Carnaval nada. O ano começa quando começa o "BBB".
Vai ter em SP: Metallica, Gossip, Franz Ferdinand, Beyoncé e Shakira. E se São John Lennon permitir, Paul McCartney estará entre nós.
Copa na África do Sul! Seremos hexa? Hexa de verdade, não como o Flamengo...
Eleição para presidente, governador, senador e deputados. Trocando os sujos pelos mal lavados.
"24 Horas" e "Lost" vão acabar... triste.
Passagem de ônibus vai aumentar em São Paulo a partir de hoje. Muito mais triste ainda.
Vai ter nos cinemas "Homem de Ferro 2" e "Fúria de Titãs". O horário eleitoral começa em janeiro com "Lula, o Filho do Brasil". O Oscar terá dez indicados a melhor filme.
E o fim do mundo continuará e será twittado em tempo real.
Esqueci algo?
Que seja dada a largada.
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sexta-feira, 1 de janeiro de 2010
segunda-feira, 28 de dezembro de 2009
2009, parte quatro

Neste ano...
... morreram Clodovil, Celso Pitta, Mara Manzan, Dirce Migliaccio, David Carradine, John Hughes, Patrick Swayze, Farrah Fawcett, Carlos Wilson, e só nos acréscimos do segundo tempo, Leila Lopes, Lombardi, Alborghetti e Brittany Murphy...
... o "CQC" e o "Pânico" continuaram engraçados. Zina foi a personalidade do ano e Mônica Iozzi se tornou o colírio feminino entre os homens de preto.
... Stefhany se queimou no "Esquadrão da Moda".
... "Descolados", "Tudo Novo de Novo" e "Som e Fúria" foram outros destaques positivos da TV aberta.
... Gugu e Marcos Mion foram para a Record, mas o SBT deu o troco trazendo Eliana e Justus.
... "Caminho das Índias" foi o ápice da Gloriaperezice. E tome Are Baba.
... Max ganhou o "BBB" e Dado Dolabella ganhou "A Fazenda" sem machadinha, mas perdeu em "carisma" para Theo Becker.
... Maurício de Sousa também comemorou 50 anos de carreira com um álbum-homenagem de responsa. E fez um personagem gay, pero no mucho.
... a DC fez o Senhor dos Anéis dos Lanternas Verdes, e a Marvel disse que pretende voltar com os Vingadores à moda antiga.
... a Marvel ganhou orelhas de Mickey.
... "Se Eu Fosse Você 2" se tornou o recordista brasileiro pós-retomada.
... "Watchmen" continuou infilmável, e "Wolverine", "Transformers 2", "Exterminador do Futuro 4" e "Harry Potter 6" passaram, mas não marcaram. Já "Star Trek", "2012" e "Se Beber, Não Case" chamaram a atenção.
... "Brüno" foi o bom retorno de Sacha Baron Cohen.
... as animações foram os pontos altos de qualidade, como "Up", "Coraline" e a grata surpresa "Tá Chovendo Hamburguer".
... o longa metragem de "Caminho das Índias" ganhou o Oscar.
... como no ano passado, a vampirada seguiu na moda na TV - "True Blood" - e no cinema - "Crepúsculo: Lua Nova" e o cultuado "Deixa Ela Entrar".
... "Avatar" revolucionou o cinema 3D (supostamente).
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quinta-feira, 24 de dezembro de 2009
Mensagem de Natal com Desmond e Penny
Nunca fui muito de Natal, mas de qualquer forma, acho válido haver uma data para a gente repensar o que fazemos na vida. É tempo de refletir se somos pessoas bondosas, e o que podemos fazer para ser melhores nesse sentido. De ficar perto das pessoas que amamos para seguir em frente.
Daí essa ceninha de "Lost" conseguiu, de um jeito não muito convencional, mostrar o que o Natal representa para duas pessoas que estão longe, mas que continuam se amando.
Ficaí o meu desejo de um Natal muito iluminado para todos.
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quarta-feira, 16 de dezembro de 2009
Sobre palavrões
Só agora tive a oportunidade de ver o trecho do discurso de Lula em que ele afirma querer "tirar o povo da merda".
Palavrões existem há milhões de anos. O uso de um palavrão, como o de toda palavra, é cercado de muito contexto. O que eu ainda fico surpreso é com quem se choca com o uso de palavrão nos círculos mais informais.
Claro, não sou a favor de todo mundo liberar geral, até porque isso tira a força que as palavras geralmente associadas a palavrões teriam. Talvez o "charme" dessas palavras sejam o fato delas serem "proibidas", em um sentido mais católico do que de comportamento, a meu ver.
Mas acho que o presidente não falou nada de mais. Querer tirar o povo da merda é um sentimento muito justo - se ele quer ou vai conseguir isso é outra história - e por isso não ofende ninguém, apenas a quem quer se sentir ofendido. Se ele dissesse "tirar o povo da latrina", não seria palavrão, mas o sentido seria quase o mesmo. E aí?
Na TV eu noto que as coisas estão mudando. O "Pânico" tem muito palavrão, embora com os clássicos "piis". O "CQC" muitas vezes libera o palavrão; no de anteontem, Sandy deu uma trégua à sua fama de carola, falou que queria que certas pessoas fossem "à merda", e o programa liberou. Até a ultraconservadora Globo deixou Flora, da saudosa novela "A Favorita", falar alguns "merda". E todos os casos ocorreram em horários "de adulto", como manda o figurino.
Portanto, vamo deixar nosso presida falar um inocente palavrão. Mesmo sendo ele, o que é mais um ou menos um falando que estamos na merda? Afinal, não estamos mesmo?
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segunda-feira, 14 de dezembro de 2009
Entrevista: Xico Sá

Você provavelmente sabe quem é Xico Sá. Já deve ter lido alguma crônica dele na Folha de São Paulo, se deparado com seu blog O Carapuceiro, ou tê-lo visto no "Cartão Verde" ou no "Notícias MTV". Ou a aparição dele no filme "O Cheiro do Ralo". Se em nenhum desses lugares, talvez em algum barzinho da Vila Madalena.
Enfim, o cara é ocupado, mas conseguiu cinco minutos para responder umas perguntinhas para este humilde blog por e-mail. E se você sabe quem é ele, sabia que ele está preparando um livro sobre o ex-craque Sócrates? Confere aí mais detalhes sobre isso e outras coisas.
MPadrão: Você nasceu no Ceará e viveu em Pernambuco. Em seus textos você assume uma "persona" cabra-macho nordestino impregnado das influências cosmopolitas de São Paulo. O quanto esse Xico Sá conhecido do público é igual ou diferente do "real"?
XS: É essa desgraça que se vê mesmo, ajuntamento desses lugares, duzentas mil influências arrumadas ao longo desses caminhos, vezes com mais sustança, vezes mais fraco e metido a moderno. E sempre pulando mais por necessidade do que por boniteza, como faz o sapo no dizer colhido por Guimaraes Rosa entre os sertanejos de Minas.
MPadrão: Você é um dos poucos jornalistas da mídia impressa que acabou ganhando ainda mais fama quando foi parar na TV. Esse seu perfil, citado na pergunta anterior, seria a razão de seu sucesso na frente das câmeras?
XS: O que faço na TV é tudo por consequência do que escrevo no papel ou nos blogs. Vou lá e falo as mesmas coisas, de um jeito mais desarrumado e feio ainda, mas mantendo a pegada do cronista de jornal. Alem do "Cartão Verde", faço uma pequeníssima crônica na MTV, no "Notícias MTV", programa do Cazé. Juro que procuro não ver nada do que faço na televisão, pois me espanto com a feiúra e com o desmantelo, como quem ouve a voz gravada, nas primeiras vezes, e acha horrível. E olha que me divirto na hora de fazer e ganhar meu troco, mas ver, tô fora, Deus me livre.
MPadrão: É verdade que está produzindo um livro sobre Sócrates, seu colega no "Cartão Verde"? Poderia falar mais sobre o assunto?
XS: Junto com o Vladir Lemos, apresentador/mediador do "Cartão" estamos nessa missão. Tem material já de sobra, entre convívio e apuração, mas não será uma biografia séria e oficial. Apenas um livro divertido que consiga mostrar a importância do doutor no futebol e na política, pois tem muita gente no Brasil que aprendeu o sentido de democracia com a Democracia Corinthiana. Sai em meados de 2010.
MPadrão: Noto em suas crônicas uma mistura de poesia com jornalismo gonzo. Quais seriam as suas influências mais fortes nessas duas vertentes?
XS: Tem um pouco dessas duas coisas sim, mas o que se convencionou chamar de gonzo nunca foi pensado, pois tinha esse traço, de forma mais radical que hoje, bem antes de conhecer sequer o termo. Acho que a matrix é o mundo ali dos cronistas líricos, principalmente Antônio Maria, uma coisinha ali crônica de costumes, como Padre Carapuceiro, e, vez por outra, uma maluquice assimilada das leituras do Kurt Vonnegut.
MPadrão: Você lembra qual foi a reportagem mais bizarra que já fez? Quando e como foi?
XS: A mais bizarra foi uma sobre a máfia dos papa-defuntos do Recife, que me fingi de morto e tudo,me botaram dentro de um caixão de uma funerária da Caxangá, essa foi doideira, mas a finalidade era séria: denunciar o esquema funerário de exploração da miséria. Publiquei em "O Rei da Notícia", no Recife dos anos 80, com fotos de Fred Jordão. Tem outra que gosto que é sobre o esquema de prostituição e política e Brasília, a putaria usada como lobby, saiu na "Trip", há uns quatro anos, quando descobriram aquela cafetina famosa, a Marie Córner, se não me engano – essa teve ilustração do Lourenço Mutarelli, que me acompanhou como se fosse o fotógrafo da apuração, o cara disse tudo nos seus desenhos. Outra que vale citar é um cruzeiro que fiz com o Rei Roberto, também para "Trip", ano 2005, creio, com loucuras dentro do navio.
MPadrão: Outra grande marca do seu trabalho é a informalidade típica dos papos de boteco. Qual é a importância dessa instituição etílica na vida contemporânea, na sua opinião?
XS: Aí está minha grande fonte. É nessa instituição nacional que colho tudo para a escrita hoje em dia. Do boteco mais pé-sujo ao mais arrumadinho de classe média. Com uma ida vez por outra aos puteiros, lógico, que não são os mesmos, mas continuam grandes lares de histórias prontas para um repórter ou cronista.
MPadrão: Para você, o que o caso Geisy atesta - ou desmente - na sociedade brasileira na questão do feminismo?
XS: Que em muitos setores, e nisso São Paulo é bem mais conservador (pelo menos em matéria de vestimenta), ainda não avançamos o que imaginávamos.
MPadrão: O futebol brasileiro foi mais agitado que a média neste ano. Além do retorno de Ronaldo e Adriano, tivemos novas emoções nos pontos corridos e algum progresso na Seleção. Quais são as suas previsões futebolísticas para 2010, incluindo aí Brasileirão e a Copa?
XS: Anda tudo dando tão certo para a seleção, que eu, supersticioso como muitos, temo uma derrocada na hora H, quando tiver que provar mesmo que é a tal. Tem um time africano muito bom: Costa do Marfim. Gana também joga uma bola redondinha. Seria lindo que vencesse, no continente deles, uma das duas. Mas se o Icasa de Juazeiro se mantiver na série B (subiu agora), o Sport voltar para a A e o Santos for campeão brasileiro, tá de bom tamanho.
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quarta-feira, 2 de dezembro de 2009
RIP Lombardi: Oi, Silvio... perfeitamente, patrão... confira agora o resultado parcial da Tele Sena de Dia das Mããães, etc.
Pois é, pessoal. Como já disseram Twitter afora, a morte dele pouco depois da de Herbert Richers fez calar pessoas importantes da nossa geração, que cresceu alimentada pela efervescente TV brasileira dos anos 80. Vai fazer falta, com certeza.
O mais louco é que passamos anos tentando adivinhar a aparência de Lombardi, mas não é que o dito cujo lançou um site próprio cheio de fotos suas e quase ninguém sabia disso? A dica veio de Alexandre "Trabalho Sujo" Matias.
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segunda-feira, 16 de novembro de 2009
A Fazenda 2 - primeiras impressões
Eu nem gostei muito da primeira edição da "A Fazenda", e provavelmente nem vou gostar da segunda temporada. Mas me aventurei a ver um pedaço da estreia.
Peguei bem na parte da prova do fazendeiro. Chequei os participantes e a coluna "Zapping" do "Agora SP" acertou todos. Achei o elenco fraco como "personagens". Difícil ainda saber quem vai ser o vilão, a mocinha, o amigão, o engraçado, o idiota, etc.
Quer dizer, pelo "histórico de vida", acho que Sheila Mello e Karina Bacchi perigam ser as gostosas bobinhas. Pela cara de maleta, o tal do André Segatti tem pinta de vilão. Os modelos que não sei o nome podem ser os enrustidos da vez. Ana Paula Oliveira, a bandeirinha preferida do Botafogo, tem potencial para ser a morena falseta.
Agora vamos ao que importa: quem ali é gostosa de verdade? Eu gosto de Sheila Mello - sempre achei a minha "Tchan" favorita -, de Ana Paula, Cacau Melo e... tenho que admitir que Theo Becker tem bom gosto. Andressa é muito bonita. Karina tem corpão, ok, mas acho "embonecada" demais. Depois que ela abdicou de ter uma boca de gente normal, perdeu o (pouco) encanto.
No geral, o programa já sai perdendo porque o cara que seria meu participante favorito desistiu: Sérgio Mallandro! Uma grande perda para a Humanidade. Rááá!
quarta-feira, 4 de novembro de 2009
Stefhany, um estudo etnológico
Stefhany é uma Zina de saias. Ambos são anti-heróis que se tornaram queridos por seus defeitos. Se Zina ganhou fama pelo jeito abobalhado e sua falta de articulação ao falar, Stefhany ficou conhecida por sua total ausência de noção estética, além da incapacidade de perceber isso nela mesma.
Uma sutil diferença entre a menina do Crossfox e Joelma, por exemplo, é que a loira do Calypso só estourou depois que estabeleceu uma comunicação com um público amplo que é brega igual a ela. Já Stefhany foi descoberta por jornalistas de classe média e já foi logo sendo apresentada ao mundo como uma sátira.
O "Esquadrão da Moda" com Stefhany, exibido ontem, foi um bizarro estudo etnológico que deixaria Lévi-Strauss intrigado. A resistência de Stefhany à transformação do programa pode ser entendida de pelo menos duas formas. Na superfície, era só uma adolescente inexperiente, mimada e de ego inflado tentando sabotar a produção - e foi o que a edição tentou convencer, e se eu fosse do programa e a garota dificultasse meu trabalho como fez, provavelmente faria o mesmo.
Mas revendo melhor, foi também um tremendo choque de culturas no qual as noções estéticas de certo e errado eram apenas referenciais. E no fundo, sempre foi isso mesmo. O que "está na moda" é o que é empurrado pra gente pela mídia e especialistas da área, e ai de quem achar o contrário.
Honestamente, eu sempre tive alguma resistência ao conceito do "Esquadrão" de ditar qual roupa é melhor para você. Também não acho que esse lance de "estilo pessoal" seja desculpa para todo mundo usar roupas horrendas. Mas o que achei mais louco é que Stefhany acabou indo em um monte de lojas caras e acabou comprando roupas tão feias quanto as que sempre usou. Mais uma prova da relatividade do que é "bonito".
O que também foi interessante é que a oposição de Stefhany não deixa de ser um tapa na mídia que quer ganhar audiência às custas da cafonice velada da menina. Tenho pena, porque dificilmente ela vai continuar por aí quando a "graça" passar e aparecer alguma nova tosqueira de internet que irá substitui-la na pauta da vez.
Foto: Papel Pop, de Phelipe Cruz, a.k.a. um dos "descobridores" de Stefhany
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terça-feira, 3 de novembro de 2009
Vou mandar um salve
Na matéria mais longa e mais "séria" que já vi no "Pânico", no último domingo, eles narraram a biografia de Zina, abordaram o caso envolvendo a prisão, o vício de cocaína e a esquizofrenia do ex-guardador de carros que fala "Ronaldo!" e ainda apuraram detalhes sobre o combate às drogas em São Paulo e no Brasil. Tá aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.
Tirando toda a perfumaria e apelação melodramática, o que ficou foi: 1) eles afirmaram não saber, até então, que Zina usava drogas; 2) o cara prometeu se livrar do vício (mas não parecia muito interessado nisso); 3) criticaram a postura da imprensa sobre o caso, reforçando o caráter humilde de Zina e frases feitas como "ninguém sabe o que ele viveu".
Sobre isso, francamente, duvido muito que eles desconhecessem esses problemas de Zina. Estão lado a lado com o cara - e com a família dele - há meses. Bastava olhar para ele nas reportagens. Ele nunca pareceu um cara que batia bem da cabeça. Dias antes da prisão, rolou até um vídeo no Youtube de Zina supostamente cheirando coca em um ônibus, mas que saiu do ar pouco depois.
Além disso, o programa não abordou o processo movido por Zina - e que foi arquivado - por usarem a imagem dele como chacota e para ganhar dinheiro com camisetas.
Isso é que pega no "Pânico". Os caras são engraçados, e sim, rio muito com Zina, que é uma figura. Mas quando o bicho pega, eles apagam o incêndio sem esclarecer direito os fatos. Até acho que eles querem mesmo ajudar o cara a se recuperar. Mas fica a impressão nítida que isso só aconteceu por causa da prisão. Se não, até hoje Zina seria o mascote engraçado com um lado negro escondido nos bastidores.
Mais sobre isso neste post de Rosana Hermann.
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segunda-feira, 26 de outubro de 2009
Alô, Alô, Terezinha
A meu ver, um bom documentário é aquele que usa o objeto real documentado como um "McGuffin" para contar boas histórias e iniciar reflexões mais profundas sobre o mundo em que vivemos. É exatamente o que faz "Alô, Alô, Terezinha".
Mesmo hoje em dia, é difícil entender o anárquico, caótico, escrachado e carnavalesco pernambucano Abelardo Barbosa. No filme de Nelson Hoineff, quem se sai melhor na tarefa é Alceu Valença: Chacrinha foi o cara que levou a figura do "velho" do pastoril profano à televisão.
Apoiado no tradicional formato imagens de arquivo + depoimentos, o filme tem como maior mérito seguir a linha mestra do Velho Guerreiro: mandar o politicamente correto às favas e entrar de cabeça nos detalhes "picantes" da biografia do comunicador.
No desenrolar da produção, fica fácil entender que Chacrinha se torna o centro de temas como os limites do grotesco e da sexualidade na indústria cultural; a obsessão dos anônimos de pular para o sucesso; e as diferenças de Zeitgeist (espírito da época) entre os estranhos anos 80 e a asséptica década atual.
Não incomoda no filme a nudez de Índia Potira, ou a evidente "plastificação" dos artistas que mantém a mesma cara há mais de 20 anos, enquanto as pobres chacretes não resistiram ao tempo. Incomoda mais o pieguismo do diretor ao pedir para todo mundo cantar à capela, ou chorar por alguns segundos para a câmera.
Ou pior, constatar que tudo isso é mero calhau, pois as imagens de Chacrinha em ação são muito poucas e muito ruins - fruto do descaso das emissoras com seu próprio acervo. Que por sua vez, vem do desleixo dos brasileiros com sua própria história. Independente disso, o filme merece ser visto e revisto pelo mérito que é reativar, por uma hora e meia, uma época em que a TV e a sociedade eram menos pretensiosas.
Curiosidade: na sessão que fui, no metrô Santa Cecília (SP), tivemos a presença ilustre na plateia de ninguém menos que Rita Cadillac.
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terça-feira, 20 de outubro de 2009
CPI do visual de Marge Simpson
Ninguém pode falar de Ângela Bismarchi. Olha só o que os milagres da cirurgia estética já fizeram a Marge Simpson, a próxima estrela da "Playboy" gringa.
Ela começou assim, nos anos 80...

...depois evoluiu para o visual clássico...

...até chegar aos peitões de hoje em dia. Em um episódio de 2002, ela até pôs implantes de silicone mesmo, mas ela os tira no final. Quer dizer, será mesmo que tirou?

Menção honrosa a Marge adolescente antes do cabelo em pé horrível. Cabelo que depois veio para ficar, infelizmente.

Clique aqui para mais imagens de Marge em diversas fases e estilos.
Cuidado com a vaidade, Marge, para não acabar assim:
Ela começou assim, nos anos 80...

...depois evoluiu para o visual clássico...

...até chegar aos peitões de hoje em dia. Em um episódio de 2002, ela até pôs implantes de silicone mesmo, mas ela os tira no final. Quer dizer, será mesmo que tirou?

Menção honrosa a Marge adolescente antes do cabelo em pé horrível. Cabelo que depois veio para ficar, infelizmente.

Clique aqui para mais imagens de Marge em diversas fases e estilos.
Cuidado com a vaidade, Marge, para não acabar assim:
sexta-feira, 2 de outubro de 2009
VMB 2009, o que achei

Eu vi o VMB e de fato achei injusto Little Joy, Stephany e Danilo Gentili perderem para Cine, Seminovos e Marcos Mion. Mas francamente, eu não acredito em premiação justa desde que descobri que Hitchcock e Kubrick nunca ganharam Oscar de diretor. Daí relevo tranquilamente.
A festa em si achei bem acima da média. Só os shows de Massacration + Falcão, Erasmo Carlos e Móveis Coloniais de Acaju salvaram a noite. Franz Ferdinand foi mais ou menos, mas não foi o fiasco do Bloc Party. Marcelo Adnet apresentou muito bem. Os carinhas do "Furo" foram divertidinhos. O esquema dos VTs com alguns dos premiados foi bem válido pra agilizar o processo.
Enfim, mais méritos que deméritos.
Foto: Flavio Florido/UOL + minha arte cretina
terça-feira, 29 de setembro de 2009
Ela também vai estar correndo atrás
Quando o "CQC" anunciou o concurso para oitavo integrante, já achei esquisito porque eles mesmos ignoraram que já houve um oitavo integrante: o subestimado Warley Santanna, que não ficou no programa sabe-se lá porquê. Ok, o quadro do assessor de imagem era ruim, mas o cara tinha potencial.A vitória de Mônica Iozzi encerrou um concurso que o programa vendeu como um grande evento, mas que na verdade foi um pouco abaixo do que eu esperava. A princípio, nenhum dos candidatos exibidos me saltou aos olhos no sentido de "ser o (a) cara". Pode ser talvez por já estar acostumado aos veteranos, não sei.
Claro, alguns pareciam ter muito a mostrar e eu esparava vê-los na final, mas seja por nervosismo em alguma etapa ou injustiça mesmo, foram ficando pelo caminho, como Laura Rodrigo, Aline Nabisi e Luiz Tadeu Correia. Uma pena.
Os quatro semifinalistas cresceram muito na competição, mas eu achava muito difícil Rogério Morgado, Carol Zoccoli e Paulão do Velhas Virgens conseguirem superar os tabus de peso/feiúra/idade. Só que independente disso, eu acompanhei todas as etapas, e francamente, isso não teve a menor interferência na escolha por Mônica; ela venceu mais por mérito próprio e menos por exclusão dos outros concorrentes.
Nas reportagens da final, por exemplo, Carol me pareceu meio perdida e repetitiva. Outra coisa que pesou contra ela e Rogério, ironicamente, foi o fato de terem vindo de stand-up, porque a ligação desse estilo de humor com o "CQC" já está muito saturada; havia a impressão de que seria obrigatório passar pelo gênero para usar o terno preto.
Já Mônica, ninguém dava nada por ela naquelas primeiras fases, mas demonstrou nos últimos programas ter a cara de pau e a espontaneidade necessárias para o cargo. E se torna agora a primeira mulher do "CQC" brasileiro (e bonitona, sim, claro), prometendo ser uma boa aquisição e um contraponto interessante ao ambiente muito masculino que impera no programa até aqui.
Só tem um detalhe: ainda não está muito certo o que ela vai fazer. Por acaso a Band já está contando com a saída de alguém da equipe? Andam alardeando os nomes de Danilo e Oscar, por exemplo. Mas se ficarem todos em 2010, o que ela vai cobrir? Oscar mesmo já tem feito pouca coisa no programa. E neste ano não tem mais nenhum grande evento, como Olimpíadas, Copa ou Eleições. Aguardemos.
No mais, assistir a esse concurso só reforça o quanto fico incomodado com seleções de emprego de qualquer espécie - e logo algo assim, passando em rede nacional. Fico me colocando no lugar dos que perderam a vaga: o esforço, o sonho... tudo escapando no final. Ok, o programa foi uma boa vitrine para esses também, mas só por alguns meses...
Sim, às vezes eu tenho coração mole.
quarta-feira, 23 de setembro de 2009
Big Bang Theory, início da 3ª temporada - considerações
Antes: ansiedade e expectativas altas. Depois: expectativas apenas cumpridas; nem superadas, nem frustradas. Episódio bom, grandes momentos, mas nada genial. Achei fraco o plot do piti de Sheldon (mais um, né?).
A grande surpresa: jurava ver Penny com outro namorado depois de três meses sem os nerds, mas ela não apenas estava esperando por Leonard, como estava cheia de tesão!! Uau! Sem falar que ela segue cada vez mais linda.
Outra surpresa: Penny foi assistir ao "Star Trek" novo sem eles. Desde a temporada passada ela dá sinais de catequização nerd, mas sem perder o estilo menininha. Gosto disso.
Aliás, as piadas mais fracas vieram dela tentando ser a Penny lôraburra do início da série - a historinha da torta e não ter entendido o presente de Leonard.
As melhores gags pop foram de Raj: a de "Mario e Luigi" e "Toy Story", hahaha.
Melhor frase, claro, por Sheldon: "In the world of emoticons, I was colon capital D". Mestre.
E por fim, mas não menos importante: eles TRANSARAM! AEEEEE!!! O 21 de setembro deveria se tornar o novo Dia do Orgulho Nerd.
No entanto, como Penny salientou, foi um lance "esquisito". Isso deverá repercutir nos próximos episódios. Só espero que não vire melodrama romântico, pois o estilo "Mulder & Scully" não combina com os dois.
Foto: Omelete
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sexta-feira, 18 de setembro de 2009
I'mma let you finish

Em uma semana maluca dessas, deixo vocês com a página mais tosca do ano: o Kanyegate. Enjoy!
(Pra quem não entendeu, saiba aqui a história)
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terça-feira, 15 de setembro de 2009
Sobre Patrick Swayze
Não era um ator excepcional, mas com certeza acima da média. Era bonito e carismático, e isso certamente ajudou nos primeiros anos de carreira. Como qualquer terráqueo no início dos anos 90, me liguei nele a partir de "Ghost", um filme que acho bem pop e o qual assistiria de novo sem problemas, apesar do melodrama bobinho.
No entanto, os dois pontos altos de Swayze para mim foram "Matador de Aluguel" e "Caçadores de Emoção". Do primeiro, confesso que não lembro mais da história, mas lembro de ter gostado. Já o segundo é um filme de ação muito competente e honesto. Dois clássicos da minha época de cliente de locadora.
Nunca assisti a "Dirty Dancing", só fragmentos quando passa na TV. Mas "She's Like the Wind" é uma baladona bregona de classe. Cantor dos bons, ainda por cima.
Uma grande perda para o cinema pipoca.
No entanto, os dois pontos altos de Swayze para mim foram "Matador de Aluguel" e "Caçadores de Emoção". Do primeiro, confesso que não lembro mais da história, mas lembro de ter gostado. Já o segundo é um filme de ação muito competente e honesto. Dois clássicos da minha época de cliente de locadora.
Nunca assisti a "Dirty Dancing", só fragmentos quando passa na TV. Mas "She's Like the Wind" é uma baladona bregona de classe. Cantor dos bons, ainda por cima.
Uma grande perda para o cinema pipoca.
sexta-feira, 11 de setembro de 2009
Descolados + Top 10 da TV aberta 2009
A série de ficção da MTV Brasil, "Descolados", começou faz tempo e esqueci de falar antes, mas como diria o ditado, "antes tarde do que... mais tarde!".
A produção é muito boa. O jeitão "vida real", com roteiros que não têm pudor de abordar sexo, drogas, palavrões e outros tabus, funciona bem com a edição ágil e o trio de atores muito à vontade nos papeis principais. Tenho acompanhado e vi poucos vacilos até então. Recomendo mesmo.
Aproveitando, vou atualizar aquele top 10 da TV aberta que fiz ano passado. "Descolados" já faz parte da lista. Segue a lista completa com comentários rápidos meus; e só deixando claro o óbvio, os critérios são bastante pessoais.
1) "CQC" - Perdeu o ar de novidade e por isso tem muito nego dizendo que perdeu a graça, que estão roubando no concurso do oitavo integrante, isso e aquilo. Pois danem-se. Continuo achando o que disse ano passado: é a melhor coisa da TV atual no Brasil.
2) "Pânico" - Estão se repetindo e perdendo a graça aos poucos, é verdade. Acho o Impostor e as dicas do Bola o fim da picada. Mas quando acertam, acertam mesmo: vide o neo-fenômeno Zina.
3) "Descolados" - Ver início deste post.
4) "A Grande Família" - Dizem que vai acabar neste ano, o que seria uma pena. Mesmo tantos anos no ar, continuam divertidos.
5) "MTV Debate" - Quem diria que Lobão se garante tanto como mediador? Temas pertinentes, consegue mostrar os vários lados, convidados interessantes.
6) "Todo Seu" - Este eu nem assisto muito, mas quando assisto, me surpreendo positivamente. Ronnie Von é um ótimo Ana Maria Braga de calças - sim, isto é um elogio. E as análises de TV de José Armando Vanucci às quartas são sempre pertinentes.
7) "Quinta Categoria" - Quando o programa estreou com Marcos Mion e Cazé, eu achava muito chato. Mas reformularam neste ano, tirando Cazé e trazendo o grupo de humor Barbixas. Foi da água pro vinho. Os caras são muito bons.
8) "Top Top" - É, a MTV melhorou muito sua programação nos últimos anos. Este é um dos raros programas da emissora que ainda abordam "história do rock", com listas bisonhas e textos divertidos. Nem sempre concordo com as escolhas, mas sempre me divirto.
9) "Roda a Roda" - Pô, é joguinho de adivinhar a palavra apresentado por Silvio Santos. Simples e eficiente. Precisa dizer mais?
10) "Leitura Dinâmica" - Pus este porque é o telejornal diário com a proposta mais ousada que surgiu ultimamente; o formato com ênfase nas notas permite que eles abram mais a pauta para outros assuntos ignorados pelos outros jornalões da TV, como cultura pop.
Resumo da ópera: Globo e Record estão aí, se batendo por audiência, mas não estão produzindo quase nada que preste. A Globo mesmo até entraria aqui com mais programas, se não tirasse do ar tão rápido coisas legais que fizeram, como "Decamerão" e "Tudo Novo de Novo".
E aí vem a MTV correndo por fora, ousa mais e faz coisas acima da média. Parabéns, campeões.
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segunda-feira, 24 de agosto de 2009
E ano que vem, hein?
Aí na última semana tivemos mais novela do Senado, que depois virou novela do PT. A Comissão de "Ética" absolveu Sarney, Mercadante não gostou e pediu pra sair da liderança do PT, Lula deu um pito e Merca voltou atrás. No meio disso tudo, Marina Silva sai do partido e como até minha vó já sabe a essa altura, ela é potencial candidata à presidência, provavelmente pelo PV.
Sem cair no clichê "o PT se vendeu", acho que essa parada foi o segundo grande baque do partido em sua história, sendo o mensalão o primeiro. Na eleição presidencial de 2006, eu achava complicado Lula se reeleger por causa do babado anterior, mas deu no que deu. Daí é fácil pensar agora que o Sarneygate vai complicar a candidatura de Dilma, ainda mais tendo Marina como rival, mas a essa altura não sei mais de nada.
Eu acho, acho, que a eleição do ano que vem bem mais difícil que a de 2006. Primeiro: não é mais Lula a candidata, e sim Dilma, e contra ela pesam fatores como: ser nova nessa brincadeira de presidente; não fazer o PAC emplacar, tanto na prática quanto nas mentes das pessoas; a doença dela, que pode eleitoreiramente ser boa ou ruim, a saber; esse caso da secretária da Receita queimando um pouco mais o filme dela; e o temperamento explosivo.
Segundo: os rivais de Dilmão vão ser pesados. Além de Marina - que tá cheia de sangue nos óio para aporrinhar Dilmão na campanha e terá o meio ambiente (que tá na moda) como plataforma de governo - há ainda Serra, que definitivamente não é o Serra de 2002. O período como governador de São Paulo deixou o sr. Burns brasileiro bem mais cheio de munição para divulgar (lei antifumo-mo-mo-mo...).
E se a pendenga Globo x Record continuar, aí que teremos uma eleição caprichada. Parece não ter nada a ver com resto, mas terá sim. Como, eu não sei, mas nada nesse mundo conspirador é por acaso.
Sem cair no clichê "o PT se vendeu", acho que essa parada foi o segundo grande baque do partido em sua história, sendo o mensalão o primeiro. Na eleição presidencial de 2006, eu achava complicado Lula se reeleger por causa do babado anterior, mas deu no que deu. Daí é fácil pensar agora que o Sarneygate vai complicar a candidatura de Dilma, ainda mais tendo Marina como rival, mas a essa altura não sei mais de nada.
Eu acho, acho, que a eleição do ano que vem bem mais difícil que a de 2006. Primeiro: não é mais Lula a candidata, e sim Dilma, e contra ela pesam fatores como: ser nova nessa brincadeira de presidente; não fazer o PAC emplacar, tanto na prática quanto nas mentes das pessoas; a doença dela, que pode eleitoreiramente ser boa ou ruim, a saber; esse caso da secretária da Receita queimando um pouco mais o filme dela; e o temperamento explosivo.
Segundo: os rivais de Dilmão vão ser pesados. Além de Marina - que tá cheia de sangue nos óio para aporrinhar Dilmão na campanha e terá o meio ambiente (que tá na moda) como plataforma de governo - há ainda Serra, que definitivamente não é o Serra de 2002. O período como governador de São Paulo deixou o sr. Burns brasileiro bem mais cheio de munição para divulgar (lei antifumo-mo-mo-mo...).
E se a pendenga Globo x Record continuar, aí que teremos uma eleição caprichada. Parece não ter nada a ver com resto, mas terá sim. Como, eu não sei, mas nada nesse mundo conspirador é por acaso.
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terça-feira, 18 de agosto de 2009
Limites éticos do humor? Rá! Pegadinha do Mallandro!
Há algum tempo eu venho me perguntando: quais são os limites éticos do humor, se é que existem?
Desde que o mundo é mundo a gente sabe que comédia e tragédias são dois lados da mesma moeda, como nos ensina aquelas mascarazinhas que simbolizam o teatro. Ou seja, tem gente que ignora, mas a matéria-prima do humor é, sim, o sofrimento humano. Uma das formas mais universais de humor é o sujeito escorregar em uma casca de banana e se esborrachar no chão. E a gente ri porque foi com ele; se fosse conosco, doeria.
O Monty Phyton revolucionou o humor porque trouxe à profissão - ou acentuou, talvez - elementos como o caos, a imprevisibilidade nonsense e a crueldade dos novos tempos. Mas o que difere eles da geração atual do humor é que todo o conteúdo cômico ainda pertencia ao ambiente controlado da ficção.
Daí veio Andy Kaufman, que subverteu tudo de novo nos Estados Unidos. Acho que Kaufman foi o primeiro grande humorista a lidar diretamente com o mundo real. E leia-se qualquer tipo de humor, com metódos até hoje herméticos, como interpretar personagens "full time" ou ler textos longos e maçantes em seus shows nos teatros só para sentir as diferentes reações da plateia. Dali por diante, a quarta parede estava definitivamente quebrada. O público deixaria de ser o confortável espectador para se tornar o potencial alvo da piada, quer ele goste ou não.
No Brasil, a herança de Kaufman veio lentamente. Deve ter começado com o Ernesto Varela de Marcelo Tas, as pegadinhas de Silvio Santos e as entrevistas de rua dos Cassetas. O "Pânico" provavelmente foi o primeiro a vestir essa camisa mais abertamente e eles até hoje chocam as pessoas com seu modus operandi (falei bonito agora).
Particularmente, como espectador assíduo do "Pânico", o que me deixa bolado neles nem é eles ridicularizarem pessoa X ou Y, mas a forma como eles manipulam todo o conteúdo para que você sempre fique na dúvida se aquilo é ou não armado. Porque se não é combinado, a gente sente pena do sujeito que topou com eles; se é armação, o idiota da história é a gente, que ainda deposita confiança neles.
Adicione a essa situação o fato de que estamos vivendo tempos complicados. Crise econômica, aquecimento global - enfim, o fim do mundo - em meio a um ultrapatrulhamento do politicamente correto que quase levou uma piadinha boba de Danilo Gentili no Twitter a um processo do Ministério Público.
Mas nem ia falar disso, e sim de "Brüno".
Eu já havia gostado muito de "Borat", fui ver esse cheio de expectativa e saí de lá razoavelmente satisfeito. Mas todo o questionamento que tenho com muitas das coisas que assisto no "Pânico" me distraíram muito na sessão de "Brüno".
A genialidade de Sacha Baron Cohen se dá porque o cara é de fato ousado; os filmes dele parecem "South Park" em live action. Mas méritos cômicos à parte, afinal, a cena com o político republicano foi armação? Se foi, o político realmente "vendeu" sua índole para se promover em uma comédia? E se não foi, porque aquele político, dentre tantos outros, mereceu ser sacaneado por Cohen?
[SPOILER]Tem lá a cena onde Brüno mostra seu pinto em um piloto de TV. Mas fica muito claro que aquele não é o pinto de Cohen porque, quando ele fica todo nu em outra cena, colocam quadradinhos no bilau dele. Ou seja, deixem os figurantes se exporem, eu não.[/SPOILER]
Essas dúvidas me fazem crer que estamos vendo um período de incertezas e novidades no humor. Acho que a quebra da quarta parede é uma tendência que veio para ficar, e acho de certa forma bem vindo, mas francamente, colocar guindaste para encher o saco de uma celebridade apenas por sadismo já começa a me deixar cabreiro sobre até onde vale a pena arrancar uma risada de alguém.
Desde que o mundo é mundo a gente sabe que comédia e tragédias são dois lados da mesma moeda, como nos ensina aquelas mascarazinhas que simbolizam o teatro. Ou seja, tem gente que ignora, mas a matéria-prima do humor é, sim, o sofrimento humano. Uma das formas mais universais de humor é o sujeito escorregar em uma casca de banana e se esborrachar no chão. E a gente ri porque foi com ele; se fosse conosco, doeria.
O Monty Phyton revolucionou o humor porque trouxe à profissão - ou acentuou, talvez - elementos como o caos, a imprevisibilidade nonsense e a crueldade dos novos tempos. Mas o que difere eles da geração atual do humor é que todo o conteúdo cômico ainda pertencia ao ambiente controlado da ficção.
Daí veio Andy Kaufman, que subverteu tudo de novo nos Estados Unidos. Acho que Kaufman foi o primeiro grande humorista a lidar diretamente com o mundo real. E leia-se qualquer tipo de humor, com metódos até hoje herméticos, como interpretar personagens "full time" ou ler textos longos e maçantes em seus shows nos teatros só para sentir as diferentes reações da plateia. Dali por diante, a quarta parede estava definitivamente quebrada. O público deixaria de ser o confortável espectador para se tornar o potencial alvo da piada, quer ele goste ou não.
No Brasil, a herança de Kaufman veio lentamente. Deve ter começado com o Ernesto Varela de Marcelo Tas, as pegadinhas de Silvio Santos e as entrevistas de rua dos Cassetas. O "Pânico" provavelmente foi o primeiro a vestir essa camisa mais abertamente e eles até hoje chocam as pessoas com seu modus operandi (falei bonito agora).
Particularmente, como espectador assíduo do "Pânico", o que me deixa bolado neles nem é eles ridicularizarem pessoa X ou Y, mas a forma como eles manipulam todo o conteúdo para que você sempre fique na dúvida se aquilo é ou não armado. Porque se não é combinado, a gente sente pena do sujeito que topou com eles; se é armação, o idiota da história é a gente, que ainda deposita confiança neles.
Adicione a essa situação o fato de que estamos vivendo tempos complicados. Crise econômica, aquecimento global - enfim, o fim do mundo - em meio a um ultrapatrulhamento do politicamente correto que quase levou uma piadinha boba de Danilo Gentili no Twitter a um processo do Ministério Público.
Mas nem ia falar disso, e sim de "Brüno".
Eu já havia gostado muito de "Borat", fui ver esse cheio de expectativa e saí de lá razoavelmente satisfeito. Mas todo o questionamento que tenho com muitas das coisas que assisto no "Pânico" me distraíram muito na sessão de "Brüno".
A genialidade de Sacha Baron Cohen se dá porque o cara é de fato ousado; os filmes dele parecem "South Park" em live action. Mas méritos cômicos à parte, afinal, a cena com o político republicano foi armação? Se foi, o político realmente "vendeu" sua índole para se promover em uma comédia? E se não foi, porque aquele político, dentre tantos outros, mereceu ser sacaneado por Cohen?
[SPOILER]Tem lá a cena onde Brüno mostra seu pinto em um piloto de TV. Mas fica muito claro que aquele não é o pinto de Cohen porque, quando ele fica todo nu em outra cena, colocam quadradinhos no bilau dele. Ou seja, deixem os figurantes se exporem, eu não.[/SPOILER]
Essas dúvidas me fazem crer que estamos vendo um período de incertezas e novidades no humor. Acho que a quebra da quarta parede é uma tendência que veio para ficar, e acho de certa forma bem vindo, mas francamente, colocar guindaste para encher o saco de uma celebridade apenas por sadismo já começa a me deixar cabreiro sobre até onde vale a pena arrancar uma risada de alguém.
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quinta-feira, 30 de julho de 2009
Mussum, Garagem, Leão e memória seletiva
Esta tem sido a semana da ascensão e queda da memória seletiva.
Ontem, completamos quinze anos que Mussum "se pirulitouzis". Os twitteiros emplacaram a tag #mussumday e devem ter deixado os americanos com cara de "WTF?" de novo.
Obviamente, todos os trintões do Twitter - eu incluso - renderam homenagens, lembrando dos bons momentos de Antônio Carlos. Só que não vi ninguém mencionar que, quando o mangueirense se foi, os Trapalhões já começavam a entrar em um processo de decadência que vinha desde 1990, com a morte de outro mestre do grupo, Zacarias.
Eles haviam reformulado o programa para tentar dar uma cara mais "jovem", e introduziram um cenário meio hip-hop (?), deixando até o coitado do Mussum com dreads (??). Na tela:
Na segunda-feira, o Garagem - também conhecido como o bar mais tosco da galáxia - finalmente foi demolido. É engraçado que vi muita gente lamentando o fato, mas essas mesmas pessoas resmungavam há anos da degradação progressiva do local - e olha que ali nunca foi "limpeza" nem mesmo no seu auge.
Da minha parte, acho que o Garagem teve lá sua importância no que se refere a reunir tribos distintas do Recife - pessoalmente gosto disso em um bar - e refletir essa boa mistureba no som ambiente, mas fico meio dividido no quesito vigilância sanitária. Acho que um mínimo de noção nessa parte seria decente, mas por outro lado tiraria o charme trash dali.
De fato, foi um bar acima da média no Recife. O problema é que a média de lugares legais na noite da cidade sempre foi muito fraca.
Um bar tosco merece um vídeo igualmente tosco
Por fim, na mesma segunda-feira, Emerson Leão, também conhecido como o treinador mais marrento do Brasil, foi demitido do Sport. Isso foi positivo porque representa o oposto dos outros exemplos acima.
A contratação de Leão foi motivada por um misto de desespero e memória seletiva do Leão que fez história no Sport em 1987 e 2000. Mas eu já achava que este não era o momento certo para trazer Leão de volta ao Sport, pois o cara está sim em uma maré ruim como técnico. E o Sport, em uma maré pior ainda no Brasileirão e precisando urgentemente de resultados, não de chiliques.
Moral da história? Nem sempre modernizar o passado é uma evolução musical, Chico.
Ontem, completamos quinze anos que Mussum "se pirulitouzis". Os twitteiros emplacaram a tag #mussumday e devem ter deixado os americanos com cara de "WTF?" de novo.
Obviamente, todos os trintões do Twitter - eu incluso - renderam homenagens, lembrando dos bons momentos de Antônio Carlos. Só que não vi ninguém mencionar que, quando o mangueirense se foi, os Trapalhões já começavam a entrar em um processo de decadência que vinha desde 1990, com a morte de outro mestre do grupo, Zacarias.
Eles haviam reformulado o programa para tentar dar uma cara mais "jovem", e introduziram um cenário meio hip-hop (?), deixando até o coitado do Mussum com dreads (??). Na tela:
Na segunda-feira, o Garagem - também conhecido como o bar mais tosco da galáxia - finalmente foi demolido. É engraçado que vi muita gente lamentando o fato, mas essas mesmas pessoas resmungavam há anos da degradação progressiva do local - e olha que ali nunca foi "limpeza" nem mesmo no seu auge.
Da minha parte, acho que o Garagem teve lá sua importância no que se refere a reunir tribos distintas do Recife - pessoalmente gosto disso em um bar - e refletir essa boa mistureba no som ambiente, mas fico meio dividido no quesito vigilância sanitária. Acho que um mínimo de noção nessa parte seria decente, mas por outro lado tiraria o charme trash dali.
De fato, foi um bar acima da média no Recife. O problema é que a média de lugares legais na noite da cidade sempre foi muito fraca.
Um bar tosco merece um vídeo igualmente tosco
Por fim, na mesma segunda-feira, Emerson Leão, também conhecido como o treinador mais marrento do Brasil, foi demitido do Sport. Isso foi positivo porque representa o oposto dos outros exemplos acima.
A contratação de Leão foi motivada por um misto de desespero e memória seletiva do Leão que fez história no Sport em 1987 e 2000. Mas eu já achava que este não era o momento certo para trazer Leão de volta ao Sport, pois o cara está sim em uma maré ruim como técnico. E o Sport, em uma maré pior ainda no Brasileirão e precisando urgentemente de resultados, não de chiliques.
Moral da história? Nem sempre modernizar o passado é uma evolução musical, Chico.
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