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quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Watchmen no banheiro


- Tu vai mesmo gastar catchup pra fazer essa foto? O cheiro não vai mais sair da esponja!

Eu não presto.

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

2009, parte quatro


Neste ano...

... morreram Clodovil, Celso Pitta, Mara Manzan, Dirce Migliaccio, David Carradine, John Hughes, Patrick Swayze, Farrah Fawcett, Carlos Wilson, e só nos acréscimos do segundo tempo, Leila Lopes, Lombardi, Alborghetti e Brittany Murphy...

... o "CQC" e o "Pânico" continuaram engraçados. Zina foi a personalidade do ano e Mônica Iozzi se tornou o colírio feminino entre os homens de preto.
... Stefhany se queimou no "Esquadrão da Moda".
... "Descolados", "Tudo Novo de Novo" e "Som e Fúria" foram outros destaques positivos da TV aberta.
... Gugu e Marcos Mion foram para a Record, mas o SBT deu o troco trazendo Eliana e Justus.
... "Caminho das Índias" foi o ápice da Gloriaperezice. E tome Are Baba.
... Max ganhou o "BBB" e Dado Dolabella ganhou "A Fazenda" sem machadinha, mas perdeu em "carisma" para Theo Becker.

... Maurício de Sousa também comemorou 50 anos de carreira com um álbum-homenagem de responsa. E fez um personagem gay, pero no mucho.
... a DC fez o Senhor dos Anéis dos Lanternas Verdes, e a Marvel disse que pretende voltar com os Vingadores à moda antiga.
... a Marvel ganhou orelhas de Mickey.
... "Se Eu Fosse Você 2" se tornou o recordista brasileiro pós-retomada.
... "Watchmen" continuou infilmável, e "Wolverine", "Transformers 2", "Exterminador do Futuro 4" e "Harry Potter 6" passaram, mas não marcaram. Já "Star Trek", "2012" e "Se Beber, Não Case" chamaram a atenção.
... "Brüno" foi o bom retorno de Sacha Baron Cohen.
... as animações foram os pontos altos de qualidade, como "Up", "Coraline" e a grata surpresa "Tá Chovendo Hamburguer".
... o longa metragem de "Caminho das Índias" ganhou o Oscar.
... como no ano passado, a vampirada seguiu na moda na TV - "True Blood" - e no cinema - "Crepúsculo: Lua Nova" e o cultuado "Deixa Ela Entrar".
... "Avatar" revolucionou o cinema 3D (supostamente).

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Caio, ainda no armário


Você já deve ter lido por aí sobre Caio, o primeiro personagem criado com Maurício de Sousa supostamente gay. O "supostamente" deve-se ao fato de que nem Maurício nem a história que apresentam o personagem ainda falarem isso com todas as letras.

O quadrinista mais bem sucedido do Brasil é uma figura polêmica no meio. É louvado como o único grande empreendedor dos quadrinhos nacionais - Mônica é líder de vendas no país e estampa inúmeros produtos licenciados há pelo menos uns 40 anos - e como um educador humanista, trazendo aos poucos em suas histórias, de forma elegante, temas sociais espinhosos.

Por outro lado, o "Walt Disney brasileiro" é acusado de ter uma produção voltada demais para o mercado e de pouca relevância artística, além de ter a política de não creditar seus artistas e roteiristas no início de cada história (ficam apenas no expediente).

Maurício há alguns anos tem revelado uma faceta mais propositadamente controversa. Além da muito falada "mangalização/adolescentização" (e tome neologismo!) da Mônica, que para muitos (inclusive a mim) foram mais uma questão mercadológica que estética, o quadrinista vem há anos introduzindo personagens ligados a problemas sociais e novidades contemporâneas, como o cadeirante Luca, a ceguinha Dorinha, o "antenado" Bloguinho e agora o "gay" Caio, na revista de Tina.

Claro que a iniciativa de trazer esses debates para suas histórias - consideradas até então bastante fúteis pela "elite cultural" - é muito louvável, mas nenhum desses novos personagens foram muito explorados, até onde sei. Estreiam e depois são descartados. Até o momento, parece que Maurício quer meio que unir o útil - a exposição de uma importante questão social sob sua ótica - ao agradável - fazer um "buzz" para atrair a atenção daqueles que não leem suas revistas.

Estamos vivendo paradoxos nas questões de gênero. Vemos paradas gays lotadas, mas lotadas de gente que se divertem muito e conscientizam pouco. Atores assumem ser gays, mas jogadores de futebol ainda não. Gays ganham pacotes de turismo próprios, mas nem sempre podem entrar em igrejas em paz.

Seria bom se Maurício de Sousa conseguisse usar sua influência para aos poucos mudar positivamente a mentalidade de milhares de famílias conservadoras que ainda existem em pleno século XXI. Para que funcione, Caio precisa, enfim, sair do armário. Difícil é saber se o cauteloso (carola?) Maurício está interessado em ultrapassar essa linha.

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

"Acho que não estamos mais em Metrópolis"

Se você é daquele nerd ortodoxo que adora defender ou criticar a polêmica cena em que o Super-Homem faz a Terra girar ao contrário para retorceder o tempo, vai adorar esse vídeo.



Dica roubada na cara dura do Melhores do Mundo.

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Leituras recentes


Li o quadrinho do Lanterna Verde & Arqueiro Verde que comprei na Comix. Preguiça de falar muito, então leia aqui um bom texto sobre o livro. Acrescento só o seguinte: instigou bastante meu senso político. Por uns cinco minutos, pelo menos. E o óbvio ululante: Neal Adams é um monstro.

Também li o "Blueberry". Moebius desenha muito! A história é muito instigante também. Se um francês escreve bem assim um faroeste norte-americano, e há ainda os spaghetti italianos do cinema, começo a achar que os únicos que não fazem bem faroeste são os Estados Unidos.

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

A Fest Comix 2009 em imagens

Para quem não sabe, não vale a pena comprar revista em quadrinhos em São Paulo ao longo de todo o ano. A estratégia mesmo é se segurar para gastar na Fest Comix, evento da loja de HQs e action figures Comix que acontece todos os anos.

Acho que o evento é o mais perto que o Brasil possui de uma Comic Con. Tem lançamentos de revistas e livros, presença de profissionais dos quadrinhos e ilustração, concurso de cosplay, games, e o mais importante: uma oferta imensa de todos os tipos de quadrinhos com todos os tipos de descontos. É um momento tenso, porém sublime, no qual o nerd pode reabastecer sua estante em uma boa tacada.

Fui lá no último sábado (17). Quanto eu gastei? Eu digo depois das fotos feinhas que tirei com meu celular.








Err... Pouco mais de R$ 180. Comprei a "Biblioteca Marvel" do Quarteto Fantástico, o "Como Uma Luva de Veludo Moldada em Ferro", de Dan Clowes, um encadernado antigo do Lanterna e Arqueiro Verde por Neal Adams e Denny O'Neil, um álbum de Blueberry (Moebius) e o "Quadrinhos e Arte Sequencial" de Will Eisner.

A patroa entrou na dança e comprou uma coletânea da tira "Baby Blues" e um mangá chamado "Nana", que confesso que não conhecia.

Ei, não me olhe assim. Sou nerd, mas sou limpinho!

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Watchmen, o filme, a bronca

Ninguém pediu, ninguém quis saber, mas como sou homem de cumprir minha palavra, aí vai a segunda parte da minha análise (cof!) sobre o filme de "Watchmen" (a primeira parte aqui).

Atenção: vai ter spoiler adoidado daí pro fim do post; não faz sentido ficar avisando os trechos, como geralmente faço.

Antes do filme, acompanhei notícias sobre o dito cujo e acabei esbarrando em alguns spoilers - que na verdade, não sei se dava para chamar dessa forma, visto que se tratava da adaptação de uma HQ de 1985 que eu li e reli algumas vezes.

Tergiversações à parte, o spoiler que mais me chamou a atenção foi o final do filme, que troca o alien gerado por Ozymandias por bombas que emulam o poder do Dr. Manhattan, colocando nele a culpa pelo genocídio. A partir daí, já havia ficado cabreiro, e - depois eu iria comprovar - com razão.

Pode parecer detalhe para os leigos, mas este foi o cerne da enorme diferença qualitativa entre a HQ e o filme. Como bem lembrou Hell do Melhores do Mundo, a função do alien na obra original de Alan Moore era fazer as nações se unirem para se protegerem daquela nova ameaça devastadora, que por não ser da Terra estava além das picuinhas políticas da então Guerra Fria.

Já no filme a farsa de Ozymandias coloca o Dr. Manhattan como bode expiatório, que até então era a arma suprema dos Estados Unidos e um dos maiores elementos de tensão da Guerra Fria. Oras, a União Soviética ia mesmo deixar isso barato e entrar nessa de paz mundial?

Quando o diretor Zack Snyder faz essa pequena mudança, alegando em entrevistas que assim tornou o final mais "elegante", ele forçou uma falha de roteiro em um momento crucial da obra, criando um total desvio de significado. Em suma, ele estragou "Watchmen" sim.

E não adianta dizer que, seguindo essa lógica, a URSS entenderia que um Dr. Manhattan raivoso seria algo preocupante para todo o mundo, não apenas aos Estados Unidos. Mesmo que assim fosse, essa deveria ser uma decisão do criador da obra, não do "adaptador".

O filme traz ainda outros problemas de menor proporção, mas um tanto chatinhos se somados. Mesmo com duas horas e meia, era evidente que a produção não daria conta de englobar todos os detalhes da minissérie em 12 partes. Cada capítulo, a meu ver, já daria um longa-metragem cheio de informações que deixariam "Cidadão Kane" parecendo os filmes da Xuxa.

Daí o filme perde subtramas que, de fato, não são tão cruciais ao plot principal, mas que faziam toda a diferença no conjunto da obra. Não vemos Rorschach quebrando dedos no bar, nem os Contos do Cargueiro Negro (que ganharam um DVD à parte para furtar nerds ricos), nem a morte de Hollis Mason, nem as histórias paralelas dos novaiorquinos comuns que seriam mortos pela bomba. A revelação do rosto de Rorschach nem faz sentido na hora em que acontece. Tudo isso só para ficar na análise superficial.

Ok, até aqui, "Watchmen" vacilou feio como adaptação. Mas serve como um filme à parte, principalmente para os novatos? Assisti com minha esposa e ela disse ter entendido tudo e gostado da história. Soube de outras pessoas que disseram o mesmo.

Já eu me incomodei um pouco com as atuações apagadas de Malin Akerman como Espectral e principalmente Matthew Goode como Ozymandias, que tirou todo o ar imponente do personagem, pondo no lugar um ar efeminado e de olhar blasé. Além disso, o eterno tique "câmera lenta x acelerada" de Zack Snyder, o uniforme cafona de Ozymandias e os filtros de cor deixaram o filme inteiro com um rótulo boboca "olha, sou baseado em quadrinhos!".

Outro momento bastante vergonhoso foi após a morte de Rorschach, com direito a "nooooo" e soquinhos no vilão. Glória Perez não faria melhor.

Agora, se você gostou do filme e alcançou a proeza de chegar até aqui no texto, parabéns. Agora vou falar das qualidades da produção.

Gostei principalmente da bem cuidada produção no tangente aos cenários, as reconstituições de época e os uniformes dos demais vigilantes. Nestes aspectos, sim, a fidelidade à HQ é impressionante e até carinhosa, no sentido übernerd de ser.

Acentuaram a violência. Não vi problema, visto que no original os momentos violentos tinham a mesma função que tiveram na adaptação: pegar o leitor/espectador pelo choque. Mas 1985 é diferente de 2009: tempos mais cruéis, cenas mais cruéis.

A trilha sonora está bem representada. Li por aí críticas ao uso da "Cavalgada das Valquírias" nas cenas do Vietnã, que lembrava "Apocalypse Now" e tal. Até entendo, mas na hora que assisti, não vi problema algum. A abertura com "The Times They Are A-Changin'" (Dylan) ficou muito legal, assim como "The Sound of Silence" (Simon & Garfunkel) no enterro. Sò senti falta de “The Comedians”, de Elvis Costello, citada no início da HQ.

O ponto alto, no entanto, foram as atuações de Jackie Earle Haley como Rorschach e Jeffrey Dean Morgan como Comediante. Os atores captaram muito bem as nuances dos personagens; e Rorschach, até onde sei, se tornou o favorito do público. A patroa até lamentou a morte dele. A semelhança física também é notável - outro ponto positivo na escolha do elenco, excetuando, claro, o citado Matthew Goode, que pegou o papel que nasceu para ser de Jude Law.

"Watchmen" é isso aí. Filme-espetáculo acima da média para leigos, mas um grande WTF aos Mooremaníacos. Pensando positivamente, é bom lembrarmos que poderia ser bem pior. Pelo menos não resultou em algo do naipe de "A Liga Extraordinária" ou "Do Inferno". Imaginem... sei lá, Dr. Manhattan verde e de roupa, Tom Cruise como Comediante, Michael Bay ou Joel Schumacher na direção...

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Prelúdio a Watchmen, ou Sobre Adaptações

Tudo que envolve "Watchmen" é complicado e por isso eu não poderia descumprir a regra. Daí vou comentar o filme em dois posts, para (tentar) não ficar calhamaço demais.

Adaptar uma obra para outra mídia é um lance difícil. O cinema é possívelmente a manifestação artística que mais pede ideias emprestadas de outros meios. É impossível hoje calcular a quantidade de filmes cuja história original tenha surgido da literatura, por exemplo.

É sempre tentador recitar um paradigma quanto às adaptações: na transição de uma mídia para a outra, elas tendem a desperdiçar bom conteúdo do material original, seja acidentalmente ou deliberadamente (aqui, por sua vez, por força das circunstâncias ou por predileção pessoal dos envolvidos), o que resulta em um produto supostamente desrespeitoso com tal material.

No cinema, isso fica latente por uma série de fatores. Cinema é arte e narrativa, mas também é negócio, é publicidade, é comunicação com públicos e suas respectivas culturas e preconceitos. Muita coisa está em jogo quando você chega à bilheteria para comprar um ingresso, sentar na poltrona da sala escura e sair de lá satisfeito (ou não).

Sendo assim, melhor seria deixar cada história em seu meio original? Indo por esse argumento, possivelmente o criador da obra se expressou naquele meio por achar que sua história dependia das características intrínsecas ao formato para que fizesse sentido. Por exemplo, você imagina um livro sobre "Cidadão Kane" tão bom quanto o filme?

Pelo menos é assim que Alan Moore pensa; ele ganhou fama nas HQs não apenas pela genialidade inerente, mas porque ele tem uma profunda preocupação em explorar todos os recursos que os quadrinhos oferecem como formato - isso quando ele mesmo não se aventura a criar novos recursos. Quando suas histórias migram para o cinema, não apenas perdem o charme do formato como são bastante alteradas á sua revelia. E é por essa e outras razões que o barbudo detesta todas as adaptações de cinema oriundas de suas criações.

Apesar de entender esse ponto de vista, eu não sou tão radical quanto Moore. Algumas das minhas adaptações HQ/cinema favoritas acabam trazendo uma ou outra modificação que, quando não me incomoda, pode até dar um "plus" ao cânone; vide as roupas de couro dos X-Men ou Mary Jane ser a primeira namorada de Peter Parker. Já uma adaptação ultrafiel como foi "Sin City" eu considerei uma chatice sem criatividade, justamente por não apresentar nada de novo a quem já havia lido os encadernados (meu caso).

Adaptar "Watchmen" envolveu tudo isso, e mais: todo o culto à minissérie de Moore e Dave Gibbons só cresceu com o passar dos anos, gerando uma imensa legião de xiitas no mundo inteiro. E todos os fatores que dificultam uma adaptação, que falei no quarto parágrafo, foram barreiras imensas para levar uma história tão cultuada - e ao mesmo tempo tão complexa e cheia de elementos chocantes - às telas.

(Pois é... falei que ia escrever muito. Daí do filme em si falarei no próximo post. Aguarde e confie)

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Em breve, a Marvelândia

É o seguinte: tô preocupado sim com essa união Marvel-Disney. Como sempre, alguém foi melhor e mais rápido do que eu para falar sobre o assunto: Érico Assis, do "Omelete", neste texto.

Particularmente na parte do artigo dele sobre conteúdo, acho que vai ser bem por aí mesmo. A Disney é uma megaempresa com seus mais de 70 anos de estrada, e como tal, quase sempre andou na quinta marcha quando o assunto é conservadorismo. Claro, tivemos os dois "Fantasia", tivemos "Alice no País das Maravilhas", tivemos a safra Pixar. Mas são poucas exceções à regra; a tendência natural é que ela vai, sim, encaretar mais ainda a Marvel.

Sendo mais otimista, a Disney pode contrariar as expectativas, pois nos últimos anos ela tem feito um grande esforço para tentar ser mais liberal, vide a renovação de contrato com a Pixar que praticamente tornou John Lasseter o manda-chuva criativo de lá. Por outro lado, ela acabou com o estilo porra-louca dos filmes da Miramax.

Agora é aguardar Hulk de orelha de Mickey como na imagem acima, Tony Stark disputando grana com Tio Patinhas e Donald se porrando com Wolverine. Hum... pensando bem, isso pode ser tão tosco que pode ser divertido.

segunda-feira, 27 de julho de 2009

Participações especiais na vida real

Depois daquele meu post sobre Ana Paula Padrão, consolidei uma teoria idiota que já vinha desenvolvendo. Acho que quase todos nós temos um pouco de vida de Simpson, no sentido de ocasionalmente termos participações especiais ilustres cruzando nossos caminhos. Em outras palavras: nós, mortais, conhecendo ou esbarrando com celebridades.

Daí, resolvi fazer um top 5 com os famosos com quem estive cara a cara, e os porquês.

Atenção: alguns momentos de vergolha alheia nas próximas linhas.

* Ana Paula Padrão, por toda a mitologia por trás do sobrenome e por ter sido gente fina. Ver link acima.

* Brian Wilson: por eu ter vindo a São Paulo para ver o show dele, uma lenda do pop, autor de uma música que tocou até no meu casório ("God Only Knows"), e no dia seguinte ao show, ficar a menos de um metro do homem para receber três autógrafos (sim, fui e voltei da fila mais duas vezes). Ele nem olhou a mim nem a ninguém no rosto, mas dane-se.

* Tom Zé: porque fui no camarim para entrevistá-lo, mas não cedi à tentação e pedi autógrafo nos meus encartes de "Tropicália" e de "Jogos de Armar". Também rolou foto. Cinco minutos inesquecíveis.

* Michael Stipe: já falei da minha relação com o R.E.M. aqui antes, mas esqueci de mencionar que quando eles tocaram "The One I Love" em 2001 no Rio, Stipe desceu para um vão próximo ao público. Corri para ver o careca e acho que fiquei a uns três metros dele. Foram poucos segundos, mas foi um momento incrível de um dia igualmente incrível.

* Will Eisner: porque essa outra lenda não só autografou vários livros meus, como também tirou foto, me concedeu uma entrevista curta que usei na minha conclusão do curso de jornalismo, e porque foi simpático durante todo esse tempo. Um mestre, mas também um cara legal.

Menções honrosas para: Matt Dillon (num bar em Olinda!), Rodrigo Santoro (que não sabia usar internet), Fernando Gonsales (autografou uma tira dele em papel jornal), Patti Smith (também desceu para o povão no show), Rita Lee (quando assisti a um ensaio pro show dela no Cais da Alfândega), Chico Science, Marcelo D2, Fábio Massari, Miranda (todos esses nos primeiros Abril Pro Rock), Raimundos (é, até a eles pedi autógrafo; eu era mais novo, sabe?), Angeli, Débora Fallabela (numa boate aqui em SP), Priscila do BBB9, etc.

E vocês, quais foram seus top 5 de contatos com gente famosa?

quarta-feira, 15 de julho de 2009

O que ando lendo

Além de "Ulisses", estou arriscando ler outras coisinhas. Umas estão em andamento, outras foram lidas, outras na fila.

Começando pelos já lidos. "A Nova Fronteira" é incrível. Tô com preguiça de explicar em detalhes o que é a história, até porque o Universo HQ fez isso muito bem aqui e aqui. Mas pra quem tá com preguiça de clicar, é assim: uma história retrô que mostra os maiores heróis da DC Comics (Super-Homem, Batman, Flash e outros, seu noob!) surgindo e/ou se adequando às mudanças ocorridas no mundo durante os anos 50 - leia-se macarthismo, guerra fria, racismo e outros temas sombrios em meio ao falso otimismo do pós-Segunda Guerra.

O mérito do autor é justamente unificar o passado de nosso universo real ao que estava nos quadrinhos (sim, roubei essa frase do link acima). Fiquei com medo da história ser mais um genérico do super-heróis-na-vida-real, tipo "Watchmen" e "Reino do Amanhã", mas o texto e o roteiro têm personalidade o bastante para não fraquejar diante da comparação com esses. Ele acertadamente optou por deixar a trindade Super-Batman-Maravilha meio que em segundo plano e dar mais valor aos personagens-chave da Era de Prata: Lanterna Verde e Flash. E a arte retrô de Darwyn Cooke (insira seu trocadilho aqui) é muito legal. Sente aí a capa ao lado, por exemplo.

Outro já lido é "Nova York: A Vida na Grande Cidade", de Will Eisner. Quem me conhece sabe o quanto pago pau pra esse cara. E aqui não foi diferente. Eu já tinha lido "O Edifício", que faz parte desta edição, mas dos outros três livros compilados, destaco o primeiro, que dá nome ao livro. São crônicas mudas onde a habilidade do véio para narrar cenas do cotidiano é de uma poesia e ironia incríveis.

Tenho na fila outro de Eisner, "O Complô", sobre os polêmicos Protocolos dos Sábios do Sião, que foram uma farsa criada para espalhar o antissemitismo.

Outro da fila é "Vida de Escritor", de Gay Talese. Se não me engano, é o mais novo dele. Nunca li nada de Talese, mas minhas colegas de trabalho leram outros livros e acharam ótimo, ha hai! Hi hi! Já este livro, segundo o link que coloquei há duas frases, foi meio malhado pela crítica. Vamo ver o que vou achar do velhinho que veio passear em Paraty neste ano.

Pra terminar, já comecei a ler outro em paralelo com "Ulisses". E como só gosto das coisas bem difíceis, fui ler o quê? Nietzsche, ué! "Além do Bem e do Mal" é o tal livro. E pense num sujeito brabo esse tal de Nietzsche. Nas 20 primeiras páginas ele já distribui voadores para todos os filósofos antes dele, chamando-os de hipócritas porque não admitem que suas filosofias são reflexo de seus próprios interesses. E que esse papo de "viver conforme a natureza" é balela; todo mundo quer mesmo é se dar bem, impor suas vontades ao mundo. Sim, estou gostando! Hahaha.

segunda-feira, 6 de julho de 2009

O grande encontro

Estudei e faço jornalismo por causa de uma série de fatores: as revistas que lia na adolescência (a "Bizz" principalmente), a relativa facilidade com a língua portuguesa, a influência direta do meu pai. Mas a escolha pela profissão foi mais um aspecto complicador para algo que "assombra" todo mundo que tem o meu sobrenome: a famosa perguntinha.

Você é parente de Ana Paula Padrão?

O caso é tão sério que virou tema de tópico na comunidade "Sou Padrão" do Orkut. Basta ter o sobrenome para ouvir a pergunta - além, claro, das piadinhas como "você é um padrão de qualidade" e afins. Mas no meu caso, que sou jornalista, a conexão é ainda mais evidente para os leigos. Afinal, a família Padrão não é muito numerosa no Brasil, e ainda mais Padrãos jornalistas. Então não culpo quem pergunta.

Daí não, ainda não sei se sou ou não parente direto de Ana Paula, embora a possibilidade de sermos - na falta de um termo melhor - primos de "enésimo" grau seja grande. Afinal, ser um Padrão não é bem a mesma coisa que ser um Silva ou Rocha, né? Com todo respeito às duas famílias, bom ressaltar.

Na tentativa de descobrir a conexão com a minha prima mais famosa, já mandei até e-mail para o "Jornal da Globo" há alguns anos, quando ela ainda era de lá. Ninguém respondeu, óbvio.

Daí na última quinta-feira, obtive a melhor oportunidade para tirar isso a limpo.

No meu trabalho aparecem pessoas famosas para participarem de sessões de bate-papo com o público. Nesse dia, estava eu trabalhando normalmente quando vi uma mulher morena, pele bem branca, com ar de europeia. Putz, era ela.

Já apareceram lá no trabalho outros famosos de responsa, como Erasmo Carlos e Daniel Azulay, mas nunca me atrevi a ir lá tietar com eles. É o tipo de coisa que jornalista, em tese, não deveria fazer. Mas dessa vez era diferente. Apesar de ter sim uma admiração pela carreira de Ana Paula, fui lá "pegá-la na saída" porque - parafraseando um dos programas da emissora antiga dela - desta vez era um "caso de família".

O diálogo foi mais ou menos assim:

- Ana Paula Padrão, né?
- Sim!
- Acho que somos parentes.
- Ah, você também é Padrão?
- Isso!
- Legal. Não conheço muitos Padrão pelo Brasil, mas uma vez fui a Portugal e conheci vários. Parece que a família vem de lá.
- É, já ouvi falar que o nome veio de Portugal.
- Parece que vem de uma descendência árabe também. Isso aqui seu [ela enquadrou os olhos dela com as mãos], eu já vi muito parecidos em vários Padrão, essa área dos olhos.
- É... mas sou do Recife, o nome é da minha família paterna, que é toda de lá também. Você não conheceu ou tem parente próximo com algum Padrão de lá?
- Não... você nasceu no Recife mesmo?
- Sim... embora boa parte da família paterna tenha se mudado para cá, mas só depois. E muita gente acha que fiz jornalismo por sua causa, mas meu pai é jornalista também.
- Ah, ele também é?
- É, se formou na área.
- Interessante. Mas já conheci outros Padrão por aí. O caso mais curioso foi de uma menina que ainda por cima também se chamava Ana Paula. Ela me contou que uma vez não quiseram aceitar o cheque assinado por ela. O vendedor falou assim: "me desculpe, moça... mas você não é Ana Paula Padrão"!
- Ahahah.
- Pedi até desculpas a ela pelo transtorno que causei involuntariamente.
- Bom, você então realmente não conhece os Padrão do Recife?
- Não... até gostaria, pois adoro o pessoal do Recife. Mas de qualquer forma, devemos ser da mesma família mesmo, pois não é uma família tão grande assim.

Daí trocamos beijinhos de despedida e dei boa sorte a ela lá na Record. Ela devolveu com um "até mais, primo!". Muito simpática.

Cogitei tirar foto do momento, mas estava sem câmera. Mesmo se estivesse com, não sei se teria coragem de tirar a foto. E mesmo se tirasse, não sei se publicaria aqui. Se publicasse, acho que diriam que era Photoshop. Então tanto fez tirar a foto ou não. De qualquer forma, fica aí o registro do memorável encontro.

Se houver uma próxima vez, já vou estar mais íntimo e perguntarei se já disseram que o cabelo dela (que é bonito, bom deixar claro) parece com o de Maga Patalójika.

sexta-feira, 29 de maio de 2009

Ninguém sentiu falta, mas voltei rapidinho

Para dizer o que achei dos finais de seriados que assisto, do caso "Dez na Área" e sei lá mais o quê. Vamulá:

"Lost" - A temporada veio já no embalo de início do fim da série, ou seja, deve ter sido a primeira temporada que se preocupou mais em explicar do que confundir. O que é necessário e louvável para que a série não seguisse o mau exemplo de "Arquivo X". Mas talvez por isso achei a temporada meio chocha, com poucos acontecimentos impactantes e deixando personagens importantes muito separados entre si - o trio Jack, Kate e Sawyer, por exemplo, só se reencontrou praticamente no final. Ainda assim, eles ainda conseguem manter mistérios e ambiguidades pela forma torta que a série conta a história e traz informações novas. Ainda não sei se esse lance sci-fi de viagem no tempo-teoria eletromagnética é o que eu queria como resposta, assim como não gostaria que Jacob fosse algum deus ou coisa do tipo. Mas eu sei que o melhor episódio da temporada, felizmente, foi o final. Tem ação, suspense, informações importantes, acontecimentos que vão mudar tudo, enfim, muito instigado.

"24 Horas" - A sétima temporada foi boa. Ponto. Não foi incrível, nem ruim. Só boa. Ruim mesmo foi aquela sexta temporada, e incríveis mesmo foram a primeira e a quinta. Mas essa sétima foi boa porque teve um bom ritmo, boas cenas de ação, elenco ok. Não foi melhor porque a série está realmente se repetindo. A ameaça geral alterna entre uma bomba ou um gás tóxico; o lance de americanos serem os inimigos já foi usado melhor na quinta temporada; a CTU fechada foi interessante, mas o FBI foi uma CTU wannabe. Tony Almeida voltar dos mortos como vilão/herói/vilão de novo foi bem forçadinho, mas pelo menos criou um adversário à altura de Jack. Falando nele, a doença foi interessante como história, mas comprometeu muito a ação. Chloe foi legal, mas foi mal aproveitada e aquela Janis foi bem dispensável. Gostei de Renee Walker, e gostei muito de Alison Taylor, a nova presidente. Espero que ela continue na temporada que vem.

"Big Bang Theory" - A temporada foi toda muito legal, mas o final foi fraquinho. Não engoli muito a ideia de que eles aceitaram ir ao Pólo Norte com Sheldon sem resistir muito, ainda que por três meses. Ok, eles já viam ele todo dia mesmo, mas isolados no Pólo Norte? Pelo menos deve dar uma mexida boa na dinâmica deles com Penny. Acho que ela começa a temporada que vem com namorado novo. Veremos.

"Ugly Betty" - A morte da esposa de Daniel foi triste, mas era esperada, portanto nenhuma surpresa aí. Também era esperado que aquele romance entre Betty e Matt acabaria de alguma forma, para deixá-la livre no início da temporada. Afinal, protagonista só encontra seu amor pra sempre no final do seriado/filme. A temporada começou mal, com a saída de Rebecca Romjin e Wilhelmina tentando não ser vilã, mas felizmente ela voltou ao rumo do mal na reta final. Fiquei com pena de Marc, mas ele tava merecendo uma má notícia por acobertar tantas maldades da chefe dele. Fiquei satisfeito com o final, mas também nunca tenho muitas expectativas em "Ugly Betty".

Caso "Dez na Área" - Na verdade não preciso dizer muito, pois Marcelo Tas e Xico Sá falaram tudo como eu gostaria de ter dito. Lê lá e deixe de seu preconceito velho com quadrinhos, ok?

Coreia do Norte - Eu quero mais que o mundo exploda rápido, pois ele não tem muito jeito. Ou tem? Agiliza logo os trabalhos, Kim Jong Il! Se não vai explodir, então por favor, dirija-se à prisão perpétua voluntariamente e deixe de fazer seu povo - e o juízo da ONU - sofrer.

quinta-feira, 7 de maio de 2009

Dois textos legais sobre quadrinhos

Em tempos de gripe suína, crise econômica e enchentes, é claro que um assunto como quadrinhos desperta muita indiferença do público comum - o que é compreensível. Ninguém vai ler uma revista doente ou liso.

Só que hoje em dia a visão global sobre os quadrinhos têm evoluído para muito além dos maniqueísmos e clichês como "quadrinho é pra criança" x "quadrinho é uma arte subestimada"; "HQ brasileira é ruim" x "toda HQ americana é idiota e só vende por causa do marketing"; "toda HQ européia é inteligente"; "todo mangá é burro"...

Vamos ser francos. Chega dessa visão de coitadinho. Nunca se viu tanta HQ boa à venda por aí. HQ agora tem estandes privilegiados na Livraria Cultura, com encadernação de luxo. E muita gente com um pingo de juízo sabe que nem todo leitor de quadrinho é nerd queijudo.

MAS... como quase toda a cultura pop atual, os quadrinhos continuam passando por uma sofrida transição provocada por fatores econômicos (crise), culturais (preconceitos de leitores e não leitores) e técnicos (descobrir a função da internet nisso tudo sem cair na pirataria). E quando esse papo cai na realidade brasileira, tudo fica ainda mais obtuso.

(ATUALIZAÇÃO: esqueci de mencionar a já conhecida crise criativa dos quadrinhos nos últimos anos, principalmente os de super-heróis. Mas se até a Mônica virou mangá, a coisa está ficando mais séria)

Esses dois textos me chamaram a atenção porque fogem da discussão viciada sobre o assunto. Este, do Universo HQ, propõe um "Dogma" semelhante àquele dos cineastas dinamarqueses.

Gostei particularmente deste tópico:

O apego ao mundo material, na forma do colecionismo obcecado, tem causado grande mal aos quadrinhos e precisa ser desestimulado. Bons quadrinhos devem circular. Empreste-os ou, preferencialmente, doe-os para que outros possam lê-los.

Talvez não dê em nada, mas fica aí a provocação.

Já este texto é uma tentativa de entender porque o mercado dos EUA tem resistência aos escritores brasileiros de HQ - isso é, tem mesmo? A meu ver, há preconceito sim, mas que vem sendo amenizado.

Quem sabe um dia, com muuuuita insistência, talento e sorte, apareça um Alan Moore brasileiro? Ou pelo menos um Grant Morrison...

domingo, 29 de março de 2009

"Reinventando" e "Desenhando Quadrinhos", de Scott McCloud


Ganhei de Natal os livros "Reinventando os Quadrinhos" e "Desenhando Quadrinhos", ambos de Scott McCloud. São as partes 2 e 3 de uma trilogia de McCloud de livros sobre quadrinhos (dã) cujo conteúdo também é apresentado em HQ. O próprio autor é o personagem principal, explicando tudo para o leitor de forma bastante didática.

Eu já tinha a parte 1, "Desvendando os Quadrinhos", que acho um dos melhores livros sobre o assunto. Nesse primeiro, a abordagem era explicar a linguagem do meio, com uma análise sobre a comunicação visual, artística e verbal do mesmo. Por ser também em formato HQ, a grande sacada de McCloud era a metalinguagem e a já falada didática, que atrai facilmente tanto leigos quanto iniciados.

No "Reinventando", o foco é trazer um debate atualizado (na época em que foi escrito, 2000) sobre a importância dos quadrinhos no mundo e sugerir doze zonas de expansão para o meio nos próximos anos: os quadrinhos como literatura; como arte pictórica; questões sobre os direitos dos criadores; inovação mercadológica; percepção do público; combate ao escrutínio institucional; equilíbrio dos sexos; representação das minorias; diversidade de gêneros; produção digital; difusão digital e a evolução das HQs para um ambiente digital.

Dito isso, o ponto negativo é que a metalinguagem presente no "Desvendando" se perdeu um pouco no "Reinventando", pois o conteúdo deste segundo livro não dependia tanto de que um "livro em HQ" o apresentasse. Outro ponto "negativo" é que é um livro muito calcado no período em que foi escrito, e tende a ficar datado nos próximos anos, principalmente nos pontos sobre internet.

O positivo, porém, é que McCloud percebe essa falha e tenta enfatizar o tempo todo que várias de suas (quase todas excelentes) propostas já estavam engatinhando quando ele escreveu. Já outras, infelizmente, não saíram do papel até hoje, o que torna o livro ainda bem atual, pelo menos até o momento. Além disso, sua pesquisa foi precisa o bastante para tentar se antecipar às tendências que se confirmaram, como a melhoria na definicão dos monitores de computador - fator fundamental para o sucesso das HQs online.

Já no "Desenhando", a metalinguagem volta a ter destaque, pois o livro se propõe a ser uma mega-aula de produção de quadrinhos. Ele dá pouco destaque a questões de aprendizagem do traço, pois alega que existem muitos bons livros por aí sobre o assunto - e de fato, esse foco exige livros muito específicos, o que não era o caso. Ele opta por aprofundar conceitos levantados lá no "Desvendando" e mostrar como o quadrinista pode pô-los em prática de acordo com seus interesses particulares como artista.

No "Desenhando", ele não tenta ditar regra de como fazer o melhor traço ou o melhor roteiro. Ele mostra as alternativas e traz uma série de exercícios para que o cabra liberte a criatividade e seja encorajado a produzir o tipo de quadrinho que mais lhe apetece, sem se prender (necessariamente) às fórmulas prontas. Trocando em miúdos, é um livro que não dá o peixe pronto, mas ensina a pescar.

Ótimos livros, recomendo, troféu joinha para ambos. Particularmente gostei mais do "Desenhando", mas o "Reinventando" é fudamental para entender porque raios ainda é tão difícil tirar o meio HQ do armário.

P.S.: conteúdo deste post parcialmente filado do Universo HQ.

segunda-feira, 16 de março de 2009

Não têm respeito, nhá nhá


Bom, agora que o filme de "Watchmen" estreou, o nome de Alan Moore entra para a lista daqueles sujeitos que deixam de ser uma referência apenas em seu "campo" (salve, Bourdieu!) e se tornam ícones da cultura popular como um todo.

Eu uso agora o exemplo do "meu tio" - entidade genérica que significa uma pessoa de cultura relativamente limitada e com pouco interesse em ampliá-la para além do conhecimento trazido a ele pelo "Jornal Nacional" e "Fantástico".

"Meu tio" provavelmente não sabe quem é Ian Curtis ou Thurston Moore, mas "sabe" quem é John Lennon - "aquele cara dos Beatles" - e Pavarotti - "aquele que cantava ópera". "Meu tio" não sabe quem é Will Eisner, mas sabe quem é Maurício de Sousa, aquele que desenha (cof) a turma da Mônica.

E é possível que "meu tio" agora saiba quem é Alan Moore, se ele leu alguma coisa dos jornais recentes sobre o filme de "Watchmen". Sim, porque o barbudo mandou tirar o nome dele dos créditos do filme porque odeia Hollywood e o que Hollywood fez com os outros personagens que ele criou.

O problema é que, quando a pessoa sai do campo para se tornar mais popular, começam a falar algumas bobagens.

Álvaro Pereira Júnior citou um jornalista aí dos EUA que "tirou muito sarro das pretensões 'literárias' e 'eruditas' de Moore". E APJ parece concordar um pouco com o cara, apesar de supostamente ser fã da HQ.

Outro crítico que respeito até, Ricardo Calil, disse em tom de brincadeira (mas com um fundo de verdade) que "certas platitudes do Dr. Manhattan e algumas frases de efeito de Rorschach são literatura barata".

Eu até entendo o que eles querem dizer. A tal da pretensão é uma faca de dois gumes. De um lado, quando vai no tom certo, pode resultar em algo muito incrível e inovador, mas quando erra-se a mão, vira alvo fácil de chacota. Só que essas pessoas esquecem que "Watchmen", como qualquer manifestação com pretensões artísticas, é fruto de seu tempo.

Em 1986, "Watchmen" foi uma história produzida e planejada para valorizar o meio quadrinhos, tanto em forma quanto em conteúdo, quando estes permaneciam desacreditados frente ao povão. Hoje em dia, depois de todo mundo ter se acostumado a filmes "sérios" de super-heróis, como "X-Men", "Hulk" (o de Ang Lee) e "Batman - Cavaleiro das Trevas", é fácil falar que "Watchmen" ficou datado. Queria ver vocês dizerem isso lá em 86, quando a parada saiu e virou uma coqueluche. E mais: qual HQ conseguiu chegar até agora, em 2009, ainda relevante, mesmo "datada"?

Subestimar Alan Moore como um todo por causa de uma ou outra frase de efeito de Rorschach ou por seus posicionamentos políticos de universitário - e por algo que foi escrito há mais de 20 anos - é o equivalente a dizer que os plots de Shakespeare e Machado de Assis caducaram porque estes escreviam diálogos com muitos floreios para os dias de hoje. Queria saber se esse mesmo pessoal pensaria isso desses dois cânones, ou se tudo se resume a separar os primos ricos (teatro e literatura) do pobre (HQ).

P.S: Não vi o filme ainda. Depois que eu vê-lo, devo continuar o assunto por aqui.

quinta-feira, 25 de setembro de 2008

Links interessantes

Na falta de assunto, vamos dar uma volta no que rola de legal.

* What the Movie - o site mostra uma imagem de um filme - geralmente é um frame de uma cena bem banal - e cabe a você adivinhar o filme (escrevendo o nome original em inglês).

* Cubee Craft - se você é um nerd que não pode comprar bonequinhos pra enfeitar a estante porque é liso, não precisa mais recorrer apenas ao McLanche Feliz: esse site ensina a fazer bonequinhos de papel; baixe a imagem, imprima, recorte e encaixe. Simples assim. E o melhor é que os bonecos ficam bem estilosos. Dica do Melhores do Mundo (link ao lado direito deste blog).

* Chasing the Frog - site que agrega as melhores camisetas nerds à venda na internet. As estampas variam do mais sóbrio, como o logo do Superman (se é que se pode chamar de sóbria uma camiseta nerd) até as frases com piadinhas internas de fãs - nesse sentido, as de Lost e Ugly Betty são incríveis.

* Japanese Pac-Man e Human Tetris.

Genial demais. Sem mais palavras. Ver vídeos abaixo:



quinta-feira, 31 de julho de 2008

E o futuro dos heróis no cinema?

Enquanto isso, nota-se aqui e ali uma preocupação de alguns diretores em relação à saturação dos super-heróis, numa tentativa de torná-los mais “sérios”. O Batman realista de Christopher Nolan já surtiu efeitos _nota-se a indignação de vários críticos, que analisam e atacam o filme sob um prisma político. O mais simbólico dessa movimentação toda ainda está por vir.

Prometo que não falo mais no assunto pelos próximos meses. Mas esse texto traz questões interessantes que não deveriam ser ignoradas.

Sobre marketing e morcegos

Não tenho nada contra publicidade, mas me parece que estamos vivendo sob uma indústria cultural cada vez mais meta-meta-meta-publicitária. Há uns 20 anos, um filme só tinha como publicidade um trailer no cinema, um cartaz, stills (fotos do filme na bilheteria) e só. Quando muito, um comercial de TV e um outdoor.

Agora são uns 15 teasers, 18 cartazes e 20 trailers, site oficial, DVD com animações com prelúdio ao filme, videogame, no mínimo uns cinco sites virais, todas as cenas do filme recortadas em pequenos vídeos no Youtube, 200 fotos em alta resolução, wallpapers. Fora as milhares de notícias por dia. Hoje se faz até notícia para divulgar onde e quando sai o trailer. Este ainda por cima virou motivo para se gabar de exclusividade. Parece que assistir ao trailer hoje é mais legal do que assistir ao filme. Ah, e toda essa divulgação acontece uns três anos antes da estréia do filme de fato.

Acho que Batman - O Cavaleiro das Trevas é um estudo de caso bem oportuno nesse sentido. Tudo bem, desde 1977 com o primeiro Star Wars que o marketing virou o braço direito dos blockbusters, mas acho que com essa produção o hype ganhou a sua proporção mais assustadora. Por mais méritos que o filme em si tenha - e são muitos méritos - ele praticamente sumiu diante do furacão midiático. Não fomos assistir a mais um filme legal de fim de semana, e sim o "filme do ano", o "último filme de Heath Ledger" (a tal da fascinação/medo da morte atacando de novo?), a "adaptação de quadrinhos mais realista" e qualquer outro clichê dos últimos três anos de campanha.

O que me deixou mais desconcertado é que, acostumado que sou com a crítica de cinema em analisar as adaptações de quadrinhos como quem disseca uma mosca no microscópio, notei que praticamente todas as primeiras críticas ao filme se tornaram mais um braço da campanha pró-TDK. Ok, acho perfeitamente possível um crítico ter gostado mesmo do filme, mas não era apenas isso: muitos textos traziam em peso os mesmos chavões da campanha! Pareceu que, ou se deixaram contaminar naturalmente pelo hype, ou pode até ter rolado um lobby de verdade mesmo.

E eu, masoquistamente falando, fiquei à espera de alguém que NÃO tenha gostado do filme - ou pelo menos que tivesse achado apenas um filme normal - desde que tivesse bons argumentos. Daí achei esses dois textos de Kleber Mendonça Filho e Fernando Vasconcelos. O de KMF, principalmente, me chamou a atenção porque, assim como esse post, tem a mesmo preocupação com a cada vez maior ausência de fronteira entre publicidade, meta-publicidade, ficção e buzz que é o novo Bátima.

Eu me chateio com uma tendência natural de parte da crítica e do público que é ironizar/desdenhar de blockbusters e hipervalorizar cinema "adulto/de arte". Não sou pago pelos grandes estúdios. Eu só acho que cinema é algo maior do que esse tipo de maniqueísmo, ora como algo carregado de subjetivos critérios pessoais, ora sendo preconceito mesmo. Robocop é um filme tão bom quanto A Noite Americana. Arca Russa é um filme tão ruim quanto Batman & Robin. Também não gosto do fato de muitos críticos com formação tradicional de cinema serem leigos em outras mídias, ficando assim a dever no arcabouço (gostou dessa palavra? bonita, hein?) de referências para julgar adaptações do cinema a essas outras mídias. Daí você tem que engolir o papo que o capuz do Dr. Destino (personagem criado nos anos 60) é "plágio" daquele usado por Darth Sidious em Star Wars nos anos 80/90/2000. Porém, pior que tudo isso é você abrir o browser e ler em todo e qualquer portal que o filme novo do Batman é perfeito e o melhor da história. Conviver com vozes dissonantes nos deixa menos tapados.

O que eu achei do filme? Bom pra cacete, sim. Atuações impecáveis (até do morto Ledger), sim. Ação fantástica, sim. Mas um pouco maior, com roteiro mais firulento e mais pretensioso do que deveria. Pra mim a abordagem do diretor e da Warner está corretíssima; o Batman dos novos tempos tem que ser exatamente assim. Mas dá pra dosar mais o marketing da próxima vez pra eu não cansar do filme antes mesmo de assisti-lo, tio?

domingo, 27 de julho de 2008

Adaptação do mal



Não faço a linha xiita dos fãs de Watchmen, mas o fato é que não gostei do trailer.

Ah, roubado daqui. Como ele mesmo disse: essa imagem já é melhor do que o filme vai ser.