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sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

E 2010?

Carnaval nada. O ano começa quando começa o "BBB".

Vai ter em SP: Metallica, Gossip, Franz Ferdinand, Beyoncé e Shakira. E se São John Lennon permitir, Paul McCartney estará entre nós.

Copa na África do Sul! Seremos hexa? Hexa de verdade, não como o Flamengo...

Eleição para presidente, governador, senador e deputados. Trocando os sujos pelos mal lavados.

"24 Horas" e "Lost" vão acabar... triste.

Passagem de ônibus vai aumentar em São Paulo a partir de hoje. Muito mais triste ainda.

Vai ter nos cinemas "Homem de Ferro 2" e "Fúria de Titãs". O horário eleitoral começa em janeiro com "Lula, o Filho do Brasil". O Oscar terá dez indicados a melhor filme.

E o fim do mundo continuará e será twittado em tempo real.

Esqueci algo?

Que seja dada a largada.

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

2009, epílogo

Neste ano eu trabalhei muito. Ainda bem, ainda mal. Mais para bem do que para mal.

Continuei ao lado de familiares queridos. Da pessoa querida.

Li menos do que gostaria, mas pelo menos li mais do que em 2008. E finalmente comecei a promessa de "Ulisses".

Vi poucos filmes e ouvi pouca música nova também. Mas nem senti tanta falta assim. Isso é bom ou ruim?

Exercitei-me muito pouco. Mas foi mais do que em 2008, o que não quer dizer muito.

Vi pouco os amigos. Parte culpa minha, parte deles. Mas foi muito bom vê-los quando rolou a oportunidade.

Revi o Recife e conheci Buenos Aires. Só fui à praia para levar chuva e estou mais branco do que nunca.

Comprei um computador e um celular. Satisfeito com ambos. E ela ganhou um Nintendo DS.

Tuitei (twittei?) bastante.

Fiquei pouco doente. Mas conheci o que é ter conjuntivite.

Fui aos shows de Cat Power, Roberto Carlos e ao Planeta Terra (Sonic Youth, Iggy Pop, Primal Scream), mas perdi o AC/DC.

Saldo geral? Foi ótimo e estou pronto pra outro ano.

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

2009, parte quatro


Neste ano...

... morreram Clodovil, Celso Pitta, Mara Manzan, Dirce Migliaccio, David Carradine, John Hughes, Patrick Swayze, Farrah Fawcett, Carlos Wilson, e só nos acréscimos do segundo tempo, Leila Lopes, Lombardi, Alborghetti e Brittany Murphy...

... o "CQC" e o "Pânico" continuaram engraçados. Zina foi a personalidade do ano e Mônica Iozzi se tornou o colírio feminino entre os homens de preto.
... Stefhany se queimou no "Esquadrão da Moda".
... "Descolados", "Tudo Novo de Novo" e "Som e Fúria" foram outros destaques positivos da TV aberta.
... Gugu e Marcos Mion foram para a Record, mas o SBT deu o troco trazendo Eliana e Justus.
... "Caminho das Índias" foi o ápice da Gloriaperezice. E tome Are Baba.
... Max ganhou o "BBB" e Dado Dolabella ganhou "A Fazenda" sem machadinha, mas perdeu em "carisma" para Theo Becker.

... Maurício de Sousa também comemorou 50 anos de carreira com um álbum-homenagem de responsa. E fez um personagem gay, pero no mucho.
... a DC fez o Senhor dos Anéis dos Lanternas Verdes, e a Marvel disse que pretende voltar com os Vingadores à moda antiga.
... a Marvel ganhou orelhas de Mickey.
... "Se Eu Fosse Você 2" se tornou o recordista brasileiro pós-retomada.
... "Watchmen" continuou infilmável, e "Wolverine", "Transformers 2", "Exterminador do Futuro 4" e "Harry Potter 6" passaram, mas não marcaram. Já "Star Trek", "2012" e "Se Beber, Não Case" chamaram a atenção.
... "Brüno" foi o bom retorno de Sacha Baron Cohen.
... as animações foram os pontos altos de qualidade, como "Up", "Coraline" e a grata surpresa "Tá Chovendo Hamburguer".
... o longa metragem de "Caminho das Índias" ganhou o Oscar.
... como no ano passado, a vampirada seguiu na moda na TV - "True Blood" - e no cinema - "Crepúsculo: Lua Nova" e o cultuado "Deixa Ela Entrar".
... "Avatar" revolucionou o cinema 3D (supostamente).

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Nova seção do blog: GIF do happy hour


Imitando Inspirando-me na famosa seção 4:20 do blog Trabalho Sujo, abro aqui neste blog a seção GIF do happy hour, trazendo algum GIF animado engraçado, bizarro, curioso, infame ou como você queira chamar.

Os bichinhos são pesados, então lembre sempre de esperar carregar até completar a sequência e ficar no loop. Vou tentar postar um brinquedo desses toda semana, nas tardes das sextas-feiras. Enjoy!

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

RIP Alborghetti



Um dos comunicadores mais FDP do país, no pior sentido do termo "FDP". Era tão desgraçado, mas tão desgraçado, que virou folclore. Se assistido sem levar a sério, virava um excelente comediante involuntário. Esse foi ao inferno com todas as honrarias.

Merece menção também a já clássica "crítica" dele ao filme "300". Não acerta um nome de personagem e politiza o filme de um jeito tão cara-de-pau que nem a "Veja" ousaria. Aí embaixo.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Dicas de presentes pop para o Natal


É, meu camarada: 2009 está acabando. Então é quase Natal, e o que você fez? Já comprou os presentes dos amigos, por exemplo?

Buscando inspiração no post dos presentes bons e baratos do blog Casa de Firulas, resolvi fazer a minha lista de sugestões. São basicamente DVDs e livros; não ando muito inspirado para outros tipos de presentes. Eu não sei de você, mas eu francamente me satisfaço bem ao ganhar um bom livro ou filme. Ei-los.

* Disque M Para Matar - Hitchcock e Grace Kelly sensacionais, narra um crime praticamente perfeito em sua execução. Os detalhes do tal crime e os elementos imprevisíveis que mudam todo o plano fazem do roteiro um diamante lapidado. R$ 29,90 no Submarino.

* Old Boy - Outro filme sobre violência, impecavelmente dirigido, com uma narrativa instigante e atores excelentes. É de cair o queixo. Filme coreano baseado em um mangá. R$ 12,90 nas Americanas.

* O Bebê de Rosemary - Ok, já deu para notar que filmes violentos e noiantes são a minha praia, né? Mas pô, é o melhor filme de Roman "é-ou-não-pedófilo?" Polanski. Imperdível, mas não recomendado para grávidas. R$ 12,90 nas Americanas.

* Curtindo a Vida Adoidado - Como até eu estava ficando cansado de tanto sangue, que tal esse "clássico da Sessão da Tarde"? Falar isso é tão clichê quanto a própria Sessão da Tarde, mas a saga de Ferris Bueller, Cameron e Sloane honra a expressão, ainda mais em um DVD especial. R$ 12,90 nas Americanas.

* 1984 - Um dos meus livros favoritos de todos os tempos. Ficção pessimista, leitura envolvente. O Grande Irmão do livro "inspirou" o conceito do reality Big Brother. Quer prova melhor do quão assustador é a obra de Geroge Orwell? E o livro é de 1949! R$ 24,90 nas Americanas.

Recomendo ainda uma visita in loco a qualquer loja das Americanas, pois eles investiram em um catálogo vasto a R$ 12,90. Tem blockbusters, clássicos, tosqueiras, o que imaginar. Além disso, o Twitter do Omelete está lançando ótimas dicas de compras legais no Submarino com a hashtag #achadododia.

E não, este post NÃO foi patrocinado pelo Submarino e Americanas. Aceito doações.

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Truffaut, o "compreendido"


Em um fim de semana desses, aluguei vários "clássicos" e um deles era "Jules e Jim", filme que há tempos me cobrava para assistir. Afinal, sempre ouço falar que é um dos melhores filmes de François Truffaut, meu diretor "não anglo-saxão" favorito.

Ao terminar de ver, fiquei dividido. Acho que no conjunto da obra, achei o filme muito bom. Gostei sobretudo da direção e edição, que dificilmente decepcionam na obra de Truffaut. Mas também fiquei um pouco constrangido com alguns diálogos e atuações melodramáticas, além do roteiro apelar para umas saídas muito pouco naturais, como o bizarro e clichê final.

O filme me reavivou aquela velha discussão: o que faz de um filme um clássico? Aprofundando mais: por que Jeanne Moreau narrando sua carta com o rosto dela em fusão com o resto da imagem é algo "clássico", mas em outros filmes seria cafona? Por que Truffaut pode fazer algo assim e Michael Bay não?

O próprio Truffaut lançou uma frase que talvez explique isso.

O sucesso na tela não será forçosamente o resultado do bom funcionamento de nosso cérebro, mas sim da harmonia entre elementos pré-existentes dos quais nem mesmo tínhamos consciência.

Ou seja, o poder do acaso tem grande influência sobre a aceitação de um filme. No caso do francês, criei outra teoria. Acho que Truffaut pode ter virado unanimidade entre a crítica também (atenção no "também") porque antes de se tornar diretor, foi crítico de cinema. Ele é "um da turma". Será? A se refletir.

P.S.: Não costumo me basear em Rubens Ewald Filho, mas ele até mandou bem nessa crítica sobre o filme. É mais ou menos o que concluí também.

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

"Acho que não estamos mais em Metrópolis"

Se você é daquele nerd ortodoxo que adora defender ou criticar a polêmica cena em que o Super-Homem faz a Terra girar ao contrário para retorceder o tempo, vai adorar esse vídeo.



Dica roubada na cara dura do Melhores do Mundo.

terça-feira, 10 de novembro de 2009

This Is It


Ou "Dizizit", como gosto de falar, cumpre a função de "ponto final digno" da carreira do maior popstar da história. Há que se considerar a edição muito boa e o efeito "santificador" que o falecido ganhou, mas o filme passa uma impressão forte de que os shows - os primeiros shows, pelo menos - fariam história.

As inovações criadas, os bailarinos competentíssimos, os vídeos de muito bom gosto, a banda que executa os arranjos originais com perfeição (destaco a guitarrista loirinha, muito bonito)... e tem Michael, claro. Que não estava no auge da forma, mas tinha aquele comportamento de craque em fim de carreira: compensa a falta de vigor com o uso econômico porém preciso do corpo - tática que a experiência ensina muito bem.

Vale a pena ver, sim. No cinema, de preferência. É pra sair da sala comentando cada detalhes da produção e saindo de moonwalk.

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Não ganhou Oscar, então tá atrás do Pulitzer

Tudo bem que essa notícia é mais velha que Fernanda Montenegro, no alto de seus 80 anos, mas como é sobre a dita cuja, acho que vale citar para quem não ficou sabendo.

Na semana retrasada, Fernandona foi convidada pelo "O Globo" para editar o Segundo Caderno por um dia. Segundo consta, ela participou da reunião de pauta, derrubando algumas e sugerindo outras, como uma "entrevista-conversa" com sua amiga octagenária, Nathália Timberg.

Li o tal caderno e o resultado foi muito bom. Difícil saber o quanto Fernanda editou na vera ou foi ajudada pelo editor oficial, Artur Xexéo, mas sei que gostei muito das notícias dos 100 anos do decadente cinema Íris, do Rio, e das primeiras novidades sobre "Tropa de Elite 2". Mas o melhor foi mesmo o belo texto de Cláudio Torres sobre sua mami.

Confira também uma reportagem em vídeo da minha amiga Erika Azevedo sobre o dia de editora de dona Arlete.

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Alô, Alô, Terezinha


A meu ver, um bom documentário é aquele que usa o objeto real documentado como um "McGuffin" para contar boas histórias e iniciar reflexões mais profundas sobre o mundo em que vivemos. É exatamente o que faz "Alô, Alô, Terezinha".

Mesmo hoje em dia, é difícil entender o anárquico, caótico, escrachado e carnavalesco pernambucano Abelardo Barbosa. No filme de Nelson Hoineff, quem se sai melhor na tarefa é Alceu Valença: Chacrinha foi o cara que levou a figura do "velho" do pastoril profano à televisão.

Apoiado no tradicional formato imagens de arquivo + depoimentos, o filme tem como maior mérito seguir a linha mestra do Velho Guerreiro: mandar o politicamente correto às favas e entrar de cabeça nos detalhes "picantes" da biografia do comunicador.

No desenrolar da produção, fica fácil entender que Chacrinha se torna o centro de temas como os limites do grotesco e da sexualidade na indústria cultural; a obsessão dos anônimos de pular para o sucesso; e as diferenças de Zeitgeist (espírito da época) entre os estranhos anos 80 e a asséptica década atual.

Não incomoda no filme a nudez de Índia Potira, ou a evidente "plastificação" dos artistas que mantém a mesma cara há mais de 20 anos, enquanto as pobres chacretes não resistiram ao tempo. Incomoda mais o pieguismo do diretor ao pedir para todo mundo cantar à capela, ou chorar por alguns segundos para a câmera.

Ou pior, constatar que tudo isso é mero calhau, pois as imagens de Chacrinha em ação são muito poucas e muito ruins - fruto do descaso das emissoras com seu próprio acervo. Que por sua vez, vem do desleixo dos brasileiros com sua própria história. Independente disso, o filme merece ser visto e revisto pelo mérito que é reativar, por uma hora e meia, uma época em que a TV e a sociedade eram menos pretensiosas.

Curiosidade: na sessão que fui, no metrô Santa Cecília (SP), tivemos a presença ilustre na plateia de ninguém menos que Rita Cadillac.

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Entrevista: Érico Borgo


Um dos criadores do Omelete e co-autor do recém-lançado "Almanaque de Cinema", Érico Borgo, concedeu uma mini-entrevista exclusiva para o blog, via e-mail, sobre a publicação.

Segundo sua própria bio no Omelete, Érico é designer gráfico e trabalha com internet desde 1997. Além do site pop, cuida do sites da gravadora EMI, Panini Comics, Mythos Editora e Arsenal Music. Foi em um reencontro com seu colega de escola, Marcelo Forlani, que ele decidiu abrir o site que é a alegria de mais de 1 milhão de nerds inernautas Brasil afora.

Seguem abaixo as econômicas, porém precisas, respostas desse "nerd que deu certo".

MPadrão: Quando e como surgiu a iniciativa de produzir o almanaque?

EB: Há dois anos, por iniciativa da própria Ediouro.

MPadrão: Quais são os maiores diferenciais do almanaque em relação às demais publicações sobre cinema?

EB: Não pensamos em termos de diferenciais, mas em ampliar uma coleção existente - a de Almanaques da Ediouro dentro de um tema que dominamos.

MPadrão: O Omelete ficou conhecido pelo lema "entretenimento levado a sério" e um teor voltado à cultura pop. Esse direcionamento do site se refletiu no conteúdo do almanaque? Por exemplo, vocês privilegiaram filmes e cineastas mais "nerds"?

EB: Não. O site é o site, o Almanaque foi criado dentro da proposta da série de livros. Os cineastas e filmes retratados ali são todos elencados de acordo com sua relevância para a Sétima Arte.

MPadrão: Como foi a produção? Foi difícil trabalhar no almanaque enquanto tocava a produção do site?

EB: Não misturamos as coisas. O livro foi escrito fora do horário comercial.

MPadrão: Fui no lançamento e me parece que a aceitação foi muito boa. Existem planos para vocês lançarem outros "almanaques pop"?

EB: Existem planos, mas nada concreto.

MPadrão: Para você, quais foram as maiores conquistas do Omelete [o site] até então?

EB: Manter-se independente e no ar depois de uma década é nossa maior conquista até hoje, além da nossa base de leitores.

MPadrão: E o feedback do OmeleTV? O videocast tem sido bastante elogiado pelos internautas? Existem planos de vocês migrarem o programa para a TV aberta ou por assinatura?

EB: Já tivemos algumas propostas, mas nada que nos motivou a migrar.

Foto: Fábio Yabu

Almanaque de Cinema Omelete


Como se não bastasse o monte de coisa que adquiri recentemente para ler (fora a minha eterna "promessa 'Ulisses'"), inventei de comprar o "Almanaque do Cinema", mais um daquela linha de "almanaques pop" da Ediouro. O diferencial desse aqui, porém, são os autores: Érico Borgo, Marcelo Forlani e Marcelo Hessel, o trio do Omelete.

Comprei na pré-venda, com direito a desconto e autógrafo dos autores, mas em compensação, demorou quase duas semanas para chegar. Mas a espera valeu a pena.

De cara, o que chamou a atenção foi a bela diagramação e escolha de fotos, além do cuidado técnico. A capa possui um discreto verniz cheio de ovos fritos que, descrevendo assim, parece brega, mas achei estiloso.

Variados ícones do cinema adornam a capa, de Orson Welles a Buzz Lightyear. Só não curti a "escolha Star Wars" nessa parte: ficaram com Padmé Amidala. Até entendo. Todo nerd minimamente heterossexual tem sua recaída por Natalie Portman, mas um dos personagens clássicos ficaria melhor.

Outro ponto muito positivo é a abrangência, qualidade e quantidade de textos. Abrangência porque tiveram o cuidado de abordar muitos aspectos do cinema: a história por décadas, filmes clássicos, atores, atrizes, diretores, heróis, vilões, musas, curiosidades, os grandes estúdios, etc. Tudo isso sem, aparentemente, privilegiar ou deteriorar essa ou aquela tradição cinematográfica, apesar dos três autores serem nerds de carteirinha - o que poderia desaguar em um olhar mais "blockbuster".

Qualidade porque são textos muito bem escritos, que passam a sensação de uma apuração longa e detalhada nas informações ali descritas. E quantidade porque, ao contrário de outros almanaques dessa coleção, as fotos grandes não são tapa-buraco dos textos ínfimos. Há sim muito texto, para se ler com muito tempo livre.

Um detalhe que fez toda a diferença no resultado final são as "quotes" famosas de filmes no rodape das páginas. Ótima sacada deles.

Para comprar, aqui. Recomendo!

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Watchmen, o filme, a bronca

Ninguém pediu, ninguém quis saber, mas como sou homem de cumprir minha palavra, aí vai a segunda parte da minha análise (cof!) sobre o filme de "Watchmen" (a primeira parte aqui).

Atenção: vai ter spoiler adoidado daí pro fim do post; não faz sentido ficar avisando os trechos, como geralmente faço.

Antes do filme, acompanhei notícias sobre o dito cujo e acabei esbarrando em alguns spoilers - que na verdade, não sei se dava para chamar dessa forma, visto que se tratava da adaptação de uma HQ de 1985 que eu li e reli algumas vezes.

Tergiversações à parte, o spoiler que mais me chamou a atenção foi o final do filme, que troca o alien gerado por Ozymandias por bombas que emulam o poder do Dr. Manhattan, colocando nele a culpa pelo genocídio. A partir daí, já havia ficado cabreiro, e - depois eu iria comprovar - com razão.

Pode parecer detalhe para os leigos, mas este foi o cerne da enorme diferença qualitativa entre a HQ e o filme. Como bem lembrou Hell do Melhores do Mundo, a função do alien na obra original de Alan Moore era fazer as nações se unirem para se protegerem daquela nova ameaça devastadora, que por não ser da Terra estava além das picuinhas políticas da então Guerra Fria.

Já no filme a farsa de Ozymandias coloca o Dr. Manhattan como bode expiatório, que até então era a arma suprema dos Estados Unidos e um dos maiores elementos de tensão da Guerra Fria. Oras, a União Soviética ia mesmo deixar isso barato e entrar nessa de paz mundial?

Quando o diretor Zack Snyder faz essa pequena mudança, alegando em entrevistas que assim tornou o final mais "elegante", ele forçou uma falha de roteiro em um momento crucial da obra, criando um total desvio de significado. Em suma, ele estragou "Watchmen" sim.

E não adianta dizer que, seguindo essa lógica, a URSS entenderia que um Dr. Manhattan raivoso seria algo preocupante para todo o mundo, não apenas aos Estados Unidos. Mesmo que assim fosse, essa deveria ser uma decisão do criador da obra, não do "adaptador".

O filme traz ainda outros problemas de menor proporção, mas um tanto chatinhos se somados. Mesmo com duas horas e meia, era evidente que a produção não daria conta de englobar todos os detalhes da minissérie em 12 partes. Cada capítulo, a meu ver, já daria um longa-metragem cheio de informações que deixariam "Cidadão Kane" parecendo os filmes da Xuxa.

Daí o filme perde subtramas que, de fato, não são tão cruciais ao plot principal, mas que faziam toda a diferença no conjunto da obra. Não vemos Rorschach quebrando dedos no bar, nem os Contos do Cargueiro Negro (que ganharam um DVD à parte para furtar nerds ricos), nem a morte de Hollis Mason, nem as histórias paralelas dos novaiorquinos comuns que seriam mortos pela bomba. A revelação do rosto de Rorschach nem faz sentido na hora em que acontece. Tudo isso só para ficar na análise superficial.

Ok, até aqui, "Watchmen" vacilou feio como adaptação. Mas serve como um filme à parte, principalmente para os novatos? Assisti com minha esposa e ela disse ter entendido tudo e gostado da história. Soube de outras pessoas que disseram o mesmo.

Já eu me incomodei um pouco com as atuações apagadas de Malin Akerman como Espectral e principalmente Matthew Goode como Ozymandias, que tirou todo o ar imponente do personagem, pondo no lugar um ar efeminado e de olhar blasé. Além disso, o eterno tique "câmera lenta x acelerada" de Zack Snyder, o uniforme cafona de Ozymandias e os filtros de cor deixaram o filme inteiro com um rótulo boboca "olha, sou baseado em quadrinhos!".

Outro momento bastante vergonhoso foi após a morte de Rorschach, com direito a "nooooo" e soquinhos no vilão. Glória Perez não faria melhor.

Agora, se você gostou do filme e alcançou a proeza de chegar até aqui no texto, parabéns. Agora vou falar das qualidades da produção.

Gostei principalmente da bem cuidada produção no tangente aos cenários, as reconstituições de época e os uniformes dos demais vigilantes. Nestes aspectos, sim, a fidelidade à HQ é impressionante e até carinhosa, no sentido übernerd de ser.

Acentuaram a violência. Não vi problema, visto que no original os momentos violentos tinham a mesma função que tiveram na adaptação: pegar o leitor/espectador pelo choque. Mas 1985 é diferente de 2009: tempos mais cruéis, cenas mais cruéis.

A trilha sonora está bem representada. Li por aí críticas ao uso da "Cavalgada das Valquírias" nas cenas do Vietnã, que lembrava "Apocalypse Now" e tal. Até entendo, mas na hora que assisti, não vi problema algum. A abertura com "The Times They Are A-Changin'" (Dylan) ficou muito legal, assim como "The Sound of Silence" (Simon & Garfunkel) no enterro. Sò senti falta de “The Comedians”, de Elvis Costello, citada no início da HQ.

O ponto alto, no entanto, foram as atuações de Jackie Earle Haley como Rorschach e Jeffrey Dean Morgan como Comediante. Os atores captaram muito bem as nuances dos personagens; e Rorschach, até onde sei, se tornou o favorito do público. A patroa até lamentou a morte dele. A semelhança física também é notável - outro ponto positivo na escolha do elenco, excetuando, claro, o citado Matthew Goode, que pegou o papel que nasceu para ser de Jude Law.

"Watchmen" é isso aí. Filme-espetáculo acima da média para leigos, mas um grande WTF aos Mooremaníacos. Pensando positivamente, é bom lembrarmos que poderia ser bem pior. Pelo menos não resultou em algo do naipe de "A Liga Extraordinária" ou "Do Inferno". Imaginem... sei lá, Dr. Manhattan verde e de roupa, Tom Cruise como Comediante, Michael Bay ou Joel Schumacher na direção...

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Prelúdio a Watchmen, ou Sobre Adaptações

Tudo que envolve "Watchmen" é complicado e por isso eu não poderia descumprir a regra. Daí vou comentar o filme em dois posts, para (tentar) não ficar calhamaço demais.

Adaptar uma obra para outra mídia é um lance difícil. O cinema é possívelmente a manifestação artística que mais pede ideias emprestadas de outros meios. É impossível hoje calcular a quantidade de filmes cuja história original tenha surgido da literatura, por exemplo.

É sempre tentador recitar um paradigma quanto às adaptações: na transição de uma mídia para a outra, elas tendem a desperdiçar bom conteúdo do material original, seja acidentalmente ou deliberadamente (aqui, por sua vez, por força das circunstâncias ou por predileção pessoal dos envolvidos), o que resulta em um produto supostamente desrespeitoso com tal material.

No cinema, isso fica latente por uma série de fatores. Cinema é arte e narrativa, mas também é negócio, é publicidade, é comunicação com públicos e suas respectivas culturas e preconceitos. Muita coisa está em jogo quando você chega à bilheteria para comprar um ingresso, sentar na poltrona da sala escura e sair de lá satisfeito (ou não).

Sendo assim, melhor seria deixar cada história em seu meio original? Indo por esse argumento, possivelmente o criador da obra se expressou naquele meio por achar que sua história dependia das características intrínsecas ao formato para que fizesse sentido. Por exemplo, você imagina um livro sobre "Cidadão Kane" tão bom quanto o filme?

Pelo menos é assim que Alan Moore pensa; ele ganhou fama nas HQs não apenas pela genialidade inerente, mas porque ele tem uma profunda preocupação em explorar todos os recursos que os quadrinhos oferecem como formato - isso quando ele mesmo não se aventura a criar novos recursos. Quando suas histórias migram para o cinema, não apenas perdem o charme do formato como são bastante alteradas á sua revelia. E é por essa e outras razões que o barbudo detesta todas as adaptações de cinema oriundas de suas criações.

Apesar de entender esse ponto de vista, eu não sou tão radical quanto Moore. Algumas das minhas adaptações HQ/cinema favoritas acabam trazendo uma ou outra modificação que, quando não me incomoda, pode até dar um "plus" ao cânone; vide as roupas de couro dos X-Men ou Mary Jane ser a primeira namorada de Peter Parker. Já uma adaptação ultrafiel como foi "Sin City" eu considerei uma chatice sem criatividade, justamente por não apresentar nada de novo a quem já havia lido os encadernados (meu caso).

Adaptar "Watchmen" envolveu tudo isso, e mais: todo o culto à minissérie de Moore e Dave Gibbons só cresceu com o passar dos anos, gerando uma imensa legião de xiitas no mundo inteiro. E todos os fatores que dificultam uma adaptação, que falei no quarto parágrafo, foram barreiras imensas para levar uma história tão cultuada - e ao mesmo tempo tão complexa e cheia de elementos chocantes - às telas.

(Pois é... falei que ia escrever muito. Daí do filme em si falarei no próximo post. Aguarde e confie)

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Tá Chovendo Hambúrguer + Quem Quer Ser Um Milionário?

Meu fim de semana foi mais regado a filmes do que a média. Foi um no cinema - "Tá Chovendo Hambúrguer" - e dois em DVD: "Quem Quer Ser Um Milionário?" e "Watchmen". Vamos a eles.

Para ser franco, eu e a respectiva fomos assistir a "Tá Chovendo Hambúrguer" só para conhecer a sala IMAX de São Paulo, no Shopping Bourbon. Quer dizer, eu, porque ela já tinha ido a um IMAX no exterior e ela estava um pouco mais interessada no filme do que eu.

A sala é ok, mas eu esperava mais da tal grandiosidade do IMAX. Ouvi falar que a tela é menor que a maioria dos IMAX pelo mundo. A sala que vão abrir em Curitiba promete ser maior e... ah, sim, o filme, né?

O filme é bem melhor do que esperava. Eu esperava pouco, é verdade, basicamente porque havia visto o trailer e a qualidade da animação é bem inferior ao padrão Pixar/Dreamworks.

Mas isso passa batido no decorrer do filme. A história é muito divertida e educa sem pedantismo. O plot, claro, aborda nas entrelinhas temas complicados dos nossos dias: maus hábitos alimentares, soberba, poluição, jogo político e o perigo dos transgênicos são os que consegui identificar. No entanto, tudo isso é envolvido em piadas visuais inteligentes envolvendo as comidas gigantes

Sem falar nos personagens envolventes, como o casal protagonista, que tem um excelente desenvolvimento, além do pai do cientista. Até o caricato policial "Johnny Bravo" ganha mais sentimento depois de um tempo.



Já "Quem Quer Ser Um Milionário?", eu ainda estou meio dividido quanto ao filme. No geral, acho que posso dizer que é cumpre muito bem a função de filme-pipoca-pero-no-mucho, alternando drama pesado e humor aos elementos "exóticos" da Índia. Os problemas do filme aparecem nos detalhes.

O romance do casal protagonista foi muito novelesco pro meu gosto. Os vilões bandidões são muito caricatos, bem como as situações difíceis com as quais Jamal e Salim se deparam, postas estrategicamente para sabermos o quanto os indianos pobres sofrem. O roteiro deixa o filme meio freak, pois não é fábula o bastante, nem traz a devida dimensão dos problemas sociais do país.

Aliás, nem levo em conta o "parentesco" com "Cidade de Deus" quando falo isso, porque não acho que o filme seja cópia, mas bebe um tanto na fonte. A diferença é que, a meu ver, sempre achei viagem o papo de cosmética da fome para "Cidade de Deus", porque nele é menos uma fábula e mais uma história "real" contada de maneira mais pop, digamos. Coisas ruins e boas acontecem e se equilibram no começo, no meio e no fim do filme brasileiro.

Já em "Milionário", tudo fica cuti-cuti demais no final. [SPOILER] O carinha semianalfabeto ganha todas no programa só porque todas as perguntas têm rigidamente a ver com a vida dele? E a única que ele não sabia, ele chuta e acerta? E o irmão malvadão que de repente resolve liberar a mocinha em um ataque de consciência? Ah, peraí. Até a fábula tem limite. [/SPOILER]



E ô musiquinha grudenta, essa "Jai Ho". No filme tá em indiano, mas a das Pussycat Dolls consegue ser mais chiclete ainda.



Ah... falta "Watchmen", né? Pois. Esse vai ter que ser um post à parte, com toda a nerdice a que tenho direito.

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Sobre Patrick Swayze

Não era um ator excepcional, mas com certeza acima da média. Era bonito e carismático, e isso certamente ajudou nos primeiros anos de carreira. Como qualquer terráqueo no início dos anos 90, me liguei nele a partir de "Ghost", um filme que acho bem pop e o qual assistiria de novo sem problemas, apesar do melodrama bobinho.

No entanto, os dois pontos altos de Swayze para mim foram "Matador de Aluguel" e "Caçadores de Emoção". Do primeiro, confesso que não lembro mais da história, mas lembro de ter gostado. Já o segundo é um filme de ação muito competente e honesto. Dois clássicos da minha época de cliente de locadora.

Nunca assisti a "Dirty Dancing", só fragmentos quando passa na TV. Mas "She's Like the Wind" é uma baladona bregona de classe. Cantor dos bons, ainda por cima.

Uma grande perda para o cinema pipoca.

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Up - Altas Aventuras

É, nem a Pixar escapa da síndrome do subtítulo boboca no Brasil.

Bem, dos últimos filmes do estúdio, de "Toy Story 2" para cá, assisti a todos no cinema, com exceção de "Carros" e "Wall-E". Isso prova o quanto venho confiando neles, visto que vou ao cinema com cada vez menos frequência por causa dos ingressos caros.

E depois de "Wall-E" então, que considero empatado com "Procurando Nemo" o melhor filme da Pixar, minha expectativa por "Up" era naturalmente grande.

E assim como no show de Robertão, certamente não me decepcionei, mas também não fiquei tão extasiado quanto gostaria.

A sequência de "Up" após os créditos iniciais é de fato a melhor coisa que a Pixar produziu em sua história. Muito já foi dito por aí que é coisa pra sujeito se desmanchar em lágrimas, e é mesmo (não chorei, mas por bem pouco). É uma aula de cinema; fluidez de edição, trilha sonora, uma acertada ausência de diálogos, a "atuação" dos personagens... tudo nessa sequência é impecável, coisa de se ver nos melhores "filmes de arte". Paga com louvor o teu ingresso e te põe para refletir sobre a vida em poucos minutos.

Por conta disso, acho que "Up" será lembrado por muitos anos como "aquele filme daquela cena inicial da vida dos velhinhos". Sim, porque o filme continua, e os detalhes ruins começam a incomodar.

Ainda dá para se interessar pelo velho Carl quando este surge. A solidão e a amargura do personagem foram didaticamente explicadas pelos minutos anteriores. Quando ele faz a casa voar, ok, entramos no universo fantasioso, estou preparado. Mas aí, mesmo levando em conta o fator "suspensão da descrença", o filme não se esforça muito para explicar...

[SPOILERS]
... como e em que momento o menino apareceu na casa antes dela subir;
... o motivo que transformou o velho explorador que queria provar sua idoneidade no malvadão da história;
... como esse mesmo explorador inventou tecnologia para cachorro falar no meio da Amazônia;
... como esse cara, bem mas velho que Carl, estava tão inteirão fisicamente, apesar de velho. E pô, vilão que morre caindo em filme da Disney já deu, né?
[/SPOILERS]

Curioso que a segunda melhor cena do filme é praticamente a parte dois daquela sequência inicial, quando ele [SPOILERS]abre o álbum de fotos ao chegar na cachoeira e se dá conta que realizar aquele sonho não curou a dor da perda da esposa. É de cortar a espinha[/SPOILERS].

Outros pontos altos do filme são a gag do sapo, os cenários da selva muito bem feitos, os belos créditos finais e o cachorro Dug, que me pareceu até bem mais divertido que o menino Russell. Ah, a dublagem também está ótima, incluindo o grande Chico Anysio na voz de Carl.

Para resumir: tá certo que quando o assunto é filme-família, a Pixar é a melhor no que faz, só que eles mesmos já dão sinais de que querem fugir das amarras deste tipo de história - notem que todas as produções do estúdio se resolvem em sequências envolvendo velocidade.

A Pixar está se viciando em uma fórmula que ela mesma consolidou. E isso não vai ser bom no futuro.