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terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Top 10 soropositivos talentosos


No Dia Mundial de Combate à AIDS, fui puxar pela memória os dez caras que contraíram a doença que tiveram alguma influência sobre mim. São eles:

Betinho - sociólogo e ativista de primeira, daqueles que hoje fazem muita falta neste apático Brasil.

Henfil - talentosíssimo quadrinista e cartunista de traço simples e discurso direto sem perder a graça. O rei de uma geração do traço brasileiro.

Freddie Mercury - um dos maiores cantores da história do rock. Precisa dizer mais?

Michel Foucault - sociológo, filósofo e todo tipo de "logos" que imaginar, foi um pensador afiado que mostrou como o discurso e as instituições podem ser armas para o bem ou para o mal.

Keith Haring - artista de rua novaiorquino cujos bonequinhos se tornaram símbolo contemporâneo da cidade.

Ricky Wilson - guitarrista do B-52's que morreu no auge criativo da banda. O estilo seco e simples de tocar fez escola.

Magic Johnson - o segundo melhor jogador de basquete da história (Michael Jordan em primeiro, sim). Felizmente continua entre nós e é o exemplo máximo da esperança de sobrevida dos soropositivos.

Cazuza - não gosto de 90% dos arranjos de suas músicas por serem muito datados. Era melhor letrista que cantor. Mas só por ter cometido o "Ideologia", um disco marcante do rock brasileiro, merece a menção.

Renato Russo - apesar de ter sido responsável pela "praga Legião Urbana" que acomete qualquer rodinha de jovens munidos de um violão, era um bom compositor na maioria das vezes, quando não se rendia à pieguice.

Zacarias - na verdade, nunca foi comprovado se ele morreu de AIDS, mas o fato de ter morrido repentinamente de uma infecção derivada de um enfraquecimento imunológico sugere muita coisa. Sobre ele, a risadinha e as caretas eram coisa de gênio. Os Trapalhões morreram com ele.

Uma lista mais completa está com a tia Wikipedia, aqui.

sábado, 18 de julho de 2009

Quem tem medo da gripe suína?

O mundo voltou a ficar chato depois que Michael Jackson morreu. Essa última semana foi uma prova disso. Sarney continua sem largar o osso, o próprio Michael ainda não foi enterrado, tem a boa notícia de que vai ser mais fácil adotar crianças no Brasil, mas o que me impressionou foi a tal da gripe suína.

Na última quinta-feira, cheguei no trabalho e só haviam morrido quatro pessoas no Brasil. Na mesma manhã, cinco. No fim do dia, o número era de 11. E a OMS já avisou que não vai mais contabilizar os doentes pelo mundo, tamanha a velocidade que a bicha está infectando mundo afora. E no ônibus é uma tragicomédia só: a gente não pode assoar o nariz ou espirrar que já olham com medo.

Será que é a nossa nova peste negra, que vai nos dizimar e deixar o planeta pra uma nova geração de dinossauros advindos do lixo atômico? Ou será que é a vingança dos marcianos de "Guerra dos Mundos"?

Fiquem aí com o final do filme original velhão, em vez daquela chatice de Spielberg e Tom Cruise, pra entender a piadinha.



P.S.: Não, não peguei a gripe suína. Ainda. Mas não deixa de ser assustador.

quinta-feira, 21 de agosto de 2008

Sobre ar sujo, futuro inseguro, existencialismo e 30 anos


Nesses meses morando em São Paulo, dá pra perceber que conviver com o ambiente não vai ser fácil. Os últimos dias tem sido quentes, o que tenho achado ótimo, depois da overdose de frio que tem sido o inverno daqui. E mesmo a 30°, eu considero o clima paulistano muito razoável se comparado ao calor recifense.

Só que com o sol, veio a baixa umidade. E não sei se é só comigo, mas quando cai a umidade, meu corpo fica com uma coceira e uma sensação esquisita! É como se o corpo quisesse suar, mas os poros se fecham e o suor fica brigando pra sair.

Ontem foi o menor índice de umidade relativa do ar do ano na cidade: 16%. Eu hoje dei uma andada pelo centro e comecei a tossir seco do nada. Também me senti com a respiração pesada.

Lembrei da poeira que fica acumulada na tela das janelas da minha casa, e que aquela poeira estava passeando tranqüila no meu pulmão.

E aí me peguei pensando quanto tempo nós duraremos assim. Aqui diz que perde-se dois anos de vida por morar em lugar poluído - ou seja, qualquer canto de SP (como eles calculam isso? Não faço a mínima).

Afinal, vamos morrer como? Pela falta de oxigênio? Por intoxicação? Pelo meteoro que vai cair na Terra na próxima década? E por que eu devo me preocupar com o futuro se eu morrer cedo por conta dessas coisas? E por que não se preocupar com o futuro para tentar se precaver? Existem formas de salvar a mim e salvar o planeta?

Acho que estou com crise dos 30 anos. Novo demais pra morrer, velho demais pra ser jovem e despreocupado, na idade certa pra ser neurótico.

terça-feira, 8 de julho de 2008

"Si Eu Pudeesse Eeu Vummava Miiuu!!!"

O seguinte é o negócio: a British Medical Association sugeriu o fim das cenas com cigarros em filmes como forma de diminuir o vício, principalmente entre os jovens. Na verdade, é quase isso: eles querem que os filmes apresentem avisos sobre o tema e outras ações para o dia a dia mesmo, como que os maços de cigarro sejam brancos e ilustrados somente com uma mensagem anti-fumo do governo, o fim das máquinas de venda, a diminuição do número de lojas com permissão para venda de cigarros e um preço mínimo para o produto.

Uma das médicas sugeriu que se uma ficção mostrar personagens fumando, então um deles deveria morrer vitimado por uma doença relacionada ao câncer como forma de mostrar a progressão lógica do hábito. Daí um grupo pró-tabaco chamado Forest acha que esconder o cigarro pode transformá-lo em algo ainda mais atraente para os adolescentes, e acha as sugestas envolvendo cinema e TV algo similar à censura.

Esse assunto é meio mal questionado e os argumentos são truncados. Os lances para abolir ou vilanizar o cigarro em filmes eu considero sim uma censura dissimulada. Ficções não existem apenas para dar lições de moral, tampouco para criar realidades perfeitas. Então nessa linha, vamos parar de fazer dramas sobre usuários de drogas, suicidas, assassinos e guerras?

De fato, a glamourização do cigarro dos antigos filmes noir não deixava de ser uma propaganda maléfica, mas acho que depois de muita discussão nas últimas décadas, a indústria cultural apresenta o cigarro de forma bem mais natural hoje em dia. Tanto vilões como o Canceroso de Arquivo X ou heróis e anti-heróis como John Constantine são mostrados fumando, e a atmosfera cool que envolve o ato de fumar é mais um saudosismo ao noir e menos uma mensagem subliminar calculada. Matar um personagem que fuma só porque fuma é algo ridículo e extremista.

Com ou sem cigarro no cinema, acredito ser muito mais eficaz as medidas tomadas no mundo real. Concordo com o argumento de que proibir o cigarro o torna mais atraente (embora a recíproca não seja verdadeira: facilitar demais o acesso ao cigarro é igualmente ruim), mas o aumento do preço, as mensagens nos maços, a redução dos pontos de venda, a educação dos jovens, tudo isso funciona sim, ao meu ver.

E esse papo me deu vontade de fumar.