Na verdade a promessa foi desculpa, pois sempre quis ler esse livro. Acho que foi Sílvia que disse uma vez que ninguém nunca leu esse livro; os que dizem que leram falam isso para contar vantagem.
Bom, eu passei no mestrado e não esqueci da promessa, mas demorei muito para começar a cumpri-la. Só há um mês eu comprei um exemplar na Estante Virtual. Estou, nesse momento, na página 27. Faltam só umas 820.
Sobre o livro, o bagulho é meio louco mesmo. A narrativa não é muito clara, tanto porque ele conta tudo de forma muito truncada -- no ponto onde estou, você sabe o nome dos personagens, mas mal sabe o que fazem e o que querem, pois os diálogos dão poucas pistas disso -- quanto pelas palavras difíceis e/ou inventadas dele, como "vegetissombras" ou "almiscarperfumado".
Aí fui pedir umas dicas ao bródi Wikipedia e ele fala daquelas coisas de sempre: que é inspirado na "Odisséia" de Homero (que não me ajuda muito, pois nunca li também); que narra os fatos do dia 16 de junho; que o protagonista é o tal de Leopold Bloom (que ainda não apareceu na leitura)... mas o mais interessante é isso aqui:
Em seu romance, Joyce utiliza-se do fluxo de consciência, da paródia, de piadas e virtualmente todas as demais técnicas literárias para apresentar seus personagens.
Esse lance do fluxo de consciência é uma verdade: você mal sabe se o narrador é uma terceira pessoa ou um dos personagens matutando - e mal sabe do quê ele está falando.
De qualquer forma, essa dificuldade toda também é um incentivo para mim. Se eu cumprir essa odisséia (hohoho) da minha promessa, sairei de "Ulisses" como um sujeito mais inteligente (hohoho duplo).
