terça-feira, 13 de janeiro de 2009

"Events occur in real time"

"Então basicamente, o que está dizendo, sr. Bauer, é que os fins justificam os meios e que você está acima da Lei".
"Quando estou em uma missão, tenho um objetivo. E o objetivo é completar a missão a qualquer custo".
"Mesmo que tenha que violar a Lei".
"Para um soldado em combate, ser bem sucedido ou não depende da sua habilidade em se adaptar ao inimigo. As pessoas com quem lido não ligam para suas leis. Só se importam com o resultado final. Meu objetivo é impedir que fossem bem sucedidos. Simplesmente me adaptei. Respondendo à sua pergunta, estou acima da Lei? Não, senhor. Estou disposto a ser julgado pelas pessoas que o senhor diz representar, deixarei elas decidirem minha sentença. Mas por favor, não se sente aí com esse ar presunçoso e espere que eu diga que estou arrependido. Porque, senhor, a verdade é que não me arrependo".


E com esse touché, Jack Bauer diz a que veio na sétima temporada de "24 Horas", que teve início neste domingo (11) depois de praticamente um hiato de 20 meses sem episódios inéditos.

A essa altura, falar das conotações socio-políticas da série é meio que chover no molhado, mas é um pouco inevitável. Acusada constantemente de ser um dos pilares do reacionarismo da era Bush na TV, "24" acabou sendo ofuscada por esse clichê crítico - que tem lá seus argumentos convincentes, convenhamos.

Mas poucos veem os pontos positivos, como a ousadia política da série de tentar antecipar fatos reais, tornando-se quase um oráculo dos EUA - como ter antevisto a chegada de um negro à Casa Branca - ou mesmo a crítica interna feroz da quinta temporada - onde o próprio presidente foi o maior vilão. E as pessoas também se esquecem que, no frigir dos ovos, isto é um programa de ficção-entretenimento e para o bem de nossa sanidade, deve ser encarado como tal na maior parte do tempo.

Agora, após uma série de baques sofridos pela produção - a queda de qualidade e audiência da sexta temporada, a greve de roteiristas, a prisão de Kiefer Sutherland, a saída de Joel Surnow, a pressão da Fox - Jack Bauer está de volta. E aparentemente sozinho, sem a CTU. O que esperar?

Baixei o episódio Peguei um avião para os Estados Unidos, assisti ao primeiro episódio da sétima temporada e voltei para dizer o que achei. Em primeiro lugar, a trama: dando continuidade ao filme de novembro, a presidente dos EUA (sim", a presidente; eles previram Obama e agora querem prever Hillary Clinton) cogita a possibilidade do país intervir no conflito civil do país africano Sangala. Em paralelo, terroristas dentro dos EUA dão início a um plano de tomar conta do firewall que controla vários serviços básicos, como a aviação; na prática, eles podem por exemplo colidir dois aviões no céu à distância, usando tecnologia roubada. O plot é amplo, nos mantêm interessados e é bem fiel à essência da série.

Jack Bauer está o mesmo de sempre: amargurado com a vida e com seu país, mas sempre fiel aos seus princípios éticos, como pode-se ver pelo diálogo acima, onde começa sendo julgado por vários de seus crimes contra os direitos humanos - leia-se torturas. Daí acontece o roteiro de toda temporada de "24": de repente, uma pessoa - neste caso, o FBI, representado por uma agente bonitona - convoca o fodão para entrar na missão do momento porque ele sabe como lidar com a situação, ele hesita e parará, mas após descobrir que [SPOILER] Tony Almeida está vivo e é o chefe dos terroristas[/SPOILER], Jack decide entrar na brincadeira.

Um dos pontos altos do primeiro episódio, assim como no filme "24 Redemption", é a nova presidente, Allison Taylor. A personagem me parece firme tanto na ética quanto na autoridade, e periga ser a melhor presidente do seriado depois do saudoso David Palmer. A atriz está muito bem no papel.

[SPOILER]Trazer Tony Almeida da morte é um caso à parte. Por um lado, é uma estratégia meio apelativa. Acho que Tony morreu no momento certo, ainda no auge, na quinta temporada, mas como ele era um dos mais carismáticos da série, ressuscitá-lo é como gritar "ei, fãs antigos, voltem a ver os episódios, Tony voltou". Safadeza pura. Por outro lado, usar esse clichê do antigo-amigo-que-agora-é-inimigo pode dar uma sacudida boa em "24". Afinal, imagine se terroristas matassem a filha de Jack como mataram a mulher de Tony... será que ele não ficaria tão perigoso para o país quanto o latinão está agora?[/SPOILER]

A ação foi econômica por enquanto. Apenas um sequestro precedido de uma batida de carro, além de uma morte por atirador de elite. Nada de Jack matando ou torturando ainda. Mas a tensão do primeiro episódio é bem boa, com as subtramas andando e se amarrando ao mesmo tempo, naquele estilo fodão de "24 Horas".

Ponto baixo: o fim da CTU. Pero no mucho: de fato, acho que a CTU também já cumpriu seu papel. Assim como Los Angeles como cenário. Trazer a história para Washington pode render boas possibilidades.

Outro ponto baixo por enquanto é a ausência da fodástica Chloe O'Brian. Mas de fato, ela não foi necessária ainda. E sabemos que ela estará na temporada, assim como Bill Buchanan e a polêmica porém totosa Kim Bauer.

O relógio corre. Bem vindo ao inferno, Jack. Por favor, salve o mundo de novo.

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