Mostrando postagens com marcador #rembrazil. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador #rembrazil. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 18 de novembro de 2008

Everybody here comes from somewhere


Foram muitas emoções, muita informação e vamos ver como digo isso.

Como eu disse antes, eu tinha certo receio por este "reencontro de amigos". Não porque eu não gostava mais deles, muito pelo contrário, mas justamente porque 2008 não é 2001, com tudo de bom e de ruim que essa afirmação implica.

O que eu não disse - ou não deixei claro -, é que para piorar, seria um reencontro "incompleto". O R.E.M. fez dois shows em São Paulo na semana passada, mas o papai aqui só teve grana para ir em um. Escolhi o do dia 10, da segunda-feira.

Eu tinha sim uma certa expectativa pelo show. Sabia que seria um show ótimo, mas com base no Rock In Rio de 2001, eu fantasiei este setlist ideal para esse show de 2008, como um contraponto de primeira linha ao de 2001. E ficaria meio puto se na terça eles tocassem músicas mais legais que na segunda.

E foi o que aconteceu. Quer dizer, mais ou menos isso.

Por enquanto, vamos nos ater ao show que eu vi

Começou com "Living Well Is The Best Revenge", que abriu todos os shows. Ok, grande música, introdução instigada. Galera delirando, eu incluso. A segunda foi "What`s the Frequency, Kenneth?" e aí... é, legal, né? Mas essa também foi a segunda música lá no Rio em 2001, tio Stipe...

A terceira foi "I Took Your Name". Além de ser do Monster, disco que ignoro um pouco, é uma música bem chatinha. Morguei um pouco mais.

No geral, tocaram cinco músicas do "Accelerate"; belê, é a turnê do disco e tal, e ainda bem que é um bom disco. Mas tocaram NOVE músicas do setlist lá do Rio em 2001. Ok, eu amo todas essas músicas, mas nove?? E ainda tocaram outras que eu dispensaria fácil, como "Let Me In", "Bad Day" e "Animal".

Isso realmente me deixou frustrado na saída do show. Reouvir (esse verbo existe?) as músicas do Rio me passou aquela impressão de rever um filme que você achou fantástico na estréia; você sabe o que vai acontecer em seguida e por isso perde um pouco do encanto e surpresa iniciais. Até o pulinho que Stipe deu na galera em 2001 durante "The One I Love" ele repetiu, e no mesmo ponto da música.

Por outro lado, não dá para enterrar o show por completo só por isso. E aí vamos aos pontos positivos.

A produção de palco está muito melhor agora. O telão que fica ao fundo do palco é praticamente um integrante da banda: passa imagens do show, trechos de videoclipes, coloca mensagens perguntando se o público quer o bis, etc. Muito bonito.

O setlist do dia 10 também deu espaço para algumas musiquinhas que são especiais para mim. São elas: "Drive", "Electrolite", "Imitation of Life", "Orange Crush", "Sweetness Follows", "Ignoreland" e a grande surpresa: "(Don't Go Back To) Rockville", antigona, do segundo disco, pouco tocada em shows.

Todas do "Accelerate" - "Living...", "Man-Sized Wreath", "The Hollow Man", "Supernatural Superserious" e "Horse To Water" - foram bem escolhidas. Mas os pontos altos para mim foram mesmo "Imitation of Life" e "Orange Crush". Repito: "Orange Crush"!! Aqui, em vez do repeteco frustrante de um bom filme, me senti vendo os excelentes extras de um DVD duplo.

E sim, teve as exaltações a Obama. Só alegria.

Enfim, a banda. Michael Stipe ainda canta pra cacete - o que são aqueles sustentados assombrosos em "Let Me In"?? Peter Buck ainda é o meu guitar hero. Mike Mills continua nerdão, se garantindo no baixo e nos backings. Os caras de apoio são ótimos. O pique do grupo inteiro é intenso em todas as músicas. Não fazem tipo blasé, como o U2. Gostam de estar perto, interagir, de demonstrar o máximo prazer de estar ali tocando, por mais cansados que estejam da turnê.

Diferentemente de muito veterano que enjoa das músicas antigas e destróem os arranjos originais em seus shows, cof, cof, Madonna, cof..., desculpem... o R.E.M. faz questão não apenas de preservar a máxima fidelidade aos arranjos, como faz bons apanhados da carreira toda em seus setlists, fazendo o esforço de encaixar aquelas "músicas de fã", não-hits que são especiais, como foi o caso de "Rockville".

No final, ao som de "Man On The Moon", saí de lá com a sensação de ter visto um puta show, mas algo meio "agridoce", com a sensação de que poderia ter sido melhor.

O pós-show: ressaca e desilusão

Mas na quarta-feira acordo, ligo o micro e vejo o setlist da terça-feira. "And I feeeeel baaaaad..."

Tocaram "Driver 8". Tocaram "Exhuming McCarthy". Tocaram "Pretty Persuasion" e "7 Chinese Bros.", ambas do segundo disco. "I’ve Been High", uma das minhas favoritas do Reveal.

"Nightswimming". "Nightswimming". "Nightswimming".

"Maps and Legends" e "Begin the Begin" no bis.

E "These Days"??? AAAAAAH!!

Foi uma punhalada.

E para que eu tivesse certeza de que realmente escolhi o show errado para ir, também tocaram na terça "Drive", "Imitation Of Life" e "Orange Crush".

E aí?

Meu ex-colega de mestrado Bruno Nogueira criou uma expressão que eu gostei: "levar o show para casa". Isto é: o show que você deixou de ser diversão passageira e se tornou um momento especial, que você repassará em flashes pelos próximos dias, quiçá pelo resto da vida.

O show do R.E.M. no Rio em 2001 com certeza foi isso. O deste ano em 2008 provavelmente será também, mas ficará manchado por essa inconveniente decepção que tive com a diferença entre os dois setlists. O "show mais ou menos que ei vi" e o "show melhor que eu não vi". Pessoas que foram nos dois dias me falaram que na segunda foi mais catártico, mas eu só acho que eles sentiram isso porque foi o primeiro show, e o primeiro é sempre mais impactante. Ou então eles só queriam me consolar mesmo.

No mais, aproveitei neste show algo que infelizmente não pude em 2001: tirei fotos e gravei vídeos. Ruins, claro, mas valem o registro. Depois posto os vídeos, o link das fotos tá aí na antepenúltima frase.

Pra terminar, me despeço com os dois setlists abaixo, além de uma das músicas do show de 2001 que ainda permaneceram "únicas ao vivo", já que não tocaram nesta nova turnê pelo Brasil. E cujo refrão ainda serve de pedido de desculpas por terem me "sacaneado" na pegadinha dos dois shows. Mas ainda gosto de vocês, Athens' guys.

E é isso. Se a gente se ver de novo, nem peço mais música X ou Y: barateiem os ingressos e fica tudo beleza, pode ser?

SET LIST DE SEGUNDA-FEIRA

01. Living Well Is the Best Revenge
02. I Took Your Name
03. What’s the Frequency, Kenneth?
04. Fall On Me
05. Drive
06. Man-Sized Wreath
07. Ignoreland
08. Hollow Man
09. Electrolite
10. The Great Beyond
11. Everybody Hurts
12. Imitation Of Life
13. She Just Wants To Be
14. The One I Love
15. Sweetness Follows
16. Let Me In
17. Bad Day
18. Horse To Water
19. Orange Crush
20. It’s the End of the World As We Know It (And I Feel Fine)
21. Supernatural Superserious
22. Losing My Religion
23. Animal
24. (Don’t Go Back To) Rockville
25. Man On The Moon


SET LIST DE TERÇA-FEIRA

01. Living Well Is the Best Revenge
02. These Days
03. What’s the Frequency, Kenneth?
04. Driver 8
05. Drive
06. Man-Sized Wreath
07. Ignoreland
08. Exhuming McCarthy
09. Imitation Of Life
10. Pretty Persuasion
11. The Great Beyond
12. Everybody Hurts
13. 7 Chinese Bros.
14. The One I Love
15. I’ve Been High
16. Nightswimming
17. Bad Day
18. I’m Gonna DJ
19. Orange Crush
20. It’s the End of the World As We Know It (And I Feel Fine)
21. Supernatural Superserious
22. Losing My Religion
23. Maps and Legends
24. Begin the Begin
25. Man On The Moon

sábado, 8 de novembro de 2008

O retorno do R.E.M. à minha vida

"The name of the band is R.E.M." - Michael Stipe, 2001

Sabe aquele amigo que você não vê há uns anos? Que era um grande amigão naquela época, mas quando voltam a se falar, não é mais a mesma coisa? E não é que você não gosta mais dele, mas é que vocês mudaram e o período de ausência cria aquele vácuo que vocês não sabem preencher, daí falta assunto, falta intimidade, sei lá...

No início de 2001 eu ainda era estudante de jornalismo, o Napster e o formato mp3 eram "as" novidades, e minha vida sentimental estava esquisita (pra não entrar em detalhes). Musicalmente eu já tinha um gosto meio consolidado - acho que ainda gosto das mesmas coisas até hoje, só acrescentei coisas novas. E o show de rock internacional mais incrível que havia visto até então era o já longínquo Faith No More em 1991.

Agora, 2008, casei, mudei de cidade, blá blá blá... Amadureci? Acho que sim. Pensar vinte vezes antes de comprar um encadernado de HQs porque a grana pode ser útil na feira da semana é amadurecer?

Enfim. E tem o R.E.M. antes desses anos, durante e agora.

Senta que lá vem história...

Refletindo até aqui, o show do R.E.M. no Rock In Rio III, naquele lindo 13 de janeiro de 2001, não foi apenas (apenas??) o melhor show de rock que já tive o prazer de presenciar, mas foi um acontecimento que mudou minha vida.

Até 2001, eu nunca tive muita grana para viajar. Além de estar privado de conhecer outras cidades, eu me martirizava pelos shows internacionais que passavam pelo eixo Rio-SP. À medida que o adolescente aqui crescia e gostava mais e mais de rock, ia perdendo shows históricos no Brasil como Ramones, Nirvana, The Cure, Jimmy Page & Robert Plant. Não gosto nem de lembrar disso.

Em 1999/2000, eu já tinha a minha poupancinha dos primeiros estágios em jornalismo, que usava apenas para pequenos gastos mensais. Uma camiseta aqui, um CD ali. Mas aí veio o anúncio do Rock In Rio III. Os boatos falavam em Sting, Iron Maiden, Guns n' Roses. Blé, nada demais. Mas aí Roberto Medina anunciou que o R.E.M. viria para o primeiro show deles no Brasil.

Aí, meu amigo, como dizem na minha terra, "fudeu a tabaca de chola".

Não dá para dizer exatamente que o R.E.M. era/é a minha banda favorita, porque se eu tenho uma banda favorita (e eu acho esse papo de "a coisa favorita" meio limitante às vezes), seria Beatles. Mas certamente, dentre as bandas ainda em atividade, está no meu top 3 - quase sempre no primeiro lugar - de banda mais importante para o meu crescimento pessoal/musical/sentimental.

Como bilhões de outros, conheci R.E.M. por "Losing My Religion" e o Out Of Time. Mas eu teria parado aí, sabe? Isso na época era tão relevante quanto dizer que conheci o Jesus Jones quando ouvi "Right Here, Right Now". Mas o que não me avisaram é que a banda daquele hit tinha uma discografia espetacular bem antes do hit. E não é só isso! Na compra desta banda você [eu] ainda levará outros discos e músicas maravilhosos que viriam a seguir.

E assim a trilha sonora da minha adolescência seguiu: Automatic For The People quando entrei na Escola Técnica, New Adventures In Hi-Fi quando entrei na faculdade, Up quando estava na metade desta.

(Por que pulei o Monster? Não gosto desse disco, nem do recente Around The Sun. Pra mim são os dois únicos erros da discografia da banda)

E foi nesse embalo que resolvi gastar quase toda minha poupança naquela viagem de quatro dias ao Rio de Janeiro. Primeira viagem com dinheiro próprio, primeira viagem sozinho, primeira ida ao Rio, primeiro Rock in Rio, primeiro show do R.E.M.. Pode-se dizer que foi uma jornada espiritual.

A viagem em si eu fui sozinho, mas outros amigos recifenses foram também por sua conta. Só que eles tiveram o bom senso de chegar na véspera do show, de avião, e o papai aqui pegou um ônibus que chegou na cidade umas seis horas antes do show começar. E tome carreira para deixar as malas, almoçar, tomar banho e correr pra Cidade do Rock.

Não vou comentar os outros shows do dia, porque não vem ao caso. Um dia falo do show do Beck meio marromeno e o tédio no Foo Fighters. Porque todos eles foram só uma espera longa pro show da minha vida.

Michael Stipe entra no palco cantando "Finest Worksong". Uma das melhores músicas de um dos melhores discos do grupo, o Document. A segunda foi "What's The Frequency, Kenneth?", do disco que não gosto, o Monster, mas aí a empolgação era tamanha que cantei a música a plenos pulmões. Daí, salvo engano, veio "The Wake Up Bomb", do New Adventures In Hi-Fi, outra música foda de um disco foda.

Falei pra mim mesmo: se o show acabasse ali, já teria sido o melhor show de todos os tempos. Mas eu sabia que dali por diante ainda viria muito mais.



Não bastasse a empolgação da banda em tocar no Brasil pela primeira vez (com direito a Michael Stipe tomando caipirinha no palco), a boa vibe do público, enfim, tudo indo perfeito, o setlist escolhido foi impecável: só tinha música espetacular, abrangendo quase toda a discografia (só o EP Chronic Town, o Murmur e o Fables of the Reconstruction ficaram de fora). Foi mais ou menos assim, se minha memória não me trair (a ordem pode estar errada em alguns pontos):

"Finest Worksong"
"What's The Frequency, Kenneth?"
"The Wake Up Bomb"
"South Central Rain (I'm Sorry)"
"Fall on Me"
"Stand"
"The Lifting" (era inédita na época, o Reveal saiu meses depois)
"The Great Beyond"
"At My Most Beautiful"
"She Just Wants To Be" (também inédita na ocasião)
"The One I Love"
"Daysleeper"
"Find The River"
"Losing My Religion"
"Walk Unafraid"
"Man On The Moon"
Bis:
"Everybody Hurts"
"Pop Song 89"
"It's the End of the World as We Know It (And I Feel Fine)"

Depois desse show, pra mim era realmente o fim do mundo como o conhecemos. As torres caíram meses depois, mas eu me sentia bem. Sinto até hoje.

E agora?

Agora meus "amigos" retornam e não sei bem o que fazer com eles. Pra começar, eu já fiquei meio sentido de ter que pagar R$ 100 para revê-los. E se esta é a primeira impressão que ficou do reencontro, não é boa coisa.

Felizmente, eles retornam em alta: depois do fiasco do Around The Sun, o Accelerate os salvou: não é um Automatic, mas é sim um disco instigado e bem produzido, com ótimas músicas.

É claro que esse segundo show não vai ser o show da minha vida, porque nada vai apagar o impacto do que foi aquilo pra mim no Rio. Daí o que eu espero é pelo menos um inspirado set list com músicas "menores".

Se não for pedir muito, pessoal, gostaria de ouvir só umas três do Accelerate para deixarem espaço pras boas velharias. Queria ouvir "Leave", "I Believe" (ver post anterior), "E-Bow The Letter", "Country Feedback", "Endgame", "Begin The Begin", "Near Wild Heaven", "Drive", "Electrolite" e "Cuyahoga". Queria "Imitation of Life" e "All The Way To Reno (You're Gonna Be A Star)", as melhores músicas do Reveal, lançado só depois do Rock In Rio.

E queria muito, muito, ouvir coisas da trinca que ficou de fora do show de 2001 - Chronic Town/Murmur/Fables of the Reconstruction: "Feeling Gravity's Pull", "Radio Free Europe", "Talk About The Passion", "Perfect Circle", "Maps and Legends", "Driver 8", "Wolves, Lower", "Gardening at Night", "Carnival of Sorts (Box Cars)"...

E "Shiny Happy People"? Ok, não sonha... ;)

Whatever... Welcome back, guys!

This post goes out to the band I love.