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quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Resoluções 2010

Algumas são meio contraditárias, mas contradições fazem parte da vida. Algumas são continuidade, outras novidades. Ei-las.

* Usar mais a agenda
* Fazer mais exercícios
* Ir à praia em um dia de muito sol
* Ir ao Recife
* Ouvir mais bandas e discos novos
* Investir mais nos projetos pessoais
* Concluir "Ulisses"
* Ler mais livros, talvez assinar uma revista
* Comprar pelo menos uma dessas coisas: netbook, videogame e câmera
* Crescer profissionalmente
* Deixar a casa mais arrumada
* Moderar melhor meus vícios em internet
* Não ser muito escravo de rotinas ultraplanejadas
* Beber. Com moderação
* Desfrutar melhor os momentos de felicidade
* Ser mais amigo e tentar encontrar o melhor de todo mundo
* Manter contato com a família
* Adiantar meu estudo autodidata de idiomas
* Contribuir ao máximo com o adiamento do fim do mundo. A luta continua sempre.

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

2009, epílogo

Neste ano eu trabalhei muito. Ainda bem, ainda mal. Mais para bem do que para mal.

Continuei ao lado de familiares queridos. Da pessoa querida.

Li menos do que gostaria, mas pelo menos li mais do que em 2008. E finalmente comecei a promessa de "Ulisses".

Vi poucos filmes e ouvi pouca música nova também. Mas nem senti tanta falta assim. Isso é bom ou ruim?

Exercitei-me muito pouco. Mas foi mais do que em 2008, o que não quer dizer muito.

Vi pouco os amigos. Parte culpa minha, parte deles. Mas foi muito bom vê-los quando rolou a oportunidade.

Revi o Recife e conheci Buenos Aires. Só fui à praia para levar chuva e estou mais branco do que nunca.

Comprei um computador e um celular. Satisfeito com ambos. E ela ganhou um Nintendo DS.

Tuitei (twittei?) bastante.

Fiquei pouco doente. Mas conheci o que é ter conjuntivite.

Fui aos shows de Cat Power, Roberto Carlos e ao Planeta Terra (Sonic Youth, Iggy Pop, Primal Scream), mas perdi o AC/DC.

Saldo geral? Foi ótimo e estou pronto pra outro ano.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Dicas de presentes pop para o Natal


É, meu camarada: 2009 está acabando. Então é quase Natal, e o que você fez? Já comprou os presentes dos amigos, por exemplo?

Buscando inspiração no post dos presentes bons e baratos do blog Casa de Firulas, resolvi fazer a minha lista de sugestões. São basicamente DVDs e livros; não ando muito inspirado para outros tipos de presentes. Eu não sei de você, mas eu francamente me satisfaço bem ao ganhar um bom livro ou filme. Ei-los.

* Disque M Para Matar - Hitchcock e Grace Kelly sensacionais, narra um crime praticamente perfeito em sua execução. Os detalhes do tal crime e os elementos imprevisíveis que mudam todo o plano fazem do roteiro um diamante lapidado. R$ 29,90 no Submarino.

* Old Boy - Outro filme sobre violência, impecavelmente dirigido, com uma narrativa instigante e atores excelentes. É de cair o queixo. Filme coreano baseado em um mangá. R$ 12,90 nas Americanas.

* O Bebê de Rosemary - Ok, já deu para notar que filmes violentos e noiantes são a minha praia, né? Mas pô, é o melhor filme de Roman "é-ou-não-pedófilo?" Polanski. Imperdível, mas não recomendado para grávidas. R$ 12,90 nas Americanas.

* Curtindo a Vida Adoidado - Como até eu estava ficando cansado de tanto sangue, que tal esse "clássico da Sessão da Tarde"? Falar isso é tão clichê quanto a própria Sessão da Tarde, mas a saga de Ferris Bueller, Cameron e Sloane honra a expressão, ainda mais em um DVD especial. R$ 12,90 nas Americanas.

* 1984 - Um dos meus livros favoritos de todos os tempos. Ficção pessimista, leitura envolvente. O Grande Irmão do livro "inspirou" o conceito do reality Big Brother. Quer prova melhor do quão assustador é a obra de Geroge Orwell? E o livro é de 1949! R$ 24,90 nas Americanas.

Recomendo ainda uma visita in loco a qualquer loja das Americanas, pois eles investiram em um catálogo vasto a R$ 12,90. Tem blockbusters, clássicos, tosqueiras, o que imaginar. Além disso, o Twitter do Omelete está lançando ótimas dicas de compras legais no Submarino com a hashtag #achadododia.

E não, este post NÃO foi patrocinado pelo Submarino e Americanas. Aceito doações.

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Leituras recentes


Li o quadrinho do Lanterna Verde & Arqueiro Verde que comprei na Comix. Preguiça de falar muito, então leia aqui um bom texto sobre o livro. Acrescento só o seguinte: instigou bastante meu senso político. Por uns cinco minutos, pelo menos. E o óbvio ululante: Neal Adams é um monstro.

Também li o "Blueberry". Moebius desenha muito! A história é muito instigante também. Se um francês escreve bem assim um faroeste norte-americano, e há ainda os spaghetti italianos do cinema, começo a achar que os únicos que não fazem bem faroeste são os Estados Unidos.

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

O que é antropologia estruturalista?

"Lévi-Strauss procura as estruturas que em seu grau de generalização liberem-nos da multiplicidade empírica dos dados, pois os modelos são o objeto próprio das análises estruturais".

Não entendeu nada? É assim mesmo, depois piora.

Mas digamos que seja algo como: vivemos em um mundo de estruturas. O estudioso estruturalista tenta desvendar essas profundas estruturas pelas quais o significado é produzido e reproduzido em uma cultura, como na família, na língua, no comportamento social, etc.

Lévi-Strauss, o pai dessa brincadeira, morreu ontem aos 100 anos. Sei pouco da obra dele, mas sei que se não fosse pelo estruturalismo, praticamente fundado por ele, não existiriam Stuart Hall e Pierre Bourdieu, duas grandes influências pro meu mestrado.

Vou mandar então um salve lá pro Lévi-Strauss lá da Xurupita e da pizzaria Flor do Sol!


"Paaaa, paaa.... pooo, poooo..."

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Entrevista: Érico Borgo


Um dos criadores do Omelete e co-autor do recém-lançado "Almanaque de Cinema", Érico Borgo, concedeu uma mini-entrevista exclusiva para o blog, via e-mail, sobre a publicação.

Segundo sua própria bio no Omelete, Érico é designer gráfico e trabalha com internet desde 1997. Além do site pop, cuida do sites da gravadora EMI, Panini Comics, Mythos Editora e Arsenal Music. Foi em um reencontro com seu colega de escola, Marcelo Forlani, que ele decidiu abrir o site que é a alegria de mais de 1 milhão de nerds inernautas Brasil afora.

Seguem abaixo as econômicas, porém precisas, respostas desse "nerd que deu certo".

MPadrão: Quando e como surgiu a iniciativa de produzir o almanaque?

EB: Há dois anos, por iniciativa da própria Ediouro.

MPadrão: Quais são os maiores diferenciais do almanaque em relação às demais publicações sobre cinema?

EB: Não pensamos em termos de diferenciais, mas em ampliar uma coleção existente - a de Almanaques da Ediouro dentro de um tema que dominamos.

MPadrão: O Omelete ficou conhecido pelo lema "entretenimento levado a sério" e um teor voltado à cultura pop. Esse direcionamento do site se refletiu no conteúdo do almanaque? Por exemplo, vocês privilegiaram filmes e cineastas mais "nerds"?

EB: Não. O site é o site, o Almanaque foi criado dentro da proposta da série de livros. Os cineastas e filmes retratados ali são todos elencados de acordo com sua relevância para a Sétima Arte.

MPadrão: Como foi a produção? Foi difícil trabalhar no almanaque enquanto tocava a produção do site?

EB: Não misturamos as coisas. O livro foi escrito fora do horário comercial.

MPadrão: Fui no lançamento e me parece que a aceitação foi muito boa. Existem planos para vocês lançarem outros "almanaques pop"?

EB: Existem planos, mas nada concreto.

MPadrão: Para você, quais foram as maiores conquistas do Omelete [o site] até então?

EB: Manter-se independente e no ar depois de uma década é nossa maior conquista até hoje, além da nossa base de leitores.

MPadrão: E o feedback do OmeleTV? O videocast tem sido bastante elogiado pelos internautas? Existem planos de vocês migrarem o programa para a TV aberta ou por assinatura?

EB: Já tivemos algumas propostas, mas nada que nos motivou a migrar.

Foto: Fábio Yabu

Almanaque de Cinema Omelete


Como se não bastasse o monte de coisa que adquiri recentemente para ler (fora a minha eterna "promessa 'Ulisses'"), inventei de comprar o "Almanaque do Cinema", mais um daquela linha de "almanaques pop" da Ediouro. O diferencial desse aqui, porém, são os autores: Érico Borgo, Marcelo Forlani e Marcelo Hessel, o trio do Omelete.

Comprei na pré-venda, com direito a desconto e autógrafo dos autores, mas em compensação, demorou quase duas semanas para chegar. Mas a espera valeu a pena.

De cara, o que chamou a atenção foi a bela diagramação e escolha de fotos, além do cuidado técnico. A capa possui um discreto verniz cheio de ovos fritos que, descrevendo assim, parece brega, mas achei estiloso.

Variados ícones do cinema adornam a capa, de Orson Welles a Buzz Lightyear. Só não curti a "escolha Star Wars" nessa parte: ficaram com Padmé Amidala. Até entendo. Todo nerd minimamente heterossexual tem sua recaída por Natalie Portman, mas um dos personagens clássicos ficaria melhor.

Outro ponto muito positivo é a abrangência, qualidade e quantidade de textos. Abrangência porque tiveram o cuidado de abordar muitos aspectos do cinema: a história por décadas, filmes clássicos, atores, atrizes, diretores, heróis, vilões, musas, curiosidades, os grandes estúdios, etc. Tudo isso sem, aparentemente, privilegiar ou deteriorar essa ou aquela tradição cinematográfica, apesar dos três autores serem nerds de carteirinha - o que poderia desaguar em um olhar mais "blockbuster".

Qualidade porque são textos muito bem escritos, que passam a sensação de uma apuração longa e detalhada nas informações ali descritas. E quantidade porque, ao contrário de outros almanaques dessa coleção, as fotos grandes não são tapa-buraco dos textos ínfimos. Há sim muito texto, para se ler com muito tempo livre.

Um detalhe que fez toda a diferença no resultado final são as "quotes" famosas de filmes no rodape das páginas. Ótima sacada deles.

Para comprar, aqui. Recomendo!

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

A Fest Comix 2009 em imagens

Para quem não sabe, não vale a pena comprar revista em quadrinhos em São Paulo ao longo de todo o ano. A estratégia mesmo é se segurar para gastar na Fest Comix, evento da loja de HQs e action figures Comix que acontece todos os anos.

Acho que o evento é o mais perto que o Brasil possui de uma Comic Con. Tem lançamentos de revistas e livros, presença de profissionais dos quadrinhos e ilustração, concurso de cosplay, games, e o mais importante: uma oferta imensa de todos os tipos de quadrinhos com todos os tipos de descontos. É um momento tenso, porém sublime, no qual o nerd pode reabastecer sua estante em uma boa tacada.

Fui lá no último sábado (17). Quanto eu gastei? Eu digo depois das fotos feinhas que tirei com meu celular.








Err... Pouco mais de R$ 180. Comprei a "Biblioteca Marvel" do Quarteto Fantástico, o "Como Uma Luva de Veludo Moldada em Ferro", de Dan Clowes, um encadernado antigo do Lanterna e Arqueiro Verde por Neal Adams e Denny O'Neil, um álbum de Blueberry (Moebius) e o "Quadrinhos e Arte Sequencial" de Will Eisner.

A patroa entrou na dança e comprou uma coletânea da tira "Baby Blues" e um mangá chamado "Nana", que confesso que não conhecia.

Ei, não me olhe assim. Sou nerd, mas sou limpinho!

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Acabando o ano

Eu gosto de escrever muito, mas vivemos dias apressados. E daí não tenho tempo pra postar, e tampouco meus 0,5 leitores têm para ler. Então chega. Os dois textos gigantes de "Watchmen" foram o suficiente para ninguém ler mais uma vírgula que seja neste blog daqui até 2010. A partir de agora, inicio uma série de posts mais concisos. Sem data para acabar. Começando por este.

Espero que você que esteja lendo isto goste da novidade e use a caixa de comentários para dizer o que acha. Eu mesmo sou o meu leitor número 1 - o que é óbvio, pois se eu mesmo não me lesse, gostasse do que escrevo e me autocriticasse, quem mais o faria? - mas também gosto muito de saber a opinião dos outros, caso ainda não tenha ficado claro.

E é isso. Simbora.

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Twittadinha, twittadinha, xau, xau

Uma criança fala em português errado, a galera sacaneia com ela e a mãe perde a noção quando tenta defendê-la. Coisa que acontece sempre nesse país.

Seria simples assim de resumir, mas como falaram em uma lista de e-mail que participo, o desastre de Xuxa no Twitter tem a ver com o vício do brasileiro em piadas de pobre falando errado, educação familiar e responsabilidade paterna, exposição de celebridades ao mundo real, aquela tendência vingativa do povão de quererem presenciar as falhas de pessoas ricas e famosas...

Xuxa caiu em uma armadilha porque não fazia muita noção do que é a internet. Os famosos são peritos em expor o que tem de melhor e esconder o que tem de pior. Quando viu a filha ser atacada, teve uma reação normal e caiu do salto de cristal. Como ela não é uma mãe qualquer, e sim a Xuxa, deu no que deu.

Pensando mais longe, o ponto mais triste da discussão é saber que ser minimanente alfabetizado há tempos não é mais parâmetro para ser respeitado nesse mundo.

Depois que surgiu rádio, televisão e telefone, ninguém mais precisava escrever carta - logo, para quê alfabetização? E para um país que já era bem analfabeto como o Brasil, foi só o empurrão final pro abismo.

Ouço falar que nosso ensino público já foi bom há umas décadas, e não faço ideia (sem acento) porque caiu tanto. Falta de investimento do Estado? A citada influência maciça da comunicação de massa? A pobreza das famílias que levam as crianças a trabalhar na rua?

O que sei é que Xuxa infelizmente não é e nunca será a única pessoa rica e famosa a escrever mal. Quando alguém se destaca na multidão por outros fatores extra-intelecto (beleza, carisma, capacidade física, aptidão artística), ele meio que se dá o direito de não precisar mais de algo tão básico quanto um mínimo de articulação por meio da escrita. Roberto Carlos, por exemplo, escreveu aquelas letras incríveis, mas já é sabido que ele não é muito fã de livros.

E não, isso é não mal só de famoso brasileiro; alguém já tentou entender o que Kanye West escreve?

No fim, ficamos com aquele triste, mas real, pensamento reducionista, quase Nietzchiano: Xuxa é uma analfabeta funcional, mas é rica e famosa; eu, que escrevo bem, ralo todo mês para pagar minhas contas. Até onde podemos ir com esse jogo?

quarta-feira, 15 de julho de 2009

O que ando lendo

Além de "Ulisses", estou arriscando ler outras coisinhas. Umas estão em andamento, outras foram lidas, outras na fila.

Começando pelos já lidos. "A Nova Fronteira" é incrível. Tô com preguiça de explicar em detalhes o que é a história, até porque o Universo HQ fez isso muito bem aqui e aqui. Mas pra quem tá com preguiça de clicar, é assim: uma história retrô que mostra os maiores heróis da DC Comics (Super-Homem, Batman, Flash e outros, seu noob!) surgindo e/ou se adequando às mudanças ocorridas no mundo durante os anos 50 - leia-se macarthismo, guerra fria, racismo e outros temas sombrios em meio ao falso otimismo do pós-Segunda Guerra.

O mérito do autor é justamente unificar o passado de nosso universo real ao que estava nos quadrinhos (sim, roubei essa frase do link acima). Fiquei com medo da história ser mais um genérico do super-heróis-na-vida-real, tipo "Watchmen" e "Reino do Amanhã", mas o texto e o roteiro têm personalidade o bastante para não fraquejar diante da comparação com esses. Ele acertadamente optou por deixar a trindade Super-Batman-Maravilha meio que em segundo plano e dar mais valor aos personagens-chave da Era de Prata: Lanterna Verde e Flash. E a arte retrô de Darwyn Cooke (insira seu trocadilho aqui) é muito legal. Sente aí a capa ao lado, por exemplo.

Outro já lido é "Nova York: A Vida na Grande Cidade", de Will Eisner. Quem me conhece sabe o quanto pago pau pra esse cara. E aqui não foi diferente. Eu já tinha lido "O Edifício", que faz parte desta edição, mas dos outros três livros compilados, destaco o primeiro, que dá nome ao livro. São crônicas mudas onde a habilidade do véio para narrar cenas do cotidiano é de uma poesia e ironia incríveis.

Tenho na fila outro de Eisner, "O Complô", sobre os polêmicos Protocolos dos Sábios do Sião, que foram uma farsa criada para espalhar o antissemitismo.

Outro da fila é "Vida de Escritor", de Gay Talese. Se não me engano, é o mais novo dele. Nunca li nada de Talese, mas minhas colegas de trabalho leram outros livros e acharam ótimo, ha hai! Hi hi! Já este livro, segundo o link que coloquei há duas frases, foi meio malhado pela crítica. Vamo ver o que vou achar do velhinho que veio passear em Paraty neste ano.

Pra terminar, já comecei a ler outro em paralelo com "Ulisses". E como só gosto das coisas bem difíceis, fui ler o quê? Nietzsche, ué! "Além do Bem e do Mal" é o tal livro. E pense num sujeito brabo esse tal de Nietzsche. Nas 20 primeiras páginas ele já distribui voadores para todos os filósofos antes dele, chamando-os de hipócritas porque não admitem que suas filosofias são reflexo de seus próprios interesses. E que esse papo de "viver conforme a natureza" é balela; todo mundo quer mesmo é se dar bem, impor suas vontades ao mundo. Sim, estou gostando! Hahaha.

segunda-feira, 13 de julho de 2009

Assista a 'Som e Fúria'



Preciso dizer que tô gostando da minissérie "Som e Fúria". Tô com preguiça de resumir a parada, mas pra quem ainda não tá ligadom, é mais ou menos assim: o diretor Fernando "Cidade de Deus" Meirelles + Shakespeare + um elenco que se garante, com destaque pro retorno de Felipe Camargo a um papel interessante.

Eu tenho lá minhas ressalvas com teatro, mas Meirelles tá querendo convencer que os bastidores do teatro - cheios de picuinhas, chiliques e amores desencontrados - podem ser muito mais interessantes que as peças em si.

Aqui tem um texto mais completo, mas o bom mesmo é assistir a um episódio para ter noção da coisa. Até o momento, tô curtindo mesmo. São 12 capítulos, ainda dá tempo de acompanhar.

P.S.: Ah, eu nem estava lembrado, mas hoje é dia do rock! Fica então o post anterior sobre David Bowie como uma homenagem antecipada ao dia. Parabéns a esse velho cinquentão que é o rock n' roll!

quinta-feira, 11 de junho de 2009

A promessa de "Ulisses"

Em 2005, eu estava tentando passar na seleção do mestrado de comunicação e achava que precisava de uma promessa. Algo que me exigisse um bom esforço, mas não tanto a ponto de não conseguir cumpri-la. Aí prometi a mim mesmo que leria um livro grande e difícil se passasse. Escolhi "Ulisses", de James Joyce.

Na verdade a promessa foi desculpa, pois sempre quis ler esse livro. Acho que foi Sílvia que disse uma vez que ninguém nunca leu esse livro; os que dizem que leram falam isso para contar vantagem.

Bom, eu passei no mestrado e não esqueci da promessa, mas demorei muito para começar a cumpri-la. Só há um mês eu comprei um exemplar na Estante Virtual. Estou, nesse momento, na página 27. Faltam só umas 820.

Sobre o livro, o bagulho é meio louco mesmo. A narrativa não é muito clara, tanto porque ele conta tudo de forma muito truncada -- no ponto onde estou, você sabe o nome dos personagens, mas mal sabe o que fazem e o que querem, pois os diálogos dão poucas pistas disso -- quanto pelas palavras difíceis e/ou inventadas dele, como "vegetissombras" ou "almiscarperfumado".

Aí fui pedir umas dicas ao bródi Wikipedia e ele fala daquelas coisas de sempre: que é inspirado na "Odisséia" de Homero (que não me ajuda muito, pois nunca li também); que narra os fatos do dia 16 de junho; que o protagonista é o tal de Leopold Bloom (que ainda não apareceu na leitura)... mas o mais interessante é isso aqui:

Em seu romance, Joyce utiliza-se do fluxo de consciência, da paródia, de piadas e virtualmente todas as demais técnicas literárias para apresentar seus personagens.

Esse lance do fluxo de consciência é uma verdade: você mal sabe se o narrador é uma terceira pessoa ou um dos personagens matutando - e mal sabe do quê ele está falando.

De qualquer forma, essa dificuldade toda também é um incentivo para mim. Se eu cumprir essa odisséia (hohoho) da minha promessa, sairei de "Ulisses" como um sujeito mais inteligente (hohoho duplo).

sexta-feira, 29 de maio de 2009

Ninguém sentiu falta, mas voltei rapidinho

Para dizer o que achei dos finais de seriados que assisto, do caso "Dez na Área" e sei lá mais o quê. Vamulá:

"Lost" - A temporada veio já no embalo de início do fim da série, ou seja, deve ter sido a primeira temporada que se preocupou mais em explicar do que confundir. O que é necessário e louvável para que a série não seguisse o mau exemplo de "Arquivo X". Mas talvez por isso achei a temporada meio chocha, com poucos acontecimentos impactantes e deixando personagens importantes muito separados entre si - o trio Jack, Kate e Sawyer, por exemplo, só se reencontrou praticamente no final. Ainda assim, eles ainda conseguem manter mistérios e ambiguidades pela forma torta que a série conta a história e traz informações novas. Ainda não sei se esse lance sci-fi de viagem no tempo-teoria eletromagnética é o que eu queria como resposta, assim como não gostaria que Jacob fosse algum deus ou coisa do tipo. Mas eu sei que o melhor episódio da temporada, felizmente, foi o final. Tem ação, suspense, informações importantes, acontecimentos que vão mudar tudo, enfim, muito instigado.

"24 Horas" - A sétima temporada foi boa. Ponto. Não foi incrível, nem ruim. Só boa. Ruim mesmo foi aquela sexta temporada, e incríveis mesmo foram a primeira e a quinta. Mas essa sétima foi boa porque teve um bom ritmo, boas cenas de ação, elenco ok. Não foi melhor porque a série está realmente se repetindo. A ameaça geral alterna entre uma bomba ou um gás tóxico; o lance de americanos serem os inimigos já foi usado melhor na quinta temporada; a CTU fechada foi interessante, mas o FBI foi uma CTU wannabe. Tony Almeida voltar dos mortos como vilão/herói/vilão de novo foi bem forçadinho, mas pelo menos criou um adversário à altura de Jack. Falando nele, a doença foi interessante como história, mas comprometeu muito a ação. Chloe foi legal, mas foi mal aproveitada e aquela Janis foi bem dispensável. Gostei de Renee Walker, e gostei muito de Alison Taylor, a nova presidente. Espero que ela continue na temporada que vem.

"Big Bang Theory" - A temporada foi toda muito legal, mas o final foi fraquinho. Não engoli muito a ideia de que eles aceitaram ir ao Pólo Norte com Sheldon sem resistir muito, ainda que por três meses. Ok, eles já viam ele todo dia mesmo, mas isolados no Pólo Norte? Pelo menos deve dar uma mexida boa na dinâmica deles com Penny. Acho que ela começa a temporada que vem com namorado novo. Veremos.

"Ugly Betty" - A morte da esposa de Daniel foi triste, mas era esperada, portanto nenhuma surpresa aí. Também era esperado que aquele romance entre Betty e Matt acabaria de alguma forma, para deixá-la livre no início da temporada. Afinal, protagonista só encontra seu amor pra sempre no final do seriado/filme. A temporada começou mal, com a saída de Rebecca Romjin e Wilhelmina tentando não ser vilã, mas felizmente ela voltou ao rumo do mal na reta final. Fiquei com pena de Marc, mas ele tava merecendo uma má notícia por acobertar tantas maldades da chefe dele. Fiquei satisfeito com o final, mas também nunca tenho muitas expectativas em "Ugly Betty".

Caso "Dez na Área" - Na verdade não preciso dizer muito, pois Marcelo Tas e Xico Sá falaram tudo como eu gostaria de ter dito. Lê lá e deixe de seu preconceito velho com quadrinhos, ok?

Coreia do Norte - Eu quero mais que o mundo exploda rápido, pois ele não tem muito jeito. Ou tem? Agiliza logo os trabalhos, Kim Jong Il! Se não vai explodir, então por favor, dirija-se à prisão perpétua voluntariamente e deixe de fazer seu povo - e o juízo da ONU - sofrer.

domingo, 29 de março de 2009

"Reinventando" e "Desenhando Quadrinhos", de Scott McCloud


Ganhei de Natal os livros "Reinventando os Quadrinhos" e "Desenhando Quadrinhos", ambos de Scott McCloud. São as partes 2 e 3 de uma trilogia de McCloud de livros sobre quadrinhos (dã) cujo conteúdo também é apresentado em HQ. O próprio autor é o personagem principal, explicando tudo para o leitor de forma bastante didática.

Eu já tinha a parte 1, "Desvendando os Quadrinhos", que acho um dos melhores livros sobre o assunto. Nesse primeiro, a abordagem era explicar a linguagem do meio, com uma análise sobre a comunicação visual, artística e verbal do mesmo. Por ser também em formato HQ, a grande sacada de McCloud era a metalinguagem e a já falada didática, que atrai facilmente tanto leigos quanto iniciados.

No "Reinventando", o foco é trazer um debate atualizado (na época em que foi escrito, 2000) sobre a importância dos quadrinhos no mundo e sugerir doze zonas de expansão para o meio nos próximos anos: os quadrinhos como literatura; como arte pictórica; questões sobre os direitos dos criadores; inovação mercadológica; percepção do público; combate ao escrutínio institucional; equilíbrio dos sexos; representação das minorias; diversidade de gêneros; produção digital; difusão digital e a evolução das HQs para um ambiente digital.

Dito isso, o ponto negativo é que a metalinguagem presente no "Desvendando" se perdeu um pouco no "Reinventando", pois o conteúdo deste segundo livro não dependia tanto de que um "livro em HQ" o apresentasse. Outro ponto "negativo" é que é um livro muito calcado no período em que foi escrito, e tende a ficar datado nos próximos anos, principalmente nos pontos sobre internet.

O positivo, porém, é que McCloud percebe essa falha e tenta enfatizar o tempo todo que várias de suas (quase todas excelentes) propostas já estavam engatinhando quando ele escreveu. Já outras, infelizmente, não saíram do papel até hoje, o que torna o livro ainda bem atual, pelo menos até o momento. Além disso, sua pesquisa foi precisa o bastante para tentar se antecipar às tendências que se confirmaram, como a melhoria na definicão dos monitores de computador - fator fundamental para o sucesso das HQs online.

Já no "Desenhando", a metalinguagem volta a ter destaque, pois o livro se propõe a ser uma mega-aula de produção de quadrinhos. Ele dá pouco destaque a questões de aprendizagem do traço, pois alega que existem muitos bons livros por aí sobre o assunto - e de fato, esse foco exige livros muito específicos, o que não era o caso. Ele opta por aprofundar conceitos levantados lá no "Desvendando" e mostrar como o quadrinista pode pô-los em prática de acordo com seus interesses particulares como artista.

No "Desenhando", ele não tenta ditar regra de como fazer o melhor traço ou o melhor roteiro. Ele mostra as alternativas e traz uma série de exercícios para que o cabra liberte a criatividade e seja encorajado a produzir o tipo de quadrinho que mais lhe apetece, sem se prender (necessariamente) às fórmulas prontas. Trocando em miúdos, é um livro que não dá o peixe pronto, mas ensina a pescar.

Ótimos livros, recomendo, troféu joinha para ambos. Particularmente gostei mais do "Desenhando", mas o "Reinventando" é fudamental para entender porque raios ainda é tão difícil tirar o meio HQ do armário.

P.S.: conteúdo deste post parcialmente filado do Universo HQ.

quarta-feira, 9 de julho de 2008

Atualizado como um blog


Comprei só no ano passado, mas como só agora estou com tempo livre - livre até demais... - a Antologia do Pasquim tem sido a salvação das tardes de ócio.

As entrevistas são incríveis, profundas como quase não se lê por aí. E o mais espantoso é que a conjuntura pouco mudou, pois os depoimentos continuam contemporâneos.

Em uma, Di Cavalcanti reclama que existe muito investimento para coisas frívolas no Brasil e pouco para o homem. Em outra, Leila Diniz se diverte com a imagem que fazem dela. Que em todas as entrevistas sobre ela, a chamam de "a mulher do amor livre" e ficam logo achando que Leila é a (*) da zona. Sim, eles usaram estrelinhas nos palavrões de Leila para se precaver da censura. "Ficou parecendo a Via Láctea", falou o ratinho-símbolo Sigmund, ou Sig, no canto da página.

Vinícius de Morais fazia uns perfis enormes sobre os amigos dele. Puxava o saco do amigo, claro, mas com uma elegância textual imensa.

As charges e tiras são maravilhosas. Tem o citado Sig do Jaguar ("esse tal de reflexo condicionado funciona mesmo! Cada vez que [o rato no labirinto] toca a campainha, aparece um sujeito de branco e toma uma porção de notas!"), tem os Fradinhos de Henfil ("Hoje em dia criança sem neuroses não sobrevive"), tem os desenhos feiosos de Millor. A charge do departamento de censura lendo o Pasquim com sorrisos maliciosos nos rostos é um bom exemplo da fina ironia.

Adoravam sacanear com Nelson Rodrigues, que era opositor assumido do jornal. Mas o próprio Jaguar sacaneava com o falar empolado de Paulo Francis, um dos colaboradores (e de quem eu particularmente não vou muito com a cara), dizendo que tudo estava "inserido no contexto".

Ainda tô na página 117 e são mais de 300. Vamulá.