esta: uma escola de São Paulo que foi depredada de um jeito tão estúpido que é difícil de aceitar.

Eles levaram um computador e um rádio, arrombaram armários, e as paredes foram pichadas com catchup. Em outras vezes, urinaram na caixa d'água e levaram 18 computadores novos e um laptop. Isso na véspera da primeira aula de informática que os alunos teriam na vida.

Na reportagem do Jornal da Globo, doeu ver a professora chorando pelo prejuízo de ver um monte de livros escolares - que provavelmente devem ter sido uma conquista suada da direção - totalmente estragados, no chão, cheios de catchup.

Sério, velho, qual é a graça disso? Sei lá, posso ser muito bonzinho em pensar assim, mas será que até os espíritos-de-porco não tem limites? Um caso desses é a falta de educação em toda a sua plenitude: dos arruaceiros, perpetuada para as crianças, que deestimuladas, podem acabar no mesmo caminho de desgraça daqueles que provocaram isso.

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Alô, Alô, Terezinha


A meu ver, um bom documentário é aquele que usa o objeto real documentado como um "McGuffin" para contar boas histórias e iniciar reflexões mais profundas sobre o mundo em que vivemos. É exatamente o que faz "Alô, Alô, Terezinha".

Mesmo hoje em dia, é difícil entender o anárquico, caótico, escrachado e carnavalesco pernambucano Abelardo Barbosa. No filme de Nelson Hoineff, quem se sai melhor na tarefa é Alceu Valença: Chacrinha foi o cara que levou a figura do "velho" do pastoril profano à televisão.

Apoiado no tradicional formato imagens de arquivo + depoimentos, o filme tem como maior mérito seguir a linha mestra do Velho Guerreiro: mandar o politicamente correto às favas e entrar de cabeça nos detalhes "picantes" da biografia do comunicador.

No desenrolar da produção, fica fácil entender que Chacrinha se torna o centro de temas como os limites do grotesco e da sexualidade na indústria cultural; a obsessão dos anônimos de pular para o sucesso; e as diferenças de Zeitgeist (espírito da época) entre os estranhos anos 80 e a asséptica década atual.

Não incomoda no filme a nudez de Índia Potira, ou a evidente "plastificação" dos artistas que mantém a mesma cara há mais de 20 anos, enquanto as pobres chacretes não resistiram ao tempo. Incomoda mais o pieguismo do diretor ao pedir para todo mundo cantar à capela, ou chorar por alguns segundos para a câmera.

Ou pior, constatar que tudo isso é mero calhau, pois as imagens de Chacrinha em ação são muito poucas e muito ruins - fruto do descaso das emissoras com seu próprio acervo. Que por sua vez, vem do desleixo dos brasileiros com sua própria história. Independente disso, o filme merece ser visto e revisto pelo mérito que é reativar, por uma hora e meia, uma época em que a TV e a sociedade eram menos pretensiosas.

Curiosidade: na sessão que fui, no metrô Santa Cecília (SP), tivemos a presença ilustre na plateia de ninguém menos que Rita Cadillac.

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Coletâneas perfeitas: Primal Scream



Conheci o Primal Scream pelo clipe de "Come Together", no início da MTV Brasil. Por não estar familiarizado com o lance chapadão-dançante do rock britânico early 90's, achei a banda esquisita e não gostei de primeira. Daí veio o disco seguinte e o clipe de "Rocks", que achei mais aprazível. Depois conheci o "XTRMNTR" e daí foi só paixão.

Acho incrível como a banda transtita muito bem por diversos gêneros sem perder a identidade e a qualidade. Pude vê-los ao vivo em 2004 no Tim Festival em SP, em um show incrível, e vou revê-los em novembro no Planeta Terra.

Falando no Terra, este é o primeiro post de uma série; aguardem mais coletâneas perfeitas com as demais bandas do festival.

1 - Come Together
2 - Movin' on Up
3 - Slip Inside This House
4 - Higher Than The Sun
5 - Loaded
6 - Shine Like Stars
7 - Jailbird
8 - Rocks
9 - Funky Jam
10 - Kill All Hippies
11 - Accelerator
12 - Swastika Eyes
13 - Shoot Speed-Kill Light
14 - Miss Lucifer
15 - Autobahn 66
16 - Sove Velvet Morning
17 - Country Girl
18 - Suicide Sally & Johnny Guitar
19 - Sometimes I Feel So Lonely
20 - Beautiful Future

Considerações:

* Músicas do "Screamadelica", "XTRMNTR" e "Evil Heat" em peso, não apenas por serem os melhores discos da banda, mas por serem, na minha opinião, alguns dos melhores discos dos últimos 20 anos.

* Por outro lado, nada do "Vanishing Point" e dos dois primeiros discos. Do "Vanishing" é porque acho o disco legal, porém esquecível. Dos outros, não pus nada porque confesso que nunca os ouvi. Acabei comprando a ideia de que o PS começou no "Screamadelica"...

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

youPIX loading, fui lá!


Ontem fui no "youPIX loading..." com o tema "Twitter: A Vida em Tempo Real", com André Camargo (psicólogo e professor universitário), Wagner Martins (Espalhe), Tessália Serighelli (@twittess), Alexandre Matias (Estadão) e Maurício Stycer (IG), mediados por Michel Lent (Ogilvy Interactive).

Para entrar em sintonia com o tema e ao mesmo tempo me manter fiel ao que propus alguns posts atrás, resumi o debate em cinco "twittadas".

* A grosso modo, senti uma polarização anti-Twitter de @mauriciostycer e de André (que não usa com medo de viciar), e pró-Twiiter dos demais

* Temas discutidos sobre o microblog: exposição x isolamento do sujeito; rapidez; suposta inutilidade dos papos; bons e maus exemplos do uso

* Os prós e contras da virtualização (avatar, fakes, identidades múltiplas) me pareceu o mais interessante, e poderia render mais bons debates

* O que acho: o Twitter pode ser uma moda a ser substituída, mas trouxe grandes mudanças à cultura digital. O futuro é perigoso e instigante

* Com ou sem script, a presença de @twittess não rendeu. Os demais até deram voz a ela, mas ela parece mesmo uma personagem de si mesma

Agora só mais uma sobre a premiação da Twittosfera:

* Foi bem justa. Gostei de Rubinho, Xuxa, Katylene, Cardoso e Sílvio Santos e @OCriador vencendo. Torci por @frufru, mas não deu.

Foto: Eu mesmo

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

A Fest Comix 2009 em imagens

Para quem não sabe, não vale a pena comprar revista em quadrinhos em São Paulo ao longo de todo o ano. A estratégia mesmo é se segurar para gastar na Fest Comix, evento da loja de HQs e action figures Comix que acontece todos os anos.

Acho que o evento é o mais perto que o Brasil possui de uma Comic Con. Tem lançamentos de revistas e livros, presença de profissionais dos quadrinhos e ilustração, concurso de cosplay, games, e o mais importante: uma oferta imensa de todos os tipos de quadrinhos com todos os tipos de descontos. É um momento tenso, porém sublime, no qual o nerd pode reabastecer sua estante em uma boa tacada.

Fui lá no último sábado (17). Quanto eu gastei? Eu digo depois das fotos feinhas que tirei com meu celular.








Err... Pouco mais de R$ 180. Comprei a "Biblioteca Marvel" do Quarteto Fantástico, o "Como Uma Luva de Veludo Moldada em Ferro", de Dan Clowes, um encadernado antigo do Lanterna e Arqueiro Verde por Neal Adams e Denny O'Neil, um álbum de Blueberry (Moebius) e o "Quadrinhos e Arte Sequencial" de Will Eisner.

A patroa entrou na dança e comprou uma coletânea da tira "Baby Blues" e um mangá chamado "Nana", que confesso que não conhecia.

Ei, não me olhe assim. Sou nerd, mas sou limpinho!

sábado, 5 de setembro de 2009

O show do Rei

Como previ, não foi mesmo um show memorável, tirando o fato de que será memorável só por ser o primeiro (será o único?) show de Roberto Carlos que vi na vida. Também não foi horrível. Um show do Rei, com toda a produção, ensaio e a qualidade intrínseca do cantor e de boa parte do repertório impedem essa possibilidade de sair algo micado.

Mas é só aquilo. Ao vivo você tem a certeza do porquê do show dele ser a mesma coisa há anos. O cara é um cânone. Teve seu auge nos anos 60 e 70, e por isso o público-alvo é quem viveu aquele tempo e quer recuperar aquelas sensações. E tome velhinho na arquibancada do Ibirapuera. Eles não querem ser surpreendidos, pelo contrário: querem se sentir confortáveis. Até as falas de Roberto entre as músicas são escritas e decoradas com esse propósito.

Da minha parte, mesmo sabendo o que me esperava, achei muito tocantes três momentos: ele tentando cantar e tocar no violão "Detalhes" em estilo JoãoGilbertiano - os deslizes dele nos contratempos deixaram a música mais espontânea; o ousado arranjo "progressivo" de "Cavalgada" - mérito mais do RC9 do que dele, verdade; e "Caminhoneiro" apenas pelo conjunto do momento.

O meio do show foi a parte mais chata, começando por "Nossa Senhora" até "Café da Manhã". Uma sequência de músicas que não gosto (ou gosto pouco) e que ainda por cima são muito parecidas. Também trocaria fácil "Amor Perfeito" e "É Preciso Saber Viver" por outras bem melhores. O pout-pourri da Jovem Guarda deveria NÃO ser pout-pourri, e sim com as músicas completas; "E Por Isso Estou Aqui" é linda, merecia isso.

Como em boa parte do tempo fiquei mais entretido em perceber Robertão filando as letras no teleprompter ou tentando lembrar se a perna mecânica dele era a esquerda ou a direita, isso diz muita coisa sobre meu estado de espírito (de porco?) durante o espetáculo.

Enfim, um show nota 6. Se o repertório fosse mais legal, ganharia um 8 ou 9 fácil.

O setlist:

"Emoções"
"Eu Te Amo, Te Amo, Te Amo"
"Além do Horizonte"
"Amor Perfeito"
"Detalhes"
Pout-pourri: "Aquela Casa Simples"/"Meu Querido, Meu Velho, Meu Amigo"/"Lady Laura"
"Nossa Senhora"
"Mulher Pequena"
"Caminhoneiro"
"Do Fundo do Meu Coração"
Pout-pourri: "Proposta"/"Seu Corpo"/"Os Seus Botões"/"Café da Manhã"
"Cavalgada"
Pout-pourri: "É Proibido Fumar"/"Quando"/"E Por Isso Estou Aqui"/"Namoradinha de um Amigo Meu"/"Jovens Tardes de Domingo"
"Como É Grande o Meu Amor Por Você"
"É Preciso Saber Viver"
"Jesus Cristo"

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Coletâneas perfeitas: Roberto Carlos + expectativa pro show



Geralmente uso uma charge ou uma foto estilosa para o "Coletâneas Perfeitas", mas neste caso, o cara merece uma atenção especial, por isso pus um vídeo dele no que considero o auge de sua carreira, no filme "Roberto Carlos em Ritmo de Aventura".

Vou assistir ao Rei pela primeira vez ao vivo hoje, no Ginásio do Ibirapuera. É o encerramento dessa série de shows dele em São Paulo, pelos 50 anos de carreira.

Confesso que minhas expectativas estão baixas. Não vai ser um show ruim, tenho certeza disso, porque o cara continua com o vozeirão e a postura de palco impecáveis. Mas acho que vai ser o típico show de temporada: um tanto rígido, com repertório e falas ensaiadas/decoradas à exaustão. Sem falar que criativamente falando, Robertão está longe do auge há anos.

Na minha opinião, "Caminhoneiro" foi sua última grande canção. Depois ele entrou naquela confortável posição de grande artista, fazendo músicas com arranjos e ideias reciclados de sucessos anteriores. Pra resumir: virou prisioneiro do próprio estilo. E seus shows refletem isso. Sempre trazem um repertório viciado, com aqueles velhos 15 hits inevitáveis e, com sorte, ele recupera uma ou outra música mais obscura.

Mas enfim, o Rei merece respeito sempre. E é por isso que escolho hoje meus 20 clássicos preferidos dele.

- O Calhambeque
- É Proibido Fumar
- Quero Que Vá Tudo Pro Inferno
- Eu Te Darei o Céu
- Querem Acabar Comigo
- Eu Sou Terrível
- Quando
- Por Isso Corro Demais
- Eu Te Amo, Te Amo, Te Amo
- As Curvas da Estrada de Santos
- Debaixo dos Caracóis dos Seus Cabelos
- Todos Estão Surdos
- Detalhes
- Jesus Cristo
- O Divã
- Sua Estupidez
- Cavalgada
- Amigo
- Emoções
- Caminhoneiro

Considerações:

* Para variar, um cara com a história e discografia de Roberto Carlos dificulta a tarefa de escolher só 20 músicas. O período histórico que favoreci foram os 20 primeiros anos, com ênfase na Jovem Guarda, pois é o momento que ele era um artista mais ousado e criativo (ainda que chupasse muita ideia dos gringos), e menos careta. Aliás, resisti por muitos anos em gostar das fases de RC anos 70 em diante. A era Jovem Guarda, no entanto, nunca deixou de ser minha favorita, por mais que reconheça os méritos dele nos anos 70.

* Megahits que infelizmente optei por deixar de fora: "Splish Splash", "Parei na Contramão", "Namoradinha de Um Amigo Meu", "Negro Gato", "Se Você Pensa", "A Montanha", "Traumas", "À Distância", "Lady Laura"... a lista vai longe. Mas o caso de tirar "Como é Grande o Meu Amor Por Você" merece uma explicação: gosto da música, mas acho que já deu. Encheu o saco, principalmente nesse arranjo a la Ray Conniff dos shows recentes.

* E sim, pelo mesmo motivo citado acima, cheguei muito perto de tirar "Jesus Cristo", "Detalhes", "Amigo" e "Emoções". Mas acho que seria injusto, pois são músicas importantes demais para a carreira dele, além de terem uma força incrível.

* Daria fácil para fazer um top 20 só com os clássicos obscuros. Imagine um show sem os quatro megahits que citei acima, e recheado de "Como Dois e Dois", "Vista a Roupa, Meu Bem", "E Por Isso Estou Aqui", "Uma Palavra Amiga", etc. Seria sonhar demais, né?

* Abri uma exceção para "Jesus Cristo", mas eu não curto a veia religiosa do Rei quando impregna as canções dele. Ele deixou de ser pop e virou tiozão mesmo quando entrou nessa barca furada. Também acho que às vezes a veia politicamente correta não rende boas músicas. As canções das gordinhas, baixinhas, etc. são até engraçadinhas, mas não rola pôr aqui. Podem notar que a lista parou em "Caminhoneiro", a única dos anos 80. Década de 90 foi barrada, e nos anos 2000 ele não fez nada ineditamente decente. Só fez um bom disco acústico.

Ninguém perguntou, mas talvez eu fale aqui o que achei do show. Vou ali escolher a roupa mais marrom que eu tiver.

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Sobre o desemprego

Hoje completo um ano em meu primeiro emprego em São Paulo. Às vezes sou ruim de lembrar essas efemérides: esqueço datas de aniversário de primos, acontecimentos históricos, mas já faz uns dias que venho tentando não me esquecer disto. Simplesmente porque os meses anteriores à minha reentrada ao mercado de trabalho foram alguns dos mais difíceis da minha vida.

A União Soviética morreu há 18 anos, tempo suficiente para existirem adolescentes que nem sabem o que é comunismo. Em um planeta cada vez mais capitalista e consumista, estar desempregado é quase a mesma coisa que estar em coma. E quando você tem outra(s) pessoa(s) que dependam do que você ganha, o pesadelo é dobrado, triplicado, quadruplicado.

Quando você se apresenta para alguém, em 90% dos casos te perguntam: "onde você trabalha?". E se você responde que não tem emprego, ou qualquer outro eufemismo - "em busca de novas oportunidades", por exemplo - é difícil a conversa não entrar no constrangimento.

Segundo o Dieese, a taxa de desemprego no país voltou a crescer em julho, ficando em 15%. Só nas seis maiores regiões metropolitanas, são 3,029 milhões de pessoas sem vaga no mercado.

É difícil acordar todo dia e manter a esperança. Às vezes ela reacende com algum e-mail respondido, um convite a uma seleção de emprego, uma entrevista. Mas quando vem outro não, é difícil se reerguer. Nao apenas pela situação em si, mas para lidar com o lado psicológico. "Afinal, quando esse emprego vai aparecer, se é que vai aparecer?" "Os chefes que não me contratam me acham tão inútil assim?" "O que faço para ser notado e conseguir mais chances?"

Dedico esse post - muito sem graça de tão sério que foi, mas que não podia ser diferente - a todas essas pessoas que passaram ou passam por esse período tão sofrido da vida. E que nosso presidente pense mais neles quando vier com aquela conversa de pescador de zilhões de empregos gerados na sua gestão.

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Redescobrindo o paladar


Como eu ando sem assunto mesmo e perdi o bonde para comentar o caso da piada "racista" de Danilo Gentili (mas para deixar registrado: não achei racismo e o bafafá foi de um mau humor tremendo), vamos a mais um top 5 inútil da Padraolândia.

Não sei se o processo de mudar de casa teve parte nisso, mas de uns tempos para cá aprendi a gostar de umas comidas que não conhecia, não imaginava que eram gostosas, ou que até gostava mas não comia com muita regularidade. Vamos lá:

Queijo gorgonzola: Talvez por ser mais caro que a média, talvez pelo gosto forte, mas nunca me atrevi muito nesse queijo - e olha que sou bem fã de queijos. Mas justamente o gosto forte é que apetece. Não sei se pode ser chamado de salgado, mas dá aquela mesma sensação boa quando se come uma coisa bem salgada - é, também adoro um sal. E a consistência é ótima também.

Brócolis: Esse é engraçado. É estranho para mim assumir que uma verdura (por favor, sem o trocadilho velho "aaah, gosta de ver dura, né?") pode ser legal de comer. Acho que foi comendo yakisoba que descobri que brócolis é bom. Mas claro: tem que estar BEM cozido para ficar macio. Cozinhá-lo na cuscuzeira é o que há.

Manjericão: Eu praticamente nem lembrava da existência de manjericão. Mas é tão bom, ou melhor, que orégano para dar gostinho ao almoço.

Chá verde: Esse eu também desconhecia porque vende mais facilmente aqui em São Paulo. Também não é muito barato, mas tem um gosto doce-amargo-não-enjoado muito bom. Dá uma graça a mais no café da manhã.

Cerveja Sol shot: Hahaha, esse foi só pra completar o top 5 mesmo. É uma das cervejas mais baratas por aqui, mas por increça que parível, eu gosto mesmo do gosto. Acho que a garrafinha shot dá essa vantagem, pois gela mais rápido, você toma pouquinho e já fica satisfeito. Mas claro, preferir mesmo, ainda prefiro os clássicos Skol e Bohemia.

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Segura a Chan, amarra a Chan *

Três. Foi essa quantidade de músicas que reconheci no show de Cat Power no último sábado. E duas eram covers: "The House of the Rising Sun" (Animals) e "New York, New York" (Sinatra). A outra foi "Lived In Bars", embora eu ache que ela tenha mudado a forma de cantar no refrão.

E olhe que ela cantou "I Don't Blame You", música que eu conhecia, pois o "You Are Free" é o único disco dela que tenho. Mas só soube que foi tocada quando li no set list.

Já ouvi falar muita coisa de Chan Marshall: que ela era cachaceira e se recuperou, que não gosta de dar entrevista, que é perfeccionista, muito tímida, etc. Sem falar que o Via Funchal avisava o tempo todo que não iria ter transmissão pelo telão a pedido dela.

Acho que essas frescurinhas, mais o estilo intimista, colaboraram para ela se tornar essa diva idolatrada, tipo uma Maria Bethânia versão indie. Como o que importa no final é a música, de fato conhecia (conheço) pouco e não sei cantar nenhuma inteira, mas sempre gostei do pouco que ouvi.

E o show foi incrível, acima das minhas expectativas, que eram até grandes. A iluminação era econômica, sem frescuras; a banda, muito competente; e a voz dela, irretocável.

Comecei falando das canções. Sei que ela lançou um disco de covers recentemente e já ouvi algumas. Ela de fato "catpoweriza" bastante tudo que canta, mais ou menos como fazem Björk e Elis Regina. Se por um lado isso reforça o status dela de grande cantora/intérprete, a desvantagem era que as músicas ficam um pouco iguais - embora não menos interessantes - para neófitos como eu.

Na performance de palco, não sei se é proposital, mas ela se mexe de fato como uma gata: passeia devagar, se curva, levanta, nunca se move bruscamente. Alternava as músicas com uns goles de chá - de onde eu sentei, dava para ver o papelzinho saindo da caneca.

Ela pediu também para não fotografarem ou filmarem o show. Tirando uns poucos flashs aqui e ali, até que o público respeitou - fiquei com medo dela dar um piti por causa disso. Mas o troféu Jackass da noite mesmo foi o serviço de mesas do Via Funchal. Muito brochante sentir a vibe quebrada a cada cinco minutos por uma garçonete perguntando "Posso fechar a conta, senhor?"

Não tem como não falar do final, com Chan distribuindo rosas ao povo do gargarejo, a la Robertão, e depois quebrando o protocolo, tentando cumprimentar e dar autógrafos por vários minutos. Não faço ideia se essas lendas sobre a personalidade dela são garantidas, mas com certeza esse momento "fofo" tornou o show significantemente especial para mim.

Ah, e ela continua linda!



P.S.: recomendo ainda o belo texto que Dani Arrais escreveu sobre sua musa.

* Trocadilho emprestado do Twitter de Jarmeson.