terça-feira, 8 de julho de 2008

"Si Eu Pudeesse Eeu Vummava Miiuu!!!"

O seguinte é o negócio: a British Medical Association sugeriu o fim das cenas com cigarros em filmes como forma de diminuir o vício, principalmente entre os jovens. Na verdade, é quase isso: eles querem que os filmes apresentem avisos sobre o tema e outras ações para o dia a dia mesmo, como que os maços de cigarro sejam brancos e ilustrados somente com uma mensagem anti-fumo do governo, o fim das máquinas de venda, a diminuição do número de lojas com permissão para venda de cigarros e um preço mínimo para o produto.

Uma das médicas sugeriu que se uma ficção mostrar personagens fumando, então um deles deveria morrer vitimado por uma doença relacionada ao câncer como forma de mostrar a progressão lógica do hábito. Daí um grupo pró-tabaco chamado Forest acha que esconder o cigarro pode transformá-lo em algo ainda mais atraente para os adolescentes, e acha as sugestas envolvendo cinema e TV algo similar à censura.

Esse assunto é meio mal questionado e os argumentos são truncados. Os lances para abolir ou vilanizar o cigarro em filmes eu considero sim uma censura dissimulada. Ficções não existem apenas para dar lições de moral, tampouco para criar realidades perfeitas. Então nessa linha, vamos parar de fazer dramas sobre usuários de drogas, suicidas, assassinos e guerras?

De fato, a glamourização do cigarro dos antigos filmes noir não deixava de ser uma propaganda maléfica, mas acho que depois de muita discussão nas últimas décadas, a indústria cultural apresenta o cigarro de forma bem mais natural hoje em dia. Tanto vilões como o Canceroso de Arquivo X ou heróis e anti-heróis como John Constantine são mostrados fumando, e a atmosfera cool que envolve o ato de fumar é mais um saudosismo ao noir e menos uma mensagem subliminar calculada. Matar um personagem que fuma só porque fuma é algo ridículo e extremista.

Com ou sem cigarro no cinema, acredito ser muito mais eficaz as medidas tomadas no mundo real. Concordo com o argumento de que proibir o cigarro o torna mais atraente (embora a recíproca não seja verdadeira: facilitar demais o acesso ao cigarro é igualmente ruim), mas o aumento do preço, as mensagens nos maços, a redução dos pontos de venda, a educação dos jovens, tudo isso funciona sim, ao meu ver.

E esse papo me deu vontade de fumar.

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