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quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

Jack e Axl de volta


Mais atrasado que véia em canoa e a menstruação de Sandy, eis que falo do filminho 24: Redemption, exibido pela Fox no último dia 23 de novembro.

Como o assunto é velho mesmo e estou com preguiça, sugiro você ler antes este texto, pois o cara teve uma impressão muito parecida com a minha.

Ou seja: sim, o telefilme é muito bom e cumpre bem a função de ser uma excelente introdução/retorno ao universo de 24 Horas. Discordo do texto quando diz que o recurso do tempo real está batido. De fato, no filme ele foi bem fútil, pois a fluência da ação pouco diferiu de um filme de ação convencional.

Mas na série, que absorve o tempo fictício de um dia inteiro, eu ainda vejo o recurso como indispensável. Tipo, você saber que cada horinha daquelas influencia no todo, que cada minuto ganho por Jack é importante, etc.

Outra coisa legal foi a versão "Hillary Clinton" de 24 Horas. A atriz Cherry Jones me pareceu uma ótima escolha e mandou muito bem. Claro que seria muito mais impactante para a série se Hillary tivesse sido a escolha democrata no lugar de Obama, e em seguida se tivesse vencido a eleição. Mas como a mulher será a secretária de Estado do negão, a futurologia de 24 Horas mais uma vez entrou em sintonia com a realidade. É uma das coisas que fazem a série ser tão idolatrada e analisada.

Eu também não curti a ausência de Chloe O'Brian, mas é compreensível, pois a história do filme não a contemplava mesmo. Tô com saudades da nerd mal humorada.


No mais, dia 11 de janeiro a série volta e vamos ver como vão explicar esse retorno de Tony Almeida. Como diria Jack: "Damm it!"

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Não tenho muito mais comentários sobre o enfim lançado Chinese Democracy, da minha primeira banda favorita e hoje moribunda Guns n' Roses. Só achei que Axl Rose foi um safado. Por acaso ele não desconfiava que lançar esse disco teria uma influência no continuum do espaço-tempo?

Oras, por que vocês acham que Santa Catarina afundou na chuva? Como é que a superpotência econômica chamada Estados Unidos entrou em crise? Por que o ex-marido de Susana Vieira morreu? Por que choveu às pencas no Rio e por isso Madonna escorregou no palco? Por que Dado Dolabella agrediu alguém? (ok, pula essa) E oras, por que o gayzinho de A Favorita resolvou virar hetero?

Ora, tudo porque Axl lançou Chinese Democracy!

quinta-feira, 31 de julho de 2008

E o futuro dos heróis no cinema?

Enquanto isso, nota-se aqui e ali uma preocupação de alguns diretores em relação à saturação dos super-heróis, numa tentativa de torná-los mais “sérios”. O Batman realista de Christopher Nolan já surtiu efeitos _nota-se a indignação de vários críticos, que analisam e atacam o filme sob um prisma político. O mais simbólico dessa movimentação toda ainda está por vir.

Prometo que não falo mais no assunto pelos próximos meses. Mas esse texto traz questões interessantes que não deveriam ser ignoradas.

Sobre marketing e morcegos

Não tenho nada contra publicidade, mas me parece que estamos vivendo sob uma indústria cultural cada vez mais meta-meta-meta-publicitária. Há uns 20 anos, um filme só tinha como publicidade um trailer no cinema, um cartaz, stills (fotos do filme na bilheteria) e só. Quando muito, um comercial de TV e um outdoor.

Agora são uns 15 teasers, 18 cartazes e 20 trailers, site oficial, DVD com animações com prelúdio ao filme, videogame, no mínimo uns cinco sites virais, todas as cenas do filme recortadas em pequenos vídeos no Youtube, 200 fotos em alta resolução, wallpapers. Fora as milhares de notícias por dia. Hoje se faz até notícia para divulgar onde e quando sai o trailer. Este ainda por cima virou motivo para se gabar de exclusividade. Parece que assistir ao trailer hoje é mais legal do que assistir ao filme. Ah, e toda essa divulgação acontece uns três anos antes da estréia do filme de fato.

Acho que Batman - O Cavaleiro das Trevas é um estudo de caso bem oportuno nesse sentido. Tudo bem, desde 1977 com o primeiro Star Wars que o marketing virou o braço direito dos blockbusters, mas acho que com essa produção o hype ganhou a sua proporção mais assustadora. Por mais méritos que o filme em si tenha - e são muitos méritos - ele praticamente sumiu diante do furacão midiático. Não fomos assistir a mais um filme legal de fim de semana, e sim o "filme do ano", o "último filme de Heath Ledger" (a tal da fascinação/medo da morte atacando de novo?), a "adaptação de quadrinhos mais realista" e qualquer outro clichê dos últimos três anos de campanha.

O que me deixou mais desconcertado é que, acostumado que sou com a crítica de cinema em analisar as adaptações de quadrinhos como quem disseca uma mosca no microscópio, notei que praticamente todas as primeiras críticas ao filme se tornaram mais um braço da campanha pró-TDK. Ok, acho perfeitamente possível um crítico ter gostado mesmo do filme, mas não era apenas isso: muitos textos traziam em peso os mesmos chavões da campanha! Pareceu que, ou se deixaram contaminar naturalmente pelo hype, ou pode até ter rolado um lobby de verdade mesmo.

E eu, masoquistamente falando, fiquei à espera de alguém que NÃO tenha gostado do filme - ou pelo menos que tivesse achado apenas um filme normal - desde que tivesse bons argumentos. Daí achei esses dois textos de Kleber Mendonça Filho e Fernando Vasconcelos. O de KMF, principalmente, me chamou a atenção porque, assim como esse post, tem a mesmo preocupação com a cada vez maior ausência de fronteira entre publicidade, meta-publicidade, ficção e buzz que é o novo Bátima.

Eu me chateio com uma tendência natural de parte da crítica e do público que é ironizar/desdenhar de blockbusters e hipervalorizar cinema "adulto/de arte". Não sou pago pelos grandes estúdios. Eu só acho que cinema é algo maior do que esse tipo de maniqueísmo, ora como algo carregado de subjetivos critérios pessoais, ora sendo preconceito mesmo. Robocop é um filme tão bom quanto A Noite Americana. Arca Russa é um filme tão ruim quanto Batman & Robin. Também não gosto do fato de muitos críticos com formação tradicional de cinema serem leigos em outras mídias, ficando assim a dever no arcabouço (gostou dessa palavra? bonita, hein?) de referências para julgar adaptações do cinema a essas outras mídias. Daí você tem que engolir o papo que o capuz do Dr. Destino (personagem criado nos anos 60) é "plágio" daquele usado por Darth Sidious em Star Wars nos anos 80/90/2000. Porém, pior que tudo isso é você abrir o browser e ler em todo e qualquer portal que o filme novo do Batman é perfeito e o melhor da história. Conviver com vozes dissonantes nos deixa menos tapados.

O que eu achei do filme? Bom pra cacete, sim. Atuações impecáveis (até do morto Ledger), sim. Ação fantástica, sim. Mas um pouco maior, com roteiro mais firulento e mais pretensioso do que deveria. Pra mim a abordagem do diretor e da Warner está corretíssima; o Batman dos novos tempos tem que ser exatamente assim. Mas dá pra dosar mais o marketing da próxima vez pra eu não cansar do filme antes mesmo de assisti-lo, tio?

quinta-feira, 17 de julho de 2008

Expectativa Batman: "Jokerman", Bob Dylan


Pra concluir a Expectativa Batman, vamos a uma dupla homenagem ao maior vilão da história dos quadrinhos e aos seus intérpretes maiores: Cesar Romero (no seriado dos anos 60), Jack Nicholson (no filme de 1989) e agora o precocemente falecido Heath Ledger. "Jokerman", clássico de Bob Dylan lançado em 1983 no disco Infidels, é a trilha sonora do dia. Vejamos o que meu irmão Wikipedia diz da música:

Um épico surrealista, "Jokerman" contém vários versos que fazem referência à Bíblia (quase 30), muitos dos quais estão listados aqui.

Alguns críticos têm considerado "Jokerman" um protesto político malicioso, dirigido a um "manipulador de multidões... um pervertedor de sonhos". Por debaixo das esotéricas referências bíblicas há palavras populistas batidas que estão em toda parte ("Michelangelo poderia ter esculpido suas características") e que pedem mais ação e menos pensamento acerca das dificuldades ("tolos na corrida onde anjos temem a marcha"). O resenhista da Contemporary Christian Music afirmou que a música era sobre a ambivalente posição dos modernos judeus a partir de uma perspectiva cristã evangélica.


O vídeo clipe está no YouTube, mas não permite embedding. Pra ver, clique aqui.

A letra aí embaixo. É interessante perceber que, assim como o Iron Man da música do Black Sabbath não é exatamente o dos quadrinhos, o Jokerman de Dylan está mais para um sujeito não específico, mas um homem poderoso (político? empresário? eclesiástico?) que abusa de seu poder para brincar com as massas. Em comum com o Palhaço do Crime está talvez o senso de humor doentio e a loucura. A imagem do refrão ilustra isso - "dança no cantar do rouxinol, o pássaro voa alto na luz da lua" - e deve ter sido inspiração para aquela frase do Coringa do filme de 1989: "Tell me something, my friend. You ever dance with the devil in the pale moonlight?" (Diga me uma coisa, meu amigo. Já dançou com o diabo na pálida luz do luar?)

Segue a letra. E rumo ao Cavaleiro das Trevas, macacada.

standing on the water, casting your bread
while the eyes of the idol with the iron head are glowing
distant ships sailing into the mist
you were born with a snake in both of your fists while a hurricane was blowing
freedom just around the corner for you
but with truth so far off, what good will it do

jokerman dance to the nightingale tune
bird fly high by the light of the moon
oh, oh, oh, jokerman

so swiftly the sun sets in the sky
you rise up and say goodbye to no one
fools rush in where angels fear to tread
both of their futures, so full of dread, you don't show one
shedding off one more layer of skin
keeping one step ahead of the persecutor within

jokerman dance to the nightingale tune
bird fly high by the light of the moon
oh, oh, oh, jokerman

you're a man of the mountain, you can walk on the clouds
manipulator of crowds, you're a dream twister
you're going to sodom and gomorrah
but what do you care ? ain't nobody there would want marry your sister
friend to the martyr, a friend to the woman of shame
you look into the fiery furnace, see the rich man without any name

jokerman dance to the nightingale tune
bird fly high by the light of the moon
oh, oh, oh, jokerman

well, the book of leviticus and deuteronomy
the law of the jungle and the sea are your only teachers
in the smoke of the twilight on a milk-white steed
michelangeo indeed could've carved out your features
resting in the fields, far from the turbulent space
half asleep near the stars with a small dog licking your face

jokerman dance to the nightingale tune
bird fly high by the light of the moon
oh, oh, oh, jokerman

well, the rifleman's stalking the sick and the lame
preacherman seeks the same, who'll get there first is uncertain
nightsticks and water cannons, tear gas, padlocks
molotow cocktails and rocks behind every curtain
false-hearted judges dying in the webs that they spin
only a matter of time 'til the night comes stepping in

jokerman dance to the nightingale tune
bird fly high by the light of the moon
oh, oh, oh, jokerman

it's a shadowy world, skies are slippery gray
a woman just gave birth to a prince today and dressed him in scarlet
he'll put the priest in his pocket, put the blade to the heat
take the motherless children off the street
and place them at the feet of a harlot
oh, jokerman, you know what he wants
oh, jokerman, you don't show any response

jokerman dance to the nightingale tune
bird fly high by the light of the moon
oh, oh, oh, jokerman

quarta-feira, 16 de julho de 2008

Expectativa Batman: Top 5 Batmóveis

Sem mais delongas, vamos à lista dos Batmóveis mais importantes da mitologia do Batman.


Batmóvel de 1950 - Em fevereiro de 1950, a revista Detective Comics #156 apresentou um novo Batmóvel. Depois que o carro foi destruído anteriormente perseguindo uma gangue, Batman revelou que ele tinha planos para um novo Batmóvel, um que seria "dez anos à frente de qualquer outra coisa sobre rodas". Embora a forma do carro (o nariz em particular) lembrasse um Studebaker, era tão longo quanto um Chrysler Imperial; no interior era um laboratório completo com armários, assento e um balcão. Outras características do automóvel eram um nariz "lâmina de faca" para cortar barreiras, um refletor no teto do carro que poderia reproduzir o bat-sinal, um toldo de plástico, foguetes propulsores, radares e telas de TV. Desenhos de modelos antigos incluíam a barbatana vertical e a máscara de morcego. Embora a concepção básica se manteria por vários anos, os detalhes específicos do carro evoluiriam várias vezes ao longo dos anos 1950. É considerado um dos modelos mais clássicos do Batmóvel nos quadrinhos e influenciou muitos outros visuais que vieram depois.


Batmóvel da série de TV (1966) - O montador de George Barris é o responsável pela concepção do Batmóvel que iria aparecer no seriado que se tornou clássico. Com apenas três semanas para construir o carro, Barris decidiu utilizar um modelo da Ford, o carro-conceito Lincoln Futura, como base. A Futura funcionou como Batmóvel porque trazia muitas batfunções já incorporadas ao projeto, como as longas barbatanas e capota em bolha. Ele reforçou o visual convertendo o nariz em uma máscara de morcego integrada. Com a carroçaria concluída, o carro foi pintado em preto e detalhes em vermelho para acentuar as linhas de carro. O carro trazia muitos gadgets, como o famoso "motor de turbina atômica" (na verdade, um motor Ford V8), lasers, mísseis, telefone, radar e computador de bordo. Se necessário, o Batmóvel é capaz de um rápido giro em 180 graus graças a dois pára-quedas, e traz ainda um emissor de fumaça para despistar buscas. Por sua popularidade duradoura, a sua influência continuou nas HQs e desenhos animados. Hoje é considerado por muitos como "o" Batmóvel.


Batmóvel da minissérie Cavaleiro das Trevas (1986) - Na história, anos depois da aposentadoria, Bruce Wayne ressuscita Batman quando uma gangue de mutantes ameaça Gotham City. Assim começa uma das mais populares histórias alternativas de Batman. Este é o maior Batmóvel já feito, e facilmente preenche três faixas em uma rodovia. Batman menciona o modo como ele "o modificou durante alguns sórdidos tumultos" 15 anos antes, e que a única coisa que pode danificá-lo "não é deste planeta". Possui armas de tiros, granadas e ataques de lança-foguetes, e oferece a sua própria matriz de armamento pesado. Para além das suas capacidades ofensivas, este Batmóvel está equipado com uma extensa ala médica. Ou seja, é praticamente um tanque de guerra, e é apontado como uma das maiores inspirações para o Tumbler dos filmes novos.


Batmóvel de Tim Burton (1989) - Graças à revitalização do Batman nos quadrinhos dos anos 80 por Frank Miller, a Warner resolveu levar a Morcega pro cinema sob a direção neo-gótica de Tim Burton. Anton Furst foi o desenhista de produção da Gotham City e do Batmóvel. Ele queria o carro diferente de qualquer encarnação anterior, uma combinação de força bruta e de design clássico. A equipe de produção uniu longitudinalmente dois chassis de Impala, e o carro ganhou motor de uma Chevy V8, além de pneus personalizados a la Mickey Thompson, lenda do off-road. O resultado era ao mesmo tempo uma nova concepção e uma junção dos elementos clássicos do veículo. Em vez do morcego-máscara frontal, um nariz de turbina a jato e lanternas baixas. A traseira do carro foi influenciada pelos carros da década de 1930, com um par de barbatanas curtas. No interior, um cockpit semelhante ao de aeronaves, com monitor, sistema de diagnóstico, gravador de CD, e sistema de comando por voz. O carro poderia envolver-se em uma pesada armadura-casulo, e trazia metralhadoras, lança-discos e aríete, além do modo "Batmíssil", onde a parte central do carro se torna um módulo de fuga. Inspirou um veículo similar no desenho Batman: The Animated Series, e é uma das versões mais populares do Batmóvel.


Batmóvel "Tumbler" (2005) - O atual Batmóvel já nsaceu clássico. Batman voltava ao cinema em Batman Begins, depois de oito anos após o malfadado Batman & Robin. Begins foi considerado um reinício que pretendia um Batman mais realista que as versões antigas, daí o famoso veículo também foi redesenhado. Nathan Crowley e o diretor Christopher Nolan desenharam o conceito e Chris Corbould e Andy Smith o construíram. Com nove metros de largura e 15 de comprimento, o carro pesava 2,5 toneladas (a incrível blindagem é um dos seus pontos fortes), mas ainda era capaz de ir de 0 a 60 milhas por hora em menos de seis segundos, com a velocidade máxima de 110 milhas por hora (acho que isso dá 137 Kh/H). Graças ao seu design único, também é capaz de fazer saltos de até nove metros. No modo ataque, o banco do condutor move-se para o centro do carro, e o motorista é reposicionado com o rosto para baixo com a cabeça no centro entre as rodas dianteiras. Isto serve para blindar mais o motorista e a posição reduz o risco de lesão quando fizer manobras extremas de condução. Um par de metralhadoras na frente do carro, entre as rodas dianteiras, além de bombas para furar pneus dos carros que o perseguem, completam o arsenal básico do carro.

Fontes: o site de fãs do Batmóvel de 1966 e o Batmobile History

Expectativa Batman: Top 5 BatFails

Uma das coisas mais infames da internet é o Failblog, cujo objetivo é receber dos internautas imagens de situações sem noção, "vacilos". Baseado no tal blog, vamos elencar cinco entre os momentos mais infames do Batman em seus 69 anos de existência.


Ace, o Bat-Cão (Ace, the Bat-Hound) - Antes da editora DC Comics lançar em 1985 um evento chamado Crise nas Infinitas Terras, que arrumou sua bagunçada cronologia, seus personagens passaram por muitos anos de coisas bizarras. Nos anos 50, os quadrinhos de heróis focaram muito no público infantil por conta da censura imposta pelos conservadores, que viam o preconceituoso livro Sedução do Inocente, de Fredric Wertham, como uma bíblia.

Apenas tudo isso justifica que Super-Homem e Batman tivessem cachorros de estimação que também os ajudavam a combater o crime. O Super tinha Krypto e Batman tinha Ace, o Bat-Cão, que surgiu nos quadrinhos em 1955! Após Crise, o faceiro pastor alemão-morcego saiu de cena de uma vez por todas. No entanto, voltou recentemente à cultura pop no desenho animado de seu colega, Krypto, voltado para - adivinhem - o público infantil.


Bat-Mirim (Bat-Mite) - Outra cria dos anos 50 - 1959, para ser mais exato -, ele também tem sua origem baseada em experimentos anteriores com o Super-Homem; um dos vilões do Homem de Aço, Sr. Mxyzptlk, era um duende da Quinta Dimensão com poderes quase ilimitados e atormentava o kryptoniano o tempo todo. "Ora, o que funciona com o Super funcionará com o Batman", deve ter pensado os editores quando aprovaram o Bat-Mirim, duende similar ao Mxyzptlk. A maior diferença é que o pequeno era fã do Cavaleiro das Trevas e tentava ajudá-lo com seus poderes, mas como todo atrapalhado da ficção, a ajuda só atrapalhava...

Os fãs mais antigos do Batman costumam lembrar do Bat-Mirim de um dos desenhos animados do Morcego, The New Adventures of Batman, de 1977, onde era um personagem constante. A DC Comics também havia abolido o infeliz nos últimos anos, mas apareceu há poucos meses uma capa de revista onde o Bat-Mirim ressurge estilhaçando uma janela. Até onde sei, a revista contendo essa capa, Gotham Underground, ainda não foi lançada.


Primeira luta do Batman - Batman Ano Um é uma minissérie de sucesso escrita por Frank Miller e desenhada por David Mazzuchelli, na qual a origem do Batman é recontada e atualizada. Uma cena em questão mostra o vacilo de Bruce Wayne. Antes de decidir que o morcego seria a base de seu uniforme, ele decide iniciar a carreira de vigilante sem uniforme, apenas com uma sutil maquiagem de cicatriz e gorro para não o identificarem. Durante uma luta com criminosos próxima ao bordel onde trabalhava Selina Kyle (ainda antes de se tornar a Mulher-Gato), Wayne perde o controle da situação e começa a apanhar feio das prostitutas! É uma cena tensa quando lemos a revista, mas repassando depois, acaba sendo bem engraçado também.


Batman cantando - No ótimo desenho Liga da Justiça Sem Limites, um dos episódios mais esquisitos é quando a Mulher-Maravilha é transformada em uma porca (!) por uma vilã. Para salvar a amiga, sabendo que não tem como rivalizar em poderes com a tal vilã, Batman resolve negociar. Ela reverte o feitiço, mas em troca o orelhudo precisa dar a ela um segredo pessoal muito importante. Daí, já que estavam se enfrentando em uma boate, ele resolve revelar que sabe cantar! Sim, o temido e respeitado Cavaleiro das Trevas solta um petardo brega digno de Agnaldo Timóteo por uma boa causa, mas que o momento é constrangedor, isso é.


Batman apanhando de maloqueiros - Batman às vezes sai de Gotham e inventa de enfrentar bandidos em outros países. Veio parar no Brasil, até, e aqui se deu mal, pois teve que enfrentar trombadinhas no Rio de Janeiro. Como o Morcego tem um rígido código de ética que o impede de machucar crianças, só lhe restou apanhar dos pivetes. Batman enfrenta gente ultrapoderosa como o Super-Homem na boa, mas perde de crianças? Tsc. Fail!

Fontes: meu irmão Wikipedia e o Melhores do Mundo

terça-feira, 15 de julho de 2008

Expectativa Batman: 10 motivos para idolatrar Batman Feira da Fruta


Segunda parte da série de posts sobre a morcega. Agora vamos analisar calculadamente um dos maiores fenômenos que cercam o Batman na internet brasileira: o fanfilm paródico Batman Feira da Fruta, ou Filme do Batiman (sim, a grafia é errada mesmo).

Para quem vive em Vênus, aqui vai um resumo rápido da história: um episódio inteiro da série camp do Batman (aquela dos anos 60, estrelada pelo gordinho Adam West) foi redublado com um monte de palavrões e diálogos inverossímeis por três adolescentes paulistas, os irmãos Antônio e José Luis Camano, mais o amigo Fernando Penatti. A sátira foi gravada em 1981, como uma reles brincadeira de tarde, em um videocassete JVC 6700 com entrada para microfone, e era exibida apenas para amigos do trio, mas foi redescoberta e difundida pela internet desde 2003.

É melhor assistindo do que explicando, então taí. Importante: a dublagem nos primeiros minutos é a dublagem original brasileira do episódio. A redublagem mesmo só começa de fato pouco depois dos créditos da produção, lá pelo segundo 3:25.



Agora vamos aos 10 fatos que transformaram Feira da Fruta em um clássico:

1 - Lançou tendência: nem em 1981, nem em 2003 existia o Tela Class, criação dos humoristas da MTV Hermes e Renato. Não existia O Destino de Miguel, paródia sem sal (na minha opinião) do elenco do finado programa Sexo Frágil (Globo) mais convidados; e não existia as inúmeras redublagens toscas que povoam a internet, como o Seu Madruga maconheiro ou as de Vale Tudo do Las Bibas From Vizcaya. Depois do "Bátima", as redublagens se tornaram cool.

2 - Tosco, porém refinado: a grande maioria das pessoas que assistem ao vídeo pela primeira vez não acha muita graça. Não parece muito diferente daquela brincadeira de infância de redublar uma conversa distante entre dois estranhos. Mas algo meio "O Chamado" acontece após o vídeo: você fica repassando as cenas na cabeça e só aos poucos vem o clique: "pô, aquilo é MUITO engraçado". Por mais paradoxal que seja, o humor do vídeo é tão tosco que se torna pós-modernamente sofisticado, pois você demora a assimilá-lo...

3 - Chavões para a vida toda: ...e assim que finalmente assume ser fã do vídeo, o passo seguinte é obrigatório: repetir os bordões da sátira em inúmeras situações, transformando-as em um dialeto próprio. "Eu vô comer a tia do Bátima" = "vou me dar bem", "Você quer um charuto, meu filho? É havano!" = "quer ganhar um presente?" e "não abre, senão vai cair o meu pinto" = "não faz isso, é perigoso!", e por aí vai. Só funciona, claro, entre amigos que também sejam fãs do vídeo.

4 - A trilha sonora: "Feira da Fruta" era uma música do Grupo Capote, banda baiana que tocava às vezes em parceria com Tom Zé. O repertório misturava ritmos tradicionais nordestinos, como o forró e o maxixe, com os instrumentos eletrônicos e a batida típicos dos grupos de rock, e sobretudo uma boa dose de humor nas letras. "Feira da Fruta" chegou a ter um pequeno sucesso no Carnaval de 1973. O deboche da canção levou os criadores do vídeo a incluí-la em quase todas as cenas, o que reviveu o interesse pela música, que antes do sucesso do vídeo já estava no limbo da MPB. É impossível não cantá-la depois de assistir à paródia.

5 - Palavrões sem medo: até nos dias de hoje, o palavrão é um grande tabu. Imagine em 1981. Em entrevistas, Fernando assume que quando diz no vídeo "Robin, modere o seu linguajar, por favor" era para Antônio parar de falar tanto palavrão, já que eles não sabiam quem poderia assistir a fita depois. No entanto, o palavreado desbocado é talvez um dos maiores fatores de sucesso do vídeo, justamente pela subversividade que o ato de falar palavrão ainda representa.

6 - O nonsense: Quem já assistiu ao Tela Class ou O Destino de Miguel sabe que eles fizeram edições para encaixar a história da paródia nas cenas escolhidas. Além disso, os diálogos da dublagem foram escritos previamente. Com o Batman Feira da Fruta não teve nada isso. O episódio da série, "Um adversário à altura de um medonho bandido", foi redublado quase por inteiro, e totalmente em tempo real. Ou seja, todas as falas foram improvisadas à medida que o videocassete exibia as cenas. Os únicos cuidados prévios foram três: ficou combinado que Fernando dublaria o Robin e Antônio o Batman; antes da gravação de fato, assistiram à gravação pelo menos umas dez vezes, até sentirem-se prontos; e faziam pausas quando não conseguiam segurar as risadas. Resultado: muitas falas não faziam o menor sentido. Por exemplo, em uma das cenas Robin está em campo, disfarçado, e se comunicando com Batman em um microfone. Daí vem o diálogo: "Batman, tá me escutando, seu bicha??". "Vamo parar com esse xingamento, hein?" "Então liga o radinho nessa merda!". Daí o espectador se pergunta o que ligar o rádio do carro tem a ver com xingamentos...

7 - A "atuação": O improviso, amadorismo e cara-de-pau do trio de dubladores se reflete nas "atuações" e se mistura às próprias atuações da série camp. Assim como no original, Batman tem um jeitão canastríssimo e Coringa mantém seus tiques efeminados, mas com um carregado e hilário sotaque paulista. Robin, no entanto, em vez de ser o bom moço de sempre, se torna um moleque malcriado aos extremos. Mas o destaque fica para "Clotilde" (Suzy, no original), uma coadjuvante do episódio que é líder de torcida. Como não havia uma mulher naquela tarde da dublagem, Antônio se encarregou de dublar a moça. O falsete fake do rapaz é um dos pontos altos do vídeo. Um fã do Feira da Fruta não consegue mais associar as cenas ao enredo do episódio original.

8 - A proporção na internet: No Orkut, uma busca por "Feira da Fruta" rende apenas 24 (opa!) comunidades hoje, mas não é o bastante, pois existem inúmeras que foram criadas com os bordões do "filme", como "eu vo come a tia do batima", "c ké um charuto? eh havano", "Robin Viadinho", etc. Talvez a maior ainda seja a "Filme do Batiman", com mais de 12 mil associados. No YouTube pipocam trechos do vídeo, além da versão integral (acima). Existem "continuações" não-oficiais, dubladas por outros sujeitos. Um cara no MySpace fez até dois funks com os diálogos. A verdade é que, sem a internet e as intervenções dos internautas, dificilmente o Feira da Fruta teria ganho a popularidade que ganhou.

9 - Instant celebrities: já quarentões e barrigudos, Antônio Camano e Fernando Penatti, idealizadores do vídeo (José Luiz só fez uma participação dublando o Comissário Gordon), entraram para o rol de celebridades de internet. No maior bom humor e falta de noção, os dois até particaparam de um evento dedicado ao vídeo, em 2003, com as máscaras de Batman e Robin.

10 - Difícil de enjoar: Por todos os motivos acima, os fãs do vídeo geralmente têm o hábito de assistir ao dito cujo inúmeras vezes, sempre prestando atenção em detalhes que passaram despercebidos antes, como um efeito sonoro ou uma fala mal articulada. Uma degustação que só costumamos fazer com as obras-primas.

Fontes: Jornalista de Merda, Wikipedia e comunidades do Orkut

segunda-feira, 14 de julho de 2008

Expectativa Batman: Morcego Vermelho e Morcego Verde

Se você não agüenta mais ouvir falar no Batman, então azar o seu, pois eu tô doido pra ver o filme novo, O Cavaleiro das Trevas. Então pra passar os próximos dias, vou fazer uns posts de cultura inútil sobre a morcega por aqui. Simbora!

Para quem não sabe, muitas das criações da Disney nos quadrinhos não são criações de artistas dos Estados Unidos. A Abril durante muitos anos abrigou uma redação de quadrinhistas brasileiros totalmente dedicada à Disney, e eles tinham certa liberdade para criar novas histórias para o público brazuca. É por isso que Zé Carioca, uma criação de Walt Disney dos anos 40 para dois filmes, caiu no limbo no resto do mundo mas no Brasil vivia suas aventuras na Vila Xurupita, uma favela fictícia do Rio de Janeiro.

O texto de hoje é dedicado a duas paródias dos quadrinhistas Disney brasileiros para o "Bátima". A primeira é o Morcego Vermelho, criação de Ivan Saidenberg (inspirado numa ilustração do italiano Giovan Battista Carpi) lançada em 1973. O tal morcego era na verdade Peninha, sobrinho meio abobalhado do Tio Painhas e primo de Donald, que nas horas vagas salvava os inocentes. Quer dizer, "salvava" é modo de dizer, pois o infeliz era do tipo estabanado, que mais atrapalha que ajuda.

Somente Donald conhecia sua identidade secreta, enquanto o Professor Pardal criava seus apetrechos-morcego, que frequentemente davam errado, tais como o pula-pula morcego, o bate-morcego e a moto-morcego. Sua base fica no Beco do Morcego, onde habita a lata-de-lixo morcego. Discretíssima, a tal lata era pintada com um morcego enorme. E tem gente que reclama dos óculos de Clark Kent... falando nele, outro paralelo com os super-heróis é que Peninha e Donald eram repórteres do jornal A Pataca, cujo dono era o Tio Patinhas. Donald também era um herói, o Superpato, mas isso fica para quando estrear o próximo filme do Super-Homem.

Outra criação de Saidenberg para a Disney/Abril foi o Morcego Verde, que como dá para deduzir pelo nome, era o alter-ego do Zé Carioca. Assim como o Morcego Vermelho/Peninha, o Morcego Verde era praticamente Zé Carioca fantasiado, sem mudar uma vírgula da malandragem do papagaio. Inferniza a vida do Delegado Porcôni, chefe da delegacia de Vila Xurupita, e para irritá-lo mais ainda, o chama sempre de Comissário (referência ao Comissário Gordon das histórias do Batman).

Uma das coisas mais engraçadas é que todos na Vila, inclusive seus amigos e namorada, sabem que o Morcego Verde é o Zé Carioca, mas ele nunca assumia isso. Seu fiel ajudante é o urubu Nestor, que carrega para todo lado um ventilador, para dar um efeito esvoaçante à sua capa. Seus meios de transporte mais comuns são o morcego-ônibus (ele anda de transporte coletivo e acredita não precisar pagar a passagem por ser herói) e, em especial, a morcegocleta, bicicleta que pega emprestado do vizinho. Outro detalhe engraçado era o uniforme, com destaque pros óculos de aro grosso (!!), o deixavam mais perto de Woody Allen do que do Homem-Morcego.

Seu principal rival é outro "super-herói", o Super-Galo (alter-ego do Zé Galo, outra criação da Disney brazuca), que quer concorrer em popularidade com o Zé Carioca. Outro herói da Vila é o Capitão Porreta (alter-ego do Pedrão, amigo de Zé Carioca).

Os dois morcegos conseguiam sempre cumprir as missões com a ajuda da sorte, como por exemplo tropeçando nos bandidos, mas as histórias logicamente privilegiavam as trapalhadas e apuros que passavam durante as missões, como armadilhas que não davam certo ou quando fugiam de vilões mais fortes que eles.

Fontes: meu irmão Wikipedia e Universo HQ.