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domingo, 25 de abril de 2010
Dois meses depois
Bom, voltei a escrever aqui. Demorei porque não tive tempo. Queria mesmo, mas não achava o momento certo, o assunto, o foco. E ainda não achei, como está dando para notar nesta introdução. Mas minto: achei sim. Acho que a melhor forma de voltar pra cá é esta mesmo: escrever de improviso. Uma quase sessão de terapia. Falando conforme o fluxo, mas com uma diferença: tentar não tornar tudo íntimo demais. A internet é dos stalkers. Aliás, mesmo seus parentes e amigos são stalkers, embora do bem. Querem acessar seu blog para tentar ler nas entrelinhas como eu estou. Se estou bem, mal, feliz, triste, irritado, confuso. Mas tá liberado. Todo mundo que usa internet faz isso. Eu, como leitor de outros blogs, escritos por conhecidos ou anônimos, faço isso, intencionalmente ou não. Mas enfim. Eu estava dizendo que queria falar de mim sem falar demais de mim. Os últimos meses sem vir aqui foram positivos, na minha avaliação. O Quadrisônico está bem, com quase 3 mil acessos em dois meses. Consegui entrevistas com músicos, feedbacks legais aqui e ali, opiniões positivas. Fora isso, uma reportagem minha saiu no caderno de Informática da Folha de São Paulo. Outra está para sair, assim espero. Não vou botar links para nada, pois isso é um trabalho extra que não quero ter aqui. Só quero escrever. Mas é fácil achar, na Folha Online tem uma busca, e o endereço da Folha Online você acha no Google, e o endereço do Google todo mundo sabe qual é. Que mais? Teve essas coisas boas, mas tiveram as ruins, que nem são tão ruins: eu é que as aumento. Fico um pouco frustrado quando meus pequenos planos - arrumar a casa, pagar a conta em tempo, fazer a programação que estabeleci na minha folga, achar um objeto que perdi, postar Playlist do Youtube no Wordpress - não dão certo. Admito que são frustrações pequenas - mesquinhas, até - e momentâneas, mas que ganham status de permanente quando se acumulam. Não acho que seja TOC. Espero que não seja. Ah, também me preocupo com os problemas das pessoas que eu gosto. E não vou dar exemplos aqui, claro, porque não estou autorizado a falar de terceiros. Outra coisa que quera falar aqui é que curto palavras cruzadas. Hahaha! Sempre curti, isso não é novidade, mas eu na minha paranoia quero fazer mais cruzadas daqui para frente para evitar Alzheimer. Sim, com essa idade já penso nisso, visto que ando esquecendo as coisas. Gosto muito da minha memória e quero conservá-la o máximo que puder. E o Sport? Vai ser pentacampeão pernambucano, né? É bom que seja, pois pelo que venho acompanhando, vai ser a única conquista deste ano. Com sorte, a gente volta à série A, mas com esse time, sei não, hein? Teve também terremoto no Haiti e chuva no Rio. O mundo tá acabando, por isso que uma das tags daqui é "fim do mundo". Nada contra. Só queria que acabasse de forma rápida e indolor, mas até isso não vai ser possível, pelo visto. Mas a humanidade merece sofrer. A gente não cuida mesmo direito do planeta, então taí o retorno da nossa burrice e apatia. Mas esse papo vai fazer meus pais acharem que estou deprimido, então vamos para outro: eu gosto mesmo de como as coisas estão rolando na minha vida. Não estou no auge, mas estou me sentindo em uma fase boa sim. Estou um pouco otimista. Sério. Isso não é comum comigo, né, mas estou. Na verdade, o que acho é que estou vendo meus esforços serem recompensados aos poucos, e também me sinto um pouco mais capaz de enxergar e aproveitar oportunidades. Mas acabei de rolar a barra da tela e notar que já falei isso neste texto. Ó só: "Os últimos meses sem vir aqui foram positivos, na minha avaliação". Apenas descrevi mais o que estou sentindo. Mas tá bom, né? Vamos ver se alguém vai ter saco de ler esse calhamaço. Falei que não queria ter trabalho, então nem quebra de parágrafo e estrutura formal vai ter. Lembro que eu curtia o Instante Anterior, finado blog de Bruno Medina, o tecladista do também finado Los Hermanos. E era meio assim, na verborragia sem noção. Sem jornalistices. Propositadamente amador e umbiguista, meio reflexão de adolescente que não é mais adolescente nem se quisesse. E aí? Se isso não foi problema pra você, volta aqui qualquer dia desses que eu posto outro desses. Pode demorar, pode nunca mais acontecer. Mas acho que acontecerá sim. É domingo e está chovendo.
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quinta-feira, 31 de dezembro de 2009
Resoluções 2010
Algumas são meio contraditárias, mas contradições fazem parte da vida. Algumas são continuidade, outras novidades. Ei-las.
* Usar mais a agenda
* Fazer mais exercícios
* Ir à praia em um dia de muito sol
* Ir ao Recife
* Ouvir mais bandas e discos novos
* Investir mais nos projetos pessoais
* Concluir "Ulisses"
* Ler mais livros, talvez assinar uma revista
* Comprar pelo menos uma dessas coisas: netbook, videogame e câmera
* Crescer profissionalmente
* Deixar a casa mais arrumada
* Moderar melhor meus vícios em internet
* Não ser muito escravo de rotinas ultraplanejadas
* Beber. Com moderação
* Desfrutar melhor os momentos de felicidade
* Ser mais amigo e tentar encontrar o melhor de todo mundo
* Manter contato com a família
* Adiantar meu estudo autodidata de idiomas
* Contribuir ao máximo com o adiamento do fim do mundo. A luta continua sempre.
* Usar mais a agenda
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quarta-feira, 30 de dezembro de 2009
2009, epílogo
Neste ano eu trabalhei muito. Ainda bem, ainda mal. Mais para bem do que para mal.
Continuei ao lado de familiares queridos. Da pessoa querida.
Li menos do que gostaria, mas pelo menos li mais do que em 2008. E finalmente comecei a promessa de "Ulisses".
Vi poucos filmes e ouvi pouca música nova também. Mas nem senti tanta falta assim. Isso é bom ou ruim?
Exercitei-me muito pouco. Mas foi mais do que em 2008, o que não quer dizer muito.
Vi pouco os amigos. Parte culpa minha, parte deles. Mas foi muito bom vê-los quando rolou a oportunidade.
Revi o Recife e conheci Buenos Aires. Só fui à praia para levar chuva e estou mais branco do que nunca.
Comprei um computador e um celular. Satisfeito com ambos. E ela ganhou um Nintendo DS.
Tuitei (twittei?) bastante.
Fiquei pouco doente. Mas conheci o que é ter conjuntivite.
Fui aos shows de Cat Power, Roberto Carlos e ao Planeta Terra (Sonic Youth, Iggy Pop, Primal Scream), mas perdi o AC/DC.
Saldo geral? Foi ótimo e estou pronto pra outro ano.
Continuei ao lado de familiares queridos. Da pessoa querida.
Li menos do que gostaria, mas pelo menos li mais do que em 2008. E finalmente comecei a promessa de "Ulisses".
Vi poucos filmes e ouvi pouca música nova também. Mas nem senti tanta falta assim. Isso é bom ou ruim?
Exercitei-me muito pouco. Mas foi mais do que em 2008, o que não quer dizer muito.
Vi pouco os amigos. Parte culpa minha, parte deles. Mas foi muito bom vê-los quando rolou a oportunidade.
Revi o Recife e conheci Buenos Aires. Só fui à praia para levar chuva e estou mais branco do que nunca.
Comprei um computador e um celular. Satisfeito com ambos. E ela ganhou um Nintendo DS.
Tuitei (twittei?) bastante.
Fiquei pouco doente. Mas conheci o que é ter conjuntivite.
Fui aos shows de Cat Power, Roberto Carlos e ao Planeta Terra (Sonic Youth, Iggy Pop, Primal Scream), mas perdi o AC/DC.
Saldo geral? Foi ótimo e estou pronto pra outro ano.
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terça-feira, 15 de dezembro de 2009
Praticando a anti-idolatria
Dia desses, estava conversando com Chuck sobre o show do Sonic Youth. E ele me veio com uma teoria muito interessante.
Segundo Chuck, o que mais motivou ele não ter ido ao show não foi a provável falta de grana ou a distância Recife-São Paulo. O que pegou mesmo é que ele não estava a fim de ir ao show de pessoas que sequer não o conheciam ou se importavam com ele.
Retruquei dizendo que seria impossível o Sonic Youth ou qualquer outro grupo "famoso" conhecer e ter uma relação próxima com cada fã, e que não há mal algum em admirar o trabalho de quem faz um bom trabalho. Daí ele até concordou, mas que estava em uma vibe de querer se valorizar, e para isso, não gostaria de querer gastar grana e energia em quem já está suficientemente "bajulado" por muitas outras pessoas.
Ok, pode ser recalque, e talvez fosse mesmo (mal aí, Chuck). Mas até que tem a sua lógica. De repente, tratar nossas influências como pessoas "normais" seja um ponto de partida para fechar os olhos e olhar para dentro de si mesmo, parafraseando Roberto Carlos.
E para continuar nas citações, como diz o próprio Sonic Youth: "Kill Your Idols".
segunda-feira, 14 de dezembro de 2009
Entrevista: Xico Sá

Você provavelmente sabe quem é Xico Sá. Já deve ter lido alguma crônica dele na Folha de São Paulo, se deparado com seu blog O Carapuceiro, ou tê-lo visto no "Cartão Verde" ou no "Notícias MTV". Ou a aparição dele no filme "O Cheiro do Ralo". Se em nenhum desses lugares, talvez em algum barzinho da Vila Madalena.
Enfim, o cara é ocupado, mas conseguiu cinco minutos para responder umas perguntinhas para este humilde blog por e-mail. E se você sabe quem é ele, sabia que ele está preparando um livro sobre o ex-craque Sócrates? Confere aí mais detalhes sobre isso e outras coisas.
MPadrão: Você nasceu no Ceará e viveu em Pernambuco. Em seus textos você assume uma "persona" cabra-macho nordestino impregnado das influências cosmopolitas de São Paulo. O quanto esse Xico Sá conhecido do público é igual ou diferente do "real"?
XS: É essa desgraça que se vê mesmo, ajuntamento desses lugares, duzentas mil influências arrumadas ao longo desses caminhos, vezes com mais sustança, vezes mais fraco e metido a moderno. E sempre pulando mais por necessidade do que por boniteza, como faz o sapo no dizer colhido por Guimaraes Rosa entre os sertanejos de Minas.
MPadrão: Você é um dos poucos jornalistas da mídia impressa que acabou ganhando ainda mais fama quando foi parar na TV. Esse seu perfil, citado na pergunta anterior, seria a razão de seu sucesso na frente das câmeras?
XS: O que faço na TV é tudo por consequência do que escrevo no papel ou nos blogs. Vou lá e falo as mesmas coisas, de um jeito mais desarrumado e feio ainda, mas mantendo a pegada do cronista de jornal. Alem do "Cartão Verde", faço uma pequeníssima crônica na MTV, no "Notícias MTV", programa do Cazé. Juro que procuro não ver nada do que faço na televisão, pois me espanto com a feiúra e com o desmantelo, como quem ouve a voz gravada, nas primeiras vezes, e acha horrível. E olha que me divirto na hora de fazer e ganhar meu troco, mas ver, tô fora, Deus me livre.
MPadrão: É verdade que está produzindo um livro sobre Sócrates, seu colega no "Cartão Verde"? Poderia falar mais sobre o assunto?
XS: Junto com o Vladir Lemos, apresentador/mediador do "Cartão" estamos nessa missão. Tem material já de sobra, entre convívio e apuração, mas não será uma biografia séria e oficial. Apenas um livro divertido que consiga mostrar a importância do doutor no futebol e na política, pois tem muita gente no Brasil que aprendeu o sentido de democracia com a Democracia Corinthiana. Sai em meados de 2010.
MPadrão: Noto em suas crônicas uma mistura de poesia com jornalismo gonzo. Quais seriam as suas influências mais fortes nessas duas vertentes?
XS: Tem um pouco dessas duas coisas sim, mas o que se convencionou chamar de gonzo nunca foi pensado, pois tinha esse traço, de forma mais radical que hoje, bem antes de conhecer sequer o termo. Acho que a matrix é o mundo ali dos cronistas líricos, principalmente Antônio Maria, uma coisinha ali crônica de costumes, como Padre Carapuceiro, e, vez por outra, uma maluquice assimilada das leituras do Kurt Vonnegut.
MPadrão: Você lembra qual foi a reportagem mais bizarra que já fez? Quando e como foi?
XS: A mais bizarra foi uma sobre a máfia dos papa-defuntos do Recife, que me fingi de morto e tudo,me botaram dentro de um caixão de uma funerária da Caxangá, essa foi doideira, mas a finalidade era séria: denunciar o esquema funerário de exploração da miséria. Publiquei em "O Rei da Notícia", no Recife dos anos 80, com fotos de Fred Jordão. Tem outra que gosto que é sobre o esquema de prostituição e política e Brasília, a putaria usada como lobby, saiu na "Trip", há uns quatro anos, quando descobriram aquela cafetina famosa, a Marie Córner, se não me engano – essa teve ilustração do Lourenço Mutarelli, que me acompanhou como se fosse o fotógrafo da apuração, o cara disse tudo nos seus desenhos. Outra que vale citar é um cruzeiro que fiz com o Rei Roberto, também para "Trip", ano 2005, creio, com loucuras dentro do navio.
MPadrão: Outra grande marca do seu trabalho é a informalidade típica dos papos de boteco. Qual é a importância dessa instituição etílica na vida contemporânea, na sua opinião?
XS: Aí está minha grande fonte. É nessa instituição nacional que colho tudo para a escrita hoje em dia. Do boteco mais pé-sujo ao mais arrumadinho de classe média. Com uma ida vez por outra aos puteiros, lógico, que não são os mesmos, mas continuam grandes lares de histórias prontas para um repórter ou cronista.
MPadrão: Para você, o que o caso Geisy atesta - ou desmente - na sociedade brasileira na questão do feminismo?
XS: Que em muitos setores, e nisso São Paulo é bem mais conservador (pelo menos em matéria de vestimenta), ainda não avançamos o que imaginávamos.
MPadrão: O futebol brasileiro foi mais agitado que a média neste ano. Além do retorno de Ronaldo e Adriano, tivemos novas emoções nos pontos corridos e algum progresso na Seleção. Quais são as suas previsões futebolísticas para 2010, incluindo aí Brasileirão e a Copa?
XS: Anda tudo dando tão certo para a seleção, que eu, supersticioso como muitos, temo uma derrocada na hora H, quando tiver que provar mesmo que é a tal. Tem um time africano muito bom: Costa do Marfim. Gana também joga uma bola redondinha. Seria lindo que vencesse, no continente deles, uma das duas. Mas se o Icasa de Juazeiro se mantiver na série B (subiu agora), o Sport voltar para a A e o Santos for campeão brasileiro, tá de bom tamanho.
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quarta-feira, 9 de dezembro de 2009
Sobrevivendo no ônibus
Planeta: Terra. Cidade: São Paulo. Como todas as metrópoles do planeta, São Paulo se acha hoje em desvantagem em sua luta contra o maior inimigo do homem: o ônibus lotado.
Em uma desses retornos para casa, estava eu em pé, ouvindo uma musiquinha no mp3 player, em um desses ônibus. O dito cujo subia e descia as ladeiras do trajeto avenida Rebouças-Consolação, com as costumeiras sacudidas. Até que uma senhora sentada na minha frente brada:
"NÃO SABE ANDAR DE ÔNIBUS NÃO?!?"
Tiro o fone: "Hã?". Ela repete a pergunta.
"O que foi?", insisto. "Ah, você aí balançando, batendo em mim".
"Mas não sou eu, é o ônibus que balança!". "Ah, segura direito! Aprende a andar de ônibus!", ensina a simpática.
Peço desculpas, tentando encerrar o papo, e ando de lado um passo, pra não "bater" mais nela.
Ônibus lotado é sempre uma aventura. Os de SP são incríveis, porque o corredor destinado aos passageiros em pé mal dá para uma fileira de pessoas, com muito custo para duas. E daí não sobra espaço para quem está atrás ir para a frente, e vice-versa.
Além disso, os passageiros têm uns vícios que dificultam tudo. Destaco dois: se aglomerarem perto da catraca e não preenchem os vazios na parte de trás; e insistirem em subir no ônibus mesmo com a porta lotada onde não cabe nem mais uma pena.
Enquanto isso, vou levando esporro porque o para-choque frouxo do veículo balança nos 3498940 buracos do caminho. E também porque "não sei andar de ônibus".
Foto: Mundo Besteirol
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terça-feira, 1 de dezembro de 2009
Top 10 soropositivos talentosos

No Dia Mundial de Combate à AIDS, fui puxar pela memória os dez caras que contraíram a doença que tiveram alguma influência sobre mim. São eles:
Betinho - sociólogo e ativista de primeira, daqueles que hoje fazem muita falta neste apático Brasil.
Henfil - talentosíssimo quadrinista e cartunista de traço simples e discurso direto sem perder a graça. O rei de uma geração do traço brasileiro.
Freddie Mercury - um dos maiores cantores da história do rock. Precisa dizer mais?
Michel Foucault - sociológo, filósofo e todo tipo de "logos" que imaginar, foi um pensador afiado que mostrou como o discurso e as instituições podem ser armas para o bem ou para o mal.
Keith Haring - artista de rua novaiorquino cujos bonequinhos se tornaram símbolo contemporâneo da cidade.
Ricky Wilson - guitarrista do B-52's que morreu no auge criativo da banda. O estilo seco e simples de tocar fez escola.
Magic Johnson - o segundo melhor jogador de basquete da história (Michael Jordan em primeiro, sim). Felizmente continua entre nós e é o exemplo máximo da esperança de sobrevida dos soropositivos.
Cazuza - não gosto de 90% dos arranjos de suas músicas por serem muito datados. Era melhor letrista que cantor. Mas só por ter cometido o "Ideologia", um disco marcante do rock brasileiro, merece a menção.
Renato Russo - apesar de ter sido responsável pela "praga Legião Urbana" que acomete qualquer rodinha de jovens munidos de um violão, era um bom compositor na maioria das vezes, quando não se rendia à pieguice.
Zacarias - na verdade, nunca foi comprovado se ele morreu de AIDS, mas o fato de ter morrido repentinamente de uma infecção derivada de um enfraquecimento imunológico sugere muita coisa. Sobre ele, a risadinha e as caretas eram coisa de gênio. Os Trapalhões morreram com ele.
Uma lista mais completa está com a tia Wikipedia, aqui.
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quinta-feira, 26 de novembro de 2009
Truffaut, o "compreendido"

Em um fim de semana desses, aluguei vários "clássicos" e um deles era "Jules e Jim", filme que há tempos me cobrava para assistir. Afinal, sempre ouço falar que é um dos melhores filmes de François Truffaut, meu diretor "não anglo-saxão" favorito.
Ao terminar de ver, fiquei dividido. Acho que no conjunto da obra, achei o filme muito bom. Gostei sobretudo da direção e edição, que dificilmente decepcionam na obra de Truffaut. Mas também fiquei um pouco constrangido com alguns diálogos e atuações melodramáticas, além do roteiro apelar para umas saídas muito pouco naturais, como o bizarro e clichê final.
O filme me reavivou aquela velha discussão: o que faz de um filme um clássico? Aprofundando mais: por que Jeanne Moreau narrando sua carta com o rosto dela em fusão com o resto da imagem é algo "clássico", mas em outros filmes seria cafona? Por que Truffaut pode fazer algo assim e Michael Bay não?
O próprio Truffaut lançou uma frase que talvez explique isso.
O sucesso na tela não será forçosamente o resultado do bom funcionamento de nosso cérebro, mas sim da harmonia entre elementos pré-existentes dos quais nem mesmo tínhamos consciência.
Ou seja, o poder do acaso tem grande influência sobre a aceitação de um filme. No caso do francês, criei outra teoria. Acho que Truffaut pode ter virado unanimidade entre a crítica também (atenção no "também") porque antes de se tornar diretor, foi crítico de cinema. Ele é "um da turma". Será? A se refletir.
P.S.: Não costumo me basear em Rubens Ewald Filho, mas ele até mandou bem nessa crítica sobre o filme. É mais ou menos o que concluí também.
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quarta-feira, 25 de novembro de 2009
A vida como uma barra de download
Em São Paulo funciona há alguns meses esse display que exibe, em certas paradas de ônibus, o tempo estimado que a linha que você está esperando poderá levar para chegar onde você está. Eu vejo isso e não consigo deixar de lembrar das nossas esperas para terminar o download, com aquele tempo restante oscilando entre cinco minutos e dois dias, dependendo do vai e vem da conexão, deixando-nos mais ansiosos do que já somos.
E assim é o trânsito de São Paulo. Muitas vezes o display informa que faltam dois minutos para chegar - tempo que pode ser bem maior na prática, principalmente se todo mundo quiser subir ao mesmo tempo na parada anterior e resolver atrasar tudo.
De repente, é melhor nem olhar para a maquininha para não criar falsas expectativas. Essa novidade me faz querer recuperar meu acaso, aquele que me cerca e me surpreende para o bem ou para o mal.
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segunda-feira, 23 de novembro de 2009
É válido ficar feliz pela morte de alguém?
Quando crianças, nossas mães ensinam a crer que toda vida é valiosa. Que não é certo torcemos pelo sofrimento ou morte de alguém, por pior que essa pessoa tenha feito.
Eu até concordo, mas o problema é que é difícil conciliar essa prática tão iluminada com a nossa mais que humana busca pela justiça. Como manter pêsames por um cara que praticou grandes safadezas, sendo que no IBGE da morte, nos damos conta que morrem muito mais pessoas boas do que ruins?
Quando uma parte de nós fica feliz quando morreram Antonio Carlos Magalhães, Pinochet, Saddam Hussein e agora Celso Pitta, quem está maquinando esse pensamento? Um anjo vingador ou um diabo rancoroso?
Ok, não fiquemos felizes pela morte desses
Mas vamos ser francos, quem sobraria neste mundo se todos os minimamente impuros fossem varridos em um Juízo Final? Não que isso seja justificativa para ser alguém cruel por toda a vida, muito pelo contrário. Só que, às vezes, até senhores que mandaram milhares de judeus à morte também eram pais de família dedicados. E assim vivemos sob essa delicada e ambígua balança do bem comum.
Foto: Fraudes.org
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sexta-feira, 20 de novembro de 2009
Caio, ainda no armário

Você já deve ter lido por aí sobre Caio, o primeiro personagem criado com Maurício de Sousa supostamente gay. O "supostamente" deve-se ao fato de que nem Maurício nem a história que apresentam o personagem ainda falarem isso com todas as letras.
O quadrinista mais bem sucedido do Brasil é uma figura polêmica no meio. É louvado como o único grande empreendedor dos quadrinhos nacionais - Mônica é líder de vendas no país e estampa inúmeros produtos licenciados há pelo menos uns 40 anos - e como um educador humanista, trazendo aos poucos em suas histórias, de forma elegante, temas sociais espinhosos.
Por outro lado, o "Walt Disney brasileiro" é acusado de ter uma produção voltada demais para o mercado e de pouca relevância artística, além de ter a política de não creditar seus artistas e roteiristas no início de cada história (ficam apenas no expediente).
Maurício há alguns anos tem revelado uma faceta mais propositadamente controversa. Além da muito falada "mangalização/adolescentização" (e tome neologismo!) da Mônica, que para muitos (inclusive a mim) foram mais uma questão mercadológica que estética, o quadrinista vem há anos introduzindo personagens ligados a problemas sociais e novidades contemporâneas, como o cadeirante Luca, a ceguinha Dorinha, o "antenado" Bloguinho e agora o "gay" Caio, na revista de Tina.
Claro que a iniciativa de trazer esses debates para suas histórias - consideradas até então bastante fúteis pela "elite cultural" - é muito louvável, mas nenhum desses novos personagens foram muito explorados, até onde sei. Estreiam e depois são descartados. Até o momento, parece que Maurício quer meio que unir o útil - a exposição de uma importante questão social sob sua ótica - ao agradável - fazer um "buzz" para atrair a atenção daqueles que não leem suas revistas.
Estamos vivendo paradoxos nas questões de gênero. Vemos paradas gays lotadas, mas lotadas de gente que se divertem muito e conscientizam pouco. Atores assumem ser gays, mas jogadores de futebol ainda não. Gays ganham pacotes de turismo próprios, mas nem sempre podem entrar em igrejas em paz.
Seria bom se Maurício de Sousa conseguisse usar sua influência para aos poucos mudar positivamente a mentalidade de milhares de famílias conservadoras que ainda existem em pleno século XXI. Para que funcione, Caio precisa, enfim, sair do armário. Difícil é saber se o cauteloso (carola?) Maurício está interessado em ultrapassar essa linha.
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quarta-feira, 4 de novembro de 2009
Stefhany, um estudo etnológico
Stefhany é uma Zina de saias. Ambos são anti-heróis que se tornaram queridos por seus defeitos. Se Zina ganhou fama pelo jeito abobalhado e sua falta de articulação ao falar, Stefhany ficou conhecida por sua total ausência de noção estética, além da incapacidade de perceber isso nela mesma.
Uma sutil diferença entre a menina do Crossfox e Joelma, por exemplo, é que a loira do Calypso só estourou depois que estabeleceu uma comunicação com um público amplo que é brega igual a ela. Já Stefhany foi descoberta por jornalistas de classe média e já foi logo sendo apresentada ao mundo como uma sátira.
O "Esquadrão da Moda" com Stefhany, exibido ontem, foi um bizarro estudo etnológico que deixaria Lévi-Strauss intrigado. A resistência de Stefhany à transformação do programa pode ser entendida de pelo menos duas formas. Na superfície, era só uma adolescente inexperiente, mimada e de ego inflado tentando sabotar a produção - e foi o que a edição tentou convencer, e se eu fosse do programa e a garota dificultasse meu trabalho como fez, provavelmente faria o mesmo.
Mas revendo melhor, foi também um tremendo choque de culturas no qual as noções estéticas de certo e errado eram apenas referenciais. E no fundo, sempre foi isso mesmo. O que "está na moda" é o que é empurrado pra gente pela mídia e especialistas da área, e ai de quem achar o contrário.
Honestamente, eu sempre tive alguma resistência ao conceito do "Esquadrão" de ditar qual roupa é melhor para você. Também não acho que esse lance de "estilo pessoal" seja desculpa para todo mundo usar roupas horrendas. Mas o que achei mais louco é que Stefhany acabou indo em um monte de lojas caras e acabou comprando roupas tão feias quanto as que sempre usou. Mais uma prova da relatividade do que é "bonito".
O que também foi interessante é que a oposição de Stefhany não deixa de ser um tapa na mídia que quer ganhar audiência às custas da cafonice velada da menina. Tenho pena, porque dificilmente ela vai continuar por aí quando a "graça" passar e aparecer alguma nova tosqueira de internet que irá substitui-la na pauta da vez.
Foto: Papel Pop, de Phelipe Cruz, a.k.a. um dos "descobridores" de Stefhany
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quinta-feira, 15 de outubro de 2009
Acabando o ano
Eu gosto de escrever muito, mas vivemos dias apressados. E daí não tenho tempo pra postar, e tampouco meus 0,5 leitores têm para ler. Então chega. Os dois textos gigantes de "Watchmen" foram o suficiente para ninguém ler mais uma vírgula que seja neste blog daqui até 2010. A partir de agora, inicio uma série de posts mais concisos. Sem data para acabar. Começando por este.
Espero que você que esteja lendo isto goste da novidade e use a caixa de comentários para dizer o que acha. Eu mesmo sou o meu leitor número 1 - o que é óbvio, pois se eu mesmo não me lesse, gostasse do que escrevo e me autocriticasse, quem mais o faria? - mas também gosto muito de saber a opinião dos outros, caso ainda não tenha ficado claro.
E é isso. Simbora.
Espero que você que esteja lendo isto goste da novidade e use a caixa de comentários para dizer o que acha. Eu mesmo sou o meu leitor número 1 - o que é óbvio, pois se eu mesmo não me lesse, gostasse do que escrevo e me autocriticasse, quem mais o faria? - mas também gosto muito de saber a opinião dos outros, caso ainda não tenha ficado claro.
E é isso. Simbora.
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quarta-feira, 9 de setembro de 2009
Up - Altas Aventuras
É, nem a Pixar escapa da síndrome do subtítulo boboca no Brasil.
Bem, dos últimos filmes do estúdio, de "Toy Story 2" para cá, assisti a todos no cinema, com exceção de "Carros" e "Wall-E". Isso prova o quanto venho confiando neles, visto que vou ao cinema com cada vez menos frequência por causa dos ingressos caros.
E depois de "Wall-E" então, que considero empatado com "Procurando Nemo" o melhor filme da Pixar, minha expectativa por "Up" era naturalmente grande.
E assim como no show de Robertão, certamente não me decepcionei, mas também não fiquei tão extasiado quanto gostaria.
A sequência de "Up" após os créditos iniciais é de fato a melhor coisa que a Pixar produziu em sua história. Muito já foi dito por aí que é coisa pra sujeito se desmanchar em lágrimas, e é mesmo (não chorei, mas por bem pouco). É uma aula de cinema; fluidez de edição, trilha sonora, uma acertada ausência de diálogos, a "atuação" dos personagens... tudo nessa sequência é impecável, coisa de se ver nos melhores "filmes de arte". Paga com louvor o teu ingresso e te põe para refletir sobre a vida em poucos minutos.
Por conta disso, acho que "Up" será lembrado por muitos anos como "aquele filme daquela cena inicial da vida dos velhinhos". Sim, porque o filme continua, e os detalhes ruins começam a incomodar.
Ainda dá para se interessar pelo velho Carl quando este surge. A solidão e a amargura do personagem foram didaticamente explicadas pelos minutos anteriores. Quando ele faz a casa voar, ok, entramos no universo fantasioso, estou preparado. Mas aí, mesmo levando em conta o fator "suspensão da descrença", o filme não se esforça muito para explicar...
[SPOILERS]
... como e em que momento o menino apareceu na casa antes dela subir;
... o motivo que transformou o velho explorador que queria provar sua idoneidade no malvadão da história;
... como esse mesmo explorador inventou tecnologia para cachorro falar no meio da Amazônia;
... como esse cara, bem mas velho que Carl, estava tão inteirão fisicamente, apesar de velho. E pô, vilão que morre caindo em filme da Disney já deu, né?
[/SPOILERS]
Curioso que a segunda melhor cena do filme é praticamente a parte dois daquela sequência inicial, quando ele [SPOILERS]abre o álbum de fotos ao chegar na cachoeira e se dá conta que realizar aquele sonho não curou a dor da perda da esposa. É de cortar a espinha[/SPOILERS].
Outros pontos altos do filme são a gag do sapo, os cenários da selva muito bem feitos, os belos créditos finais e o cachorro Dug, que me pareceu até bem mais divertido que o menino Russell. Ah, a dublagem também está ótima, incluindo o grande Chico Anysio na voz de Carl.
Para resumir: tá certo que quando o assunto é filme-família, a Pixar é a melhor no que faz, só que eles mesmos já dão sinais de que querem fugir das amarras deste tipo de história - notem que todas as produções do estúdio se resolvem em sequências envolvendo velocidade.
A Pixar está se viciando em uma fórmula que ela mesma consolidou. E isso não vai ser bom no futuro.
Bem, dos últimos filmes do estúdio, de "Toy Story 2" para cá, assisti a todos no cinema, com exceção de "Carros" e "Wall-E". Isso prova o quanto venho confiando neles, visto que vou ao cinema com cada vez menos frequência por causa dos ingressos caros.
E depois de "Wall-E" então, que considero empatado com "Procurando Nemo" o melhor filme da Pixar, minha expectativa por "Up" era naturalmente grande.
E assim como no show de Robertão, certamente não me decepcionei, mas também não fiquei tão extasiado quanto gostaria.
A sequência de "Up" após os créditos iniciais é de fato a melhor coisa que a Pixar produziu em sua história. Muito já foi dito por aí que é coisa pra sujeito se desmanchar em lágrimas, e é mesmo (não chorei, mas por bem pouco). É uma aula de cinema; fluidez de edição, trilha sonora, uma acertada ausência de diálogos, a "atuação" dos personagens... tudo nessa sequência é impecável, coisa de se ver nos melhores "filmes de arte". Paga com louvor o teu ingresso e te põe para refletir sobre a vida em poucos minutos.
Por conta disso, acho que "Up" será lembrado por muitos anos como "aquele filme daquela cena inicial da vida dos velhinhos". Sim, porque o filme continua, e os detalhes ruins começam a incomodar.
Ainda dá para se interessar pelo velho Carl quando este surge. A solidão e a amargura do personagem foram didaticamente explicadas pelos minutos anteriores. Quando ele faz a casa voar, ok, entramos no universo fantasioso, estou preparado. Mas aí, mesmo levando em conta o fator "suspensão da descrença", o filme não se esforça muito para explicar...
[SPOILERS]
... como e em que momento o menino apareceu na casa antes dela subir;
... o motivo que transformou o velho explorador que queria provar sua idoneidade no malvadão da história;
... como esse mesmo explorador inventou tecnologia para cachorro falar no meio da Amazônia;
... como esse cara, bem mas velho que Carl, estava tão inteirão fisicamente, apesar de velho. E pô, vilão que morre caindo em filme da Disney já deu, né?
[/SPOILERS]
Curioso que a segunda melhor cena do filme é praticamente a parte dois daquela sequência inicial, quando ele [SPOILERS]abre o álbum de fotos ao chegar na cachoeira e se dá conta que realizar aquele sonho não curou a dor da perda da esposa. É de cortar a espinha[/SPOILERS].
Outros pontos altos do filme são a gag do sapo, os cenários da selva muito bem feitos, os belos créditos finais e o cachorro Dug, que me pareceu até bem mais divertido que o menino Russell. Ah, a dublagem também está ótima, incluindo o grande Chico Anysio na voz de Carl.
Para resumir: tá certo que quando o assunto é filme-família, a Pixar é a melhor no que faz, só que eles mesmos já dão sinais de que querem fugir das amarras deste tipo de história - notem que todas as produções do estúdio se resolvem em sequências envolvendo velocidade.
A Pixar está se viciando em uma fórmula que ela mesma consolidou. E isso não vai ser bom no futuro.
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sexta-feira, 28 de agosto de 2009
Twittadinha, twittadinha, xau, xau
Uma criança fala em português errado, a galera sacaneia com ela e a mãe perde a noção quando tenta defendê-la. Coisa que acontece sempre nesse país.
Seria simples assim de resumir, mas como falaram em uma lista de e-mail que participo, o desastre de Xuxa no Twitter tem a ver com o vício do brasileiro em piadas de pobre falando errado, educação familiar e responsabilidade paterna, exposição de celebridades ao mundo real, aquela tendência vingativa do povão de quererem presenciar as falhas de pessoas ricas e famosas...
Xuxa caiu em uma armadilha porque não fazia muita noção do que é a internet. Os famosos são peritos em expor o que tem de melhor e esconder o que tem de pior. Quando viu a filha ser atacada, teve uma reação normal e caiu do salto de cristal. Como ela não é uma mãe qualquer, e sim a Xuxa, deu no que deu.
Pensando mais longe, o ponto mais triste da discussão é saber que ser minimanente alfabetizado há tempos não é mais parâmetro para ser respeitado nesse mundo.
Depois que surgiu rádio, televisão e telefone, ninguém mais precisava escrever carta - logo, para quê alfabetização? E para um país que já era bem analfabeto como o Brasil, foi só o empurrão final pro abismo.
Ouço falar que nosso ensino público já foi bom há umas décadas, e não faço ideia (sem acento) porque caiu tanto. Falta de investimento do Estado? A citada influência maciça da comunicação de massa? A pobreza das famílias que levam as crianças a trabalhar na rua?
O que sei é que Xuxa infelizmente não é e nunca será a única pessoa rica e famosa a escrever mal. Quando alguém se destaca na multidão por outros fatores extra-intelecto (beleza, carisma, capacidade física, aptidão artística), ele meio que se dá o direito de não precisar mais de algo tão básico quanto um mínimo de articulação por meio da escrita. Roberto Carlos, por exemplo, escreveu aquelas letras incríveis, mas já é sabido que ele não é muito fã de livros.
E não, isso é não mal só de famoso brasileiro; alguém já tentou entender o que Kanye West escreve?
No fim, ficamos com aquele triste, mas real, pensamento reducionista, quase Nietzchiano: Xuxa é uma analfabeta funcional, mas é rica e famosa; eu, que escrevo bem, ralo todo mês para pagar minhas contas. Até onde podemos ir com esse jogo?
Seria simples assim de resumir, mas como falaram em uma lista de e-mail que participo, o desastre de Xuxa no Twitter tem a ver com o vício do brasileiro em piadas de pobre falando errado, educação familiar e responsabilidade paterna, exposição de celebridades ao mundo real, aquela tendência vingativa do povão de quererem presenciar as falhas de pessoas ricas e famosas...
Xuxa caiu em uma armadilha porque não fazia muita noção do que é a internet. Os famosos são peritos em expor o que tem de melhor e esconder o que tem de pior. Quando viu a filha ser atacada, teve uma reação normal e caiu do salto de cristal. Como ela não é uma mãe qualquer, e sim a Xuxa, deu no que deu.
Pensando mais longe, o ponto mais triste da discussão é saber que ser minimanente alfabetizado há tempos não é mais parâmetro para ser respeitado nesse mundo.
Depois que surgiu rádio, televisão e telefone, ninguém mais precisava escrever carta - logo, para quê alfabetização? E para um país que já era bem analfabeto como o Brasil, foi só o empurrão final pro abismo.
Ouço falar que nosso ensino público já foi bom há umas décadas, e não faço ideia (sem acento) porque caiu tanto. Falta de investimento do Estado? A citada influência maciça da comunicação de massa? A pobreza das famílias que levam as crianças a trabalhar na rua?
O que sei é que Xuxa infelizmente não é e nunca será a única pessoa rica e famosa a escrever mal. Quando alguém se destaca na multidão por outros fatores extra-intelecto (beleza, carisma, capacidade física, aptidão artística), ele meio que se dá o direito de não precisar mais de algo tão básico quanto um mínimo de articulação por meio da escrita. Roberto Carlos, por exemplo, escreveu aquelas letras incríveis, mas já é sabido que ele não é muito fã de livros.
E não, isso é não mal só de famoso brasileiro; alguém já tentou entender o que Kanye West escreve?
No fim, ficamos com aquele triste, mas real, pensamento reducionista, quase Nietzchiano: Xuxa é uma analfabeta funcional, mas é rica e famosa; eu, que escrevo bem, ralo todo mês para pagar minhas contas. Até onde podemos ir com esse jogo?
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quarta-feira, 26 de agosto de 2009
Sobre o desemprego
Hoje completo um ano em meu primeiro emprego em São Paulo. Às vezes sou ruim de lembrar essas efemérides: esqueço datas de aniversário de primos, acontecimentos históricos, mas já faz uns dias que venho tentando não me esquecer disto. Simplesmente porque os meses anteriores à minha reentrada ao mercado de trabalho foram alguns dos mais difíceis da minha vida.
A União Soviética morreu há 18 anos, tempo suficiente para existirem adolescentes que nem sabem o que é comunismo. Em um planeta cada vez mais capitalista e consumista, estar desempregado é quase a mesma coisa que estar em coma. E quando você tem outra(s) pessoa(s) que dependam do que você ganha, o pesadelo é dobrado, triplicado, quadruplicado.
Quando você se apresenta para alguém, em 90% dos casos te perguntam: "onde você trabalha?". E se você responde que não tem emprego, ou qualquer outro eufemismo - "em busca de novas oportunidades", por exemplo - é difícil a conversa não entrar no constrangimento.
Segundo o Dieese, a taxa de desemprego no país voltou a crescer em julho, ficando em 15%. Só nas seis maiores regiões metropolitanas, são 3,029 milhões de pessoas sem vaga no mercado.
É difícil acordar todo dia e manter a esperança. Às vezes ela reacende com algum e-mail respondido, um convite a uma seleção de emprego, uma entrevista. Mas quando vem outro não, é difícil se reerguer. Nao apenas pela situação em si, mas para lidar com o lado psicológico. "Afinal, quando esse emprego vai aparecer, se é que vai aparecer?" "Os chefes que não me contratam me acham tão inútil assim?" "O que faço para ser notado e conseguir mais chances?"
Dedico esse post - muito sem graça de tão sério que foi, mas que não podia ser diferente - a todas essas pessoas que passaram ou passam por esse período tão sofrido da vida. E que nosso presidente pense mais neles quando vier com aquela conversa de pescador de zilhões de empregos gerados na sua gestão.
A União Soviética morreu há 18 anos, tempo suficiente para existirem adolescentes que nem sabem o que é comunismo. Em um planeta cada vez mais capitalista e consumista, estar desempregado é quase a mesma coisa que estar em coma. E quando você tem outra(s) pessoa(s) que dependam do que você ganha, o pesadelo é dobrado, triplicado, quadruplicado.
Quando você se apresenta para alguém, em 90% dos casos te perguntam: "onde você trabalha?". E se você responde que não tem emprego, ou qualquer outro eufemismo - "em busca de novas oportunidades", por exemplo - é difícil a conversa não entrar no constrangimento.
Segundo o Dieese, a taxa de desemprego no país voltou a crescer em julho, ficando em 15%. Só nas seis maiores regiões metropolitanas, são 3,029 milhões de pessoas sem vaga no mercado.
É difícil acordar todo dia e manter a esperança. Às vezes ela reacende com algum e-mail respondido, um convite a uma seleção de emprego, uma entrevista. Mas quando vem outro não, é difícil se reerguer. Nao apenas pela situação em si, mas para lidar com o lado psicológico. "Afinal, quando esse emprego vai aparecer, se é que vai aparecer?" "Os chefes que não me contratam me acham tão inútil assim?" "O que faço para ser notado e conseguir mais chances?"
Dedico esse post - muito sem graça de tão sério que foi, mas que não podia ser diferente - a todas essas pessoas que passaram ou passam por esse período tão sofrido da vida. E que nosso presidente pense mais neles quando vier com aquela conversa de pescador de zilhões de empregos gerados na sua gestão.
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quinta-feira, 30 de julho de 2009
Mussum, Garagem, Leão e memória seletiva
Esta tem sido a semana da ascensão e queda da memória seletiva.
Ontem, completamos quinze anos que Mussum "se pirulitouzis". Os twitteiros emplacaram a tag #mussumday e devem ter deixado os americanos com cara de "WTF?" de novo.
Obviamente, todos os trintões do Twitter - eu incluso - renderam homenagens, lembrando dos bons momentos de Antônio Carlos. Só que não vi ninguém mencionar que, quando o mangueirense se foi, os Trapalhões já começavam a entrar em um processo de decadência que vinha desde 1990, com a morte de outro mestre do grupo, Zacarias.
Eles haviam reformulado o programa para tentar dar uma cara mais "jovem", e introduziram um cenário meio hip-hop (?), deixando até o coitado do Mussum com dreads (??). Na tela:
Na segunda-feira, o Garagem - também conhecido como o bar mais tosco da galáxia - finalmente foi demolido. É engraçado que vi muita gente lamentando o fato, mas essas mesmas pessoas resmungavam há anos da degradação progressiva do local - e olha que ali nunca foi "limpeza" nem mesmo no seu auge.
Da minha parte, acho que o Garagem teve lá sua importância no que se refere a reunir tribos distintas do Recife - pessoalmente gosto disso em um bar - e refletir essa boa mistureba no som ambiente, mas fico meio dividido no quesito vigilância sanitária. Acho que um mínimo de noção nessa parte seria decente, mas por outro lado tiraria o charme trash dali.
De fato, foi um bar acima da média no Recife. O problema é que a média de lugares legais na noite da cidade sempre foi muito fraca.
Um bar tosco merece um vídeo igualmente tosco
Por fim, na mesma segunda-feira, Emerson Leão, também conhecido como o treinador mais marrento do Brasil, foi demitido do Sport. Isso foi positivo porque representa o oposto dos outros exemplos acima.
A contratação de Leão foi motivada por um misto de desespero e memória seletiva do Leão que fez história no Sport em 1987 e 2000. Mas eu já achava que este não era o momento certo para trazer Leão de volta ao Sport, pois o cara está sim em uma maré ruim como técnico. E o Sport, em uma maré pior ainda no Brasileirão e precisando urgentemente de resultados, não de chiliques.
Moral da história? Nem sempre modernizar o passado é uma evolução musical, Chico.
Ontem, completamos quinze anos que Mussum "se pirulitouzis". Os twitteiros emplacaram a tag #mussumday e devem ter deixado os americanos com cara de "WTF?" de novo.
Obviamente, todos os trintões do Twitter - eu incluso - renderam homenagens, lembrando dos bons momentos de Antônio Carlos. Só que não vi ninguém mencionar que, quando o mangueirense se foi, os Trapalhões já começavam a entrar em um processo de decadência que vinha desde 1990, com a morte de outro mestre do grupo, Zacarias.
Eles haviam reformulado o programa para tentar dar uma cara mais "jovem", e introduziram um cenário meio hip-hop (?), deixando até o coitado do Mussum com dreads (??). Na tela:
Na segunda-feira, o Garagem - também conhecido como o bar mais tosco da galáxia - finalmente foi demolido. É engraçado que vi muita gente lamentando o fato, mas essas mesmas pessoas resmungavam há anos da degradação progressiva do local - e olha que ali nunca foi "limpeza" nem mesmo no seu auge.
Da minha parte, acho que o Garagem teve lá sua importância no que se refere a reunir tribos distintas do Recife - pessoalmente gosto disso em um bar - e refletir essa boa mistureba no som ambiente, mas fico meio dividido no quesito vigilância sanitária. Acho que um mínimo de noção nessa parte seria decente, mas por outro lado tiraria o charme trash dali.
De fato, foi um bar acima da média no Recife. O problema é que a média de lugares legais na noite da cidade sempre foi muito fraca.
Um bar tosco merece um vídeo igualmente tosco
Por fim, na mesma segunda-feira, Emerson Leão, também conhecido como o treinador mais marrento do Brasil, foi demitido do Sport. Isso foi positivo porque representa o oposto dos outros exemplos acima.
A contratação de Leão foi motivada por um misto de desespero e memória seletiva do Leão que fez história no Sport em 1987 e 2000. Mas eu já achava que este não era o momento certo para trazer Leão de volta ao Sport, pois o cara está sim em uma maré ruim como técnico. E o Sport, em uma maré pior ainda no Brasileirão e precisando urgentemente de resultados, não de chiliques.
Moral da história? Nem sempre modernizar o passado é uma evolução musical, Chico.
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quarta-feira, 15 de julho de 2009
O que ando lendo
Além de "Ulisses", estou arriscando ler outras coisinhas. Umas estão em andamento, outras foram lidas, outras na fila.
Começando pelos já lidos. "A Nova Fronteira" é incrível. Tô com preguiça de explicar em detalhes o que é a história, até porque o Universo HQ fez isso muito bem aqui e aqui. Mas pra quem tá com preguiça de clicar, é assim: uma história retrô que mostra os maiores heróis da DC Comics (Super-Homem, Batman, Flash e outros, seu noob!) surgindo e/ou se adequando às mudanças ocorridas no mundo durante os anos 50 - leia-se macarthismo, guerra fria, racismo e outros temas sombrios em meio ao falso otimismo do pós-Segunda Guerra.
O mérito do autor é justamente unificar o passado de nosso universo real ao que estava nos quadrinhos (sim, roubei essa frase do link acima). Fiquei com medo da história ser mais um genérico do super-heróis-na-vida-real, tipo "Watchmen" e "Reino do Amanhã", mas o texto e o roteiro têm personalidade o bastante para não fraquejar diante da comparação com esses. Ele acertadamente optou por deixar a trindade Super-Batman-Maravilha meio que em segundo plano e dar mais valor aos personagens-chave da Era de Prata: Lanterna Verde e Flash. E a arte retrô de Darwyn Cooke (insira seu trocadilho aqui) é muito legal. Sente aí a capa ao lado, por exemplo.
Outro já lido é "Nova York: A Vida na Grande Cidade", de Will Eisner. Quem me conhece sabe o quanto pago pau pra esse cara. E aqui não foi diferente. Eu já tinha lido "O Edifício", que faz parte desta edição, mas dos outros três livros compilados, destaco o primeiro, que dá nome ao livro. São crônicas mudas onde a habilidade do véio para narrar cenas do cotidiano é de uma poesia e ironia incríveis.
Tenho na fila outro de Eisner, "O Complô", sobre os polêmicos Protocolos dos Sábios do Sião, que foram uma farsa criada para espalhar o antissemitismo.
Outro da fila é "Vida de Escritor", de Gay Talese. Se não me engano, é o mais novo dele. Nunca li nada de Talese, mas minhas colegas de trabalho leram outros livros e acharam ótimo, ha hai! Hi hi! Já este livro, segundo o link que coloquei há duas frases, foi meio malhado pela crítica. Vamo ver o que vou achar do velhinho que veio passear em Paraty neste ano.
Pra terminar, já comecei a ler outro em paralelo com "Ulisses". E como só gosto das coisas bem difíceis, fui ler o quê? Nietzsche, ué! "Além do Bem e do Mal" é o tal livro. E pense num sujeito brabo esse tal de Nietzsche. Nas 20 primeiras páginas ele já distribui voadores para todos os filósofos antes dele, chamando-os de hipócritas porque não admitem que suas filosofias são reflexo de seus próprios interesses. E que esse papo de "viver conforme a natureza" é balela; todo mundo quer mesmo é se dar bem, impor suas vontades ao mundo. Sim, estou gostando! Hahaha.
Começando pelos já lidos. "A Nova Fronteira" é incrível. Tô com preguiça de explicar em detalhes o que é a história, até porque o Universo HQ fez isso muito bem aqui e aqui. Mas pra quem tá com preguiça de clicar, é assim: uma história retrô que mostra os maiores heróis da DC Comics (Super-Homem, Batman, Flash e outros, seu noob!) surgindo e/ou se adequando às mudanças ocorridas no mundo durante os anos 50 - leia-se macarthismo, guerra fria, racismo e outros temas sombrios em meio ao falso otimismo do pós-Segunda Guerra.
Outro já lido é "Nova York: A Vida na Grande Cidade", de Will Eisner. Quem me conhece sabe o quanto pago pau pra esse cara. E aqui não foi diferente. Eu já tinha lido "O Edifício", que faz parte desta edição, mas dos outros três livros compilados, destaco o primeiro, que dá nome ao livro. São crônicas mudas onde a habilidade do véio para narrar cenas do cotidiano é de uma poesia e ironia incríveis.
Tenho na fila outro de Eisner, "O Complô", sobre os polêmicos Protocolos dos Sábios do Sião, que foram uma farsa criada para espalhar o antissemitismo.
Outro da fila é "Vida de Escritor", de Gay Talese. Se não me engano, é o mais novo dele. Nunca li nada de Talese, mas minhas colegas de trabalho leram outros livros e acharam ótimo, ha hai! Hi hi! Já este livro, segundo o link que coloquei há duas frases, foi meio malhado pela crítica. Vamo ver o que vou achar do velhinho que veio passear em Paraty neste ano.
Pra terminar, já comecei a ler outro em paralelo com "Ulisses". E como só gosto das coisas bem difíceis, fui ler o quê? Nietzsche, ué! "Além do Bem e do Mal" é o tal livro. E pense num sujeito brabo esse tal de Nietzsche. Nas 20 primeiras páginas ele já distribui voadores para todos os filósofos antes dele, chamando-os de hipócritas porque não admitem que suas filosofias são reflexo de seus próprios interesses. E que esse papo de "viver conforme a natureza" é balela; todo mundo quer mesmo é se dar bem, impor suas vontades ao mundo. Sim, estou gostando! Hahaha.
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sábado, 27 de junho de 2009
Não é todo dia que morre o Rei do Pop

A morte de um ídolo universal como ele faz isso com o mundo. Faz a gente pensar não apenas sobre o óbvio - ou seja, sobre a importância do cara em nossas vidas e sobre o que aconteceu na sua própria - mas refletir mais sobre nós mesmos também.
Bastou recebermos a notícia da possível morte - confirmada logo depois - para dar aquela confusão de pensamentos. Como lidar com a perda de um cara que deixou a vida de muita gente mais divertida? Por que ele morreu tão cedo? Como conseguiu se tornar tão poderoso na cultura pop, mesmo tendo vivido tantas bizarrices e acusações? Qual é a sua lembrança mais viva em relação a Michael Jackson e no que ele foi importante para você?
As celebridades são as divindades dos nossos tempos. Mas diferente dos ícones religiosos, que por serem inatingíveis se tornam distantes unanimidades, as celebridades caminham entre nós, e por isso nosso culto à divindade também é afetado.
Se eles estão por cima, os idolatramos e usamos como referência positiva; se estão por baixo, nós rimos e jogamos pedras, pois nossa inveja se sacia com o fato de que eles erram e são tão humanos quanto nós. Se morrem prematuramente, nos entristecemos pois eles se sacrificaram para expurgar nossos pecados, mas talharam seu nome na história. Isso pode não ser o bastante para acabar com a dor da perda de muitos, mas acredite: eles cumpriram o papel de tornar esse mundo, se não melhor, mais agradável de se viver.
[Ressaltando: considero acima as celebridades de direito, que tem uma obra a zelar, como MJ, e não famosos "inúteis" como Paris Hilton e afins]
Sobre Michael, o que fico mais triste nisso tudo é que estamos muito, muito longe de ver alguém assumir seu trono na música pop de fato e de direito. Seu maior pecado foi querer nunca crescer, mas não dá para culpá-lo em um mundo onde Chris Brown bate em mulheres e os irmãos Gallagher brincam de boçais. Mas fico feliz porque acredito que agora ele finalmente vai ter a felicidade e paz que nunca teve em vida.
Descanse em paz, Michael Joseph Jackson.
[Crédito da imagem: blog de Mário Cau]
[Ler também: minhas 20 preferidas de Michael]
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sexta-feira, 12 de junho de 2009
Ah, o amor
Passei o dia todo pensando em clichês de Dia dos Namorados. Uma galera no Twitter lembrou do "clássico" do Asa de Águia; eu desencavei outra coisa. Eu lembrei da minha verve loser e recapitulei Charlie Brown. É, Minduim, todo mundo um dia já foi um sem-namorado sofredor nessa data...
Daí resolvi parar com a palhaçada e pensar em algo que realmente simbolizasse a beleza de se ter alguém especial ao seu lado. E lembrei de "Antes do Amanhecer". Vi esse filme faz tempo, a continuação "Antes do Pôr-do-Sol" tá mais recente na memória.
Mas revi agora essas duas cenas no YouTube e acho que elas expressam bem aquele aperto bom no coração quando você tem certeza que gosta de alguém.
Feliz dia dos namorados pra mim e pra ela. E pra você que está lendo isso. Com ou sem namorada, estar apaixonado na maioria das vezes pode ser bom. :)
Daí resolvi parar com a palhaçada e pensar em algo que realmente simbolizasse a beleza de se ter alguém especial ao seu lado. E lembrei de "Antes do Amanhecer". Vi esse filme faz tempo, a continuação "Antes do Pôr-do-Sol" tá mais recente na memória.
Mas revi agora essas duas cenas no YouTube e acho que elas expressam bem aquele aperto bom no coração quando você tem certeza que gosta de alguém.
Feliz dia dos namorados pra mim e pra ela. E pra você que está lendo isso. Com ou sem namorada, estar apaixonado na maioria das vezes pode ser bom. :)
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