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quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

E em Copenhague? Conferência FAIL?


A cúpula da ONU para o meio ambiente em Copenhagen termina no próximo dia 18, mas o fracasso inimente começou faz tempo. Em Kyoto, os inimigos foram os Estados Unidos. Agora, ao que parece, Brasil e China se tornaram os pentelhos da vez, porque estão com olho grande no crescimento econômico e pouco se lixando pra fumacinha que soltam no (que resta do) céu do planeta.

Nada contra aproveitar o bom momento e juntar uma grana, mas vamos ter prioridades, né? De que adianta ficarmos ricos se o mundo acabar daqui a dois ou três anos?

Até agora, o que temos são um pseudo-escândalo sobre um texto que vazou - e que ninguém sabe o conteúdo; Sarah Palin sendo a sem-noção de sempre; e prostitutas revoltadas dando de graça (pleonasmo?), em uma comprovação da velha verdade universal: a de que tudo acaba em "séquissu".

Tudo isso encobre o que é realmente preocupante: a de que o encontro vai acabar em uma pizza tão murcha e malcheirosa quanto a de Kyoto.



Foto 1: Peter Andrews -7.mai.09/Reuters, emprestada da Folha Online

Foto 2: Daqui, claro

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Mas o campeão de 1987 foi.... zzzzzzzzz



Ok, Flamengo campeão de 2009. Com o devido mérito, até. E claro, a ladainha sobre 1987 recomeçou.

Se você ainda insiste nesse assunto, quer uma dica de amigo, para o bem da sua sanidade? É a seguinte: o campeonato brasileiro de futebol de 1987 nunca existiu!

Devido à sucessão de fatos equivocados na tentativa de regulamentar aquele campeonato, a quantidade de dinheiro envolvida, o dedo dos jornalistas e cartolas envolvidos e a velha rivalidade Nordeste-Sudeste, 1987 é um ano que não teve e nunca terá um campeão correto como deveria ter tido. É discutir o sexo dos anjos.

Se o Flamengo vai morrer dizendo que ganhou o "campeonato" daquele ano só porque venceu dentro de uma turma de clubes que excluiu o vice-campeão do ano anterior, não é problema meu.

Se o Sport, meu time, vai morrer dizendo a mesma coisa porque na hora do acerto o supracitado Flamengo amarelou, é um pouco problema meu, mas só porque é o meu time. Daí, claro, vou defender que somos os "campeões" de 1987.

Até acredito que o Sport seria capaz de bater Flamengo e Internacional naquele prometido quadrangular. Eles mesmos acharam isso na época, se não teriam deixado de lado o mimimi e honrado o "regulamento" torto, combinado entre a CBF e o representante do Clube dos 13, Eurico Miranda. Se é para o Flamengo culpar alguém nesse sarapatel todo, que culpe Euricão, não o Sport.

Mas vamos ser autocríticos também: aquela primeira disputa que acabou em empate e "divisão do título" do Módulo Amarelo também não foi lá muito honrosa.

Portanto, cada um que vista a sua verdade. Se alguém me perguntar, a minha verdade a princípio é que em 1987 o Sport foi campeão, mas só porque é o meu time, porque Flamengo e Inter amarelaram, e porque irritar os flamenguistas - a torcida mais mala do clube mais politiqueiro do país - é sempre bom. Ponto.

E sim, é uma verdade completamente parcial, assim como é a do Flamengo ou de qualquer torcedor, pois comportamento de torcedor é assim: puxa a sardinha pro seu lado. É natural.

Porque para todos os efeitos, o Flamengo foi campeão de uma tal de Copa União-Módulo Verde, e o Sport ganhou um tal de Módulo Amarelo. E nem uma coisa nem outra poderiam ser chamadas de Primeira ou Segunda Divisão, pois para mim, nem sequer existiu um campeonato brasileiro de futebol em 1987.

Aliás, o que aconteceu naquele ano foi o suficiente para qualquer brasileiro com juízo desconsiderar de vez o futebol como coisa séria. Mas se você continua teimando nesse assunto, paciência. Não me surpreende. Como já disse Pascal, o coração tem razões que a própria razão desconhece. E até te entendo, pois o futebol é dessas psicoses difíceis de largar. Um dia consigo.

Enquanto isso, vou tentando ignorar a existência de 1987 e os corneteiros de qualquer clube que seja, principalmente os flamenguistas.

"AHH, mas o Flamengo tinha Zico...", "AHH, mas o Sport ganhou na Justiça...", "AHH, mas a FIFA...", "AHH, mas o dalai-lama...".

Ah, passa amanhã, tá?

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Sobre pontos corridos, um adendo

Esqueci de falar da desvantagem maior dos pontos corridos. Não, nada desse papo de "final pouco emocionante". E sim a frescura de quem não está mais buscando nada.

São causos como este, além do corpo mole explícito do Corinthians ontem.

O Sport poderia facilitar o jogo contra o Internacional, mas pelo que li por aí, o time até se esforçou e perdeu, mas com um mínimo de dignidade. O Goiás mostrou que não seria capacho do São Paulo ontem e jogou de forma brilhante. Por que os outros "grandes" (cof) times que estão só cumprindo tabela não podem fazer o mesmo?

Pontos corridos são legais

Já não é mais novidade pra ninguém que vivemos em 2009 o melhor campeonato brasileiro da história dos pontos corridos. A rodada final deste ano vai ser melhor que muito mata-mata. Tome por ontem: o líder São Paulo se tornou quarto colocado em apenas duas horas, enquanto o antes carta fora do baralho Internacional se tornou vice-líder.

O lado negativo de 2009 é que os dois reais candidatos ao título são times que eu não gostaria de ver campeões neste ano. O São Paulo é um time que eu respeito muito, pois talvez seja o clube melhor administrado do país e faz questão de manter consigo seus melhores jogadores por muitos anos. Sem falar da visão a longo prazo que fizeram deles os reis dos pontos corridos, com três títulos seguidos.

O problema é justamente esse. Ver o São Paulo campeão de novo não acrescenta nada. Só é bom pros são-paulinos, mas é péssimo pro futebol brasileiro, que vai se tornar mais previsível. Algo como Schumacher fez durante anos na Fórmula 1. Mas a derrota de ontem para o Goiás comprovou que até os invencíveis têm calcanhar de Aquiles.

Já o Flamengo de fato fez uma grande campanha, correndo por fora e vencendo jogo por jogo, ignorando solenemente o oba-oba em torno do Palmeiras e o fato de que fizeram campanhas horrorosas nos últimos anos. Mas é aquilo, é o Flamengo. O Al Capone do futebol brasileiro.

Aí eles vão ganhar, se sentirem os maiorais e se chamarem hexacampeões por causa do título da COPA UNIÃO de 1987. Sério, Flamengo não dá. Quem acha o são-paulino metido, não queira relembrar do flamenguista quando está por cima. Após vencerem ontem e assumirem a liderança, já dá até pra sentir o drama aqui.

Enquanto isso, lembremos que a Série A em 2010 terá Vasco, Guarani, Ceará e Atlético-GO (hein?). A série B terá Sport (snif), Náutico, Santo André e Botafogo (ou Coritiba?), e a C terá o Juventude, o Fortaleza, o Campinense-PB e o ABC.

Acho massa esse formato de campeonato, que permite que os "clássicos" desçam por um ano para aprenderem a jogar, e permite que os "pobrinhos" experimentem a elite por um ano ou mais. Olha o Avaí se garantindo, por exemplo. Por isso eu digo: longa vida aos pontos corridos!

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Truffaut, o "compreendido"


Em um fim de semana desses, aluguei vários "clássicos" e um deles era "Jules e Jim", filme que há tempos me cobrava para assistir. Afinal, sempre ouço falar que é um dos melhores filmes de François Truffaut, meu diretor "não anglo-saxão" favorito.

Ao terminar de ver, fiquei dividido. Acho que no conjunto da obra, achei o filme muito bom. Gostei sobretudo da direção e edição, que dificilmente decepcionam na obra de Truffaut. Mas também fiquei um pouco constrangido com alguns diálogos e atuações melodramáticas, além do roteiro apelar para umas saídas muito pouco naturais, como o bizarro e clichê final.

O filme me reavivou aquela velha discussão: o que faz de um filme um clássico? Aprofundando mais: por que Jeanne Moreau narrando sua carta com o rosto dela em fusão com o resto da imagem é algo "clássico", mas em outros filmes seria cafona? Por que Truffaut pode fazer algo assim e Michael Bay não?

O próprio Truffaut lançou uma frase que talvez explique isso.

O sucesso na tela não será forçosamente o resultado do bom funcionamento de nosso cérebro, mas sim da harmonia entre elementos pré-existentes dos quais nem mesmo tínhamos consciência.

Ou seja, o poder do acaso tem grande influência sobre a aceitação de um filme. No caso do francês, criei outra teoria. Acho que Truffaut pode ter virado unanimidade entre a crítica também (atenção no "também") porque antes de se tornar diretor, foi crítico de cinema. Ele é "um da turma". Será? A se refletir.

P.S.: Não costumo me basear em Rubens Ewald Filho, mas ele até mandou bem nessa crítica sobre o filme. É mais ou menos o que concluí também.

terça-feira, 24 de novembro de 2009

As 32 seleções da Copa 2010, o que pensar delas?

CAMARÕES - Nunca mais repetiram 1990. Marcam presença em toda copa, mas sempre foram fogo de palha. Devem continuar assim.

NIGÉRIA - Seleção cheia de "gato", com muita raça mas técnica e experiência zero. Devem se estrepar nas oitavas de novo, isso se chegarem lá.

ARGÉLIA - Não espero muita coisa, pois jogaram em poucas copas (outra além de 1986?).

GANA - Ver Nigéria.

COSTA DO MARFIM - Ver Argélia. Com um acréscimo: jogaram (bem) a copa passada em um grupo difícil, então podem ter progredido.

ÁFRICA DO SUL - Por serem anfitriões, acho que vão se desdobrar para fazer uma campanha decente, indo pelo menos para as oitavas.

AUSTRÁLIA - Sem tradição, deve só cumprir tabela.

JAPÃO - Vem melhorando o futebol, com sorte eles chegam nas oitavas.

CORÉIA DO SUL - Ver Japão.

CORÉIA DO NORTE - Vão ser mais comentados pelo aspecto político do que pelo futebol, como Irã, Iraque, etc.

ESTADOS UNIDOS - Vem cumprindo tabela com firmeza nas últimas copas. Nunca ameaçam ninguém, às vezes vão para a segunda fase na sorte. Vão se manter assim.

MÉXICO - Tem tradição em copas, joga bonito às vezes, com um ou outro jogador destaque. De repente, pode surpreender, chegando às quartas ou mais.

HONDURAS - Hmm... whatever.

BRASIL - O status de favorito que adquiriu neste ano pode atrapalhar bastante. Mas de novo, temos os melhores jogadores. Não sei mesmo. Acho que pode sim ser campeão, mas apenas se conseguir crescer na competição. Com o futebol atual apresentado, perdendo para a Bolívia (!), há que se temer ainda.

CHILE - É tipo o Botafogo da América do Sul. Faz que vai, mas sempre se embola no processo.

PARAGUAI - Dizem que estão por cima. A campanha deles surpreendeu nas eliminatórias. Vai que emplacam agora um 7º ou 8º lugar.

ARGENTINA - Ok, estão por baixo, Maradona treinando, blá blá blá... mas um time com Messi nunca pode ser subestimado. Acho que chega às oitavas, no mínimo.

URUGUAI - Se o Chile é o Botafogo, o Uruguai é quase um Náutico. Não vai nem pras oitavas.

DINAMARCA - Cumprindo tabela.

SUÍÇA - Idem.

ESLOVÁQUIA - O leste europeu tem progredido. Mas sei não.

ALEMANHA - A tradição, o temidíssimo jogo aéreo e a frieza dos caras são osso duro, sempre.

ESPANHA - Hahaha! O que é a Espanha? Como o país que abriga os times mais caros do mundo sempre dá vexame na copa? Alguém aí arrisca um palpite? Ok, chega nas quartas, vai.

INGLATERRA - Chega nas quartas, talvez nas semifinais. Final eu acho difícil.

SÉRVIA - Ver Eslováquia. Mas tem um pouco mais de chance.

ITÁLIA - Respect, sempre. Ganharam a última copa, lembram? Aquela da cabeçada de Zidane.

HOLANDA - Outro fogo de palha clássico das copas. Chega nas quartas, e olhe lá.

GRÉCIA - Acho difícil passar das oitavas.

PORTUGAL - Bom... se rolar outro Portugal x Inglaterra, o bicho pega pros dois. Não sei. Quartas, talvez semi, acho.

ESLOVÊNIA - Ver Eslováquia.

FRANÇA - Ganhou muita moral nos últimos anos. Acho que emplacam até uma disputa de terceiro lugar.

NOVA ZELÂNDIA - Pff.

Entre os quatro finais, seria algo como Brasil, França, Itália e Alemanha, com oscilações de possibilidade para a Argentina, Inglaterra e Portugal. Enfim, o de sempre.

Ah, se estiver a fim de uma análise bem mais abalizada que a minha sobre cada seleção e suas respectivas campanhas nas eliminatórias, clica aqui.

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Caio, ainda no armário


Você já deve ter lido por aí sobre Caio, o primeiro personagem criado com Maurício de Sousa supostamente gay. O "supostamente" deve-se ao fato de que nem Maurício nem a história que apresentam o personagem ainda falarem isso com todas as letras.

O quadrinista mais bem sucedido do Brasil é uma figura polêmica no meio. É louvado como o único grande empreendedor dos quadrinhos nacionais - Mônica é líder de vendas no país e estampa inúmeros produtos licenciados há pelo menos uns 40 anos - e como um educador humanista, trazendo aos poucos em suas histórias, de forma elegante, temas sociais espinhosos.

Por outro lado, o "Walt Disney brasileiro" é acusado de ter uma produção voltada demais para o mercado e de pouca relevância artística, além de ter a política de não creditar seus artistas e roteiristas no início de cada história (ficam apenas no expediente).

Maurício há alguns anos tem revelado uma faceta mais propositadamente controversa. Além da muito falada "mangalização/adolescentização" (e tome neologismo!) da Mônica, que para muitos (inclusive a mim) foram mais uma questão mercadológica que estética, o quadrinista vem há anos introduzindo personagens ligados a problemas sociais e novidades contemporâneas, como o cadeirante Luca, a ceguinha Dorinha, o "antenado" Bloguinho e agora o "gay" Caio, na revista de Tina.

Claro que a iniciativa de trazer esses debates para suas histórias - consideradas até então bastante fúteis pela "elite cultural" - é muito louvável, mas nenhum desses novos personagens foram muito explorados, até onde sei. Estreiam e depois são descartados. Até o momento, parece que Maurício quer meio que unir o útil - a exposição de uma importante questão social sob sua ótica - ao agradável - fazer um "buzz" para atrair a atenção daqueles que não leem suas revistas.

Estamos vivendo paradoxos nas questões de gênero. Vemos paradas gays lotadas, mas lotadas de gente que se divertem muito e conscientizam pouco. Atores assumem ser gays, mas jogadores de futebol ainda não. Gays ganham pacotes de turismo próprios, mas nem sempre podem entrar em igrejas em paz.

Seria bom se Maurício de Sousa conseguisse usar sua influência para aos poucos mudar positivamente a mentalidade de milhares de famílias conservadoras que ainda existem em pleno século XXI. Para que funcione, Caio precisa, enfim, sair do armário. Difícil é saber se o cauteloso (carola?) Maurício está interessado em ultrapassar essa linha.

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

A Fazenda 2 - primeiras impressões


Eu nem gostei muito da primeira edição da "A Fazenda", e provavelmente nem vou gostar da segunda temporada. Mas me aventurei a ver um pedaço da estreia.

Peguei bem na parte da prova do fazendeiro. Chequei os participantes e a coluna "Zapping" do "Agora SP" acertou todos. Achei o elenco fraco como "personagens". Difícil ainda saber quem vai ser o vilão, a mocinha, o amigão, o engraçado, o idiota, etc.

Quer dizer, pelo "histórico de vida", acho que Sheila Mello e Karina Bacchi perigam ser as gostosas bobinhas. Pela cara de maleta, o tal do André Segatti tem pinta de vilão. Os modelos que não sei o nome podem ser os enrustidos da vez. Ana Paula Oliveira, a bandeirinha preferida do Botafogo, tem potencial para ser a morena falseta.

Agora vamos ao que importa: quem ali é gostosa de verdade? Eu gosto de Sheila Mello - sempre achei a minha "Tchan" favorita -, de Ana Paula, Cacau Melo e... tenho que admitir que Theo Becker tem bom gosto. Andressa é muito bonita. Karina tem corpão, ok, mas acho "embonecada" demais. Depois que ela abdicou de ter uma boca de gente normal, perdeu o (pouco) encanto.

No geral, o programa já sai perdendo porque o cara que seria meu participante favorito desistiu: Sérgio Mallandro! Uma grande perda para a Humanidade. Rááá!

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

O ano de terror do Sport


Ao contrário do que parece, a ideia desse post já estava na cabeça há tempos. O Sport só caiu matematicamente e oficialmente ontem, mas para mim isso já era certo há tantas rodadas que nem me lembro mais.

O que dizer? Não foi um bom ano para o Sport. A derrota traumática na Libertadores e o rebaixamento, ambos para o Palmeiras, foram o preço a ser pago pelo glorioso ano de 2008. Embora também não foi uma hecatombe, vá lá. O primeiro semestre foi ótimo, com a conquista do tetra pernambucano e a boa campanha na primeira fase na Libertadores.

Culpados? Não tenho. Aconteceram muitos fatos negativos, que essa reportagem destaca muito bem (enfatizo a saída de Nelsinho Batista como crucial na má fase), mas a maioria dos erros surgiram naturalmente, por força de uma cabeça quente aqui, um despreparo ali, um jogador ruim acolá, além das barbeiragens que a arbitragem brasileira vive provocando - não apenas com o Sport, vale ressaltar.

Não acho que o presidente Sílvio Guimarães tenha feito um trabalho impecável, claro, mas também merece mais uns meses de chance. Dá para sentir (por enquanto) que ele é apaixonado pelo clube e acho que não vai enveredar pela linha mercenária de um Luciano Bivar da vida (sai pra lá!).

E é isso. Caiu porque tinha que cair mesmo, pois jogou mal. Agora é levantar de novo em 2010, como já fizemos muito bem tantas vezes. Menos chororô, mais trabalho.

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Leituras recentes


Li o quadrinho do Lanterna Verde & Arqueiro Verde que comprei na Comix. Preguiça de falar muito, então leia aqui um bom texto sobre o livro. Acrescento só o seguinte: instigou bastante meu senso político. Por uns cinco minutos, pelo menos. E o óbvio ululante: Neal Adams é um monstro.

Também li o "Blueberry". Moebius desenha muito! A história é muito instigante também. Se um francês escreve bem assim um faroeste norte-americano, e há ainda os spaghetti italianos do cinema, começo a achar que os únicos que não fazem bem faroeste são os Estados Unidos.

terça-feira, 10 de novembro de 2009

This Is It


Ou "Dizizit", como gosto de falar, cumpre a função de "ponto final digno" da carreira do maior popstar da história. Há que se considerar a edição muito boa e o efeito "santificador" que o falecido ganhou, mas o filme passa uma impressão forte de que os shows - os primeiros shows, pelo menos - fariam história.

As inovações criadas, os bailarinos competentíssimos, os vídeos de muito bom gosto, a banda que executa os arranjos originais com perfeição (destaco a guitarrista loirinha, muito bonito)... e tem Michael, claro. Que não estava no auge da forma, mas tinha aquele comportamento de craque em fim de carreira: compensa a falta de vigor com o uso econômico porém preciso do corpo - tática que a experiência ensina muito bem.

Vale a pena ver, sim. No cinema, de preferência. É pra sair da sala comentando cada detalhes da produção e saindo de moonwalk.

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Planeta Terra 2009 - Primal Scream, Sonic Youth, Iggy & The Stooges


Exame de próstata é o caralho!


Show do Primal Scream "ruim" é que nem pizza fria. Melhor que muita coisa dita como boa por aí. Um setlist com "Miss Lucifer", "Rocks", "Movin On Up", "Jailbird", "Accelerator" e "Swastika Eyes" nunca poderá ser chamado de ruim.

Mas tenho que dizer que Bobby Gillespie sóbrio e mal humorado - além do som baixo e um guitarrista a menos na banda - fez diferença pra pior mesmo. O show de 2004 teve uma vibe muito melhor. Mas pelo menos teve "Deep Hit of Morning Sun" chapante, que não teve em 2004.

Sonic Youth foi incrível. Como falei aqui, é uma emoção ver a alguns metres de você aqueles caras que compuseram partes da trilha sonora da sua vida. Mas foi incrível porque, apesar de eu amar a banda, vinha mantendo um preconceito com eles. "São os Rolling Stones do indie, não sabem a hora de encerrar a carreira", pensava.

Mas que nada. A banda está afiadíssima. Assim como o R.E.M., são veteranos classudos com pique de iniciantes. Microfonias, harmonias e energia no talo. Uma pena terem deixado muito hit de fora, mas o show foi tão incrível e as músicas do "The Eternal" soam tão boas ao vivo que quase não senti falta dos clássicos. Mas teve a sequência "The Sprawl"/"Cross The Breeze", fora "Stereo Sanctity" e "Hey Joni".

E Iggy Pop superou minhas expectativas. Começar logo com "Raw Power" de repente, e terminar com "Lust For Life", foi coidiloco. O público sobe no palco a convite dele, e ele vai no público sem medo, não para um segundo. O valho Iggy ainda tem muito "sangue nos óio" aos 62 anos! Um show dele é um chute na bunda em muita bandinha atual de rock n' roll.

Claro, também tiveram as partes engraçadas. O saco de ossos, a bunda de um real saindo da calça no final... mas faz parte do show. Não é todo dia que se vê uma "lenda do rock" tão na "intimidade", hehehe. Histórico.

O que é Maximo Park? Algum brinquedo novo do Playcenter?

Foto: Lucas Lima/UOL

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Stefhany, um estudo etnológico


Stefhany é uma Zina de saias. Ambos são anti-heróis que se tornaram queridos por seus defeitos. Se Zina ganhou fama pelo jeito abobalhado e sua falta de articulação ao falar, Stefhany ficou conhecida por sua total ausência de noção estética, além da incapacidade de perceber isso nela mesma.

Uma sutil diferença entre a menina do Crossfox e Joelma, por exemplo, é que a loira do Calypso só estourou depois que estabeleceu uma comunicação com um público amplo que é brega igual a ela. Já Stefhany foi descoberta por jornalistas de classe média e já foi logo sendo apresentada ao mundo como uma sátira.

O "Esquadrão da Moda" com Stefhany, exibido ontem, foi um bizarro estudo etnológico que deixaria Lévi-Strauss intrigado. A resistência de Stefhany à transformação do programa pode ser entendida de pelo menos duas formas. Na superfície, era só uma adolescente inexperiente, mimada e de ego inflado tentando sabotar a produção - e foi o que a edição tentou convencer, e se eu fosse do programa e a garota dificultasse meu trabalho como fez, provavelmente faria o mesmo.

Mas revendo melhor, foi também um tremendo choque de culturas no qual as noções estéticas de certo e errado eram apenas referenciais. E no fundo, sempre foi isso mesmo. O que "está na moda" é o que é empurrado pra gente pela mídia e especialistas da área, e ai de quem achar o contrário.

Honestamente, eu sempre tive alguma resistência ao conceito do "Esquadrão" de ditar qual roupa é melhor para você. Também não acho que esse lance de "estilo pessoal" seja desculpa para todo mundo usar roupas horrendas. Mas o que achei mais louco é que Stefhany acabou indo em um monte de lojas caras e acabou comprando roupas tão feias quanto as que sempre usou. Mais uma prova da relatividade do que é "bonito".

O que também foi interessante é que a oposição de Stefhany não deixa de ser um tapa na mídia que quer ganhar audiência às custas da cafonice velada da menina. Tenho pena, porque dificilmente ela vai continuar por aí quando a "graça" passar e aparecer alguma nova tosqueira de internet que irá substitui-la na pauta da vez.

Foto: Papel Pop, de Phelipe Cruz, a.k.a. um dos "descobridores" de Stefhany

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Alô, Alô, Terezinha


A meu ver, um bom documentário é aquele que usa o objeto real documentado como um "McGuffin" para contar boas histórias e iniciar reflexões mais profundas sobre o mundo em que vivemos. É exatamente o que faz "Alô, Alô, Terezinha".

Mesmo hoje em dia, é difícil entender o anárquico, caótico, escrachado e carnavalesco pernambucano Abelardo Barbosa. No filme de Nelson Hoineff, quem se sai melhor na tarefa é Alceu Valença: Chacrinha foi o cara que levou a figura do "velho" do pastoril profano à televisão.

Apoiado no tradicional formato imagens de arquivo + depoimentos, o filme tem como maior mérito seguir a linha mestra do Velho Guerreiro: mandar o politicamente correto às favas e entrar de cabeça nos detalhes "picantes" da biografia do comunicador.

No desenrolar da produção, fica fácil entender que Chacrinha se torna o centro de temas como os limites do grotesco e da sexualidade na indústria cultural; a obsessão dos anônimos de pular para o sucesso; e as diferenças de Zeitgeist (espírito da época) entre os estranhos anos 80 e a asséptica década atual.

Não incomoda no filme a nudez de Índia Potira, ou a evidente "plastificação" dos artistas que mantém a mesma cara há mais de 20 anos, enquanto as pobres chacretes não resistiram ao tempo. Incomoda mais o pieguismo do diretor ao pedir para todo mundo cantar à capela, ou chorar por alguns segundos para a câmera.

Ou pior, constatar que tudo isso é mero calhau, pois as imagens de Chacrinha em ação são muito poucas e muito ruins - fruto do descaso das emissoras com seu próprio acervo. Que por sua vez, vem do desleixo dos brasileiros com sua própria história. Independente disso, o filme merece ser visto e revisto pelo mérito que é reativar, por uma hora e meia, uma época em que a TV e a sociedade eram menos pretensiosas.

Curiosidade: na sessão que fui, no metrô Santa Cecília (SP), tivemos a presença ilustre na plateia de ninguém menos que Rita Cadillac.

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

E o celular virou o W380


Lembram da novela do meu celular? Pois demorei a retornar a ela para ter uma certeza maior de que acabou.

O Sony W200 foi para a assistência de novo, no dia seguinte ao último post. Descarregava muito rápido, em apenas 24 horas. Duas semanas depois anunciaram que trocariam por outro modelo mais avançado, pois o outro saiu de linha.

Agora tenho - e uso há pouco mais de um mês - o W380, o da foto acima. Prós: tem quase todos os recursos do anterior, uma câmera de fotos melhor (1,3 MP com zoom 4x) e um sistema que permite dar tocar/parar/pular as músicas sem acessar menus, nums botõezinhos chinfrosos (ver foto). Contras: é celular de flip, que não gosto, e NÃO FAZ VÍDEO, sendo que o modelo mais "ultrapassado" fazia (toscamente, mas fazia).

Passada a crise, estou me afeiçoando a ele. Mas o fato de não fazer vídeos foi brochante. Fica pro próximo.

Ah, tem "The Sims" nos jogos, mas é limitadinho e já comprei tudo que podia. Não tem o jogo da cobrinha. Damn it.

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Puxa o rio mais pra cima, por favor

Segundo a Folha Online, Lula mudou lei para agilizar transposição do rio São Francisco e também beneficiar outros projetos do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento). A tal mudança apressaria a desapropriação de uma série de terrenos de propriedade particular.

A bem da verdade, pra mim essa transposição só beneficia o Ceará; leia-se, só beneficia Ciro Gomes. O marido de Patrícia Pillar barganhou com Lula mais ou menos assim: vou deixar de ser oposição e ser teu ministro, mas vai ter que me liberar essa pra eu usar como arma de voto nas eleições de 2010, beleza?

A custa de uma distorção da natureza e o prejuízo de quatro estados que são servidos pelo velho Chico, a política brasileira apronta mais uma das suas. Triste.

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Watchmen, o filme, a bronca

Ninguém pediu, ninguém quis saber, mas como sou homem de cumprir minha palavra, aí vai a segunda parte da minha análise (cof!) sobre o filme de "Watchmen" (a primeira parte aqui).

Atenção: vai ter spoiler adoidado daí pro fim do post; não faz sentido ficar avisando os trechos, como geralmente faço.

Antes do filme, acompanhei notícias sobre o dito cujo e acabei esbarrando em alguns spoilers - que na verdade, não sei se dava para chamar dessa forma, visto que se tratava da adaptação de uma HQ de 1985 que eu li e reli algumas vezes.

Tergiversações à parte, o spoiler que mais me chamou a atenção foi o final do filme, que troca o alien gerado por Ozymandias por bombas que emulam o poder do Dr. Manhattan, colocando nele a culpa pelo genocídio. A partir daí, já havia ficado cabreiro, e - depois eu iria comprovar - com razão.

Pode parecer detalhe para os leigos, mas este foi o cerne da enorme diferença qualitativa entre a HQ e o filme. Como bem lembrou Hell do Melhores do Mundo, a função do alien na obra original de Alan Moore era fazer as nações se unirem para se protegerem daquela nova ameaça devastadora, que por não ser da Terra estava além das picuinhas políticas da então Guerra Fria.

Já no filme a farsa de Ozymandias coloca o Dr. Manhattan como bode expiatório, que até então era a arma suprema dos Estados Unidos e um dos maiores elementos de tensão da Guerra Fria. Oras, a União Soviética ia mesmo deixar isso barato e entrar nessa de paz mundial?

Quando o diretor Zack Snyder faz essa pequena mudança, alegando em entrevistas que assim tornou o final mais "elegante", ele forçou uma falha de roteiro em um momento crucial da obra, criando um total desvio de significado. Em suma, ele estragou "Watchmen" sim.

E não adianta dizer que, seguindo essa lógica, a URSS entenderia que um Dr. Manhattan raivoso seria algo preocupante para todo o mundo, não apenas aos Estados Unidos. Mesmo que assim fosse, essa deveria ser uma decisão do criador da obra, não do "adaptador".

O filme traz ainda outros problemas de menor proporção, mas um tanto chatinhos se somados. Mesmo com duas horas e meia, era evidente que a produção não daria conta de englobar todos os detalhes da minissérie em 12 partes. Cada capítulo, a meu ver, já daria um longa-metragem cheio de informações que deixariam "Cidadão Kane" parecendo os filmes da Xuxa.

Daí o filme perde subtramas que, de fato, não são tão cruciais ao plot principal, mas que faziam toda a diferença no conjunto da obra. Não vemos Rorschach quebrando dedos no bar, nem os Contos do Cargueiro Negro (que ganharam um DVD à parte para furtar nerds ricos), nem a morte de Hollis Mason, nem as histórias paralelas dos novaiorquinos comuns que seriam mortos pela bomba. A revelação do rosto de Rorschach nem faz sentido na hora em que acontece. Tudo isso só para ficar na análise superficial.

Ok, até aqui, "Watchmen" vacilou feio como adaptação. Mas serve como um filme à parte, principalmente para os novatos? Assisti com minha esposa e ela disse ter entendido tudo e gostado da história. Soube de outras pessoas que disseram o mesmo.

Já eu me incomodei um pouco com as atuações apagadas de Malin Akerman como Espectral e principalmente Matthew Goode como Ozymandias, que tirou todo o ar imponente do personagem, pondo no lugar um ar efeminado e de olhar blasé. Além disso, o eterno tique "câmera lenta x acelerada" de Zack Snyder, o uniforme cafona de Ozymandias e os filtros de cor deixaram o filme inteiro com um rótulo boboca "olha, sou baseado em quadrinhos!".

Outro momento bastante vergonhoso foi após a morte de Rorschach, com direito a "nooooo" e soquinhos no vilão. Glória Perez não faria melhor.

Agora, se você gostou do filme e alcançou a proeza de chegar até aqui no texto, parabéns. Agora vou falar das qualidades da produção.

Gostei principalmente da bem cuidada produção no tangente aos cenários, as reconstituições de época e os uniformes dos demais vigilantes. Nestes aspectos, sim, a fidelidade à HQ é impressionante e até carinhosa, no sentido übernerd de ser.

Acentuaram a violência. Não vi problema, visto que no original os momentos violentos tinham a mesma função que tiveram na adaptação: pegar o leitor/espectador pelo choque. Mas 1985 é diferente de 2009: tempos mais cruéis, cenas mais cruéis.

A trilha sonora está bem representada. Li por aí críticas ao uso da "Cavalgada das Valquírias" nas cenas do Vietnã, que lembrava "Apocalypse Now" e tal. Até entendo, mas na hora que assisti, não vi problema algum. A abertura com "The Times They Are A-Changin'" (Dylan) ficou muito legal, assim como "The Sound of Silence" (Simon & Garfunkel) no enterro. Sò senti falta de “The Comedians”, de Elvis Costello, citada no início da HQ.

O ponto alto, no entanto, foram as atuações de Jackie Earle Haley como Rorschach e Jeffrey Dean Morgan como Comediante. Os atores captaram muito bem as nuances dos personagens; e Rorschach, até onde sei, se tornou o favorito do público. A patroa até lamentou a morte dele. A semelhança física também é notável - outro ponto positivo na escolha do elenco, excetuando, claro, o citado Matthew Goode, que pegou o papel que nasceu para ser de Jude Law.

"Watchmen" é isso aí. Filme-espetáculo acima da média para leigos, mas um grande WTF aos Mooremaníacos. Pensando positivamente, é bom lembrarmos que poderia ser bem pior. Pelo menos não resultou em algo do naipe de "A Liga Extraordinária" ou "Do Inferno". Imaginem... sei lá, Dr. Manhattan verde e de roupa, Tom Cruise como Comediante, Michael Bay ou Joel Schumacher na direção...

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Prelúdio a Watchmen, ou Sobre Adaptações

Tudo que envolve "Watchmen" é complicado e por isso eu não poderia descumprir a regra. Daí vou comentar o filme em dois posts, para (tentar) não ficar calhamaço demais.

Adaptar uma obra para outra mídia é um lance difícil. O cinema é possívelmente a manifestação artística que mais pede ideias emprestadas de outros meios. É impossível hoje calcular a quantidade de filmes cuja história original tenha surgido da literatura, por exemplo.

É sempre tentador recitar um paradigma quanto às adaptações: na transição de uma mídia para a outra, elas tendem a desperdiçar bom conteúdo do material original, seja acidentalmente ou deliberadamente (aqui, por sua vez, por força das circunstâncias ou por predileção pessoal dos envolvidos), o que resulta em um produto supostamente desrespeitoso com tal material.

No cinema, isso fica latente por uma série de fatores. Cinema é arte e narrativa, mas também é negócio, é publicidade, é comunicação com públicos e suas respectivas culturas e preconceitos. Muita coisa está em jogo quando você chega à bilheteria para comprar um ingresso, sentar na poltrona da sala escura e sair de lá satisfeito (ou não).

Sendo assim, melhor seria deixar cada história em seu meio original? Indo por esse argumento, possivelmente o criador da obra se expressou naquele meio por achar que sua história dependia das características intrínsecas ao formato para que fizesse sentido. Por exemplo, você imagina um livro sobre "Cidadão Kane" tão bom quanto o filme?

Pelo menos é assim que Alan Moore pensa; ele ganhou fama nas HQs não apenas pela genialidade inerente, mas porque ele tem uma profunda preocupação em explorar todos os recursos que os quadrinhos oferecem como formato - isso quando ele mesmo não se aventura a criar novos recursos. Quando suas histórias migram para o cinema, não apenas perdem o charme do formato como são bastante alteradas á sua revelia. E é por essa e outras razões que o barbudo detesta todas as adaptações de cinema oriundas de suas criações.

Apesar de entender esse ponto de vista, eu não sou tão radical quanto Moore. Algumas das minhas adaptações HQ/cinema favoritas acabam trazendo uma ou outra modificação que, quando não me incomoda, pode até dar um "plus" ao cânone; vide as roupas de couro dos X-Men ou Mary Jane ser a primeira namorada de Peter Parker. Já uma adaptação ultrafiel como foi "Sin City" eu considerei uma chatice sem criatividade, justamente por não apresentar nada de novo a quem já havia lido os encadernados (meu caso).

Adaptar "Watchmen" envolveu tudo isso, e mais: todo o culto à minissérie de Moore e Dave Gibbons só cresceu com o passar dos anos, gerando uma imensa legião de xiitas no mundo inteiro. E todos os fatores que dificultam uma adaptação, que falei no quarto parágrafo, foram barreiras imensas para levar uma história tão cultuada - e ao mesmo tempo tão complexa e cheia de elementos chocantes - às telas.

(Pois é... falei que ia escrever muito. Daí do filme em si falarei no próximo post. Aguarde e confie)

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Tá Chovendo Hambúrguer + Quem Quer Ser Um Milionário?

Meu fim de semana foi mais regado a filmes do que a média. Foi um no cinema - "Tá Chovendo Hambúrguer" - e dois em DVD: "Quem Quer Ser Um Milionário?" e "Watchmen". Vamos a eles.

Para ser franco, eu e a respectiva fomos assistir a "Tá Chovendo Hambúrguer" só para conhecer a sala IMAX de São Paulo, no Shopping Bourbon. Quer dizer, eu, porque ela já tinha ido a um IMAX no exterior e ela estava um pouco mais interessada no filme do que eu.

A sala é ok, mas eu esperava mais da tal grandiosidade do IMAX. Ouvi falar que a tela é menor que a maioria dos IMAX pelo mundo. A sala que vão abrir em Curitiba promete ser maior e... ah, sim, o filme, né?

O filme é bem melhor do que esperava. Eu esperava pouco, é verdade, basicamente porque havia visto o trailer e a qualidade da animação é bem inferior ao padrão Pixar/Dreamworks.

Mas isso passa batido no decorrer do filme. A história é muito divertida e educa sem pedantismo. O plot, claro, aborda nas entrelinhas temas complicados dos nossos dias: maus hábitos alimentares, soberba, poluição, jogo político e o perigo dos transgênicos são os que consegui identificar. No entanto, tudo isso é envolvido em piadas visuais inteligentes envolvendo as comidas gigantes

Sem falar nos personagens envolventes, como o casal protagonista, que tem um excelente desenvolvimento, além do pai do cientista. Até o caricato policial "Johnny Bravo" ganha mais sentimento depois de um tempo.



Já "Quem Quer Ser Um Milionário?", eu ainda estou meio dividido quanto ao filme. No geral, acho que posso dizer que é cumpre muito bem a função de filme-pipoca-pero-no-mucho, alternando drama pesado e humor aos elementos "exóticos" da Índia. Os problemas do filme aparecem nos detalhes.

O romance do casal protagonista foi muito novelesco pro meu gosto. Os vilões bandidões são muito caricatos, bem como as situações difíceis com as quais Jamal e Salim se deparam, postas estrategicamente para sabermos o quanto os indianos pobres sofrem. O roteiro deixa o filme meio freak, pois não é fábula o bastante, nem traz a devida dimensão dos problemas sociais do país.

Aliás, nem levo em conta o "parentesco" com "Cidade de Deus" quando falo isso, porque não acho que o filme seja cópia, mas bebe um tanto na fonte. A diferença é que, a meu ver, sempre achei viagem o papo de cosmética da fome para "Cidade de Deus", porque nele é menos uma fábula e mais uma história "real" contada de maneira mais pop, digamos. Coisas ruins e boas acontecem e se equilibram no começo, no meio e no fim do filme brasileiro.

Já em "Milionário", tudo fica cuti-cuti demais no final. [SPOILER] O carinha semianalfabeto ganha todas no programa só porque todas as perguntas têm rigidamente a ver com a vida dele? E a única que ele não sabia, ele chuta e acerta? E o irmão malvadão que de repente resolve liberar a mocinha em um ataque de consciência? Ah, peraí. Até a fábula tem limite. [/SPOILER]



E ô musiquinha grudenta, essa "Jai Ho". No filme tá em indiano, mas a das Pussycat Dolls consegue ser mais chiclete ainda.



Ah... falta "Watchmen", né? Pois. Esse vai ter que ser um post à parte, com toda a nerdice a que tenho direito.

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

O mundo acaba em que ano mesmo?

Legado dos Jogos coloca Rio de Janeiro em xeque - "O Rio também tem áreas costeiras que poderiam ser reabilitadas, como a baía da Guanabara, hoje poluída. Imagine o impacto disso para o turismo. Só que, por falta de planejamento, ficou na promessa."

Contundida, Jade Barbosa está sem verba para tratamento

Flamengo diz que, sem verba pública, fecha esporte olímpico - "Se não recebermos dinheiro, o esporte olímpico ficará fora do nosso orçamento a partir de 2010. Quem vai perder é o esporte"

Algum tempo depois...

Rio ganha Olimpíadas de 2016 e Brasil já se prepara para gastar R$ 25,9 bi

Olha, sei não, viu? De forma alguma quero parecer um reclamão contrariado, mas não é no mínimo irônico que um país que mal investe em esporte e adora uma obra superfaturada sedie uma Olimpíada?

A corrupção e falta de organização generalizada que temos podem melhorar até 2016? Podem. Há o otimismo crescente lulístico e a melhora da nossa economia (pro gringo ver, não necessariamente internamente) mas sim, o histórico do Pan 2007 dá a entender que a corrupção ainda é absurda e periga ser o grande vilão desse evento.

A partir de agora até 2014 (a Copa) e 2016 (a Olimpíada), o keyboard cat estará de olho na gente.