Pois é, pessoal. Como já disseram Twitter afora, a morte dele pouco depois da de Herbert Richers fez calar pessoas importantes da nossa geração, que cresceu alimentada pela efervescente TV brasileira dos anos 80. Vai fazer falta, com certeza.
O mais louco é que passamos anos tentando adivinhar a aparência de Lombardi, mas não é que o dito cujo lançou um site próprio cheio de fotos suas e quase ninguém sabia disso? A dica veio de Alexandre "Trabalho Sujo" Matias.
Esta tem sido a semana da ascensão e queda da memória seletiva.
Ontem, completamos quinze anos que Mussum "se pirulitouzis". Os twitteiros emplacaram a tag #mussumday e devem ter deixado os americanos com cara de "WTF?" de novo.
Obviamente, todos os trintões do Twitter - eu incluso - renderam homenagens, lembrando dos bons momentos de Antônio Carlos. Só que não vi ninguém mencionar que, quando o mangueirense se foi, os Trapalhões já começavam a entrar em um processo de decadência que vinha desde 1990, com a morte de outro mestre do grupo, Zacarias.
Eles haviam reformulado o programa para tentar dar uma cara mais "jovem", e introduziram um cenário meio hip-hop (?), deixando até o coitado do Mussum com dreads (??). Na tela:
Na segunda-feira, o Garagem - também conhecido como o bar mais tosco da galáxia - finalmente foi demolido. É engraçado que vi muita gente lamentando o fato, mas essas mesmas pessoas resmungavam há anos da degradação progressiva do local - e olha que ali nunca foi "limpeza" nem mesmo no seu auge.
Da minha parte, acho que o Garagem teve lá sua importância no que se refere a reunir tribos distintas do Recife - pessoalmente gosto disso em um bar - e refletir essa boa mistureba no som ambiente, mas fico meio dividido no quesito vigilância sanitária. Acho que um mínimo de noção nessa parte seria decente, mas por outro lado tiraria o charme trash dali.
De fato, foi um bar acima da média no Recife. O problema é que a média de lugares legais na noite da cidade sempre foi muito fraca.
Um bar tosco merece um vídeo igualmente tosco
Por fim, na mesma segunda-feira, Emerson Leão, também conhecido como o treinador mais marrento do Brasil, foi demitido do Sport. Isso foi positivo porque representa o oposto dos outros exemplos acima.
A contratação de Leão foi motivada por um misto de desespero e memória seletiva do Leão que fez história no Sport em 1987 e 2000. Mas eu já achava que este não era o momento certo para trazer Leão de volta ao Sport, pois o cara está sim em uma maré ruim como técnico. E o Sport, em uma maré pior ainda no Brasileirão e precisando urgentemente de resultados, não de chiliques.
Moral da história? Nem sempre modernizar o passado é uma evolução musical, Chico.
A morte de um ídolo universal como ele faz isso com o mundo. Faz a gente pensar não apenas sobre o óbvio - ou seja, sobre a importância do cara em nossas vidas e sobre o que aconteceu na sua própria - mas refletir mais sobre nós mesmos também.
Bastou recebermos a notícia da possível morte - confirmada logo depois - para dar aquela confusão de pensamentos. Como lidar com a perda de um cara que deixou a vida de muita gente mais divertida? Por que ele morreu tão cedo? Como conseguiu se tornar tão poderoso na cultura pop, mesmo tendo vivido tantas bizarrices e acusações? Qual é a sua lembrança mais viva em relação a Michael Jackson e no que ele foi importante para você?
As celebridades são as divindades dos nossos tempos. Mas diferente dos ícones religiosos, que por serem inatingíveis se tornam distantes unanimidades, as celebridades caminham entre nós, e por isso nosso culto à divindade também é afetado.
Se eles estão por cima, os idolatramos e usamos como referência positiva; se estão por baixo, nós rimos e jogamos pedras, pois nossa inveja se sacia com o fato de que eles erram e são tão humanos quanto nós. Se morrem prematuramente, nos entristecemos pois eles se sacrificaram para expurgar nossos pecados, mas talharam seu nome na história. Isso pode não ser o bastante para acabar com a dor da perda de muitos, mas acredite: eles cumpriram o papel de tornar esse mundo, se não melhor, mais agradável de se viver.
[Ressaltando: considero acima as celebridades de direito, que tem uma obra a zelar, como MJ, e não famosos "inúteis" como Paris Hilton e afins]
Sobre Michael, o que fico mais triste nisso tudo é que estamos muito, muito longe de ver alguém assumir seu trono na música pop de fato e de direito. Seu maior pecado foi querer nunca crescer, mas não dá para culpá-lo em um mundo onde Chris Brown bate em mulheres e os irmãos Gallagher brincam de boçais. Mas fico feliz porque acredito que agora ele finalmente vai ter a felicidade e paz que nunca teve em vida.
A derrota do Sport para o Palmeiras na Libertadores não foi o melhor presente que o clube poderia receber no seu aniversário de 104 anos. Mas com certeza foi igualmente honroso.
Acontece com todo time supostamente invencível: a inevitável queda. E desde a maravilhosa conquista da Copa do Brasil no ano passado o Sport estava provocando os deuses há um bom tempo. Aí veio o tetracampeonato pernambucano invicto e a campanha até então irretocável na Libertadores.
Líder do grupo da morte? Derrotar o atual campeão da Libertadores na casa deles? Ganhar o direito do segundo jogo na Ilha do Retiro? Era demais para ficar impune.
O Sport jogou muito ontem, garantiu a vitória e perdeu nos pênaltis simplesmente porque Marcos estava iluminado. Ontem o cara provou - mais uma vez - porque é goleiro pentacampeão mundial e merece todo o nosso respeito.
O Sport caiu de pé. O técnico Nelsinho Batista e todos os nossos heróis - destaco Fumagalli, Ciro, Igor, Vandinho, Dutra, Durval, Magrão, Hamilton e Daniel Paulista - estão de parabéns pela campanha incrível que deixou muito torcedor fanfarrão dos concorrentes de queixo caído.
Tenho lá minhas ressalvas a Paulo Baier, pois o jogador mais caro do time teve lá sua culpa na derrota em São Paulo - e conferi isso pessoalmente - e no placar de apenas 1 a 0 na Ilha. Talvez seja cedo para falar em demissão, mas uma renegociação de contrato deveria ser cogitada.
Também é vergonhosa a briga de bonecas entre Luxemburgo e Guilherme Beltrão. Isso envergonha a ambos os times. Verdade, é difícil ver Luxinha posando de bonzão depois dessa, mas logo vai chegar a vez dele apanhar em campo de novo.
No mais, parabéns ao glorioso Sport Club do Recife por completar mais um ano como líder do futebol pernambucano, sem falar do respeito conquistado no país. Agora é hora de erguer a cabeça para detonar no Brasileirão, pois lamentar o título perdido não é para nós.
É um vídeo de novembro do ano passado, e estava para colocar aqui faz um tempo. É um trecho do "Programa do Jô" onde Tom Zé explica que o refrão do funk "Atoladinha" é um metarrefrão microtonal e polissemiótico.
Não é pra rir não, pois ele explica isso na maior didática no vídeo abaixo, faz todo o sentido do mundo e me impele a fazer "clap, clap" (mais uma vez) ao gênio de Irará.
É um vídeo maior que a média dos vídeos de internet, mas vale cada segundo.
Estamos no sétimo dia do ano e já tem uma fila de coisas pela frente:
Reforma ortográfica (RIP trema!), reforma tributária (um dia sai!), novas regras do Detran (ficou mais caro e mais difícil virar um fornecedor de "tocos" dos guardas de trânsito), Ronaldo no Corinthians (como goleiro ou como bola, você escolhe), o Sport tetracampeão pernambucano (e com boa campanha na Libertadores!), os filmes de "Watchmen", "Wolverine" e "Transformers 2" (tô mais ansioso por esse último, apesar de Michael Bay), João da Costa como prefeito do Recife (boa sorte), Obama mandando no mundo ("yes, he can!"), os candidatos a defunto famoso do ano (Amy? Michael Jackson? Patrick Swayze? José Alencar? Steve Jobs? N.D.A.?)...
.... Israel desde já matando e morrendo (mais matando), Jesus loves Madonna (quanto tempo dura?), mais desastres naturais acabando com o mundo aos poucos (as nuvens de MG e SC ainda não desistiram), o que vai acontecer a Flora (por mim ela iria até a Índia sabotar a próxima novela), os novos "instant celebrities" do "BBB" (essa incansável fábrica de fatos relevantes, cof!), as próximas bandas hype (sempre aparecem boas e ruins), o terceiro disco do Franz Ferdinand (nice!)....
... o retorno de "Lost" e "24 Horas" (high five!), o ano dois do "CQC" ("olha isso!"), a espera pelo anúncio dos shows de Paul McCartney no Brasil (algo tipo o retorno de Cristo - o original, não o de Madonna), Kraftwerk abrindo para Radiohead (e Florian Schneider já estilou e pediu as contas), B-52's e AC/DC também vindo para cá (mas só eu pretendo ir ao show deles, até agora), a internet 3G ficando melhor e mais barata (adeus, cabos), o Brasil de novo NÃO ser indicado ao Oscar de filme estrangeiro (e de novo os Barretões sobrarem)...
... isso fora os eventos pré-marcados desde que o mundo é mundo, como Carnaval, a Páscoa, os aniversários de pessoas queridas, São João, Dia das Mães, Pais e Crianças, Finados, Natal, Ano Novo, tudo de novo.
E fora as coisas que esqueci ou que hão de acontecer e ninguém previa.
"Os fatos maaais marcantes, do Brasil e do Mundo!"
Bom, sem mais delongas, seguem os vencedores antes que o ano - e o mundo - acabe. Lembrando que:
* A lista é de total (ir)responsabilidade e (in)competência deste que vos tecla, por critérios parcialmente e/ou totalmente subjetivos
* Muitos prováveis erros de julgamento de minha parte podem vir de minha parcial e/ou total falta de conhecimento sobre o assunto. Mas isso torna a lista mais sem noção, e por isso, mais divertida, a meu ver
* Em itálico, meus comentários sobre a escolha em questão
Disco
Melhor: Accelerate, R.E.M. - o bom retorno de uma das melhores bandas pop, e novamente sintonizado com a política
Pior: nenhum - não que não tenha havido discos ruins, eu é que ouvi poucos discos este ano. Mas é possível que o Chinese Democracy do Guns n' Roses estivesse aqui se eu tivesse tentado
Canção
Melhor: "Living Well Is The Best Revenge", R.E.M. - a primeira música do Accelerate e a mais matadora
Pior: "Dull Flame of Desire", de Björk e Antony Hegarty - ainda acho que Björk tem salvação, pois eu gostei de "Earth Intruders", do último disco. Mas essa música é ruim de doer
Menções honrosas: "Single Ladies", Beyoncé; "I Kissed a Girl", Katy Perry; "That's Not My Name", The Ting Tings - músicas "chiclete" muito boas, todas ao seu modo
Clipe
Melhor: "Pork And Beans", Weezer - tem coisa mais nerd que vídeo de internet? O Weezer sempre honra a nossa categoria com classe
Pior: "Time To Pretend", MGMT - eu gosto muito da música e da banda, mas o clipe é uma bosta
Show
Melhor: R.E.M. - não foi como em 2001, claro, e me negaram um setlist mais roots, mas não tem parelha pra eles ao vivo
Pior: Wilson Sideral, na abertura pro R.E.M. - precisa explicar? Hahaha
Banda/Artista musical
Melhor: R.E.M. - lançaram disco bom, foram um dos mais engajados por Obama, vieram ao Brasil de novo, e ainda usaram as redes sociais para mobilizar os fãs a gerar conteúdo sobre a turnê. Mestres!
Pior: acho que Mariah Carey - só porque Whitney Houston não lançou disco novo
Menção Honrosa: Ting Tings e Katy Perry - acho que Katy tem potencial para (clichê de crítico musical mode on) ser para esta década o que Madonna foi nos anos 80 (mode off). Mas também pode só virar uma "one hit wonder"
Menção desonrosa: Nove Mil Anjos - vai dormir, Júnior!
Filme
Melhor: Ensaio Sobre a Cegueira - Meirelles matando a pau, elenco muito bom, história envolvente
Pior: Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal - acabou sendo bastante decepcionante e dispensável
Menções honrosas: Rebobine Por Favor, Batman - O Cavaleiro das Trevas e Homem de Ferro - o latoso me surpreendeu mais positivamente, principalmente por causa de Robert Downey Jr. e dos excelentes efeitos. E Jack Black + Gondry só podia sair coisa boa
Ator/Atriz
Melhor: Julianne Moore - talvez a melhor atuação da carreira dela foi em Ensaio, e olha que isso é páreo duro
Pior: Cate Blanchett - Proposital ou não, ela foi tosca além da conta no Indy
Menção honrosa: Heath Ledger e Aaron Eckhart - não é porque ele morreu, o cara foi fodão mesmo como o Jóker. E Eckhart foi igualmente incrível como Duas Caras mas foi muito pouco lembrado
Notícia musical
Melhor: As gravadoras desistindo de processar usuários de mp3 - é uma batalha vencida, mas vamos ver o que essa guerra tem pela frente
Pior: A crise criativa na música brasileira - fala sério, qual foi o último compositor da MPB minimamente interessante? Zeca Baleiro?
Notícia de cinema
Melhor: o retorno dos bons filmes de heróis - a trinca Batman, Homem de Ferro e Hellboy; este último eu não vi, mas minha filha nº 2 viu e achou muito bom
Pior: a demora do IMax em chegar ao Brasil e os preços altos dos cinemas
Notícia nacional
Melhor: a Lei Seca - vários mortos a menos, menos prejuízos materiais... mas tem gente que ainda fala mal, né?
Pior: enchente em Santa Catarina - e vem mais por aí - ler mais embaixo
Notícia mundial
Melhor: A eleição de Obama - histórico desde já
Pior: As catástrofes naturais como o tremor na China, enchente em Mianmar, nevasca nos EUA - e só vai piorar enquanto continuarmos com carro a gasolina, sem reciclar lixo, poluindo as águas...
Menção desonrosa: os bombardeios em Gaza no fim do ano
Programa de TV
Melhor: CQC - difícil fugir do óbvio, mas é isso. Foi o ano deles
Pior: Superpop - enquanto existir Luciana Gimenez, será esse
Menção deshonrosa - A Tarde é Sua - só pelo que Sônia Abrão aprontou no caso Eloá
Notícia de informática
Melhor: surgimento da rede 3G - em breve, ligações no celular com vídeo, estilo Jetsons
Pior: alta do dólar - deixando os gadgets caros ainda mais caros
Blog
Melhor: Melhores do Mundo - acho que não teve um dia que eu não acessei. Só os dias que não fui à internet
Pior: nenhum em especial - mas essa polêmica de posts pagos tá enchendo muito
Vídeo da Web
Melhor: Dança do quadrado - a essa altura já perdeu um pouco a graça, mas na época era muito engraçado
Pior: Zileide Silva perdida no Jornal Hoje - ok, é engraçado, mas um pouco ela-não-precisava-passar-por-isso
Notícia econômica
Melhor: a redução do IOF e do IPI - impostos menores é sempre bom, na minha opinião; mesmo que a gente não seja dono de montadora, a gente vai poder comprar carro mais barato depois
Pior: a crise misteriosa - beleza, existe uma crise, mas o pior da crise é a falta de informações claras sobre ela, como tudo que é economia, aliás
Notícia esportiva
Melhor: Sport campeão da Copa do Brasil - Cielo? Maureen? São Paulo hexa? Pff. Viva o Leão, porra!
Pior: a má fase da Seleção Brasileira - e aí, Dunga?
Mulher * depois da esposa, claro. Beijo me liga!
Melhor: Megan Fox - não apareceu em filme nenhum, mas ainda colhe o que plantou em 2007 com Transformers, fazendo o melhor ensaio de revista do ano
Pior: Amy Winehouse - a tribufu do pop segue muito feia
Menção honrosa: Britney Spears - voltou a tomar os remedinhos em dia e ficou pegável de novo. Nice!
Morto
Melhores: Arthur C. Clarke, Rick Wright, Mestre Salu, Dercy, Heath Ledger - tem mais aqui
Pior: Marcelo Silva - sem piada com a morte do cara, que não deixou de ser deprimente. Mas em vida o cara era meio baixo astral também, hei de convir
Micos
Nacional: Ronaldo e os travecos - parece nome de banda tosca -, o padre dos balões e o Bloc Party no VMB
Internacional: a sapatada em Bush - o pior foi o iraquiano não ter acertado - e o Chinese Democracy - era legal enquanto era piada; quando lançou, Axl explicou a piada e perdeu a graça
Séries de notícias mais 'táqueopareu'
Caso Isabella Nardoni, caso Eloá, Madonna no Brasil e Mallu Magalhães - os crimes são hediondos, ok, mas mais hediondo é o mundo cagar e andar para as outras milhares de mulheres e crianças mortas pelo país. A Vera Fischer do pop por mim não volta aqui nem tão cedo, e a Maísa do pop rendeu tanta falação pró e contra que já encheu o saco de filó (expressão mais velha que a própria Madonna)
Fato da minha vida
Melhor: o casamento e a mudança para São Paulo
Pior: ficar seis meses sem perspectiva de emprego
Menções honrosas: o DVD player novo com videokê, e o Persépolis que ganhei, em um ano que li muito pouca HQ
"The name of the band is R.E.M." - Michael Stipe, 2001
Sabe aquele amigo que você não vê há uns anos? Que era um grande amigão naquela época, mas quando voltam a se falar, não é mais a mesma coisa? E não é que você não gosta mais dele, mas é que vocês mudaram e o período de ausência cria aquele vácuo que vocês não sabem preencher, daí falta assunto, falta intimidade, sei lá...
No início de 2001 eu ainda era estudante de jornalismo, o Napster e o formato mp3 eram "as" novidades, e minha vida sentimental estava esquisita (pra não entrar em detalhes). Musicalmente eu já tinha um gosto meio consolidado - acho que ainda gosto das mesmas coisas até hoje, só acrescentei coisas novas. E o show de rock internacional mais incrível que havia visto até então era o já longínquo Faith No More em 1991.
Agora, 2008, casei, mudei de cidade, blá blá blá... Amadureci? Acho que sim. Pensar vinte vezes antes de comprar um encadernado de HQs porque a grana pode ser útil na feira da semana é amadurecer?
Enfim. E tem o R.E.M. antes desses anos, durante e agora.
Senta que lá vem história...
Refletindo até aqui, o show do R.E.M. no Rock In Rio III, naquele lindo 13 de janeiro de 2001, não foi apenas (apenas??) o melhor show de rock que já tive o prazer de presenciar, mas foi um acontecimento que mudou minha vida.
Até 2001, eu nunca tive muita grana para viajar. Além de estar privado de conhecer outras cidades, eu me martirizava pelos shows internacionais que passavam pelo eixo Rio-SP. À medida que o adolescente aqui crescia e gostava mais e mais de rock, ia perdendo shows históricos no Brasil como Ramones, Nirvana, The Cure, Jimmy Page & Robert Plant. Não gosto nem de lembrar disso.
Em 1999/2000, eu já tinha a minha poupancinha dos primeiros estágios em jornalismo, que usava apenas para pequenos gastos mensais. Uma camiseta aqui, um CD ali. Mas aí veio o anúncio do Rock In Rio III. Os boatos falavam em Sting, Iron Maiden, Guns n' Roses. Blé, nada demais. Mas aí Roberto Medina anunciou que o R.E.M. viria para o primeiro show deles no Brasil.
Aí, meu amigo, como dizem na minha terra, "fudeu a tabaca de chola".
Não dá para dizer exatamente que o R.E.M. era/é a minha banda favorita, porque se eu tenho uma banda favorita (e eu acho esse papo de "a coisa favorita" meio limitante às vezes), seria Beatles. Mas certamente, dentre as bandas ainda em atividade, está no meu top 3 - quase sempre no primeiro lugar - de banda mais importante para o meu crescimento pessoal/musical/sentimental.
Como bilhões de outros, conheci R.E.M. por "Losing My Religion" e o Out Of Time. Mas eu teria parado aí, sabe? Isso na época era tão relevante quanto dizer que conheci o Jesus Jones quando ouvi "Right Here, Right Now". Mas o que não me avisaram é que a banda daquele hit tinha uma discografia espetacular bem antes do hit. E não é só isso! Na compra desta banda você [eu] ainda levará outros discos e músicas maravilhosos que viriam a seguir.
E assim a trilha sonora da minha adolescência seguiu: Automatic For The People quando entrei na Escola Técnica, New Adventures In Hi-Fi quando entrei na faculdade, Up quando estava na metade desta.
(Por que pulei o Monster? Não gosto desse disco, nem do recente Around The Sun. Pra mim são os dois únicos erros da discografia da banda)
E foi nesse embalo que resolvi gastar quase toda minha poupança naquela viagem de quatro dias ao Rio de Janeiro. Primeira viagem com dinheiro próprio, primeira viagem sozinho, primeira ida ao Rio, primeiro Rock in Rio, primeiro show do R.E.M.. Pode-se dizer que foi uma jornada espiritual.
A viagem em si eu fui sozinho, mas outros amigos recifenses foram também por sua conta. Só que eles tiveram o bom senso de chegar na véspera do show, de avião, e o papai aqui pegou um ônibus que chegou na cidade umas seis horas antes do show começar. E tome carreira para deixar as malas, almoçar, tomar banho e correr pra Cidade do Rock.
Não vou comentar os outros shows do dia, porque não vem ao caso. Um dia falo do show do Beck meio marromeno e o tédio no Foo Fighters. Porque todos eles foram só uma espera longa pro show da minha vida.
Michael Stipe entra no palco cantando "Finest Worksong". Uma das melhores músicas de um dos melhores discos do grupo, o Document. A segunda foi "What's The Frequency, Kenneth?", do disco que não gosto, o Monster, mas aí a empolgação era tamanha que cantei a música a plenos pulmões. Daí, salvo engano, veio "The Wake Up Bomb", do New Adventures In Hi-Fi, outra música foda de um disco foda.
Falei pra mim mesmo: se o show acabasse ali, já teria sido o melhor show de todos os tempos. Mas eu sabia que dali por diante ainda viria muito mais.
Não bastasse a empolgação da banda em tocar no Brasil pela primeira vez (com direito a Michael Stipe tomando caipirinha no palco), a boa vibe do público, enfim, tudo indo perfeito, o setlist escolhido foi impecável: só tinha música espetacular, abrangendo quase toda a discografia (só o EP Chronic Town, o Murmur e o Fables of the Reconstruction ficaram de fora). Foi mais ou menos assim, se minha memória não me trair (a ordem pode estar errada em alguns pontos):
"Finest Worksong" "What's The Frequency, Kenneth?" "The Wake Up Bomb" "South Central Rain (I'm Sorry)" "Fall on Me" "Stand" "The Lifting" (era inédita na época, o Reveal saiu meses depois) "The Great Beyond" "At My Most Beautiful" "She Just Wants To Be" (também inédita na ocasião) "The One I Love" "Daysleeper" "Find The River" "Losing My Religion" "Walk Unafraid" "Man On The Moon" Bis: "Everybody Hurts" "Pop Song 89" "It's the End of the World as We Know It (And I Feel Fine)"
Depois desse show, pra mim era realmente o fim do mundo como o conhecemos. As torres caíram meses depois, mas eu me sentia bem. Sinto até hoje.
E agora?
Agora meus "amigos" retornam e não sei bem o que fazer com eles. Pra começar, eu já fiquei meio sentido de ter que pagar R$ 100 para revê-los. E se esta é a primeira impressão que ficou do reencontro, não é boa coisa.
Felizmente, eles retornam em alta: depois do fiasco do Around The Sun, o Accelerate os salvou: não é um Automatic, mas é sim um disco instigado e bem produzido, com ótimas músicas.
É claro que esse segundo show não vai ser o show da minha vida, porque nada vai apagar o impacto do que foi aquilo pra mim no Rio. Daí o que eu espero é pelo menos um inspirado set list com músicas "menores".
Se não for pedir muito, pessoal, gostaria de ouvir só umas três do Accelerate para deixarem espaço pras boas velharias. Queria ouvir "Leave", "I Believe" (ver post anterior), "E-Bow The Letter", "Country Feedback", "Endgame", "Begin The Begin", "Near Wild Heaven", "Drive", "Electrolite" e "Cuyahoga". Queria "Imitation of Life" e "All The Way To Reno (You're Gonna Be A Star)", as melhores músicas do Reveal, lançado só depois do Rock In Rio.
E queria muito, muito, ouvir coisas da trinca que ficou de fora do show de 2001 - Chronic Town/Murmur/Fables of the Reconstruction: "Feeling Gravity's Pull", "Radio Free Europe", "Talk About The Passion", "Perfect Circle", "Maps and Legends", "Driver 8", "Wolves, Lower", "Gardening at Night", "Carnival of Sorts (Box Cars)"...
Protege o cara, Jack Bauer! Ele vai precisar pelos próximos anos, pois o que não falta no mundo é racista psycho!
Eu sei que não é garantia de nada. Lembro bem da minha inocente felicidade com a aclamada eleição de Luiz Inácio, em 2002, e... enfim, deu no que deu. E democratas também não são anjinhos. Mas enfim, acho que uma cara novo, disposto e (aparentemente) bem intencionado como Obama pode trazer, sim, alguma mudança significativa.
E unindo o útil ao agradável, ou seja, a contagem regressiva para o show do R.E.M. em São Paulo, vamos ver a homenagem que Michael Stipe & cia. fez a Barack em show no Chile - essa até Salvador Allende deve ter curtido, lá do céu dos mortos políticos.
When I was young and full of grace And spirited - a rattlesnake When I was young and fever fell My spirit, I will not tell You're on your honor not to tell
I believe in coyotes and time as an abstract Explain the change, the difference between What you want and what you need, there's the key, Your adventure for today, what do you do Between the horns of the day?
I believe my shirt is wearing thin And change is what I believe in
When I was young and give and take And foolish said my fool awake When I was young and fever fell My spirit, I will not tell You're on your honor, on your honor Trust in your calling, make sure your calling's true Think of others, the others think of you Silly rule golden words make, practice, practice makes perfect, Perfect is a fault, and fault lines change
I believe my humor's wearing thin And change is what I believe in I believe my shirt is wearing thin And change is what I believe in
When I was young and full of grace As spirited a rattlesnake When I was young and fever fell My spirit, I will not tell You're on your honor, on your honor I believe in example I believe my throat hurts Example is the checker to the key
I believe my humor's wearing thin And I believe the poles are shifting
A Revolução de 1932 faz 76 anos, hoje. (...) Foi a última vez que um estado se levantou contra o governo central, no Brasil. Difícil imaginar algo do tipo acontecendo novamente.