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quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Comida old school e mutreta capitalista


Quem me conhece sabe o quanto gosto de Doritos. Só que sou exigente. Conheci o Doritos lá no fim dos anos 80, e se não me engano haviam duas opções: uma natural e outra sabor queijo, milho, ou sei lá o quê.

Com o tempo, a Elma Chips foi adaptando o Doritos até restar apenas uma versão do salgado no mercado: a "queijo nacho", do saquinho vermelho, e cheia de um pó tosco apimentado e artificial.

Recentemente, surgiu o Doritos Dippas (imagem acima), que traz um sabor bem mais natural do Doritos, justamente para os fãs de nachos mexicanos comerem ao natural, com guacamole ou o que quiser. Hooray! Só que... é bem mais caro que o Doritos do "pozinho".

Pescou a malandragem? Os caras vão piorando o produto ao longo dos anos até relançarem o original - ou o mais próximo do original - como um produto "classe A", mais caro e de difícil acesso, pois não é todo lugar que tem.

Ou seja, é como a agricultura que há 20 anos vendia maçã natural, depois foi enchendo de agrotóxico e deixando-nos sem opção, para voltar a vender o natural como "orgânico", aplicando no bolso.

Ah, o capitalismo, essa invenção tão pilantrinha da Humanidade...

P.S.: Mais recentemente, a Elma Chips lançou o Doritos original em sacos pequenos e em "edição limitada". Acho que é possível encontrar em algumas poucas lojas. Esse talvez seja o original de verdade, pois há uma sutil diferença: o Dippas tem mais massa, sendo assim menos crocante. De qualquer forma, o rótulo "edição limitada" só comprova que eles vão me dar o gostinho para retirar depois...

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Sobre risotos


Nos almoços, sempre fui um adepto fiel do trio arroz-feijão-carne. A esposa diz que sou obcecado com feijão, daí até pouco tempo atrás, não curtia muito almoçar arroz sem ter o feijão complementando. A patroa argumenta que o dito cujo não é necessário para a nutrição, mas já houve algumas vezes que fiquei tonto ou com dor de cabeça pouco depois de arriscar. Não sei o que acontece; só sei que é assim.

Daí estou me descobrindo um bom cozinheiro de risotos. Na verdade, sou tão burro para a gastronomia que nem sabia direito o que era risoto - talvez já tivesse comido em outros anos, mas não absorvi a informação na época.

O bom do risoto são os complementos sortidos e misturados ao arroz: ervilha, cenoura, cebola, ovo, tomate, etc. Dão gosto, deixam o prato mais leve e me deixam menos dependente do feijão. E a esposa tá aprovando meus preparos, o que também é um bom sinal.

Até agora aventurei-me em duas receitas: o risoto de camarão (o segredo é ter um bom caldo de peixe) e o risoto da China (corto a carne em tirinhas e trituro bem os flocos de ovos). Ficam o pipoco! Tô cada vez melhor nisso e vou experimentar outros exemplos depois.

Foto: Cybercook

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Redescobrindo o paladar


Como eu ando sem assunto mesmo e perdi o bonde para comentar o caso da piada "racista" de Danilo Gentili (mas para deixar registrado: não achei racismo e o bafafá foi de um mau humor tremendo), vamos a mais um top 5 inútil da Padraolândia.

Não sei se o processo de mudar de casa teve parte nisso, mas de uns tempos para cá aprendi a gostar de umas comidas que não conhecia, não imaginava que eram gostosas, ou que até gostava mas não comia com muita regularidade. Vamos lá:

Queijo gorgonzola: Talvez por ser mais caro que a média, talvez pelo gosto forte, mas nunca me atrevi muito nesse queijo - e olha que sou bem fã de queijos. Mas justamente o gosto forte é que apetece. Não sei se pode ser chamado de salgado, mas dá aquela mesma sensação boa quando se come uma coisa bem salgada - é, também adoro um sal. E a consistência é ótima também.

Brócolis: Esse é engraçado. É estranho para mim assumir que uma verdura (por favor, sem o trocadilho velho "aaah, gosta de ver dura, né?") pode ser legal de comer. Acho que foi comendo yakisoba que descobri que brócolis é bom. Mas claro: tem que estar BEM cozido para ficar macio. Cozinhá-lo na cuscuzeira é o que há.

Manjericão: Eu praticamente nem lembrava da existência de manjericão. Mas é tão bom, ou melhor, que orégano para dar gostinho ao almoço.

Chá verde: Esse eu também desconhecia porque vende mais facilmente aqui em São Paulo. Também não é muito barato, mas tem um gosto doce-amargo-não-enjoado muito bom. Dá uma graça a mais no café da manhã.

Cerveja Sol shot: Hahaha, esse foi só pra completar o top 5 mesmo. É uma das cervejas mais baratas por aqui, mas por increça que parível, eu gosto mesmo do gosto. Acho que a garrafinha shot dá essa vantagem, pois gela mais rápido, você toma pouquinho e já fica satisfeito. Mas claro, preferir mesmo, ainda prefiro os clássicos Skol e Bohemia.

terça-feira, 9 de setembro de 2008

O nazismo dos feijões



Uma vez me peguei pensando no quão é nazista a tarefa doméstica de escolher feijões. Aquilo de abrir o saco, botar um punhado de feijões na mesa e separar os que serão cozinhados dos que irão pro lixo.

A gente faz isso supostamente pensando na saúde, mas acho que às vezes nessa singela tarefa nós demonstramos nosso nazismo intrínseco. Fala sério, quem nunca tirou uns feijões que nem estavam estragados, mas eram apenas "feios"? Ou levemente descascados? Ou de cores diferentes?

Tais feijões podem ter o mesmo gosto dos feijões "bons" e nem vamos saber, porque não lhes damos a chance. A diferença disso para Auschwitz é que quem vai para a câmara de gás - ou seja, o fogão - são justamente os feijões "bons".

E ainda existe no supermercado o saco com "feijões previamente selecionados" para só então escolhermos; ou seja, é o nazismo do nazismo.

Na foto acima, a ironia também está no racismo às avessas: num punhado de feijões pretos, aparecem esse branquinho aí, encurralado pelos "niggas". Eu lhe dei uma chance e foi pra panela, mas nunca consegui identificá-lo depois de cozido.

Confesso que eu, uma pessoa supostamente sem preconceitos, fiquei noiado com isso. Aparentemente, todo cozinheiro - principalmente os mais perfeccionistas - tem um Hitler dentro de si.