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sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

RIP Alborghetti



Um dos comunicadores mais FDP do país, no pior sentido do termo "FDP". Era tão desgraçado, mas tão desgraçado, que virou folclore. Se assistido sem levar a sério, virava um excelente comediante involuntário. Esse foi ao inferno com todas as honrarias.

Merece menção também a já clássica "crítica" dele ao filme "300". Não acerta um nome de personagem e politiza o filme de um jeito tão cara-de-pau que nem a "Veja" ousaria. Aí embaixo.

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

São Paulo cinza e verde


Olho para essa vista toda vez que almoço. Reparem ao lado esquerdo que há um horizonte de prédios (o centro) sobre um mar de verde (Jardins).

Uma vez as pessoas se surpreenderam com a definição de David Lloyd para São Paulo: de que "há muito cinza e verde" na cidade. E pô, olhando por esse ângulo, será que ele não tinha razão?

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

AC/DC Backtracks, uma caixa que relamente funciona



É, ainda não superei o fato de não ter conseguido assistir ao show do AC/DC. No dia seguinte ao show, fiz um passeio pela Galeria do Rock; pra quê?, pois absolutamente tudo me lembrava a banda. As pessoas vestidas com as camisetas pretas, as capas dos discos nas vitrines, as músicas rolando nas lojas.

Mas tergiverso. O post é sobre essa caixa do AC/DC, "Backtracks", que já saiu faz um tempo, mas só lendo este post do Brainstorm 9 é que fui saber que a caixa não tem apenas o formato de amplificador. Ela É um amp de um watt de potência. Pode ver no vídeo acima, com o próprio Angus Young mostrando o brinquedo em ação.

Ela também traz três CDs, um vinil e outros brebotes. O site oficial da caixa é este aqui. Segundo o tal site, o troço custa US$ 437, ou R$ 772.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

RIP Lombardi: Oi, Silvio... perfeitamente, patrão... confira agora o resultado parcial da Tele Sena de Dia das Mããães, etc.


Pois é, pessoal. Como já disseram Twitter afora, a morte dele pouco depois da de Herbert Richers fez calar pessoas importantes da nossa geração, que cresceu alimentada pela efervescente TV brasileira dos anos 80. Vai fazer falta, com certeza.

O mais louco é que passamos anos tentando adivinhar a aparência de Lombardi, mas não é que o dito cujo lançou um site próprio cheio de fotos suas e quase ninguém sabia disso? A dica veio de Alexandre "Trabalho Sujo" Matias.

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Top 10 soropositivos talentosos


No Dia Mundial de Combate à AIDS, fui puxar pela memória os dez caras que contraíram a doença que tiveram alguma influência sobre mim. São eles:

Betinho - sociólogo e ativista de primeira, daqueles que hoje fazem muita falta neste apático Brasil.

Henfil - talentosíssimo quadrinista e cartunista de traço simples e discurso direto sem perder a graça. O rei de uma geração do traço brasileiro.

Freddie Mercury - um dos maiores cantores da história do rock. Precisa dizer mais?

Michel Foucault - sociológo, filósofo e todo tipo de "logos" que imaginar, foi um pensador afiado que mostrou como o discurso e as instituições podem ser armas para o bem ou para o mal.

Keith Haring - artista de rua novaiorquino cujos bonequinhos se tornaram símbolo contemporâneo da cidade.

Ricky Wilson - guitarrista do B-52's que morreu no auge criativo da banda. O estilo seco e simples de tocar fez escola.

Magic Johnson - o segundo melhor jogador de basquete da história (Michael Jordan em primeiro, sim). Felizmente continua entre nós e é o exemplo máximo da esperança de sobrevida dos soropositivos.

Cazuza - não gosto de 90% dos arranjos de suas músicas por serem muito datados. Era melhor letrista que cantor. Mas só por ter cometido o "Ideologia", um disco marcante do rock brasileiro, merece a menção.

Renato Russo - apesar de ter sido responsável pela "praga Legião Urbana" que acomete qualquer rodinha de jovens munidos de um violão, era um bom compositor na maioria das vezes, quando não se rendia à pieguice.

Zacarias - na verdade, nunca foi comprovado se ele morreu de AIDS, mas o fato de ter morrido repentinamente de uma infecção derivada de um enfraquecimento imunológico sugere muita coisa. Sobre ele, a risadinha e as caretas eram coisa de gênio. Os Trapalhões morreram com ele.

Uma lista mais completa está com a tia Wikipedia, aqui.

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Coletâneas perfeitas: AC/DC


Como diria Ozzy Osbourne: "Rock n' rooooooooolll!!" Hoje tem show do AC/DC em São Paulo e eu NÃO VOU!! Dammit! Mimimi à parte, aproveitemos o gancho para apresentar as 20 músicas definitivas da melhor banda australiana do mundo todo... inclusive da Austrália.

* It's a Long Way To The Top (If You Wanna Rock 'n' Roll)
* T.N.T.
* High Voltage
* Jailbreak
* Dirty Deeds Done Dirt Cheap
* Ride On
* Let There Be Rock
* Whole Lotta Rosie
* Highway To Hell
* Rock 'N' Roll Damnation
* Gone Shootin'
* Back In Black
* Hells Bells
* Shoot To Thrill
* For Those About To Rock
* You Shook Me All Night Long
* Who Made Who
* Thunderstruck
* Big Gun
* Rock n' Roll Train

Qualquer fã do AC/DC sabe bem quais são os maiores sucessos da banda e estão todos aí, inclusive "Back In Black", que de uns tempos para cá virou queridinha dos caras que fazem as trilhas sonoras de filmes e propagandas. Mas na lista acima tem umas músicas menos badaladas que gosto muito, como o blues "Ride On" e a amena "Gone Shootin'". Também dei espaço para a divertida "Big Gun", da trilha do filme "O Último Grande Herói".

Peguei músicas de todas as fases simplesmente porque o AC/DC não tem fase ruim. Prova disso é que o hit mais novo, "Rock n' Roll Train", marcou presença.

Por causa de Angus Young, eu e milhões de fãs pelo mundo aprenderam a amar a Gibson SG. O AC/DC é uma daquelas instituições do rock que defendem muito bem sua importância histórica até hoje, com quase quarenta anos nas costas. Para quem vai ao show, aproveitem, pois deve ser um momento único. Angus e companhia, we salute you!

terça-feira, 10 de novembro de 2009

This Is It


Ou "Dizizit", como gosto de falar, cumpre a função de "ponto final digno" da carreira do maior popstar da história. Há que se considerar a edição muito boa e o efeito "santificador" que o falecido ganhou, mas o filme passa uma impressão forte de que os shows - os primeiros shows, pelo menos - fariam história.

As inovações criadas, os bailarinos competentíssimos, os vídeos de muito bom gosto, a banda que executa os arranjos originais com perfeição (destaco a guitarrista loirinha, muito bonito)... e tem Michael, claro. Que não estava no auge da forma, mas tinha aquele comportamento de craque em fim de carreira: compensa a falta de vigor com o uso econômico porém preciso do corpo - tática que a experiência ensina muito bem.

Vale a pena ver, sim. No cinema, de preferência. É pra sair da sala comentando cada detalhes da produção e saindo de moonwalk.

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Coletâneas perfeitas: Sonic Youth


O Sonic Youth é uma daquelas bandas que acabam sendo parte de sua história de vida. Conheci pessoas legais só porque tinham em comum comigo o fato de gostarem da banda, de ficarem esperando o dia inteiro ligados na MTV para assistir aos clipes e especiais.

Em 2000, tive nas mãos uma grande chance de vê-los ao vivo. Sabia que estavam vindo ao Brasil para o Free Jazz Festival, e eu tinha a grana guardada, mas também sabia que o R.E.M. viria para o Rio alguns meses depois. Tive que optar dolorosamente pela segunda opção, pois não tinha dinheiro para ver os dois.

Li por aí que o show que estão preparando para o Planeta Terra está bem focado no último disco, "The Eternal". O disco é bom, ainda bem, mas vai ser uma pena se deixarem de tocar alguns dos clássicos que fizeram parte da minha vida - ver lista abaixo.

* Tom Violence
* Schizophrenia
* Stereo Sanctity
* Teenage Riot
* Silver Rocket
* Cross The Breeze
* Candle
* Dirty Boots
* Tunic (Song For Karen)
* Kool Thing
* Mildred Pierce
* 100%
* Drunken Butterfly
* Youth Against Fascism
* Sugar Kane
* Bull In The Heather
* Starfield Road
* Little Trouble Girl
* Reena
* The Empty Page

Considerações:

* Tem músicas demais do "Daydream Nation", "Goo" e "Dirty" simplesmente porque são os melhores discos deles, na minha humilde opinião. Eu poria até mais músicas, mas seria sacanagem demais com os outros discos.

* É uma seleção bem voltada para a faceta rock da banda. O Sonic Youth faz aquelas músicas incríveis cheias de camadas de guitarras, capazes de expressar tensão, amor, angústia, raiva, etc. Gosto em maior ou menor grau de boa parte que a banda fez, mas eu dei um tempo naquela fase mais "progressiva" do "Washing Machine" ao "Sonic Nurse" - achei esse período meio chatinho - até retornarem ao rock em "Rather Ripped".

* Mereciam menção honrosa as covers deles de "Superstar" do Carpenters e de "Into The Groove" de Madonna, com o projeto Ciccone Youth.

Agora, rumo ao show!

Foto: BlogTO

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Flaming Lips e Air novos

O disco novo do Flaming Lips se chama "Embryonic" e me parece bem mais progressivo que a média recente da banda. Ainda estou digerindo. Posso dizer que os arranjos estão muito bons, mas eu esperava algo menos cabeçóide.

"Convinced of The Hex" é a primeira faixa.



Já o Air lançou "Love 2", e esse aqui foi na expectativa inversa. O Air continua muito bom no que faz, mas está caindo na fórmula. Disco bom, mas é mais do mesmo.

A abertura do disco é "Do The Joy".

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

O que é antropologia estruturalista?

"Lévi-Strauss procura as estruturas que em seu grau de generalização liberem-nos da multiplicidade empírica dos dados, pois os modelos são o objeto próprio das análises estruturais".

Não entendeu nada? É assim mesmo, depois piora.

Mas digamos que seja algo como: vivemos em um mundo de estruturas. O estudioso estruturalista tenta desvendar essas profundas estruturas pelas quais o significado é produzido e reproduzido em uma cultura, como na família, na língua, no comportamento social, etc.

Lévi-Strauss, o pai dessa brincadeira, morreu ontem aos 100 anos. Sei pouco da obra dele, mas sei que se não fosse pelo estruturalismo, praticamente fundado por ele, não existiriam Stuart Hall e Pierre Bourdieu, duas grandes influências pro meu mestrado.

Vou mandar então um salve lá pro Lévi-Strauss lá da Xurupita e da pizzaria Flor do Sol!


"Paaaa, paaa.... pooo, poooo..."

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Vou mandar um salve


Na matéria mais longa e mais "séria" que já vi no "Pânico", no último domingo, eles narraram a biografia de Zina, abordaram o caso envolvendo a prisão, o vício de cocaína e a esquizofrenia do ex-guardador de carros que fala "Ronaldo!" e ainda apuraram detalhes sobre o combate às drogas em São Paulo e no Brasil. Tá aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.

Tirando toda a perfumaria e apelação melodramática, o que ficou foi: 1) eles afirmaram não saber, até então, que Zina usava drogas; 2) o cara prometeu se livrar do vício (mas não parecia muito interessado nisso); 3) criticaram a postura da imprensa sobre o caso, reforçando o caráter humilde de Zina e frases feitas como "ninguém sabe o que ele viveu".

Sobre isso, francamente, duvido muito que eles desconhecessem esses problemas de Zina. Estão lado a lado com o cara - e com a família dele - há meses. Bastava olhar para ele nas reportagens. Ele nunca pareceu um cara que batia bem da cabeça. Dias antes da prisão, rolou até um vídeo no Youtube de Zina supostamente cheirando coca em um ônibus, mas que saiu do ar pouco depois.

Além disso, o programa não abordou o processo movido por Zina - e que foi arquivado - por usarem a imagem dele como chacota e para ganhar dinheiro com camisetas.

Isso é que pega no "Pânico". Os caras são engraçados, e sim, rio muito com Zina, que é uma figura. Mas quando o bicho pega, eles apagam o incêndio sem esclarecer direito os fatos. Até acho que eles querem mesmo ajudar o cara a se recuperar. Mas fica a impressão nítida que isso só aconteceu por causa da prisão. Se não, até hoje Zina seria o mascote engraçado com um lado negro escondido nos bastidores.

Mais sobre isso neste post de Rosana Hermann.

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Coletâneas perfeitas: Iggy Pop & The Stooges


Segunda coletânea da série especial do Planeta Terra 2009. Desta vez com o pai do protopunk, James Newell Osterberg, Jr, mais conhecido como a "lombriga véia" chamada Iggy Pop. Seguem as músicas e os comentários:

- 1969
- No Fun
- I Wanna Be Your Dog
- Gimme Danger
- Fun House
- T.V. Eye
- Raw Power
- Search and Destroy
- Your Pretty Face Is Going To Hell
- Dum Dum Boys
- China Girl
- Nightclubbing
- I'm Sick Of You
- The Passenger
- Lust For Life
- I'm Bored
- Kill City
- Real Wild Child
- Candy
- Wild America

* Sim, pus The Stooges e a carreira solo de Iggy na mesma panela. Não consigo dissociar.

* Ao contrário de outras coletâneas que fiz, tive mais dificuldade de achar as 20 músicas porque não conheço a fundo a obra do cara. Algumas aí conheço há anos, outras decobri enquanto fiz este post. Foi bom porque estarei mais sintonizado com o show do dia 7 de novembro.



* O mais legal é constatar que Iggy não é feito só de proto-punk. "Candy", "The Passenger" e "Gimme Danger" são ótimos exemplos da sensibilidade do cara para boas músicas, sem se prender a gêneros pré-fabricados.

E na semana que vem... Sonic Youth!

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Não ganhou Oscar, então tá atrás do Pulitzer

Tudo bem que essa notícia é mais velha que Fernanda Montenegro, no alto de seus 80 anos, mas como é sobre a dita cuja, acho que vale citar para quem não ficou sabendo.

Na semana retrasada, Fernandona foi convidada pelo "O Globo" para editar o Segundo Caderno por um dia. Segundo consta, ela participou da reunião de pauta, derrubando algumas e sugerindo outras, como uma "entrevista-conversa" com sua amiga octagenária, Nathália Timberg.

Li o tal caderno e o resultado foi muito bom. Difícil saber o quanto Fernanda editou na vera ou foi ajudada pelo editor oficial, Artur Xexéo, mas sei que gostei muito das notícias dos 100 anos do decadente cinema Íris, do Rio, e das primeiras novidades sobre "Tropa de Elite 2". Mas o melhor foi mesmo o belo texto de Cláudio Torres sobre sua mami.

Confira também uma reportagem em vídeo da minha amiga Erika Azevedo sobre o dia de editora de dona Arlete.

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Entrevista: Érico Borgo


Um dos criadores do Omelete e co-autor do recém-lançado "Almanaque de Cinema", Érico Borgo, concedeu uma mini-entrevista exclusiva para o blog, via e-mail, sobre a publicação.

Segundo sua própria bio no Omelete, Érico é designer gráfico e trabalha com internet desde 1997. Além do site pop, cuida do sites da gravadora EMI, Panini Comics, Mythos Editora e Arsenal Music. Foi em um reencontro com seu colega de escola, Marcelo Forlani, que ele decidiu abrir o site que é a alegria de mais de 1 milhão de nerds inernautas Brasil afora.

Seguem abaixo as econômicas, porém precisas, respostas desse "nerd que deu certo".

MPadrão: Quando e como surgiu a iniciativa de produzir o almanaque?

EB: Há dois anos, por iniciativa da própria Ediouro.

MPadrão: Quais são os maiores diferenciais do almanaque em relação às demais publicações sobre cinema?

EB: Não pensamos em termos de diferenciais, mas em ampliar uma coleção existente - a de Almanaques da Ediouro dentro de um tema que dominamos.

MPadrão: O Omelete ficou conhecido pelo lema "entretenimento levado a sério" e um teor voltado à cultura pop. Esse direcionamento do site se refletiu no conteúdo do almanaque? Por exemplo, vocês privilegiaram filmes e cineastas mais "nerds"?

EB: Não. O site é o site, o Almanaque foi criado dentro da proposta da série de livros. Os cineastas e filmes retratados ali são todos elencados de acordo com sua relevância para a Sétima Arte.

MPadrão: Como foi a produção? Foi difícil trabalhar no almanaque enquanto tocava a produção do site?

EB: Não misturamos as coisas. O livro foi escrito fora do horário comercial.

MPadrão: Fui no lançamento e me parece que a aceitação foi muito boa. Existem planos para vocês lançarem outros "almanaques pop"?

EB: Existem planos, mas nada concreto.

MPadrão: Para você, quais foram as maiores conquistas do Omelete [o site] até então?

EB: Manter-se independente e no ar depois de uma década é nossa maior conquista até hoje, além da nossa base de leitores.

MPadrão: E o feedback do OmeleTV? O videocast tem sido bastante elogiado pelos internautas? Existem planos de vocês migrarem o programa para a TV aberta ou por assinatura?

EB: Já tivemos algumas propostas, mas nada que nos motivou a migrar.

Foto: Fábio Yabu

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Watchmen, o filme, a bronca

Ninguém pediu, ninguém quis saber, mas como sou homem de cumprir minha palavra, aí vai a segunda parte da minha análise (cof!) sobre o filme de "Watchmen" (a primeira parte aqui).

Atenção: vai ter spoiler adoidado daí pro fim do post; não faz sentido ficar avisando os trechos, como geralmente faço.

Antes do filme, acompanhei notícias sobre o dito cujo e acabei esbarrando em alguns spoilers - que na verdade, não sei se dava para chamar dessa forma, visto que se tratava da adaptação de uma HQ de 1985 que eu li e reli algumas vezes.

Tergiversações à parte, o spoiler que mais me chamou a atenção foi o final do filme, que troca o alien gerado por Ozymandias por bombas que emulam o poder do Dr. Manhattan, colocando nele a culpa pelo genocídio. A partir daí, já havia ficado cabreiro, e - depois eu iria comprovar - com razão.

Pode parecer detalhe para os leigos, mas este foi o cerne da enorme diferença qualitativa entre a HQ e o filme. Como bem lembrou Hell do Melhores do Mundo, a função do alien na obra original de Alan Moore era fazer as nações se unirem para se protegerem daquela nova ameaça devastadora, que por não ser da Terra estava além das picuinhas políticas da então Guerra Fria.

Já no filme a farsa de Ozymandias coloca o Dr. Manhattan como bode expiatório, que até então era a arma suprema dos Estados Unidos e um dos maiores elementos de tensão da Guerra Fria. Oras, a União Soviética ia mesmo deixar isso barato e entrar nessa de paz mundial?

Quando o diretor Zack Snyder faz essa pequena mudança, alegando em entrevistas que assim tornou o final mais "elegante", ele forçou uma falha de roteiro em um momento crucial da obra, criando um total desvio de significado. Em suma, ele estragou "Watchmen" sim.

E não adianta dizer que, seguindo essa lógica, a URSS entenderia que um Dr. Manhattan raivoso seria algo preocupante para todo o mundo, não apenas aos Estados Unidos. Mesmo que assim fosse, essa deveria ser uma decisão do criador da obra, não do "adaptador".

O filme traz ainda outros problemas de menor proporção, mas um tanto chatinhos se somados. Mesmo com duas horas e meia, era evidente que a produção não daria conta de englobar todos os detalhes da minissérie em 12 partes. Cada capítulo, a meu ver, já daria um longa-metragem cheio de informações que deixariam "Cidadão Kane" parecendo os filmes da Xuxa.

Daí o filme perde subtramas que, de fato, não são tão cruciais ao plot principal, mas que faziam toda a diferença no conjunto da obra. Não vemos Rorschach quebrando dedos no bar, nem os Contos do Cargueiro Negro (que ganharam um DVD à parte para furtar nerds ricos), nem a morte de Hollis Mason, nem as histórias paralelas dos novaiorquinos comuns que seriam mortos pela bomba. A revelação do rosto de Rorschach nem faz sentido na hora em que acontece. Tudo isso só para ficar na análise superficial.

Ok, até aqui, "Watchmen" vacilou feio como adaptação. Mas serve como um filme à parte, principalmente para os novatos? Assisti com minha esposa e ela disse ter entendido tudo e gostado da história. Soube de outras pessoas que disseram o mesmo.

Já eu me incomodei um pouco com as atuações apagadas de Malin Akerman como Espectral e principalmente Matthew Goode como Ozymandias, que tirou todo o ar imponente do personagem, pondo no lugar um ar efeminado e de olhar blasé. Além disso, o eterno tique "câmera lenta x acelerada" de Zack Snyder, o uniforme cafona de Ozymandias e os filtros de cor deixaram o filme inteiro com um rótulo boboca "olha, sou baseado em quadrinhos!".

Outro momento bastante vergonhoso foi após a morte de Rorschach, com direito a "nooooo" e soquinhos no vilão. Glória Perez não faria melhor.

Agora, se você gostou do filme e alcançou a proeza de chegar até aqui no texto, parabéns. Agora vou falar das qualidades da produção.

Gostei principalmente da bem cuidada produção no tangente aos cenários, as reconstituições de época e os uniformes dos demais vigilantes. Nestes aspectos, sim, a fidelidade à HQ é impressionante e até carinhosa, no sentido übernerd de ser.

Acentuaram a violência. Não vi problema, visto que no original os momentos violentos tinham a mesma função que tiveram na adaptação: pegar o leitor/espectador pelo choque. Mas 1985 é diferente de 2009: tempos mais cruéis, cenas mais cruéis.

A trilha sonora está bem representada. Li por aí críticas ao uso da "Cavalgada das Valquírias" nas cenas do Vietnã, que lembrava "Apocalypse Now" e tal. Até entendo, mas na hora que assisti, não vi problema algum. A abertura com "The Times They Are A-Changin'" (Dylan) ficou muito legal, assim como "The Sound of Silence" (Simon & Garfunkel) no enterro. Sò senti falta de “The Comedians”, de Elvis Costello, citada no início da HQ.

O ponto alto, no entanto, foram as atuações de Jackie Earle Haley como Rorschach e Jeffrey Dean Morgan como Comediante. Os atores captaram muito bem as nuances dos personagens; e Rorschach, até onde sei, se tornou o favorito do público. A patroa até lamentou a morte dele. A semelhança física também é notável - outro ponto positivo na escolha do elenco, excetuando, claro, o citado Matthew Goode, que pegou o papel que nasceu para ser de Jude Law.

"Watchmen" é isso aí. Filme-espetáculo acima da média para leigos, mas um grande WTF aos Mooremaníacos. Pensando positivamente, é bom lembrarmos que poderia ser bem pior. Pelo menos não resultou em algo do naipe de "A Liga Extraordinária" ou "Do Inferno". Imaginem... sei lá, Dr. Manhattan verde e de roupa, Tom Cruise como Comediante, Michael Bay ou Joel Schumacher na direção...

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Prelúdio a Watchmen, ou Sobre Adaptações

Tudo que envolve "Watchmen" é complicado e por isso eu não poderia descumprir a regra. Daí vou comentar o filme em dois posts, para (tentar) não ficar calhamaço demais.

Adaptar uma obra para outra mídia é um lance difícil. O cinema é possívelmente a manifestação artística que mais pede ideias emprestadas de outros meios. É impossível hoje calcular a quantidade de filmes cuja história original tenha surgido da literatura, por exemplo.

É sempre tentador recitar um paradigma quanto às adaptações: na transição de uma mídia para a outra, elas tendem a desperdiçar bom conteúdo do material original, seja acidentalmente ou deliberadamente (aqui, por sua vez, por força das circunstâncias ou por predileção pessoal dos envolvidos), o que resulta em um produto supostamente desrespeitoso com tal material.

No cinema, isso fica latente por uma série de fatores. Cinema é arte e narrativa, mas também é negócio, é publicidade, é comunicação com públicos e suas respectivas culturas e preconceitos. Muita coisa está em jogo quando você chega à bilheteria para comprar um ingresso, sentar na poltrona da sala escura e sair de lá satisfeito (ou não).

Sendo assim, melhor seria deixar cada história em seu meio original? Indo por esse argumento, possivelmente o criador da obra se expressou naquele meio por achar que sua história dependia das características intrínsecas ao formato para que fizesse sentido. Por exemplo, você imagina um livro sobre "Cidadão Kane" tão bom quanto o filme?

Pelo menos é assim que Alan Moore pensa; ele ganhou fama nas HQs não apenas pela genialidade inerente, mas porque ele tem uma profunda preocupação em explorar todos os recursos que os quadrinhos oferecem como formato - isso quando ele mesmo não se aventura a criar novos recursos. Quando suas histórias migram para o cinema, não apenas perdem o charme do formato como são bastante alteradas á sua revelia. E é por essa e outras razões que o barbudo detesta todas as adaptações de cinema oriundas de suas criações.

Apesar de entender esse ponto de vista, eu não sou tão radical quanto Moore. Algumas das minhas adaptações HQ/cinema favoritas acabam trazendo uma ou outra modificação que, quando não me incomoda, pode até dar um "plus" ao cânone; vide as roupas de couro dos X-Men ou Mary Jane ser a primeira namorada de Peter Parker. Já uma adaptação ultrafiel como foi "Sin City" eu considerei uma chatice sem criatividade, justamente por não apresentar nada de novo a quem já havia lido os encadernados (meu caso).

Adaptar "Watchmen" envolveu tudo isso, e mais: todo o culto à minissérie de Moore e Dave Gibbons só cresceu com o passar dos anos, gerando uma imensa legião de xiitas no mundo inteiro. E todos os fatores que dificultam uma adaptação, que falei no quarto parágrafo, foram barreiras imensas para levar uma história tão cultuada - e ao mesmo tempo tão complexa e cheia de elementos chocantes - às telas.

(Pois é... falei que ia escrever muito. Daí do filme em si falarei no próximo post. Aguarde e confie)

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Big Bang Theory, início da 3ª temporada - considerações

TEM SPOILER!

Antes: ansiedade e expectativas altas. Depois: expectativas apenas cumpridas; nem superadas, nem frustradas. Episódio bom, grandes momentos, mas nada genial. Achei fraco o plot do piti de Sheldon (mais um, né?).

A grande surpresa: jurava ver Penny com outro namorado depois de três meses sem os nerds, mas ela não apenas estava esperando por Leonard, como estava cheia de tesão!! Uau! Sem falar que ela segue cada vez mais linda.

Outra surpresa: Penny foi assistir ao "Star Trek" novo sem eles. Desde a temporada passada ela dá sinais de catequização nerd, mas sem perder o estilo menininha. Gosto disso.

Aliás, as piadas mais fracas vieram dela tentando ser a Penny lôraburra do início da série - a historinha da torta e não ter entendido o presente de Leonard.

As melhores gags pop foram de Raj: a de "Mario e Luigi" e "Toy Story", hahaha.

Melhor frase, claro, por Sheldon: "In the world of emoticons, I was colon capital D". Mestre.

E por fim, mas não menos importante: eles TRANSARAM! AEEEEE!!! O 21 de setembro deveria se tornar o novo Dia do Orgulho Nerd.

No entanto, como Penny salientou, foi um lance "esquisito". Isso deverá repercutir nos próximos episódios. Só espero que não vire melodrama romântico, pois o estilo "Mulder & Scully" não combina com os dois.

Foto: Omelete

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Sobre Patrick Swayze

Não era um ator excepcional, mas com certeza acima da média. Era bonito e carismático, e isso certamente ajudou nos primeiros anos de carreira. Como qualquer terráqueo no início dos anos 90, me liguei nele a partir de "Ghost", um filme que acho bem pop e o qual assistiria de novo sem problemas, apesar do melodrama bobinho.

No entanto, os dois pontos altos de Swayze para mim foram "Matador de Aluguel" e "Caçadores de Emoção". Do primeiro, confesso que não lembro mais da história, mas lembro de ter gostado. Já o segundo é um filme de ação muito competente e honesto. Dois clássicos da minha época de cliente de locadora.

Nunca assisti a "Dirty Dancing", só fragmentos quando passa na TV. Mas "She's Like the Wind" é uma baladona bregona de classe. Cantor dos bons, ainda por cima.

Uma grande perda para o cinema pipoca.

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Up - Altas Aventuras

É, nem a Pixar escapa da síndrome do subtítulo boboca no Brasil.

Bem, dos últimos filmes do estúdio, de "Toy Story 2" para cá, assisti a todos no cinema, com exceção de "Carros" e "Wall-E". Isso prova o quanto venho confiando neles, visto que vou ao cinema com cada vez menos frequência por causa dos ingressos caros.

E depois de "Wall-E" então, que considero empatado com "Procurando Nemo" o melhor filme da Pixar, minha expectativa por "Up" era naturalmente grande.

E assim como no show de Robertão, certamente não me decepcionei, mas também não fiquei tão extasiado quanto gostaria.

A sequência de "Up" após os créditos iniciais é de fato a melhor coisa que a Pixar produziu em sua história. Muito já foi dito por aí que é coisa pra sujeito se desmanchar em lágrimas, e é mesmo (não chorei, mas por bem pouco). É uma aula de cinema; fluidez de edição, trilha sonora, uma acertada ausência de diálogos, a "atuação" dos personagens... tudo nessa sequência é impecável, coisa de se ver nos melhores "filmes de arte". Paga com louvor o teu ingresso e te põe para refletir sobre a vida em poucos minutos.

Por conta disso, acho que "Up" será lembrado por muitos anos como "aquele filme daquela cena inicial da vida dos velhinhos". Sim, porque o filme continua, e os detalhes ruins começam a incomodar.

Ainda dá para se interessar pelo velho Carl quando este surge. A solidão e a amargura do personagem foram didaticamente explicadas pelos minutos anteriores. Quando ele faz a casa voar, ok, entramos no universo fantasioso, estou preparado. Mas aí, mesmo levando em conta o fator "suspensão da descrença", o filme não se esforça muito para explicar...

[SPOILERS]
... como e em que momento o menino apareceu na casa antes dela subir;
... o motivo que transformou o velho explorador que queria provar sua idoneidade no malvadão da história;
... como esse mesmo explorador inventou tecnologia para cachorro falar no meio da Amazônia;
... como esse cara, bem mas velho que Carl, estava tão inteirão fisicamente, apesar de velho. E pô, vilão que morre caindo em filme da Disney já deu, né?
[/SPOILERS]

Curioso que a segunda melhor cena do filme é praticamente a parte dois daquela sequência inicial, quando ele [SPOILERS]abre o álbum de fotos ao chegar na cachoeira e se dá conta que realizar aquele sonho não curou a dor da perda da esposa. É de cortar a espinha[/SPOILERS].

Outros pontos altos do filme são a gag do sapo, os cenários da selva muito bem feitos, os belos créditos finais e o cachorro Dug, que me pareceu até bem mais divertido que o menino Russell. Ah, a dublagem também está ótima, incluindo o grande Chico Anysio na voz de Carl.

Para resumir: tá certo que quando o assunto é filme-família, a Pixar é a melhor no que faz, só que eles mesmos já dão sinais de que querem fugir das amarras deste tipo de história - notem que todas as produções do estúdio se resolvem em sequências envolvendo velocidade.

A Pixar está se viciando em uma fórmula que ela mesma consolidou. E isso não vai ser bom no futuro.